Os 20 anos da queda do muro de Berlim - Parte I
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por Luiz Carlos Azenha
Poucas vezes vi uma ilustração tão própria como a que o jornal O Globo escolheu para acompanhar a carta-testamento de Fernando Henrique Cardoso.
O ilustrador Cláudio Duarte está de parabéns.
Primeiro, pela originalidade. A não ser por duas ou três ocasiões, nunca tinha visto esse uso de um defeito físico alheio para mandar uma mensagem política. Uma dessas ocasiões foi em Roraima, quando apoiadores do prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero, usavam os quatro dedos de Lula para denunciar o que diziam ser interferência federal. Foi quando o governo mandou a PF evitar violência entre as partes envolvidas na disputa pelas terras da reserva Raposa Serra do Sol. Violência que, na verdade, partiu de Quartiero e outros grileiros e não foi episódica. Vinha sendo praticada há alguns anos sob as barbas das autoridades brasileiras.
Mas, voltando ao Duarte, além de "original" o trabalho dele exibe nuances que capturam toda a complexidade da cena política brasileira. É uma ilustração de fineza e sutileza ímpares. Teria sido sofisticação intelectual do Duarte escolher o "Stop", em inglês, para sugerir a matriz do pensamento fernandista? Ou o ilustrador se deixou trair pelo próprio macaquismo intelectual? Só perguntando a ele.
De qualquer forma, acho que a ilustração resume a qualidade intelectual e moral do projeto político capitaneado pelo governador paulista José Serra. Deveria fazer parte da campanha dos tucanos em 2010.
Fonte: http://www.viomundo.com.br/opiniao/em-o-globo-oposicao-a-lula-nao-fala-portugues/
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O número de companhias com áreas de sustentabilidade está em expansão, o que aumenta o número de vagas, dizem especialistas.
Para Isak Kruglianskas, coordenador do Programa Estratégico de Gestão Socioambiental da FIA (Fundação Instituto de Administração), os profissionais devem pensar na sustentabilidade como "o grande motor da inovação que será a saída para o desemprego".
A senadora Marina Silva (PV-AC) afirma que considera as áreas "uma oportunidade", mas que cada um "deve seguir sua ética profissional para não fazer maquiagem" ambiental.
Entre as empresas que atualmente expandem a área está o Grupo Maggi (agroindústria), que vai criar uma diretoria de responsabilidade e sustentabilidade. Segundo Nereu Bavaresco, diretor de recursos humanos, a questão da sustentabilidade começa no recrutamento. "Buscamos pessoas que compartilhem nossos valores."
Cargos
A área ambiental está dividida entre os cargos técnicos, em que a graduação deve ser em geografia ou gestão ambiental, por exemplo, e os executivos, em que também são aceitos profissionais de outras áreas, como jornalistas, psicólogos, engenheiros e economistas.
Independentemente da formação, o consenso é que o profissional que quer fazer carreira como diretor de uma área de sustentabilidade precisa ter especialização e conhecimento do negócio.
Paulo Sérgio Muçouçah, da OIT, ressalta que não é a formação que define um emprego verde, e sim a atividade.
"Um biólogo pode pesquisar organismos geneticamente modificados [e não ser verde] ou trabalhar com a conservação da biodiversidade [e ser]".
A bióloga Fernanda Ormonde, 27, coordenadora de eventos responsáveis da Reclicagem, considera seu emprego verde. "Fazemos a gestão ambiental de feiras, incluindo cuidar dos resíduos", afirma ela, que tem pós-graduação em gestão ambiental.
Especialização
André Carvalho, professor de pós-graduação do GVCes (Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas), diz que a especialização na área é buscada por profissionais de vários setores.
"Antes, só se podia ser sustentável na Amazônia. Agora, é possível trabalhar na área na avenida Paulista ou na [avenida Engenheiro Luiz Carlos] Berrini", diz, referindo-se a dois centros de negócios de São Paulo.
Embora o curso seja um caminho para atuar na área, em alguns setores, ele não é valorizado, segundo Gustavo Parise, gerente-executivo da Michael Page. Pare ele, a especialização em ambiente não é prioritária para quem atua em marketing e vendas, por exemplo. Nesses casos, opina, "é muito mais "perfumaria", infelizmente".
