30 setembro, 2007

The Verve - Lucky Man




Já que eu sou um sortudo, acompanhem esse clipe do The Verve.

E viva a SORTE !

29 setembro, 2007

Os indianos chegaram


A Mahindra começa a vender carros no Brasil e adota uma agressiva estratégia de preço para brigar no mercado local

LANA PINHEIRO
A contagem regressiva começou. Em apenas 15 dias, os primeiros carros indianos chegam ao mercado brasileiro. O jipão invocado da foto aí embaixo, batizado de Scorpio pela fabricante Mahindra, é montado no Brasil, tem rede exclusiva de concessionárias e meta de vender três mil unidades em 2008. Se os planos se concretizarem, em seu ano de estréia o primeiro carro indiano será o nono modelo mais vendido num segmento que tem como líder a Toyota Hilux, com 19 mil unidades.



A estratégia concentra-se essencialmente no preço. A versão SUV do Scorpio será vendida por R$ 85 mil, contra R$ 100 mil em média dos concorrentes. É um 4x4 a diesel, tem banco de couro, ar-condicionado e capacidade para sete pessoas. Quem preferir levar a versão picape cabina simples, com os mesmos atributos, desembolsa R$ 70 mil. A de cabina dupla sai por R$ 78 mil. O primeiro lote do carro deixará a fábrica de Manaus para as 15 concessionárias Mahindra esta semana e o modelo ainda não foi testado. Nem consumidores, nem especialistas rodaram com o carro. “Vamos começar de maneira discreta com presença na mídia impressa e canais fechados de televisão”, antecipa o diretor comercial da empresa, José Francisco Oliveira.
R$ 50 foi o investimento feito na fábrica que monta os carros Mahindra em Manaus
Tudo para não criar uma demanda incompatível com a capacidade de produção de 300 unidades/mês da fábrica de Manaus. Aos poucos, durante 2008, o trabalho de expansão será focado na rede de revendas. Das 15 lojas iniciais, a rede crescerá até 90 em cinco anos. As peças de reposição, garante Oliveira, serão de 15% a 20% mais baratas do que as da concorrência. Algumas delas passarão a ser produzidas por aqui, aumentando o índice de nacionalização dos atuais 52% para 62% em um ano. A presença dos indianos, no entanto, ainda desperta dúvidas. Pelas projeções da consultoria CSM World- Wide, a Mahindra não venderá mais do que 750 unidades em 2008. “A estrutura deles é muito pequena”, diz Juliano Leme Alquati, analista da CSM. Mas a Mahindra chega no momento certo: nunca o brasileiro comprou tanto carro. Ventos que podem beneficiar os pequeninos em terras de gigantes.

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/523/artigo62587-1.htm

Marcadores: , ,

INDIA - O elefante e a auto-estrada




No caminho para a modernidade, a Índia cresce a mais de 9%, mas ainda se enrosca com a pobreza do campo e a cultura de castas




LUCIANO SUASSUNA - Nova Déli, Índia






A estrada que liga a capital da Índia a seu principal centro turístico tem 200 quilômetros, mas nem é preciso chegar ao final para entender o longo e árduo caminho do país para a modernidade. “Essa é uma sociedade múlti – multiétnica, multirreligiosa, multilingüística, multicultural”, diz Sanjaya Baru, conselheiro do primeiro-ministro Manmohan Singh. Multipopulosa, com 1,1 bilhão de habitantes, a Índia tem quase 20% dos seres humanos da Terra, mais da metade deles com idade inferior a 25 anos. Na rota da globalização, os indianos assumem uma direção multibarulhenta. As agências de notícias disparam boas novas sobre a economia, mas o caos cotidiano é o cartão de visitas inegável para quem chega ao país.
Logo na periferia de Nova Déli, pedestres, bicicletas, motos e os indefectíveis tuk-tuks se espremem e quase se atropelam em meio a um contínuo bipbip, como se a mão na buzina fosse o suficiente para abrir passagem para o progresso. A via expressa que leva a Agra, onde fica o Taj Mahal, segue o padrão internacional de duas pistas, acostamento e canteiro central. Mas, ao longo de sua extensão, os diversos estágios de desenvolvimento de um povo negociam e disputam seu lugar na sociedade, em cenas que traduzem o planeta Índia.

Milhares de pessoas se agrupam em pequenos aglomerados urbanos, espécie de multifavela que margeia a rodovia. São quase sempre uns caixotes de tijolo com portas de ferro de enrolar, como os depósitos de bebidas da periferia do Brasil. Sobre cada uma delas, enormes placas informam o que se vende ou se produz ali. No surto de livre iniciativa, o indiano se superfatura – o borracheiro abriga um outdoor de um fabricante de pneus e o vendedor de celulares ocupa a fachada com a propaganda da operadora.



A incrível poluição visual traduz um sentimento empreendedor, mas a realidade capitalista do indiano médio ainda é menor que o desejo. Menos de 40 milhões, 10% da força de trabalho, têm emprego formal e, desses, 21 milhões estão ligados ao setor público. Ou seja, há uma burocracia enraizada a ponto de exigir que, ao cruzar uma fronteira interna, um carro precise ter documentos carimbados para ingressar no Estado vizinho.
A parada é um aglomerado de caminhões antigos, de desenho soviético. O acostamento e uma das pistas viram estacionamento para carros que se alinham transversalmente. Cria-se então verdadeira muvuca, palco ideal para os artistas de rua que se apresentam para o show: vendedores de bugigangas, encantadores de serpentes, macacos amestrados e travestis surgem entre carros e caminhões em busca de qualquer rúpia trocada.
Mas a multifavela às margens da rodovia é também o retrato de uma urbanização tão caótica quanto incipiente – quase 70% dos indianos vivem em áreas rurais, muitos numa economia agrícola de padrão semifeudal. Ainda assim, o país produz 600 milhões de toneladas de alimentos e é o campeão mundial de leite e de cana-de-açúcar.
A estrada, assim como as relações entre as diversas religiões, etnias e castas indianas, segue um código próprio – uma convenção fora dos padrões ocidentais. Pedestres, bicicletas e riquixás, a carruagem puxada pela tração humana, ocupam o acostamento. A seu lado, motoqueiros sem capacete ziguezagueiam. Um deles leva na garupa uma mulher sentada de lado, vestida com o colorido sári, e entre os dois está uma criança de não mais do que seis anos. Um tuk-tuk, aquele triciclo verde e amarelo com capota de plástico, sem vidros nas janelas (confira foto nesta pág.), carrega mais de 20 pessoas onde só deveriam sentar cinco. Deitado sobre a capota do tuk-tuk, um jovem indiano ri, cabelos ao vento e braços e pernas esticados como Tom Cruise em Missão impossível.




No acostamento, um elefante caminha com um adolescente imberbe sentado em seu lombo. Outro da mesma idade cruza as pistas tocando um rebanho de búfalos. Vacas de raça zebu trafegam, com a sonolência que o calor de quase 40º C autoriza, entre o acostamento e o canteiro central. Na pista de baixa velocidade, um camelo puxa uma enorme carroça, carregada de mercadorias embrulhadas em grossos lençóis brancos. Cachorros na pista pontilham os quilômetros, levando a reduções abruptas de velocidade. A Índia dos animais sagrados desfila ao vivo e em cores na contramão da via expressa para o progresso.
O trânsito mata quase 100 mil pessoas por ano, mas só agora a questão da segurança começa a entrar na agenda do país. Num pedaço mais livre da estrada, uma família de classe média acelera seu pequeno, mas moderno, carro indiano a quase 100km/h. Nada espantaria um olhar ocidental, a não ser o único detalhe de o pai dirigir com o bebê no colo. Todos os caminhões informam em seu pára-choque traseiro: buzine, por favor (horn please) – ou em versão mais radical, blow horn (enfie a mão na buzina). Um trator invade a pista em sentido contrário, levando os carros a adotar o segundo conselho. Todos enfiam a mão na buzina ao mesmo tempo.
Na estrada entre Déli e Agra, vale a lei do mais forte – quem é maior força a passagem, quem é menor pisa no freio e puxa para o canto. Ao lado desse trânsito selvagem, a rodovia apresenta cinco novas e enormes escolas de administração, engenharia e tecnologia – uma prova de que, no caminho para o futuro, o país acelera na direção correta.
No quadrimestre encerrado em agosto, a Índia cresceu a uma taxa de 9,3% contra uma inflação inferior a 4% ao ano. E as novas faculdades são o melhor antídoto contra um dos muitos obstáculos ao desenvolvimento – o sistema de castas, no qual cor da pele, língua, religião, sobrenome, jeito de vestir e/ou maneira de falar denunciam a origem e indicam os lugares de cada um na sociedade. Num SUV novo em folha, levam-se 4h30 para percorrer os 200 quilômetros de Déli a Agra. Na Índia, a estrada da modernidade é longa. E o caminho nunca é deserto.