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Pré-sal, Copa e Olimpíada devem gerar investimentos de R$ 37 bilhões por ano, em média, até 2016
O Brasil foi confirmado como sede da Copa de 2014 em 30 de outubro de 2007. Nove dias depois, a Petrobras anunciou a maior descoberta da indústria petrolífera mundial em três décadas. Em meados de 2008, o país recebeu as duas primeiras notas de “grau de investimento”, e sua resistência à crise serviu de pretexto para a terceira delas, conferida em setembro passado. Para completar, há um mês o Rio de Janeiro “conquistou” a Olimpíada de 2016.
Dois anos atrás, cartomante nenhuma prenunciaria destino tão generoso. Compreende-se por que a mídia estrangeira, talvez cansada da China, esteja tratando o Brasil por “bola da vez”, “país do momento” e “potência do século 21 a se observar” – mais ou menos como fez o escritor austríaco Stefan Zweig há quase 70 anos, ao classificá-lo de “país do futuro”. Profecias e exageros de lado, desta vez há vários indícios, ao menos no campo econômico, de que os próximos anos são mesmo promissores.
Aparentemente, dinheiro haverá. Algo entre R$ 190 bilhões e R$ 260 bilhões em investimentos, de 2010 a 2016. Isso numa estimativa conservadora, que leva em conta somente o orçamento da Petrobras para os blocos já licitados do pré-sal (que respondem por 28% da área total) e o desembolso previsto em instalações esportivas e infraestrutura de mobilidade para a Copa e os Jogos Olímpicos.
Em outros termos, mesmo desconsiderando o efeito multiplicador desses investimentos, o país poderá contar com um “extra” anual de até R$ 37 bilhões, em média, pelos próximos sete anos. Esse valor equivale a quase tudo o que foi aplicado no chamado eixo logístico do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – de acordo com o governo federal, desde 2007 foram R$ 37,5 bilhões em obras como a recuperação de 4,5 mil quilômetros de rodovias. Com essa verba, também seria possível construir umas 130 “Linhas Verdes” como a de Curitiba.
Fatia considerável do “orçamento petroesportivo” brasileiro irá para a construção civil, um dos setores que mais “distribui” benefícios por diferentes cadeias produtivas e que é grande gerador de empregos. Daí que as perspectivas para o mercado de trabalho também animam. Os preparativos para Copa e Olimpíada devem gerar 4,3 milhões de empregos até 2016, o que dá mais de 600 mil vagas por ano – quase metade dos postos formais gerados no país em 2008.
O universo das projeções é exuberante, mas aproveitar a esperada fartura dos próximos sete anos dependerá muito da eficiência do setor público, responsável por grande parte das obras planejadas. Motivo para pé atrás. “Pré-sal, Copa e Olimpíada são possibilidades. Que podemos ou não aproveitar”, pondera o economista Luciano Nakabashi, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Os dois eventos esportivos, por exemplo, representam uma boa ocasião para o país melhorar sua infraestrutura de transportes. Agora, se esse tipo de investimento não sair, o efeito dos eventos sobre a economia será muito limitado.”
O professor Jedson de Oliveira, da Estação Business School, faz eco. “Após quase 40 anos de deslizes, o Brasil tem a grande oportunidade de deslanchar e se tornar um importante ator no cenário mundial. Mas tudo remete à necessidade de expandir o nível de investimentos”, diz o economista, referindo-se à chamada “formação bruta de capital fixo” (FBCF), mais conhecida como taxa de investimento ou taxa de poupança. Trata-se do dinheiro que, em vez de ser usado para consumo, é “poupado” na forma de infraestrutura, máquinas, equipamentos e outros ativos que permitem à economia crescer mais no futuro.
Em 2008, empresas e governo investiram R$ 549 bilhões, 19% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa taxa, a maior da década, ainda ficou longe do ideal – para que a economia cresça mais de 5% ao ano de forma sustentável, sem pressionar a inflação, exige-se algo próximo de 25% do PIB. A crise piorou o quadro, ao reduzir a taxa de poupança para apenas 16% entre janeiro e junho de 2009. Mas, se apenas o “orçamento petroesportivo” for cumprido à risca, pode-se esperar um incremento anual da ordem de 1,3% do PIB no nível de investimento.
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O COLORADO será o primeiro filme de ficção brasileiro tendo como personagem um clube de futebol. A história, que terá exteriores em uma cidade do interior do estado e na capital Porto Alegre, contará a trajetória de um menino pobre em busca de sua redenção pelo futebol. Sinopse: Ficha Técnica: Fonte: http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt§ion=Blogs&post=241883&blog=217&coldir=1&topo=3951.dwt
Espelhado na história cheia de percalços de tantos guris brasileiros, o projeto de longa-metragem, aprovado recentemente pela Agência Nacional de Cinema (ANCINE), nasceu de uma iniciativa das produtoras Panda Filmes e Tree Top. Estas firmaram termo de parceria com a direção do Sport Club Internacional de Porto Alegre, semana passada.
O filme, a ser realizado no inicio de 2010, está de olho não somente na fiel torcida colorada, mas mirando um espectro muito mais significativo do público cinéfilo que gosta de uma boa história de enfrentamento de obstáculos e superação, sem esquecer o amplo mercado de aficionados pelo futebol.
Gabriel tem um sonho. Que não é só dele, mas de muitos outros meninos. Um dia seu pai lhe conta a história do “gol iluminado” de Figueroa e diz que ele pode ser jogador de futebol. E ele nunca mais esquecerá essas palavras. Gabriel terá um longo caminho pela frente. Ele vai ter que enfrentar todos os seus medos, a perda do pai e encarar os obstáculos, mesmo que sua vida mude completamente. Não importa. Gabriel tem um sonho: jogar no Sport Club Internacional.
Direção – Paulo Nascimento e Beto Rodrigues
Produção – Beto Rodrigues e André Sittoni
Roteiro – Leo Garcia e Zeca Brito
Idéia Original - André Sittoni
Produtoras – Panda Filmes e Tree Top.
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Um dos mais importantes centros de estudos em tecnologia do mundo, o MIT, nos Estados Unidos, deu início aos planos para inaugurar seu primeiro centro de estudos voltado para o Brasil, parte da iniciativa internacional MISTI. O objetivo do projeto é criar grupos de solução de problemas específicos em tecnologia e ciência, e evidencia uma tendência nova para as análises do Brasil nas maiores universidades dos EUA. Em vez de formar os tradicionais brasilianistas, que se debruçavam sobre a realidade histórica, social e cultural do país como um lugar exótico e distante, a academia norte-americana passou a encarar o Brasil como um importante ator global, referência em diferentes assuntos científicos e passando por quase todas as áreas de conhecimento.
Esta nova forma de encarar o Brasil está se disseminando pelos Estados Unidos. A reportagem do G1 entrevistou diretores de centros de estudos sobre o país e a América Latina em Harvard, Stanford, Universidade da Califórnia em Berkeley e MIT (Massachusetts Institute of Technology), universidades que aparecem no topo dos principais rankings de melhores instituições de ensino superior do mundo. Segundo eles, não há dados que comprovem um grande aumento no interesse acadêmico pelo Brasil, mas há uma mudança na abordagem, uma inclusão do país em áreas que antes ignoravam o que acontecia por aqui.
“De fato, houve uma mudança”, explicou Harley Shaiken, diretor do Center for Latin American Studies em Berkeley, por telefone. “Essa é a mais importante nova tendência em estudos brasileiros. Nós incentivamos essa forma de incluir o Brasil em outros estudos mais gerais. Se há uma pessoa trabalhando com energias renováveis, por exemplo, ela pode não ser especialista em Brasil, mas deve haver grupo de pessoas de estudos do Brasil que podem entrar em contato com este pesquisador. E nós tentamos incentivar estes contatos”, disse.
Segundo as universidades ouvidas, esta nova realidade envolve especialmente assuntos relacionados a energia renovável, ambiente, desenvolvimento, sustentabilidade, negócios, e há um grande grupo de pesquisadores que está se especializando em temas que precisam olhar para o Brasil.