http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1979/artigo62641-1.htm#



Marcadores: , , , , ,

28 setembro, 2007

O empreendedorismo de Pato Branco

Em meados de 1996, escrevi sobre o modelo de desenvolvimento de Pato Branco, na gestão Alceni Guerra – o ex-Ministro da Saúde do governo Collor, alvo de uma campanha implacável da mídia e, posteriormente, inocentado de todas as acusações.
Ontem, no Seminário Softwares Inovadores, do Projeto Brasil, Alceni contou sua epopéia, e passou um belo roteiro a ser seguido por outros prefeitos empreendedores.
***
O primeiro passo foi dado ainda em 1987, quando foi reeleito deputado federal pelo Paraná e, depois de muita malícia, conseguiu do então presidente José Sarney que instalasse em Pato Branco o Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica) previsto para o Paraná – e que estava sendo disputado por Londrina e Curitiba.
A partir do Cefet, o objetivo foi transformar Pato Branco um pólo de conhecimento. O processo se acelerou em meados dos anos 90, quando Alceni foi eleito prefeito da cidade e deu início a um forte processo de atração de professores, especialistas, mestres e doutores para fomentar a educação técnica, tecnológica e superior.
Tudo bancado pelo governo federal, através do Cefet.
***
Em seguida foi lançado o projeto “Pato Branco, Sécjulo 21”, com alguns objetivos muito nítidos, entre os quais o de, até 2020, colocar a cidade em primeiro lugar no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país.
Foram propostos quatro programas paralelos: de desenvolvimento econômico; desenvolvimento tecnológico; desenvolvimento urbano e qualidade total nos serviços públicos. E também dez missões seqüenciais. A da área da saúde, por exemplo, consistia em elevar a vida média da cidade para 85 anos – o que implicava em reduzir a mortalidade infantil e aprimorar o atendimento de emergência. Outra, foi implantar o ensino em tempo integral, projeto que alcançou 100% das crianças e reduziu em 70% a depredação de patrimônio público.
***
O esforço seguinte foi na criação de incubadoras de empresas. Criou duas em tecnologia da informação e uma para hardware.
Do governador Jaime Lerner, Pato Branco ganhou uma Oscip, o Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento. Em 2003, a Oscip ganhou o prêmio de melhor instituto de pesquisa do país, concorrendo com Unicamp, USP e Embrapa Centro-Oeste. O último passo foi a criação de um Centro Biotecnológico Agro-Industrial.
***
Este ano, a cidade já contabiliza 32 empresas de software e possui um dos melhores Parques Tecnológicos do País. Para que o modelo de Parques Tecnológicos seja bem sucedido, Alceni faz algumas recomendações:
1. Não se podem ter professores universitários estáveis e sem estímulos adicionais à livre competição de mercado, porque eles se acomodam. Tem que se encontrar a melhor maneira de premiar por produtividade.
2. A cidade sede de um Parque Tecnológico tem que ser assessorada por institutos de planejamento urbano, para melhorar a qualidade de vida, a auto-estima e fazer os parques serem disputados.
3. Há a necessidade de uma política de compras governamentais para garantir o sucesso dos parques.O governo do Paraná, por exemplo, compra US$ 500 milhões de softwares por ano. Nenhum centavo do Parque Tecnológico de Pato Branco.
Números de TI
Dados de Fernando Graton, Diretor de Relacionamento da TCS (a Tata indiana), recém instalada no Brasil, indicam que os EUA contratam 80% de todas as importações de serviços do mundo. O Brasil fornece menos de 1% do que o mercado norte-americano exige. O Brasil exporta apenas 4% do que produz internamente. Do mercado de US$ 3,2 bilhões do Brasil, US$ 2 bilhões são gastos com importações de software.
Mão-de-obra brasileira - 1
Um dos grandes problemas da indústria de TI (tecnologia da informação) brasileira é que existem muitos médicos e poucas enfermeiras. Ou seja, muito analista de sistema e pouco programador. Com isso os próprios analistas (os que planejam o sistema) escrevem os programas. Há um desperdício de mão-de-obra, e o analista, por ser ele próprio o planejador, não documenta o trabalho feito.
Mão-de-obra brasileira – 2
Hoje em dia, um programador brasileiro ganha o mesmo que um da Índia. Quando entram os encargos, são de 10% na Índia; de mais de 100% no Brasil – e aí a competitividade vai para o buraco. Francelino Grando, um dos autores da Lei de Inovação, e agora no MDIC (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior) mencionou como prioridade a desoneração da folha para empresas de TI.


http://www.projetobr.com.br/web/blog/6#4377

Marcadores: , , ,

26 setembro, 2007

Dois nunca foram tão iguais

Como na foto, dois nunca foram tão iguais. :D

New York Times - Cidades repensam leis contra imigrantes ilegais

Há pouco mais de um ano, o Comitê Municipal desta desbotada cidade fabril fez com que esta se tornasse a primeira municipalidade em Nova Jersey a aprovar uma legislação penalizando quem contratasse ou alugasse para imigrantes ilegais.
Em questão de meses, centenas, talvez milhares de imigrantes recentes do Brasil e de outros países latino-americanos fugiram. O barulho, a agitação e o trânsito que acompanharam sua chegada ao longo da última década, diminuíram.
A lei funcionou. Talvez, para alguns, bem demais.
Com a partida de tantas pessoas, a economia local sofreu. Salões de beleza, restaurantes e lojas que atendiam os imigrantes viram seus negócios despencarem; várias fecharam. O comércio que tinha ressuscitado no centro voltou a fechar.
Ao mesmo tempo, a cidade foi atingida por dois processos contestando a lei. As despesas legais começaram a se acumular, comprometendo o orçamento já limitado da cidade. De repente, muitas pessoas -incluindo algumas que eram favoráveis à lei- começaram a ter dúvidas.
Assim, na semana passada, a cidade revogou a lei, se juntando à pequena mas crescente lista de municipalidades de todo o país que começaram a repensar tais leis, à medida que suas conseqüências legais e econômicas se tornaram mais claras.
"Eu acho que as pessoas não sabiam que o impacto econômico seria tamanho", disse o prefeito George Conard, que votou a favor da lei original. "Muitas pessoas não olharam três anos à frente.
"Nos últimos dois anos, mais de 30 cidades em todo o país aprovaram leis para tratar dos problemas atribuídos à imigração ilegal, de falta de moradias e escolas superlotadas à sobrecarga de trabalho para as forças policiais. A maioria destas leis, como a de Riverside, impõe multas e até mesmo pena de prisão para as pessoas que alugam conscientemente imóveis para imigrantes ilegais ou lhes dão emprego.
Em alguns lugares, os empresários fizeram objeção à repressão que afugentou seus clientes imigrantes. E em muitos lugares, as leis foram contestadas na Justiça por grupos de imigrantes e pela União das Liberdades Civis Americanas.
Em junho, um juiz federal concedeu uma liminar contra a lei de imóveis de Farmers Branch, Texas, que impunha multas aos proprietários que alugavam para imigrantes ilegais. Em julho, a cidade de Valley Park, Missouri, revogou uma lei semelhante, após uma versão anterior ter sido derrubada por um juiz estadual e uma revisão ter provocado novos processos. Uma semana depois, um juiz federal derrubou as leis em Hazleton, Pensilvânia, a primeira cidade a aprovar leis proibindo imigrantes ilegais de trabalharem e alugarem residências lá.
Muzaffar A. Chishti, diretor do escritório de Nova York do Instituto de Política de Migração, um grupo sem fins lucrativos, disse que a decisão de Riverside de revogar sua lei -que nunca foi aplicada- foi claramente influenciada pela decisão de Hazleton, e ele previu que outras cidades farão o mesmo.
"As pessoas em muitas cidades agora estão pesando os custos sociais, econômicos e legais de tentar tais leis", ele disse.
De fato, Riverside, uma cidade de 8 mil habitantes situada na margem oposta do Rio Delaware, em relação à Filadélfia, já gastou US$ 82 mil defendendo sua lei e corre o risco de ter que arcar com as despesas legais dos querelantes se perder na Justiça. A batalha legal forçou a cidade a adiar a pavimentação de ruas, a compra de um caminhão de lixo e reparos na prefeitura, disseram as autoridades. Mas se a meia volta de Riverside poderá reparar seu orçamento, poderá levar anos para cicatrizar as feridas emocionais causadas quando a lei "nos colocou no mapa nacional de um modo ruim", disse Conrad.
Grupos de defesa rivais no debate da imigração transformaram esta cidade sonolenta em um exemplo para suas causas. Diante das câmeras, Riverside foi alternadamente rotulada como um enclave racista e uma cidade lutando pelos valores americanos.
Alguns moradores que apoiaram a proibição no ano passado agora estavam relutantes em discutir sua posição, apesar de culparem os forasteiros por interpretarem erroneamente seus motivos. A maioria disse que a lei foi um sucesso, porque afugentou os imigrantes ilegais, apesar de ter prejudicado a economia.
"Ela mudou um pouco a face de Riverside", disse Charles Hilton, o ex-prefeito que pressionou pela lei. (Ele foi afastado do cargo pelo voto no ano passado, mas disse que não foi porque apoiou a lei.)"O distrito comercial está praticamente vazio agora, mas não são os negócios legítimos que fecharam", ele disse. "São aqueles que apoiavam os imigrantes ilegais, ou, como costumo chamá-los, estrangeiros criminosos.
"Muitos negócios que continuam funcionando estão passando por dificuldades. Angelina Guedes, uma cabeleireira nascida no Brasil, abriu A Touch from Brazil, um salão de beleza, na Scott Street há dois anos para atender à população imigrante. A certa altura, ela contava com 10 funcionários.Os negócios rapidamente secaram após a aprovação da lei contra os imigrantes ilegais. Na semana passada, no que costumava ser uma tarde movimentada de quinta-feira, Guedes comia salada e fazia as unhas de uma amiga, enquanto cinco cadeiras permaneciam vazias.
"Agora só eu trabalho", disse Guedes, 41 anos, falando uma mistura de espanhol e português. "Todos partiram. Eu também quero ir embora, mas não consigo porque ninguém quer comprar meu negócio."Várias vitrines na Scott Street estão vazias ou tampadas com tábuas, com placas de "à venda" penduradas. Os negócios caíram pela metade na River Dance Music Store de Luis Ordonez, que vende celulares, perfumes e faz remessas de dinheiro pela Western Union. Na porta ao lado, seu restaurante, o Scott Street Family Cafe, que conta com um cardápio multiétnico em inglês, espanhol e português, estava vazio na hora do almoço.
"Eu vim para cá à procura de oportunidade de abrir um negócio e encontrei, e as pessoas também precisavam do serviço", disse Ordonez, que é do Equador. "Ficava lotado e todos se esforçavam para fazer o melhor para sustentar suas famílias.
"Alguns se adaptaram melhor do que outros. Bruce Behmke abriu a lavanderia R&B Laundromat em 2003, após ter visto imigrantes arrastando sacos de lixo cheios de roupas para uma lavanderia a 1,5 quilômetro de distância. Os negócios prosperaram em sua pequena loja, onde há anúncios de emprego em português pregados em um mural e cópias do jornal "Brazilian Voice" se encontram ao lado da porta.
Quando as vendas despencaram no ano passado, Behmke iniciou um serviço de tinturaria para jovens profissionais.
"Isto aqui virou uma cidade fantasma", ele disse.Imigração não é uma novidade para Riverside. Antes um resort de verão para os moradores da Filadélfia, a cidade há um século foi ímã para imigrantes europeus, atraídos por suas fábricas, incluindo a Philadelphia Watch Case Company, cuja carcaça vazia ainda paira sobre a cidade. Até os anos 30, os minutos das reuniões do conselho escolar eram marcados em alemão e inglês.
"Sempre há algum bode expiatório", disse Regina Collinsgru, que dirige o jornal local "The Positive Press" e cujo marido esteve entre a onda de imigrantes portugueses que vieram para cá nos anos 60. "Os alemães foram os primeiros, houve problemas quando os italianos vieram, depois quando os poloneses vieram. Esta é a natureza de muitas cidades pequenas.
"Os imigrantes da América Latina começaram a chegar por volta de 2000. A maioria era de brasileiros atraídos não apenas pelos empregos em construção em meio ao boom do mercado imobiliário, mas também pela presença de empresas de língua portuguesa na cidade. Entre 2000 e 2006, estimaram os donos de negócios e autoridades locais, mais de 3 mil imigrantes chegaram. Não há números confiáveis sobre o número de imigrantes que estavam ou não legalmente no país.
Como as ondas anteriores de imigrantes, os brasileiros e latinos provocaram reações conflitantes. Alguns lojistas adoraram os dólares adicionais gastos nas ruas Scott e Pavilion, vias públicas modestas que ancoram o centro da cidade. Mas alguns moradores se esquivavam das lojas onde o português e o espanhol eram as línguas preferenciais. Alguns prestadores de serviço se beneficiaram da nova oferta de mão-de-obra barata. Outros reclamavam de concorrência desleal de rivais que contratavam trabalhadores sem documentos.
Nas ruas residenciais arborizadas da cidade, alguns moradores admiravam o ânimo dos recém-chegados, que freqüentemente trabalhavam seis dias por semana, e alguns até mesmo começaram a praticar capoeira, a arte marcial brasileira. Mas muitos vizinhos odiavam as vans brancas com placas de outros Estados e escadas no teto, estacionadas em locais que antes consideravam seus. As bandeiras brasileiras que tremulavam em várias casas irritavam muitos moradores mais antigos.
Não se sabe se os imigrantes brasileiros e latinos que deixaram Riverside retornarão. Com o declínio do mercado imobiliário, pode haver pouca razão para voltar. Mas se voltarem, alguns residentes disseram que eles poderão provocar novas tensões.
Hilton, o ex-prefeito, disse que alguns imigrantes ilegais já começaram a voltar para a cidade. "Não é o Velho Oeste como era antes, mas pode voltar a ser."