Para o paulista Marcio Siwi, que vive nos EUA há dez anos e há dois atua no programa de estudos brasileiros do Centro David Rockefeller de Estudos Latino-Americanos em Harvard, “há temas em que o Brasil virou referência e que atraem muito o interesse de alunos e professores. Pode-se falar em aquecimento global, desenvolvimento sustentável, Amazônia, todos esses assuntos que são importantes para os Estados Unidos elevam a enfocar no Brasil como uma referência. O mesmo acontece nos estudos sobre desigualdade.”
‘Boom’ Brasil
Segundo o diretor do Programa Brasil do MIT, Ben Ross Schneider, mesmo com o surgimento deste e de outros novos centros de estudos sobre o país nos EUA,não há indícios para afirmar que o Brasil vive um momento de maior popularidade na academia norte-americana. Os estudos do Brasil, explicou, são descentralizados, e há programas neste sentido em muitas universidades.
“Eu acabo de mudar da universidade Northwestern, em Chicago, onde há um programa de estudos, que continua existindo. Talvez haja um crescimento, mas é impossível dizer que há uma onda de popularização dos estudos do Brasil. Sempre há centros importantes desses estudos, que mudam de local de tempos em tempos”, disse, em entrevista concedida pelo telefone. Segundo ele, entretanto, pelo menos uma centena de alunos do MIT já demonstraram interesse em participar do grupo que está sendo criado por ele.
Siwi, por outro lado, diz que percebe um certo aumento no interesse dos estudantes de Harvard pelo Brasil. “A quantidade de alunos que demonstram interesse no estudo do idioma português, por exemplo, cresceu muito nos últimos anos, o que gera uma diferença enorme no entendimento de o que é o Brasil e quais as diferenças do país em relação ao resto da América Latina.” Segundo ele, isso é algo que existe em todas as partes dos Estados Unidos.
O mesmo acontece na Califórnia, segundo Shaiken. Em Berkeley, diz, há claramente um aumento no interesse e no número de pesquisas envolvendo o Brasil, mas muito deste crescimento vem das pessoas que não são brasilianistas, mas trabalham assuntos em que o Brasil é um protagonista. “Neste nível há muito mais interesse de que havia no passado. Não é apenas um crescimento contínuo, mas um momento de empolgação com uma gama de ideias e possibilidades que envolvem o Brasil. Isso não significa que o país seja estudado tanto quanto mereça. Acho que trata-se de um país extraordinário em um momento único e é preciso mais estudo e mais atenção. Há muitos assuntos que aproximam pesquisas em diferentes áreas do Brasil, mas não se pode dizer que o número de alunos da universidade que estudam o Brasil triplicou, pois não há dados sobre isso. O crescimento, entretanto, é real.”
Shaiken, de Berkeley, credita a mudança que se percebe a uma maior familiaridade dos norte-americanos com temas relacionados ao Brasil, que vem se tornando menos exótico. “O Brasil está se tornando mais familiar, e há ao mesmo tempo muita admiração por coisas que estão acontecendo no país e críticos. Há uma mistura, mas o Brasil realmente é uma força global e muitos sentidos, e essa emergência faz com que o país seja visto com muito interesse, mas de fato sem parecer exótico.”
Gerações brasilianistas
Para Hebert S. Klein, que dirige o Centro de Estudos Latino-Americanos de Stanford, o que para algumas pessoas aparenta ser um crescimento no interesse é, na verdade, uma demonstração da mudança do perfil dos pesquisadores, e de uma mudança de geração, passando dos brasilianistas que iniciaram trabalho nos anos 1960 para novos acadêmicos que ainda se debruçam sobre a realidade do país.
“Na prática, nós temos uma mudança geracional, mas não há uma mudança relevante no volume de pesquisas sobre o Brasil. Trata-se de um tema sólido na academia norte-americana, bem estabelecido, mas que não tem um crescimento acentuado. Não há um boom, mas uma produção sólida e a geração mais velha vem sendo substituída, mantendo uma regularidade nas publicações sobre o Brasil.”
Segundo ele, no lugar do que querem chamar de “boom”, há um “não-declínio” do tema na academia, apesar da mudança de gerações. “Nessas novas gerações, há pessoas realizando pesquisas interessantes na universidade de Rice, na de Arizona, aqui em Stanford, em Rutgers, na UCLA, são todos pesquisadores em torno dos 40 anos, espalhados pelo país.”
Pesquisador de Harvard, Siwi concorda com esta visão e define o momento alegando que estamos numa época em que se repensa o que é um brasilianista. “Eles existem, vão continuar existindo e são importantes nessas áreas de humanidades. O que vemos agora, entretanto, são cientistas, que seu tema é ciência e que incluem o Brasil em seus trabalhos. Há um professor, por exemplo, que analisa os desafios globais relacionados com a água, e que inclui o Brasil em sua pesquisa, por ser um país muito importante na área. O Brasil está ganhando espaço em áreas que antes não davam atenção ao país.”
Segundo ele, o outro perfil do brasilianista não vai desaparecer, não perde espaço. Mas criou-se espaços novos que antes não existiam.
“Não há um impacto menor
Um artigo publicado na edição desta terça-feira do jornal "Financial Times" afirma que "o Brasil é a potência do século 21 a se observar".
Assinado pelo comentarista Michael Skapinker, o artigo compara duas visões antagônicas do país - uma negativa, na qual se sobressaem problemas de violência e desigualdade social, e uma positiva, que ressalta uma economia pujante e plena de recursos naturais. Sem tomar partido por uma das visões, o comentarista diz que o país será "a grande história do próximo ano".
Os fundamentos de sua avaliação foram apresentados por ele em um recente encontro que reuniu jornalistas de diferentes publicações internacionais.
"O Brasil acabava de passar por uma crise financeira em boa forma. O país estava sentado em uma vasta descoberta de petróleo em alto mar. Havia testemunhado a maior abertura de capital do mercado neste ano - os US$ 8 bilhões colocados em bolsa pelo braço brasileiro do Santander. Seria também a sede de dois dos maiores eventos esportivos do mundo: a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016."
Para Skapinker, o outro lado da moeda seria a violência. "Não pude esconder certa palpitação em relação às desvantagens conhecidas do Brasil", diz ele, citando relatos e notícias de furtos, assaltos à mão armada a sequestros.
"Não vi nada disso", diz o comentarista, que recentemente fez sua primeira visita ao Brasil. "Mas dois dias após minha saída do país, enfrentamentos armados entre gangues rivais no Rio custaram pelo menos 14 vidas, incluindo as de três policiais mortos quando o helicóptero em que estavam foi abatido."
Para o comentarista, "é grande crédito do Brasil que, durante vários dias de encontros e entrevistas no Rio e em São Paulo, ninguém negou que o crime violento é uma realidade no país, e pode ter um sério impacto no seu desenvolvimento".
Já pelo lado positivo, diz Skapinker, "o Brasil é um país com imenso potencial, um povo acolhedor e diverso, excelente comida e diversas empresas de porte mundial".
"Diferentemente da China, o Brasil não tem conflitos étnicos agudos e é uma democracia partidária. Os brasileiros reclamam da corrupção de seus políticos, mas apontam que, ao contrário dos Estados Unidos, os resultados das eleições presidenciais - a próxima é em outubro de 2010 - são anunciados rapidamente."
O comentarista acrescenta que a riqueza petroleira, em um país que produz a maior parte de sua energia de hidrelétricas e etanol, representa um "prospecto intrigante". "Os brasileiros sabem que o petróleo pode ser uma maldição ou uma bênção. A maneira como empregarem sua nova riqueza determinará se o país se tornará uma força no século 21."
O comentarista encerra o artigo retomando sua idéia inicial. "O Brasil será uma grande história - não apenas no próximo ano mas por muitos anos."
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A projeção foi feita pela MB Associados e tem como pano de fundo a retomada do emprego, com aumento real dos salários, a melhora no cenário para os empréstimos bancários, o reajuste de aposentados e pensionistas e a elevação dos gastos do governo. Se confirmada, a expansão superará o ritmo de antes da crise.
O valor de R$ 90,3 bilhões é quase o dobro do crescimento no consumo que deve ser registrado em 2009, de R$ 52,6 bilhões, e supera os R$ 85,2 bilhões de 2008. Em uma conta simples, considerando-se a participação do Paraná na economia nacional, o consumo no estado poderá crescer R$ 4,5 bilhões em 2010, 70% mais do que os R$ 2,63 bilhões de 2009.