Marcadores:

24 setembro, 2007

Dualib admite que o título do Corinthians de 2005 foi roubado


Dualib admite que o título do Corinthians de 2005 foi roubado

Conversa entre o ex-presidente e Renato Duprat foi gravada pela PF

O ex-presidente do Corinthians Alberto Dualib declarou que o título brasileiro de 2005 foi "roubado". A gravação, feita pela Polícia Federal e obtida pela TV Record, foi divulgada no programa Terceiro Tempo deste domingo e mostra Dualib conversando com o empresário Renato Duprat, representante da MSI no clube. Na ligação, o dirigente se queixa do fraco time montado em 2006:
– Eles vão falar como é que ganhou no ano passado? Ganhou, mas olha se não tivesse aquela m....daquela anulação de 11 jogos nós estávamos fora. Porque campeão de fato e de direito seria o Internacional. Porque nos últimos cinco jogos nós tínhamos 14 pontos na frente e chegamos, entendeu, um ponto só, roubado, roubado.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta segunda, o procurador-geral do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmidt, disse que as provas contra o Corinthians estão sendo investigadas e um relatório será remetido ao presidente do STJD, Rubens Approbato Machado. Sobre a possibilidade do título de 2005 ser entregue ao Inter, Schmidt foi cauteloso:
– É um pouco difícil de se avaliar nesse momento. É preciso ter provas mais contundentes do que declarações. Temos que ver de que forma isso se deu. A probabilidade maior é que não haja cassação de título por falta de provas. Fica difícil de afirmar qualquer coisa – salientou.
O presidente do Inter na época, Fernando Carvalho, também comentou o episódio. O ex-dirigente reconhece que é muito difícil time paulista peder a taça. Entretanto, destaca que o Colorado está atento e espera que o Tribunal investigue de fato as declarações de Dualib:
– Tem que haver a investigação, e tem que partir das declarações do ex-presidente do Corinthians. Eu espero que o Tribunal avalie bem e se flagarem irregularidades, esse título passe para o Inter. Assim como ocorreu na Itália, não seria um fato inédito no futebol mundial – afirmou.

19 setembro, 2007

Soja "asfixia Amazônia", diz francês "Le Monde"

Uma reportagem do jornal "Le Monde" afirma que a Amazônia se encontra "asfixiada pela soja".
O longo texto do vespertino francês afirma que a commodity é "um dos mais ferozes inimigos da floresta brasileira".
"Está a floresta condenada? Desde 1960, um quinto de sua superfície já foi derrubada. Hoje, é a cultura da soja que a ameaça", escrevem do Pará --que chamam de "faroeste brasileiro"-- os repórteres do "Monde".
A reportagem descreve como os produtores de soja vivem o que chamam de "guerra fria" contra ambientalistas, sobretudo ativistas do Greenpeace, uma das organizações não-governamentais mais críticas em relação aos sojicultores amazônicos.
"A tensão é palpável", diz o jornal. "Na Cooper Amazon, empresa que distribui fertilizantes, Luis Assunção, o diretor, não esconde sua raiva: 'Aqui, agora, é a guerra. Uma guerra fria'".
Os repórteres relatam a desconfiança gerada pela presença de estrangeiros no Pará, e destacam as manifestações recorrentes de sojicultures que afirmam que "a Amazônia pertence aos brasileiros".
Contra os argumentos de que a soja ajuda a Amazônia a se desenvolver, o "Monde" questiona: "Quem se beneficia deste desenvolvimento?"
O jornal lembra a violência que continua opondo grileiros e posseiros no campo, os assassinatos contra ativistas sociais e membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), e as repetidas revelações de trabalho escravo em fazendas da área rural.
Por fim, o jornal diz que "o pior está por vir" com o que chama de "explosão dos biocombustíveis", um fenômeno que obrigaria a conversão de mais áreas de plantio para a cana-de-açúcar e empurraria a soja mais para dentro da floresta.

Marcadores: , , ,

"The New York Times" critica álcool dos EUA e defende o do Brasil

Um editorial do jornal "The New York Times" critica nesta quarta-feira a produção americana de álcool a partir do milho, e afirma que o biocombustível brasileiro, feito da cana-de-açúcar, faz "mais sentido" economicamente.
O texto, intitulado "Os altos custos do etanol", argumenta que o álcool produzido nos Estados Unidos "é caro", e que traz "diversos riscos", como o aumento do preço dos alimentos.
"Os preços do milho já aumentaram 50% em relação ao ano passado, e estima-se que os preços da soja subam até 30% no próximo ano, à medida que os produtores substituírem suas colheitas de soja por milho", sustenta o "NYT".
"O custo cada vez maior de alimentar os animais eleva os preços de produtos lácteos e carne de frango."
O jornal critica a sobretaxa de US$ 0,54 aplicado pelo governo dos EUA a cada galão importado de álcool brasileiro.
Na outra via, nota o editorial, produtores americanos recebem um subsídio de US$ 0,51 por galão de etanol, sem contar os "subsídios generosos" de que os fazendeiros do milho já gozam.
"A economia do etanol do milho nunca fez muito sentido", avalia o "NYT".
O jornal diz que existe uma "grande esperança" na produção do chamado álcool de segunda geração, produzido a partir dos restos da colheita --da celulose das plantas, por exemplo. Acordos para desenvolver este tipo de tecnologia foram assinados pelo Brasil na semana passada com países nórdicos.
"O que é errado é deixar que a política --do tipo que leva a subsídios desnecessários, invasão das paisagens naturais que deveriam ser deixadas intactas e elevação nos preços dos alimentos, que prejudicam os mais pobres-- e não a ciência e a economia sólidas conduzir a política energética dos EUA."

Marcadores: , ,

18 setembro, 2007

Banco Mundial vê Bolsa Família como modelo

O programa Bolsa Família, que chega a quase 46 milhões de brasileiros, está longe de ser uma unanimidade. Entre as críticas que recebe, uma das mais freqüentes é a de que gera dependência e desestimula a busca por emprego. Até a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) já afirmou que o programa "vicia" e que deixa os beneficiários "acomodados".
Não é o que pensa o Banco Mundial, um dos financiadores do projeto e patrocinador de sua expansão por vários países. Diversas pesquisas indicam que o benefício não desestimula o trabalho e a ascensão social. Pelo contrário, afirma Bénédicte de la Brière, responsável pelo acompanhamento do programa na instituição.
"O trabalho adulto não é impactado pela transferência de renda. Inclusive, às vezes, alguns adultos trabalham mais porque têm essa garantia de renda básica que permite assumir um pouco mais de riscos em suas ocupações."
Em entrevista exclusiva a Terra Magazine, Bénédicte de la Brière fala sobre erros e acertos do Bolsa Família, do combate a desvios de recursos e da expansão internacional do programa, da África a Nova York.