Além da retomada do crédito por parte dos bancos, a MB leva em consideração a manutenção dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, a aprovação do reajuste real de 5,7% do salário mínimo e a continuação do crescimento dos gastos do governo. “Será um empuxo de renda, em valores, ainda mais forte do que o observado em 2008”, diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB.
Pela primeira vez, aposentados e pensionistas que ganham acima de um salário mínimo terão reajuste real, de 3%. Até então, a correção era feita com base na inflação. Pelas projeções da MB, a classe média, composta por quem ganha de três a cinco salários mínimos, é a que mais vai ter crescimento de renda, com um acréscimo de R$ 17,1 bilhões.
“O consumo, mais uma vez, terá papel importante no crescimento da economia”, diz Thais Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg Consultores Associados. De acordo com ela, o crédito para pessoa física voltou ao normal desde maio e o de pessoa jurídica só não decolou porque a demanda das empresas diminuiu por causa da crise.
“Na verdade o consumo não parou de crescer. Agora, no entanto, vamos retomar o ritmo de aumento que víamos antes da crise. Vamos ver um choque de confiança, baseado na redução das incertezas, na melhora da atividade econômica e no aumento da renda”, diz Marcelo Neri, pesquisador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Segundo ele, o avanço da renda terá efeito em todas as classes sociais. O Bolsa Família favorece a classe E. A classe D será beneficiada pelo salário mínimo, e o reajuste para os aposentados que ganham mais de um salário terá impacto nas classes A, B e C. De acordo com Neri, o processo de ascensão social dos últimos cinco anos voltará a se acelerar.
Nesse período, 32 milhões de pessoas migraram para as classes A, B e C. “Com a crise, houve uma queda na participação da alta renda, mas o processo de recuperação já começou”, afirma. Neri prevê também uma maior desconcentração da renda, com forte crescimento fora dos grandes centros. “Teremos um cenário muito mais favorável, com inflação sob controle, taxas de juros menores e desigualdade em queda.”
Além da renda, um outro motor do consumo deve ser a expansão do mercado de trabalho. Pouco antes da crise, o emprego com carteira assinada crescia a taxas anuais de 7%. “Acredito que voltaremos a esse nível no próximo ano”, prevê Neri.
Contas públicas
Segundo Márcio Cruz, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), os gastos do governo para inflar a renda em 2010 ainda guardam relação com as medidas anticíclicas adotadas para conter os efeitos da crise econômica. “Nos próximos anos, mantido o crescimento anual na casa dos 5%, deve ser retomado o debate em torno da redução dos gastos por parte do governo”, afirma. O professor observa que o setor de infraestrutura e a indústria de transformação, que neste ano levaram um tombo, devem puxar o movimento de recuperação.
No embalo das eleições, o governo vai financiar quase metade do aumento da renda em 2010, o que vai criar uma pressão ainda maior sobre as contas públicas. De acordo com a MB, essa fatia deve ficar em 49,4%, respondendo por R$ 35,9 bilhões. Em 2008, a proporção foi bem menor, de 27%.
“O governo está aumentando seus gastos permanentes em um momento em que a economia já está em recuperação. Uma iniciativa desse porte se justifica neste ano, mas não no próximo, quando teremos um crescimento de 5%”, analisa Vale.
Endividamento
Pelo estudo da MB Associados, também haverá crescimento do endividamento em 2010. A renda crescerá menos do que o consumo, o que significa que parte das compras das famílias será financiada por meio do crédito. O aumento das dívidas, no entanto, não preocupa. Para o especialista em finanças pessoais Raphael Cordeiro, o endividamento não é problema em tempos de crescimento de atividade econômica e retomada do emprego.
Esses fatores inibem a inadimplência, melhorando também as condições oferecidas pelas instituições financeiras na hora de conceder crédito. Ele diz esperar também que a concorrência entre os bancos melhore as condições de acesso ao crédito no próximo ano. Para ele, mesmo com o provável aumento da taxa de juros, o consumo deve se manter aquecido. “Na verdade, esse aquecimento já começou, com a previsão de recuperação da economia já em 2009. O Brasil deve crescer 1% neste ano”, projeta.
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