Bénédicte de la Briere - Há alguns dias o Banco Mundial se referiu ao Bolsa Família como "uma revolução silenciosa". O programa é considerado modelo?
Terra Magazine - O Bolsa Família é herdeiro de uma longa tradição de programas de renda condicionada no Brasil, que começou com programas municipais e que foram expandidos no começo dos anos 2000, com o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação. Nesses anos de aperfeiçoamento, o Brasil acumulou uma grande experiência de gestão. Definitivamente, o programa está se tornando uma referência na América Latina e em outras regiões.
Ouve-se falar muito de desvios no Bolsa-Família, de pequenas cidades onde as pessoas beneficiadas são ligadas a políticos ou participam de esquemas de compra de votos. Até que ponto o programa chega a quem efetivamente precisa dele e de que forma essa eficácia é aferida?
É verdade que há registros freqüentes de desvios na mídia. Mas, quando você analisa os dados de pesquisas domiciliares, como a PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, você se dá conta de que o Bolsa-Família é o programa mais bem focalizados na região. Do total de recursos, 80% chegam aos 40% mais pobres, o que está na média dos programas mais eficazes, e o programa tem uma cobertura universal no nível de municípios.
Essa é a melhor maneira de verificar, as pesquisas são de alta qualidade, independentes, do IBGE, que tem cobertura nacional. Existe uma grande diferença entre a percepção de desvios, que é muito importante, e a ocorrência de desvios, que está no nível do que se espera para os programas mais eficazes.
Quero ressaltar que esses erros acontecem em todos os programas. E existe um balanço muito delicado para um gestor, entre tratar de controlar esses erros muito frontalmente, o que é muito caro, e entregar mais recursos para pessoas necessitadas, talvez com um maior grau de erro.

E como controlar os desvios?
O governo brasileiro tem tomado várias atitudes para reduzir esses desvios. Quando o programa começou, ele herdou o cadastro único que havia sido desenvolvido para o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação. Juntou os cadastros dos diferentes programas e, em 2006, fez um recadastramento geral de toda a população beneficiária, o que gerou uma grande limpeza da base de dados. Também a cada mês a base do cadastro único está sendo batida com a da RAIS, que tem informações dos trabalhadores do setor formal, além de bases de óbitos e outras. Uma série de checagens da qualidade da informação.
Por outro lado, o governo está aprimorando todo um sistema de controle, desde estruturas de controle social no nível dos municípios até as instâncias de controle federal, como as auditorias da CGU Controladoria Geral da União. Outra fonte de controle na qual o Brasil está bastante forte é o funcionamento do número de telefone 0800-707-2003 no qual as pessoas podem denunciar irregularidades. O processo de acompanhamento dessas queixas tem melhorado bastante. É um processo de aprendizagem contínua, porque você consegue controlar certo tipo de erro ou de fraude e vão aparecendo outros. Mas a gestão do programa está muito atualizada nas técnicas que utiliza para poder resolver essas questões.

Os críticos do Bolsa Família dizem que o programa cria uma geração de pessoas dependentes da ajuda do Estado. Já os entusiastas afirmam que, graças à essa ajuda do Estado, essas pessoas - ou seus filhos - conseguirão alcançar uma inserção no mercado de trabalho e se livrar da miséria. Quem tem razão neste debate?
Outra vez, é uma questão de percepção contra evidências. Você sempre vai encontrar alguém que diga "eu tenho Bolsa Família, não vou trabalhar mais", mas isso não é um fenômeno corroborado pelas estatísticas.
Todos os programas de transferência condicionada de renda recebem essa crítica de assistencialismo e geração de dependência. Nos programas que têm feito avaliações rigorosas, inclusive o Bolsa Família, esse efeito nunca é comprovado. A única diminuição de oferta de trabalho que acontece é a de trabalho infantil.
O trabalho adulto não é impactado pela transferência de renda. Inclusive, às vezes, alguns adultos trabalham mais porque têm essa garantia de renda básica que permite assumir um pouco mais de riscos em suas ocupações. Avaliações de impacto feitas em 2005 não mostraram diferenças de comportamento dos adultos em relação a ofertas de trabalho entre os que participavam e os que não participavam do Bolsa Família.
É uma inquietude motivada, em parte, pela novidade de entregar dinheiro às famílias pobres. Mas nunca se provou, nas avaliações rigorosas que foram feitas no México, na Colômbia, na Nicarágua, no Equador... No México temos avaliações de longo prazo, porque o programa já tem dez anos de existência. O que se mostrou é que as famílias, quando têm certeza do benefício, economizam e investem até 25% em microempreendimentos, em criação de aves, em máquinas de costura etc.

Os beneficiários do programa têm de atender a determinadas condições, como colocar os filhos na escola, frequentar postos de saúde etc. A fiscalização do atendimento dessas condições é eficaz? Um pouco como a fiscalização da focalização, ela sofreu um processo de aprimoramento muito forte. É preciso lembrar que o Bolsa Família resultou da fusão de quatro programas, e um dos grandes desafios foi harmonizar os sistemas de informação. O monitoramento das condicionalidades de educação está bastante alto. Há mais desafios para monitorar as condicionalidades de saúde, mas é muito mais complicado. Quero enfatizar que o programa aprende fazendo, que tem inovado muitíssimo desde 2003, aprimorando não só os sistemas de informações mas também a consciência dos gestores sociais e dos beneficiários.

Quantos programas são abertamente inspirados no Bolsa Família?
Em 1997, quando a idéia dos programas de transferência de renda começou a ganhar força, havia três países no mundo com essa experiência: Bangladesh, México e Brasil. Agora quase todos os países da América Latina têm um programa desses. Há muito interesse de países africanos, incluindo África do Sul, Quênia e Etiópia. Há programas na Turquia, no Camboja, no Paquistão, em vários países do sul da Ásia. E Nova York está começando um que se inspira explicitamente no programa brasileiro e no programa mexicano. Egito, Indonésia, África do Sul, Gana e outros países africanos mandaram representantes ao Brasil para conhecer o programa.

Em dez ou 15 anos teremos menos brasileiros atendidos pelo programa?
Isso depende muito de fatores que não têm nada a ver com o programa, como o crescimento econômico mundial, a situação macroeconômica.
Esses programas visam a resolver a pobreza de hoje e quebrar o círculo vicioso da pobreza através do investimento no capital humano das crianças, através da educação, da saúde. Na medida em que esses programas amadurecem, eles tomam outros desafios, entre eles a inserção econômica dos beneficiários. O termo porta de saída não é muito feliz, o mais correto é fomentar a entrada dessas pessoas para a cidadania.
Um dos ativos que as pessoas pobres têm é a sua mão de obra. Por isso há uma ênfase grande nessa segunda geração de programas em potencializar esse ativos das pessoas. Ou seja, fomentar a educação dos jovens, para que passem do nível básico, fomentar o capital humano dos adultos, através da alfabetização e da formação profissional e técnica. Uma vez consolidada a arquitetura básica dos programas eles podem buscar acelerar a inserção dessas famílias no ciclo econômica da sociedade.

Marcadores: ,

14 setembro, 2007

O Brasil Real e o Brasil da Fantasia

As tres reportagens publicadas abaixo sao uma pequena amostra das mudancas que acontecem no Brasil Real, da Economia Real.
Obvio que essas mudancas deveriam ter ocorrido enquanto nossa patria “crescia e se desenvolvia” nos anos 70, 80 e tambem nos anos 90.

O Brasil da Fantasia, esse deixo para os outros.

"Os investimentos em conhecimento geram os melhores dividendos."
Benjamim Franklin1706-1790
físico e político norte-americano

Desemprego tem maior queda em 10 anos e renda sobe, diz IBGE


A Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), pesquisa mais abrangente feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para tratar de mercado de trabalho, aponta que a taxa de desemprego no Brasil registrou em 2006 a maior queda em dez anos. Já a renda dos trabalhadores atingiu o mesmo patamar de 1999. Mesmo assim, a pesquisa mostra que o país ainda reduz de forma lenta o retrato da distribuição de renda.
O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, afirmou que apesar das melhorias nos indicadores, acelerar a distribuição de renda ainda constitui o
maior desafio do país. Ele também citou a ampliação de acesso à rede de água e esgoto e a maior ampliação da formalização no mercado para aumentar a parcela de trabalhadores que contribuem para a Previdência.
Segundo a Pnad, a taxa de desemprego no país ficou em 8,5% em 2006 após atingir 9,4% no ano anterior. No entanto, ela ainda é superior à marca de 1997, quando atingiu 7,8%. A renda dos trabalhadores aumentou 7,2% em 2006 frente a 2005 --trata-se do maior crescimento desde 1995. Entre 2004 e 2005, ela já tinha subido 4,6%. O IBGE cita o aumento do salário-mínimo de 13,3% frente a 2005 como um dos principais fatores para o aumento do
poder de compra dos trabalhadores.
O Nordeste foi a região em que todas as classes de rendimento tiveram aumento do poder de compra, diz a pesquisa. Nas demais regiões houve aumento da renda, mas em extratos de menor poder aquisitivo. Segundo a pesquisadora Marcia Quintslr, o efeito mais forte no Nordeste pode ser resultado indireto de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que movimentam a economia, embora não influam diretamente nos rendimentos.
Na comparação com 2005, a taxa de desemprego caiu em quase todas as regiões. Uma das exceções ficou com o Maranhão em que subiu de 6,2% para 7,0%.
De acordo com Cimar Azeredo, gerente da Pnad e da PME, a queda do desemprego era esperada. "Em 2005 houve uma recuperação e, em 2006, uma solidificação do mercado de trabalho, que está absorvendo mais e mostrando maior qualidade do emprego", disse.
Desconcentração de renda
A Pnad mostra ainda que o Brasil obteve uma ligeira melhora na distribuição de renda. O Índice de Gini, indicador de desigualdade de renda (quanto mais perto de 1, mais desigual o país) em relação à renda domiciliar per capita mostrou uma suave redução na desconcentração de 0,532, em 2005, para 0,528, em 2006. Em 2004, o índice era de 0,535.
As diferenças regionais permaneceram marcantes. Em 2006, 12,7% do total de domicílios do país tinham rendimentos até um salário-mínimo. No Nordeste essa parcela correspondia a 25,3%, a maior do país. Por outro lado, 3,0% do total de domicílios tinham rendimentos acima de 20 salários-mínimos.
"Continuamos em um cenário de concentração alta e de diferenças regionais marcantes", afirmou Quintslr. "Prosseguimos em uma trajetória de grande concentração."
Escolaridade
A pesquisa aponta também que os brasileiros com maior escolaridade têm mais dificuldade em encontrar trabalho do que aqueles com menor instrução. A taxa de desocupação entre as pessoas com 11 anos de escola ou mais ficou em 8,3%, enquanto foi de 4,1% entre aqueles com menos de um ano instrução.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u328290.shtml

Número de estudantes no nível superior cresce 13,2%, diz IBGE

A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) 2006, pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que em 2006 5,874 milhões de brasileiros freqüentavam o ensino superior, cursos de mestrado e doutorado. O número representa um acréscimo de 13,2% em relação ao ano anterior.
Segundo o IBGE, o forte crescimento pode ser explicado pelo envelhecimento da população brasileira e por uma procura mais intensa por um curso universitário nesse ano.
Apesar do crescimento de estudantes com maior nível de escolaridade, eles ainda representam apenas 10,7% do total de estudantes brasileiros. A pesquisa mostra que a grande maioria dos estudantes de 3º grau estava na rede particular de ensino (75,5%).
A maior presença de estudantes na escola se dá na faixa etária entre 7 e 14 anos (97,6%). Santa Catarina tem quase toda a população na escola (99%). Já Acre e Alagoas são Estados com menor taxa de freqüência nessa faixa etária.
Entre 2005 e 2006 o percentual de crianças de 5 e 6 anos na escola aumentou três pontos percentuais. Este aumento, diz o IBGE, pode ser reflexo de mudança na legislação, que prevê matrícula obrigatória a partir dos seis anos até 2010.
Analfabetismo
A Pnad aponta ainda que a taxa de analfabetismo recuou de 10,2% em 2005 para 9,6% em 2006. No ano passado, 14,9 milhões de pessoas não sabiam ler e escrever. Segundo a consultora do IBGE Vandeli Guerra, a queda na taxa tem influência direta do aumento da taxa de escolarização.
"A taxa de analfabetismo caiu em todas as regiões, sobretudo, o Nordeste", disse.
Já ao considerar as pessoas com 10 anos ou mais e com menos de quatro anos de estudo, os chamados analfabetos funcionais, esse percentual sobe para 23,6%. O número médio de anos de estudo do brasileiro é de 6,8 anos. As mulheres em geral estudam mais. Enquanto as mulheres têm em média 7,0 anos de estudo os homens têm 6,6 anos.

Marcadores: ,

Aumentam trabalhadores com mais de 40 anos no mercado


A Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que em 2006 cresceu o número de trabalhadores de 40 anos ou mais ocupados no mercado.
A participação de pessoas com 40 anos ou mais na população ocupada aumentou 1,1 ponto percentual na comparação com 2005, e alcançou mais de dois quintos da população ocupada total (40,1%). O grupo na faixa de 50 a 59 anos foi o que apresentou maior elevação de participação entre os ocupados, passando de 12,2% para 12,7%.
De acordo com Cimar Azeredo, um dos gerentes da Pnad, as pessoas escolhem ficar no mercado de trabalho em razão da elevação dos rendimentos, de novas regras da Previdência, além de dificuldades econômicas o que faz com que engrossem a renda familiar. Além disso, a população brasileira está envelhecendo, o que contribui para essa alta.
A Região Sudeste apresentou o maior aumento na ocupação para os acima de 40 anos. Já para a faixa etária entre 50 e 59 anos houve aumentos nas regiões Norte, Sudeste e Sul (0,9 ponto percentual, 0,8 ponto e 0,7 ponto respectivamente).
A Pnad aponta que em 2006, 89,3 milhões de pessoas tinham uma ocupação, o que significa um aumento de 2,4% em 2006. Em 2005, porém, o crescimento havia sido de 3,1% frente a 2004. Já os trabalhadores com carteira assinada tiveram um acréscimo de 1,3 milhão. A informalidade apresentou uma ligeira redução e passou de 51,8%, em 2005, para 49,4%, em 2006.

Marcadores: , , ,

12 setembro, 2007

Quem sou, de onde vim e por que estou aqui

Começamos hoje esse diálogo que, espero, seja longo e frutífero. Nos encontraremos nesse espaço quinzenalmente. Talvez valha a pena uma breve apresentação. Meu assunto primordial aqui será educação. Abordo-o da perspectiva de um economista da educação. "Economista da educação?", perguntarão alguns. Que é isso? O que economia tem a ver com educação?

Na primeira aula de economia que eu fiz na vida, um grande professor disse: "Vocês estão aqui para tirar uma nota boa, eu estou aqui para fazer vocês pensarem como economistas." Não entendi direito o que ele tentou dizer com a segunda parte da frase. Imaginei, como certamente muitos de vocês imaginarão agora, que a economia é uma área do conhecimento humano que lida com dinheiro, taxas de juro, inflação, etc. Não é. Economia é uma forma de ler o mundo. Assim como a História interpreta o presente pelo que ocorreu no passado. Assim como a sociologia explica o mundo pelo comportamento de coletividades. Assim como a psicologia trata de desvendar o mundo analisando as motivações inconscientes que determinam o comportamento de indivíduos. A economia lê o mundo através de algumas ferramentas heurísticas, hipóteses sobre o comportamento humano baseado na defesa de seus interesses materiais.

Algumas pessoas vêem economistas falando sobre o amor, a família, o aborto, a cultura e se ressentem da impertinência desse avanço sobre outras áreas do saber. Não entendem justamente que as hipóteses que norteiam a criação do homo economicus e a caixa de ferramentas estatísticas que são normalmente usadas para decifrar taxas de juro ou de retorno podem ser igualmente aplicadas a qualquer situação. Assim como se pode falar de uma história da educação, de uma sociologia da educação e de uma psicologia da educação, também se pode falar da economia da educação. Se as análises resultantes desse método estarão certas ou erradas são, obviamente, outros quinhentos.

Mas o que faz a economia da educação? Basicamente, duas coisas. Primeiro, analisa o impacto da educação sobre fatores econômicos (renda, crescimento econômico, desigualdade social etc.) e vice-versa. E, segundo, utiliza-se do ferramental do economista – as análises estatísticas – para avaliar a própria educação, tratando de determinar quais variáveis são, por exemplo, relevantes (ou "estatisticamente significativas", no jargão) para determinado resultado.
Um sociólogo pode descrever grandes teorias sobre, por exemplo, a relação entre educação e criminalidade. Um economista pegará uma variedade de dados – os mais óbvios sendo taxas de escolaridade e índices de homicídio, por exemplo – juntará a outras inúmeras variáveis que podem estar influenciando a relação das duas variáveis. Por exemplo, o nível de renda da região estudada, o índice de desemprego, o número de residências em que os pais são divorciados, a taxa de policiamento, a eficiência do judiciário – e jogará todas elas em programas que fazem análises estatísticas e dirá se há ou não uma relação entre educação e crime, quanto um explica o outro, quais são as outras variáveis relevantes, etc.

Gustavo Ioschpe
Economista, especialista em educação

Marcadores: ,

11 setembro, 2007

GAZETA MERCANTIL A crise testa as locomotivas

Editorial
11 de setembro de 2007 - Como ocorreu nas outras crises do mercado acionário desde o crash de 1987, a volatilidade ganhou significativa aceleração nas últimas semanas. O fato, rigorosamente previsível, provoca sustos igualmente compreensíveis. E não apenas no investidor norte-americano. Europeus, asiáticos e latinos também suspenderam a respiração algumas vezes nos últimos tempos.
E, se era preciso que uma voz autorizada lembrasse aos brasileiros do perfil de vasos comunicantes da liquidez internacional, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, cumpriu bem essa tarefa ao dizer, ontem, que existe "certa desaceleração" na economia dos EUA, embora ele também tenha dito que a economia mundial "continua, pelo menos até o momento, saudável". Isso antes de prever, com o devido peso do cargo que ocupa, que, caso haja uma crise "mais séria" na economia americana, os reflexos seriam para todo o mundo. Esse é o ponto: qual a distância até o olho do furacão? Matemáticos financeiros já se apressaram em mostrar similitudes e desvios com outras crises, por exemplo a de 1987. Depois da Segunda-feira Negra daquele ano, o mercado alternou pregões, em que todos procuravam vender, com o do dia seguinte, em que comprar era ordem geral. As crises acionárias das duas últimas décadas obedeceram a algo como a lógica das marés.
Na crise iniciada na última semana de julho, o Índice Dow Jones caiu em torno de 10% em relação ao pico anterior à crise para depois descambar na volatilidade. Em 1987, a queda semelhante foi de 20%, antes de atingir o ciclo das fortes oscilações diárias. Em outras palavras: há algo de diferente na atual crise em relação às anteriores. Vale notar que o guru Alan Greenspan, apesar de ressaltar que esta crise se parece muito com a de 1987 e a de 1998, apontou que o estouro da bolha de créditos de má qualidade fez o Dow Jones, em outubro de 1987, perder 22,6% num único dia. Não foi o que ocorreu agora.
A origem da atual diferença pode estar na reação frente à crise da economia real. Merece atenção a frase do presidente do Citigroup, William Rhodes, de que ainda não se pode avaliar o tamanho das perdas, porque isso dependerá, principalmente, de como os consumidores americanos sentirem a crise. É fato que as ações dos grandes bancos de investimento perderam muito, mas o PIB americano no primeiro semestre subiu 4%.
Apesar de todos os avisos de crise, porém, a locomotiva do mundo acelerou e os sinais são contraditórios de que essa máquina de US$ 14 trilhões anuais tenha decidido mesmo pisar no freio. Quem olha para os dados do Departamento de Trabalho, registrando perda de 4 mil postos em agosto (ante a previsão de abertura de 125 mil vagas), pode ter a impressão de que a recessão na economia americana está bem perto. Daí toda a pressão para que o Federal Reserve (Fed) corte juros na reunião de 18 de setembro.
Porém, quem olhou para o resultado das vendas da indústria americana no mesmo mês e para a taxa de desemprego, que não se moveu dos 4,6%, pode achar que a recessão está bem longe, principalmente porque ainda não se sabe como foram o consumo e a renda dos americanos em agosto. Sem esquecer que a demanda asiática, segurando o preço das commodities no alto, é fator que não pode ser esquecido quando se pensa em hipótese de recessão mundial. É possível portanto que essa crise se isole no componente financeiro e não atinja muito a economia real.
O Brasil, nesse quadro, não está mal na foto. Os fundamentos da economia sustentam até uma política monetária mais afrouxada, quando todos os demais emergentes tomam caminho contrário e a comunidade financeira internacional nos apóia, inclusive insinuando a proximidade do grau de investimento. Sem dúvida, como alertou Meirelles, se a crise se agravar o impacto nos juros e no câmbio será sentido e gravemente. Porém, ontem o presidente do BC europeu, Jean Claude Trichet, fez questão de se recusar a declarar o fim do "período de ouro" na economia mundial. Isso no mesmo dia em que todas as bolsas da União Européia despencaram. O cauteloso Trichet não se arriscaria tanto se não intuísse que a atual crise tem algo de diferente em relação às anteriores. (Gazeta Mercantil)

Marcadores: , ,

10 setembro, 2007

SP veta docente com formação a distância

Uma demonstração de que a garantia de qualidade na educação a distância ainda está longe de ser consensual entre os educadores foi dada em junho deste ano pelo Conselho Municipal de Educação de São Paulo, que recomendou à prefeitura que não admitisse professores formados por essa modalidade de ensino.O principal argumento dos conselheiros contra a educação a distância foi que, no município, não haveria a necessidade de contratar professores por essa modalidade, já que há número suficiente de docentes formados em cursos presenciais.
Concorrência
Os relatores José Augusto Dias e Rubens Barbosa de Camargo argumentaram em seu relatório que, no caso da cidade de São Paulo, os últimos concursos para contratação de professores tiveram concorrência de mais de 25 candidatos por vaga.Afirmam ainda que, mesmo nas disciplinas em que há mais carência de professores no Brasil -como geografia, física e matemática-, houve número mais do que suficiente de candidatos em São Paulo.Para eles, a contratação de professores a distância se justifica em casos emergenciais, o que não se verificaria na capital paulista. No entender dos membros do conselho, no caso da formação de professores, quando se pode escolher, o melhor é optar pela formação presencial.
Inapropriado
"Do ponto de vista pedagógico, não é apropriado falar em educação a distância para a formação de docentes. Os meios eletrônicos podem transmitir preciosos conhecimentos, mas a educação não se faz apenas com conhecimentos. Há valores essenciais a uma educação completa que somente é possível adquirir pela convivência", diz o relatório.

Estudantes adeptos da modalidade afirmam que cobranças são grandes

Alunos que estudaram a distância contam que é preciso disciplina e organização para tirar boas notas. Como não há professores diariamente em sala de aula para explicar cada matéria, é preciso não deixar a leitura e as dúvidas acumularem para as vésperas das provas, feitas sempre na presença de um inspetor ou docente.Maica Gonçalves, 29, por exemplo, cursa Biologia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) por meio do Cederj, consórcio criado pelo governo do Estado do Rio com a participação das seis universidades públicas do Estado. Ela diz que escolheu o curso não por falta de opção de cursos presenciais, mas, sim, por falta de disponibilidade para freqüentar diariamente as aulas de um curso tradicional.Ela diz que, em sua decisão, pesou também o fato de o diploma vir com a chancela da UFRJ. "Não é fácil como muitas pessoas pensam. Acho até que eles cobram mais do que num curso presencial. Também não dá para deixar as dúvidas acumularem. A gente pode tirar as dúvidas por telefone, por e-mail ou com tutores que nos ajudam nos pólos do consórcio. Mas não é como uma aula tradicional, em que o professor explica e nós escutamos. A gente leva as dúvidas e eles [os tutores] nos ajudam."Silvio Figueiredo Júnior, 36, que se formou em 2005 em matemática pela UFF (Universidade Federal Fluminense) por meio do Cederj, também diz acreditar que o curso a distância é mais puxado do que o presencial: "Já tinha feito um curso presencial, e achei o a distância muito mais difícil. Não tem ninguém para ficar cobrando você todo dia e, por isso, você precisa se organizar melhor."

Frase

"Apesar das inúmeras experiências bem-sucedidas em outros países, o ensino a distância continua sob fogo cruzado no Brasil, com o argumento de que vai piorar a qualidade".
DILVO RISTOFF
diretor de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior

Aluno a distância vai melhor no Enade

Em 7 de 13 áreas onde comparação é possível no ensino superior, alunos de curso a distância superam demais estudantes
Levantamento do exame nacional mostra que vantagem nos primeiros anos de curso é ainda maior: 9 entre 13 áreas de ensino
A educação a distância, no Brasil, ainda é vista com desconfiança por boa parte da sociedade. Os primeiros resultados no Enade (exame do MEC que avalia o ensino superior) dos alunos que ingressaram em cursos superiores com essa modalidade de ensino, no entanto, mostram que, na maioria das áreas, eles estão se saindo melhor do que os estudantes que fazem o mesmo curso, mas da maneira tradicional.Pela primeira vez desde a criação do Enade (2004), o Inep (órgão de avaliação e pesquisa do MEC) comparou o desempenho dos alunos dos mesmos cursos nas modalidades a distância e presencial. Em sete das 13 áreas onde essa comparação é possível, alunos da modalidade a distância se saíram melhores do que os demais.Quando a análise é feita apenas levando em conta os alunos que ainda estão na fase inicial do curso -o Enade permite separar o desempenho de ingressantes e concluintes-, o quadro é ainda mais favorável ao ensino a distância: em nove das 13 áreas o resultado foi melhor.Nesses casos, turismo e ciências sociais apresentaram a maior vantagem favorável aos cursos a distância. Geografia e história foram os cursos em que o ensino presencial apresentou melhor desempenho.A análise só dos concluintes ainda é limitada porque apenas quatro áreas de nível superior -administração, formação de professores, matemática e pedagogia- já têm concluintes em número suficiente para que seja tirada uma média e comparada com a dos demais.Entre os concluintes, o melhor desempenho para estudantes a distância foi verificado em administração e matemática, enquanto em pedagogia e formação de professores o resultado foi inverso.Apesar de bem aceita em outros países, a educação a distância -em que a maior parte do curso não é realizada em sala de aula, com um professor- ainda não deslanchou no Brasil.Quando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, sinalizou o incentivo dessa modalidade -regulamentada dois anos depois pelo governo federal- alguns especialistas esperavam um crescimento acelerado, afinal, o Brasil tinha -e ainda tem- uma imensa população sem nível superior espalhada por um território vasto.Não foi isso, porém, o que aconteceu. Segundo o último Censo da Educação Superior do MEC, relativo a 2005, havia apenas 115 mil alunos matriculados em cursos de graduação a distância -o total de universitários foi de 4,5 milhões.O censo mostra que os cursos despertam pouco interesse. Em 2005, foram oferecidas 423 mil vagas, mas apenas 234 mil estudantes se inscreveram em processos seletivos e, desses, somente 127 mil efetivamente ingressaram nos cursos.
Fogo cruzado
Apesar das inúmeras experiências bem-sucedidas em outros países, o ensino a distância continua sob fogo cruzado no Brasil, com o argumento de que vai piorar a qualidade. Alguns até reconhecem o seu efeito democratizante, mas temem que traga ainda mais dificuldades a um sistema educacional com problemas. Os dois últimos Enades, no entanto, mostram que este temor é injustificado", avalia o diretor de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior, Dilvo Ristoff.A educação a distância é uma das principais apostas do Ministério da Educação na área de formação de professores.Inspirado num programa iniciado há seis anos pelo governo do Rio, o MEC criou a UAB (Universidade Aberta do Brasil), que funcionará como um consórcio formado por universidades e centros federais que oferecerão cursos a distância.O secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, diz que o foco na formação de professores nos primeiros cursos oferecidos pela UAB acontece não por uma limitação do curso a distância, mas sim para atender a uma demanda não atendida. "É possível estender a outras áreas, desde que não se abra mão da qualidade."

Desemprego nos EUA derruba bolsas da Ásia

10 de setembro de 2007

Os dados sobre o desemprego nos EUA, divulgados na sexta-feira, fizeram quase todas as bolsas asiáticas fecharem em queda. A perda de 4 mil postos de trabalho não-agrícolas em agosto, contra a expectativa de um aumento de 110 mil, reacendeu no mercado o temor de uma recessão na maior economia do planeta. As bolsas chinesas, porém, encerraram em alta - puxando para cima a de Hong Kong - e, em Sydney, a queda foi limitada pela expectativa de um corte nos juros por parte do Federal Reserve (Fed, o BC americano), que se reúne no próximo dia 18.
O índice Hang Seng da Bolsa de Hong Kong, somou 17,09 pontos, ou 0,07%, e fechou aos 23.999,70 pontos. Além dos resultados positivos na China, contribuiu para a alta a abundante liquidez do mercado. Ganhos nos setores ferroviário e de mineração de ouro ajudaram as Bolsas da China a se recuperarem fortemente, após os declínios no início dos pregões. O Xangai Composto subiu 1,5% e fechou em 5.355,29 pontos. O Shenzhen Composto também ganhou 1,5% e encerrou em 1.479,12 pontos. A forte baixa do dólar nos mercados internacionais elevou o yuan a seu mais alto nível em relação à moeda norte-americana desde a revalorização da unidade chinesa há dois anos. No mercado de balcão, o dólar fechou cotado a 7,5214 yuans, abaixo da última cotação de sexta-feira, que foi de 7,5395 yuans.
Em Taiwan, o índice Taiwan Weighted da Bolsa de Taipé caiu 0,9% e terminou em 8.937,58 pontos, mas chegou a cair até 8.845,90 pontos. Em Seul, na Coréia do Sul, a Bolsa teve queda acentuada, com um forte movimento de realização de lucros em ações ligadas à China, tais como as de siderúrgicas e de estaleiros. O índice Kospi declinou 49,03 pontos, ou 2,6%, fechando em 1.835,87 pontos. A Bolsa de Sydney, na Austrália, reduziu suas perdas iniciais e fechou com baixa moderada.
O índice S&P/ASX 200 terminou o pregão com recuo de 87,2 pontos, ou 1,4%, fechando em 6.191,20 pontos. As ações da BHP Billiton caíram 3,7%, mas a queda foi exagerada pelo pagamento de dividendos. O índice PSE Composto da Bolsa de Manila, nas Filipinas, teve baixa de 1,6% e fechou em 3.281,08 pontos.O índice Straits Times da Bolsa de Cingapura recuou 1,4%, ou 47,10 pontos, e fechou em 3.441,87 pontos. Na Bolsa de Jacarta, na Indonésia, o Índice Composto caiu 1,4% e fechou em 2.209,64 pontos. Na Tailândia, o índice SET da Bolsa de Bangcoc caiu 0,6% e fechou em 796,85 pontos. O índice composto de 100 blue chips da Bolsa de Kuala Lumpur, na Malásia, recuou 1,1%, fechando em 1.290,70 pontos. Às 7h14 (de Brasília), o índice Sensex da Bolsa da Índia permanecia estável, aos 15.586,43, após cair a 15.363,53 pontos no intraday. A alta de 1,5% de RIL ajudou o índice a subir.

As informações são da Dow Jones.

05 setembro, 2007

04/09/2007 O efeito das 'escolas erradas' no Brasil

Uma palavra sobre a pesquisa da organização Internacional do Trabalho mostrando que a produtividade do trabalhador brasileiro caiu no período de 1980 a 2005. Produtividade do trabalhador tem a ver com escola. Quanto mais educada a pessoa, maior a sua produtividade.
Ora, no mesmo período da pesquisa da OIT, aconteceram dois fatos importantes no Brasil nessa área:
1. o Brasil, finalmente, conseguiu colocar todas as crianças na escola;
2. houve uma verdadeira de explosão de alunos em cursos superiores.
Ora, como a produtividade pode ter caído? Só pode ser porque estamos com as escolas erradas. As crianças vão à escola, mas não aprendem – pelo menos não aprendem aquilo que as tornaria mais aptas a conseguir bons empregos na economia moderna.
Quanto aos jovens/adultos, eles já perceberam a necessidade de ter faculdade. Mas quando vão à procura, o que encontram? Cursos (fracos) de Administração, Direito, Relações Internacionais (?), Propaganda e Marketing (sobrando!), Jornalismo (formando mais pessoas do que o tamanho do mercado), Educação, Letras, Pedagogia, humanas.
Nada contra, mas onde estão as boas escolas de engenharia, todas as engenharias, civil, mecânica, elétrica, eletrônica, naval, de minas e petróleo, de computação? Onde estão as boas escolas da área de Tecnologia da Informação, incluindo telecomunicações? Onde estão as boas escolas desse setor essencial para a economia moderna que é a biotecnologia?
Do mesmo modo, faltam as boas escolas técnicas de nível médio.
Claramente, estamos com as escolas erradas.
Os alunos se formam e não encontram emprego, pois o mercado precisa de outros profissionais. Uma pesquisa feito pelo pessoal do Gilberto Dimenstein, na área de Pinheiros/Vila Madalena, em São Paulo, encontrou um monte de jovens com diploma de segundo grau e sem emprego e um monte de empresas que não conseguem preencher vagas de nível médio.
Que vagas? Hostess de restaurante, maitre, cozinheiros e chapeiros, vendedores de livros, somelier, atendente em lojas de CDs e vídeos, vendedores nas grandes livrarias, dessas que vão de eletrônicos e livros propriamente ditos. Não há escolas suficientes formando esse pessoal.
De outro lado, a Petrobrás e outras grandes empresas vivem lutando para encontrar bons engenheiros.
Outro dado significativo: dos universitários brasileiros que fazem doutorado no exterior, com bolsa do governo, quase 60% estão na área de Humanas. Nada contra as Humanas, mas é evidente que está errada essa concentração. Há menos de 30% na área de engenharia e computação reunidas e menos ainda em biomédicas. É evidente que está errado.
Pegue a Coréia do Sul e a China: 80% dos que estudam fora estão nas engenharias e quase todos nos EUA.

Marcadores:

Clipe do Sting no Beira-Rio

Um curioso vídeo do cantor Sting, ex-vocalista da banda inglesa The Police, pode ser encontrado no YouTube. Provavelmente em 1987 - ano em que o artista apresentou-se em Porto Alegre, na tour Nothing Like The Sun - uma espécie de clipe foi gravado em pleno gramado do Estádio Beira-Rio! Sting cantou a música "Englishmen in New York" tendo como cenário o Gigante. Meninos das categorias de base do clube também fizeram uma breve participação durante a performance do vocalista. Vale a pena conferir!

Marcadores: , , , , , , , , , , ,

03 setembro, 2007

Economia brasileira pode ser vítima do próprio sucesso, diz jornal

A economia brasileira corre o risco de se tornar vítima de seu próprio sucesso, segundo afirma longa reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal britânico "Financial Times", por causa da supervalorização do real em conseqüência do aumento das exportações e da perda de competitividade dos setores não-exportadores.
A reportagem comenta que "até uma década atrás, se os mercados internacionais de crédito se resfriavam, o Brasil estava entre os primeiros a ficar gripado", mas que "hoje, o Brasil está fortemente protegido por grandes reservas internacionais, uma dívida externa baixa e superávits saudáveis em conta corrente".
O jornal compara a situação atual do Brasil à da Holanda nos anos 1970, "quando as exportações do recém-descoberto gás natural elevaram tanto o valor da moeda que destruíram a competitividade em todo o resto da economia", no que ficou conhecido nos livros de economia como "o Mal Holandês".
"O equivalente brasileiro ameaça tornar o pais uma vítima de seu próprio sucesso", diz a reportagem, comentando que "recentemente tem havido muitos comentários sobre um 'Mal Brasileiro', apesar de "o país, aparentemente, nunca ter estado com a saúde tão robusta".
O jornal observa que a alta do real "vem produzindo reclamações de muitos do setor industrial". "O perigo, eles dizem, é que os empregos bem remunerados nos setores de capital intensivo e outros setores tradicionais sejam substituídos por outros de baixa remuneração no setor de commodities", diz a reportagem.
Segundo o texto, "a alta da moeda significa que muitos fabricantes, que antes exportavam para o leste asiático, por exemplo, estão agora construindo fábricas por lá em vez disso".
"Isso, segundo argumentam muitos, é o clássico sintoma do 'Mal Brasileiro'", diz o jornal.
O Financial Times observa porém, que "as exportações em alta não são o único fator por trás da apreciação da moeda". "O Brasil, com sua recém-descoberta estabilidade, se tornou altamente atraente para investidores e credores. A quantidade de dinheiro dirigida a ações e títulos brasileiros tem um impacto ainda maior sobre o real do que o comércio", argumenta.
"Este fato sozinho, talvez, deveria acender uma luz vermelha sobre a estabilidade futura. Os bancos de investimento não vêem uma redução no nível de investimento. Mas outros advertem sobre uma mudança de humor", diz o texto, citando um analista que vê uma "bolha" nos investimentos, que pode estourar.
Uma outra reportagem de apoio publicada pelo "FT" na mesma página relata as mudanças no interior do país provocadas pelo "boom" das commodities no mercado internacional.
O jornal cita como exemplo a cidade de Campo Verde, no Mato Grosso, "que aparece como uma miragem em meio aos campos de soja, com seus silos de metal brilhando sob o sol".
"Uma ampla avenida central é pontilhada com os armazéns dos maiores comerciantes de commodities do mundo. Atrás deles estão ruas bem arrumadas com lojas, casas e pequenos negócios. Alongando-se pelo pacífico vale ao norte há vastos projetos imobiliários novos", diz a reportagem.
O prefeito da cidade diz ao jornal que o boom das commodities levará a população local a crescer dos atuais 30 mil moradores para 100 mil até 2020. "Mas ao invés de atrair mais agricultores para cultivar mais --toda a terra arável no município já está sendo utilizada-- ele quer adicionar valor às commodities na cidade", diz o "Financial Times".
O jornal cita como exemplo a Sadia, que já tem criação de galinhas e uma fábrica de alimentos na cidade e que estuda instalar lá uma fábrica de processamento de carne de frango e outros pontos de produção que poderiam criar até 3 mil empregos diretos e 9 mil indiretos.
O alvo seria principalmente as exportações. O jornal observa que "o crescimento acelerado em tais exportações está ajudando a criar novos empregos em seus milhares, mas há perigos".
"Um deles é que os novos empregos para fatiar frangos em áreas rurais estejam aparecendo às custas de empregos bem remunerados em setores tradicionais e urbanos. Outro é que as exportações de bens com valor agregado sejam eles próprios ameaçados pela apreciação da moeda, que vem trabalhando contra preços internacionais mais altos das commodities, comendo as receitas dos produtores agrícolas", conclui o jornal.

02 setembro, 2007

AMAZÔNIA, UMA REGIÃO DE POUCOS

Trabalhar na floresta amazônica não é mesmo para fracos de coração. O vídeo que você assistirá poderia ter sido resultante de uma ficção tosca, mas na verdade mostra a realidade de um país que cultiva grotões sem lei. "Amazônia, uma região de poucos" foi produzido pelo Greenpeace. O que você verá acontece em todos os estados da Amazônia, inclusive no Acre. Tudo aconteceu na semana passada, entre segunda e quarta-feira. Imperdível.

Escreva uma mensagem para o e-mail de denúncia do Ministério Público Federal de Mato Grosso.

Membros do Greenpeace e da OPAN são expulsos de Juina, no Mato Grosso

- 28/08/2007

Local: São Paulo - SP

Fonte: Amazonia.org.br Link: http://www.amazonia.org.br


Eduardo Paschoal


Juina é uma cidade ao norte de Mato Grosso. Fica a 748,9km de Cuiabá, 442 metros acima do nível do mar e tem cerca de 38 mil habitantes. Apesar de estar em uma área da floresta amazônica, não seria insólita a comparação com os filmes de faroeste.
Na última semana, nove pessoas - membros do Greenpeace, da Operação Amazônia Nativa (OPAN) e os jornalistas franceses Elsa Guiol e Eric Dessons, do Le Jounal du Dimanche - foram expulsos por fazendeiros e autoridades locais enquanto tentavam chegar à terra indígena dos Enawene Nawe, para uma reportagem sobre as áreas de desmatamento na floresta e a atuação das ONGs na região.
Segundo nota divulgada recentemente por Paulo Adário, do Greenpeace, assim que o grupo chegou e se hospedou em um hotel da cidade, alguns fazendeiros foram interrogá-los, de início cordialmente. Queriam saber se eram antropólogos de um grupo de identificação da área do Rio Preto, território requerido pelos Enawene Nawe à Funai.
A área que os indígenas pedem que seja transformada em reserva engloba várias fazendas da região, apesar de ser um trecho tradicionalmente indígena, de onde eles retiram seus peixes e o jenipapo, fruta com a qual realizam rituais considerados sagrados.
Nessa primeira abordagem ficou evidente a inimizade dos fazendeiros em relação a OPAN, com várias ameaças claras ao representante da organização na região, Edison Rodrigues. Os proprietários afirmam que a entidade é responsável pela demarcação de terras, razão da hostilidade.
Rodrigues contesta, afirmando que a função da OPAN é puramente de consultoria: "Nós prestamos uma assessoria às comunidades indígenas da região. Como ONG, não temos o poder de intervir. Essa é uma prerrogativa da Funai", destaca.
Com a pressão dos fazendeiros, incluindo o presidente da Câmara Municipal, foi organizada uma sessão especial no Legislativo. Com duração de mais de seis horas, a discussão envolveu vários proprietários da região, o prefeito da cidade, Hilton de Campos, e outras autoridades, que pressionavam o Greenpeace a desistir de realizar sua reportagem na tribo indígena.
"Naquelas circunstâncias, sentimo-nos coagidos a obedecer para evitar conflitos que inviabilizassem a viagem e aumentassem os riscos a que estão submetidos tanto a OPAN quanto os Enawene", comenta Adario.
Segundo a assessoria da prefeitura de Juina, o fato de o grupo ter escolhido a tribo dos Enawene Nawe representava o envolvimento da OPAN com os jornalistas, e essa "parcialidade poderia prejudicar a reportagem": "Se era para abordar o estado de desmatamento, poderiam pegar qualquer área indígena. O que deixou os produtores ansiosos foi o fato de esses jornalistas terem vindo guiados pela OPAN".
O presidente da associação dos fazendeiros da região do Rio Preto, Aderval Bento, propôs ao grupo que realizassem a reportagem em uma outra aldeia, o que foi recusado por, segundo Adario, se caracterizar como uma "intromissão indevida no direito de imprensa".


Personas non gratas

Na sessão da câmara, o prefeito chegou a afirmar que os visitantes não eram bem vindos em Juína, e não seria permitido que chegassem até o Rio Preto "de maneira nenhuma". A assessoria esclarece: "Essa afirmação se referia especificamente a OPAN. Eles não topam com a OPAN mesmo, o próprio prefeito já afirmou, em outra ocasião, que eles são 'personas non gratas' na região".
Rodrigues relata que ficou impressionado com o ocorrido, já que "havia uma certa animosidade e falas contrárias ao que desenvolvemos, mas nada, em dois anos de trabalho, que se compare a esse nível".
Depois da sessão na câmara da cidade, o grupo voltou ao hotel. Adario relata que, ao voltarem, organizou-se um cercamento do prédio, já que muitos fazendeiros ficaram do lado de foram bradando ameaças a eles e à ação da OPAN na região. Com medo de sair, permaneceram ali até o dia seguinte, quando foram escoltados por duas viaturas da Polícia Militar local até o aeroporto, seguidos de várias caminhonetes dos fazendeiros.
A equipe apresentou uma representação ao procurador da República, Mario Lucio Avelardo, do Ministério Público Federal em Mato Grosso, com duas horas de imagens gravadas contendo ameaças ao grupo e à OPAN.
A procuradoria aguarda a abertura de procedimento administrativo para investigar e apurar os acontecimentos.
Para a jornalista francesa Elsa Guiol, que fazia parte do grupo, a ação dos fazendeiros e autoridades da região terá efeito contrário ao previsto: "com essa atitude, todo mundo ficará sabendo o que aconteceu e os métodos usados por eles", prevê.

TI Enawene Nawe

A Terra Indígena Enawene Nawe está localizada ao noroeste do estado do Mato Grosso e abrange uma área de 742.088 hectares, homologada no ano de 1998. Está situada numa região ameaçada seja pelo garimpo de diamantes e exploração madeireira ao norte quanto pela expansão das atividades agropecuárias ao sudoeste.
A possível construção de usinas hidrelétricas no curso do rio Juruena e a devastação de uma região de ocupação tradicional, denominada Adowina ou Rio Preto - que é alvo de disputas entre os fazendeiros da região e os índios, assessorados pela OPAN são as principais razões que causam preocupação na população indígena.
A volta da presença dos Enawene Nawe na área em litígio, há nove anos atrás, propiciou a oportunidade de rever uma área que lhes pertenceu e está ligada à uma preocupação de suas lideranças em fazer com que os recursos naturais da região sejam de alguma forma preservados - os desmatamentos indiscriminados nas matas ciliares, o assoreamento dos rios, a caça e pescas ilegais e outras práticas predatórias inviabilizam o manejo tradicional praticado pelos índios e resultam em danos ao meio ambiente da região.


Veja também:

Em nota, OPAN reitera que não tem autonomia para demarcação de terras Amazonia.org.br - 29/08/2007

Vídeo no site Youtube sobre o ocorrido em Juina

Marcadores: , , , ,

Governo vê apoio de nova classe C

A onda agora dentro do governo é falar sobre o surgimento de uma nova classe média. O assunto tomou as conversas da reunião do presidente Lula com seus ministros, na quinta-feira, organizada para "afinar a viola" dos discursos governistas. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi decretou a morte da classe E no Brasil e o aparecimento de uma classe C emergente, pessoas que ganham entre R$ 2 mil e R$ 2.500 por mês. É esse dado que está levando Lula a comparar seu governo ao do ex-presidente Getúlio Vargas, que promoveu um ciclo de industrialização no país entre 1930 e 1945.
- Na Bahia, nós já verificamos claramente a importância dessa nova classe média. Isso é um fenômeno que está mudando o Nordeste, o país inteiro. São 8 milhões de famílias que ascenderam à economia formal. Não é brincadeira! - comemora o ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, uma das raposas políticas do PMDB, que comandou o apoio do partido aos dois governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
- E qual é a implicação política disso?
- A implicação política é que a oposição fica sem discurso, do mesmo jeito que o PT e o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva estavam sem discurso em 1994. Como falar mal do país, se as pessoas estão comprando mais e vivendo melhor, se o salário mínimo está chegando a US$ 200, se a inflação está sob controle, se está havendo uma inversão do fluxo migratório agora rumo ao campo, se estamos exportando mais...
- E isso chega até as eleições de 2010?
- Creio que sim. E, se chegar, vai ficar difícil para qualquer um na oposição. Aí o presidente Lula elege até um poste como seu sucessor. Daí o certo desespero do discurso oposicionista, esse radicalismo udenista. É evidente que enquanto o país estiver indo bem, nada de mal pegará no presidente. E ainda vêm aí as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), coisas físicas que as pessoas vão ver, tudo isso vai influir na sua popularidade.
- O senhor fala do apoio da nova classe média, mas há uma insatisfação na classe média...
- Da classe média, não. De um setor da classe média, mais tradicional, que rejeita a ascensão da classe C por preconceito. Pessoas que agem como quem vê os de baixo chegando no seu bairro, no seu jardim. Mas isso o tempo se encarrega de resolver.

Marcadores: ,

01 setembro, 2007

Kombi completa 50 anos de produção no Brasil

A tradicional Kombi vai completar neste domingo (29) cinco décadas de produção ininterrupta no Brasil. Produzida em São Bernardo do Campo desde 1957, foi o primeiro veículo da Volkswagen do Brasil.Com 1,42 milhão unidades produzidas, quase 1,3 milhão de unidades do veículo já foram vendidas entre 1957 e julho deste ano.Atualmente, a Kombi responde por 7,2% do segmento de veículos comerciais leves, com 13.259 unidades comercializadas nos primeiros sete meses do ano.Além de servir para carregar quase tudo, a Kombi foi um dos ícones do movimento hippie dos anos 60. Além disso, o modelo foi usado de pastelaria, banca de caldo de cana, carro de churros, agência dos Correios, transporte escolar e lotação, sendo literalmente o motor de muitos pequenos negócios no Brasil.Mas a Kombi também faz sucesso entre os grandes negócios, segundo a Volkswagen. De janeiro a julho deste ano, suas vendas dividiram-se entre 61% de frotistas (empresas de médio e grande porte), 33% de varejo (pequenos empresários e compradores particulares) e 6% a órgãos governamentais.
Por que 'Kombi'?
O nome Kombi vem do alemão Kombinationsfahrzeug, que quer dizer "veículo combinado". Desenvolvido pelo holandês Ben Pon na década de 40, o projeto pretendia unir o confiável conjunto mecânico do Fusca com os atributos de um veículo de carga leve.Na Alemanha, a Kombi começou a ser produzida em 1950. No Brasil, o modelo foi lançado em meio às obras da fábrica, que seria inaugurada somente dois anos depois. Menos de quatro anos mais tarde chegou ao mercado o modelo seis portas, nas versões luxo e standard. A versão pick-up surgiu em 1967.Uma versão mais moderna chegou em 1997 com o nome de Kombi Carat, apresentando novas soluções, como teto mais alto, porta lateral corrediça e a ausência da parede divisória atrás do banco dianteiro.No novo projeto, além de proporcionar mais espaço para cargas e conforto para passageiros, os engenheiros e técnicos da Volkswagen preocuparam-se em garantir uma carroçaria mais resistente a impactos. O trabalho, que incluiu testes estáticos, dinâmicos e muita pesquisa resultou em uma carroçaria de deformação programável, com reforços em pontos estratégicos que minimizam as conseqüências de uma colisão.No fim de 2005, a Kombi surgiu em versão TotalFlex. Atualmente, o veículo está disponível em quatro versões: standard (9 passageiros), furgão (2 ou 3 passageiros), lotação (12 passageiros) e escolar (15 passageiros).

Marcadores: