30 outubro, 2008

Mantega descarta recessão no Brasil, mas prevê queda da arrecadação


O ministro da Fazenda Guido Mantega (foto) disse nesta quinta-feira que não acredita em uma recessão no Brasil devido à crise internacional de crédito, mas já prevê uma queda na arrecadação devido ao crescimento menor estimado para o país.


"Não teremos recessão no Brasil. Posso estar errado. Pode haver queda de arrecadação, mas por enquanto não há reflexo", afirmou.


Em audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Mantega afirmou que a arrecadação menor de impostos prevista não será a ponto de comprometer as finanças públicas.


Nos últimos anos, a arrecadação recorde do governo tem sustentado a melhora nas contas públicas. Esse crescimento vem sendo puxado principalmente pelo imposto pago sobre o lucro das empresas.


Mantega também fez recomendações aos prefeitos em relação a esse problema. "Eu acredito que haverá uma desaceleração, mas não a ponto de desequilibrar as nossas finanças. Eu recomendaria aos prefeitos que tivessem cautela, acompanhassem a arrecadação", afirmou.
Mais amena


Mais cedo, Mantega disse que já
vê sinais de que o pior da crise internacional de crédito pode ter passado. Por duas vezes, no entanto, o ministro afirmou não ter certeza sobre esse diagnóstico e traçou um cenário ruim para a economia nos próximos meses.

"Podemos estar entrando em uma fase mais amena da crise. Os estados todos se mobilizaram e tomaram medidas de grande impacto que conseguiram abrandar a crise e restabelecer a confiança. São sinais. Não tenho certeza de que a fase aguda foi ultrapassada", afirmou.


Mantega citou a queda na taxa de juros internacional para empréstimos entre bancos como um desses sinais. Isso significaria que os bancos voltaram em ter confiança em emprestar dinheiro uns para os outros e, conseqüentemente, para as empresas, destravando o crédito mundial.


Apesar desse recuo, o ministro traçou um cenário negativo para a economia mundial nos próximos meses.


"O cenário para os próximos meses é de juros mais altos, crédito mais restrito e desaceleração econômica", afirmou. "Ninguém escapa dessa crise."

Folha

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Rádio Gaúcha mata Barack Obama!

26 outubro, 2008

Crise faz esgotar livro de Karl Marx

A crise financeira deu inesperado fôlego às vendas do livro O Capital, clássico do filósofo alemão Karl Marx (1818-1883).

A obra voltou a ser hit na Alemanha, seu país de origem, num fenômeno claramente atribuído ao debate em torno do capitalismo deflagrado pelo recente colapso global.

Segundo a editora Karl-Dietz, de Berlim, a tiragem esgotou nesta semana, depois que as vendas quintuplicaram.

O livro, que vendia uma média de 500 exemplares por ano, saltou para 2,4 mil unidades vendidas.

Segundo a editora da obra, os principais compradores são jovens entre 20 e 25 anos.

Desde 1946, foram impressos e comercializados cerca de 1 milhão de exemplares da bíblia do mentor do socialismo científico e do comunismo. Mas ultimamente, a procura estava praticamente parada.

"Se Marx vai bem, a sociedade vai mal", teoriza o responsável pela editora.

http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt&section=Blogs&post=116550&blog=404&coldir=1&topo=3951.dwt

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25 outubro, 2008

O Candidato da Midia e da Elite de SP

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24 outubro, 2008

Crash de 29 completa hoje 79 anos

A quebra da bolsa de Nova Iorque que deu início à pior crise de todos os tempos serviu de lição. Os governos agora agem mais rapidamente e em ações coordenadas para evitar o surgimento de uma nova depressão

Bolsa de Nova Iorque, 24 de outubro de 1929. O mercado está nervoso com a sucessão de quedas acumuladas desde o início de setembro. As ordens de venda se acumulam desde o começo do dia. Milhões de ações estão sem compradores. O índice Dow Jones recua 11%. Os grandes banqueiros da cidade se reúnem e formam um pool para comprar papéis e reduzir as perdas no fim do dia para 2%. O movimento é inútil. Na segunda-feira, 28, o Dow cai 13%. Na terça-feira, outros 12%.

O crash que prenunciou a pior crise econômica de todos os tempos completa hoje 79 anos e serve como um ponto de comparação para se compreender melhor a crise atual. Como agora, o colapso da bolsa de Nova Iorque sinalizava o estouro de uma bolha. Investidores endividados até o pescoço foram contaminados por um vírus de otimismo que fez subir preços de ações e imóveis. Até inúteis terrenos pantanosos na Flórida encontravam compradores. Empresas investiam pesado em uma expansão que se baseava nesse mesmo otimismo. Em setembro de 1929 o mercado virou, a começar pela bolsa.

“Foi uma crise de confiança no sistema, como agora”, diz Renato Colistete, professor de história econômica da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP). “Em pouco tempo a crise contaminou o consumo, a produção e o emprego. Os bancos não queriam mais emprestar dinheiro, apesar de o Fed [banco central dos Estados Unidos] ter baixado os juros.”

No início dos anos 30, o estouro da bolha se transformou em uma espiral deflacionária que varreu do mapa um terço do PIB norte-americano. O desemprego chegou a 25%, enquanto a produção industrial caiu pela metade. Seguidas corridas contra bancos tiraram do mercado 5 mil instituições bancárias até 1932.

Três anos após o crash, a situação ainda era desoladora a ponto de abrir espaço para uma revolução na condução da política econômica. Franklin Delano Roosevelt assumiu a presidência do país em 1933 com um plano, o New Deal, que propunha aumentar os gastos públicos para empregar a imensa quantidade de pessoas desocupadas. Funcionou, com um empurrão do esforço de guerra que teve início no fim dos anos 30.

“O comportamento dos bancos centrais na crise de hoje mostra que a lição dos anos 30 foi aprendida”, diz Colistete. “Há uma coordenação que não foi possível naquela época, e os governos sabem que precisam agir com muita força para não deixar que uma nova espiral recessiva comece.” Atualmente, sabe-se que manter o setor bancário funcionando é ponto-chave para lidar com crises sistêmicas. Além disso, os governos não hesitam mais em ampliar o déficit público.

Talvez a principal diferença entre 1929 e 2008 esteja no cenário internacional. A década de 20 foi marcada por rusgas herdadas da Primeira Guerra Mundial. O protecionismo comercial era estava em alta. O sistema monetário internacional, o padrão-ouro, era uma colcha esburacada, pois diversos países desvalorizavam suas moedas para tentar exportar mais. Quando estourou a crise nos EUA, não houve acordo internacional para lidar com a sangria nas finanças americanas, e o dólar teve de ser desvalorizado em 1933. Pelo menos no lado político, 2008 é menos crítico do que 1929.

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23 outubro, 2008

Entre Aspas

"Serão feitas quantas medidas forem necessárias. Não posso ficar preocupado com gritos da oposição.Tudo o que (ela) deseja é que o Brasil entre em uma crise profunda"

(Luiz Inácio Lula da Silva, hoje, ao confirmar a entrada do BB no crédito automobilístico, para ocupar o recuo dos bancos privados)

Greenspan admite erro parcial sobre desregulamentação




Por outro lado, ele rejeitou a idéia de que tenha sido pessoalmente responsável pelo que chamou de "tsunami no crédito que acontece uma vez a cada século"


Questionado por congressistas que examinam as causas da crise financeira, o ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) Alan Greenspan admitiu nesta quinta-feira (23) ter cometido alguns erros em suas suposições sobre a desregulamentação. Por outro lado, ele rejeitou a idéia de que tenha sido pessoalmente responsável pelo que chamou de "tsunami no crédito que acontece uma vez a cada século".


Em depoimento ao Comitê de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara, Greenspan concordou que a crise "tornou-se muito mais ampla do que qualquer coisa que eu poderia ter imaginado. Ela se transformou de uma crise de restrição de liquidez em uma na qual prevalece o medo de insolvência".


"Aqueles de nós que acreditaram que o interesse próprio das instituições de crédito protegeria as ações de seus acionistas (especialmente eu mesmo) estão em estado de choque", segundo Greenspan.


O presidente do conselho, deputado Henry Waxman (Partido Democrata/Califórnia), criticou a atitude de Greenspan em relação à regulamentação das hipotecas quando ele era presidente do Fed. O Fed "tinha autoridade para interromper as práticas irresponsáveis de concessão de crédito que abasteceram o mercado de hipotecas subprime (de alto risco)", disse Waxman. Greenspan afirmou ter levantado a questão sobre os perigos da "depreciação do risco" já em 2005.


Mas, quando Waxman perguntou se ele "estava errado" sobre os benefícios da desregulamentação, Greenspan respondeu: "Parcialmente". A "falha" nas premissas que Greenspan mesmo teve durante quatro décadas foi a de que as próprias instituições de crédito eram melhor habilitadas para proteger o interesse de seus acionistas. "Porém, o que parecia ser um edifício sólido quebrou", afirmou.


O ex-presidente do Fed disse que deveria haver maior regulamentação para os swaps de default de crédito, mas também lembrou que, excluindo esses instrumentos, o mercado de derivativos está funcionando bem.


Sobre as perspectivas econômicas, Greenspan deu a entender que a atual crise nos EUA vai levar alguns meses para passar, o que significa aumento do desemprego e queda dos gastos dos consumidores. "Tendo em vista os danos financeiros até agora, não posso ver como podemos evitar uma alta significativa das demissões e do desemprego."


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22 outubro, 2008

PARADOXO DO DÓLAR FORTE

O dólar atropelou nesta terça-feira três leilões do Banco Central, escalou mais 5% e fechou em R$ 2,24. Na Europa, subiu 2%, fechando em 1,30 por euro.

Nos últimos 45 dias de colapso global, o dólar acumula valorização média de 18% fora dos Estados Unidos - e 36% aqui no Brasil.

Por que esse dólar forte, se o epicentro do terremoto financeiro ocorreu justamente nos Estados Unidos?

Primeiro: o choque atingiu todos os países ou todas as moedas, Brasil no meio.

Segundo: em pânico, o mundo todo busca o único refúgio seguro neste planeta sem juízo, os títulos do Tesouro americano. Em troca do risco zero, os investidores topam o ganho zero.

E terceiro: os Bancos Centrais não abrem mão do dólar como moeda de reserva ou de segurança em tempos de crise. O Brasil que o diga.

E porque a Opep igualmente é movida a dólar, sempre que o dólar sobe, o barril cai. Já caiu 55% e pode cair ainda mais.

http://www.joelmirbeting.com.br/ (21/10/2008)

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19 outubro, 2008

"SERRA RESSUSCITA ADOLESCENTE"

Dois fatos extraordinários aconteceram nas últimas horas em São Paulo.

No primeiro deles, policiais militares e civis armados se enfrentaram nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes.

Como as duas instituições são subordinadas ao Estado de São Paulo, a conclusão é óbvia: há algo de errado com o Estado que permite um acontecimento do gênero. Se os policiais civis em greve usavam viaturas e armamentos, há algo de errado aí. Se o estado mais rico da federação paga os salários mais baixos aos policiais, há algo de errado aí.

No entanto, o que fez a mídia? Jogou a culpa no PT, na CUT e na Força Sindical. A TV Globo fez uma cobertura tão parcial do evento que colegas meus que trabalham lá quase passaram mal.

Está cada vez mais óbvio o engajamento de Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Organizações Globo na campanha eleitoral antecipada do governador de São Paulo, José Serra, ao Planalto.

É inacreditável o nível de omissão, distorção e manipulação informativa a serviço de atacar tudo o que tem relação com o governo federal e de defender todos os interesses políticos e econômicos ligados a José Serra.

No caso do sequestro de Santo André, a polícia cometeu um erro grosseiro e óbvio: permitiu que uma adolescente de 15 anos de idade, libertada, voltasse a se tornar refém. Ela foi ferida com um tiro na boca. É inépcia gritante e evidente.

E a divulgação da morte de uma das reféns pelo governo de São Paulo? Outra demonstração de inépcia absurda.

Mas olhem só a capa da FolhaOnline hoje, sábado: a visita do governador ao hospital é tratada com maior importância do que a vida das próprias adolescentes.

Não apenas com a manchete principal, mas com uma outra, secundária, na mesma página:

Fonte: Luis Carlos Azenha

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Entenda a crise econômica pela ótica de Karl Marx

Atualmente, os Estados Unidos e muitos outros países enfrentam uma grande crise econômica cuja origem está no mercado de hipotecas norte-americano.

Mas as crises não são novidade no campo da economia. O pensador Karl Marx (1818-83) formulou algumas idéias sobre crises, medidas de valorização do capital e até sobre o comércio exterior e o mercado de ações, que podem ser encontradas em obras como "O Capital" e "Teorias da Mais-Valia".

No capítulo "Crises e Finanças", do livro "Folha Explica - Karl Marx", editado pela Publifolha, o autor Jorge Grespan explica de forma clara e sucinta o pensamento de Marx sobre crises econômicas. Leia abaixo trecho do capítulo do livro.

CRISES E FINANÇAS

Durante muito tempo, Marx foi um dos raros autores que se preocupou com o fenômeno das crises econômicas, considerando-as inevitáveis e inerentes ao sistema capitalista. A maioria dos economistas insistia na capacidade harmonizadora do mercado, relegando as crises a um segundo plano, como algo apenas casual e externo. Outros - mais respeitados por Marx, como Ricardo ou o suíço Sismonde de Sismondi (1773-1842) - até reconheciam a importância delas, mas as concebiam como um limite com o qual o sistema econômico deveria saber lidar. Depois, até em todo o século 20, registra-se um movimento pendular entre fases de predomínio teórico do harmonicismo e fases em que crises violentas, como a de 1929 ou a dos anos 1970, forçaram a incorporação delas ao pensamento econômico aceito pela tradição acadêmica e de instituições oficiais.

Mesmo nesse caso, contudo, as crises se revestem de um caráter funcional, entendidas como mal necessário ou como crises de crescimento, ou ainda, na melhor das hipóteses, como indicadores da incapacidade do setor privado resolver seus problemas sem a intervenção do Estado.

Na teoria de Marx, por outro lado, elas revelam a emergência da dimensão negativa de um sistema marcado pela contradição. Ao contrário do pensamento econômico tradicional, aqui a crise está intimamente associada à crítica. Mas não a uma crítica subjetiva de alguém que analisa de fora e condena, e sim a uma crítica objetiva: desnudando a dimensão negativa no mau funcionamento do sistema, indica-se como o próprio sistema realiza uma espécie de autocrítica. Se o capital é valor que se valoriza, os momentos em que ele desvaloriza o valor existente de maneira inevitável, comprometendo assim a base de seu crescimento, são momentos em que ele mesmo se contradiz, negando as condições de sua existência.

Dito desse modo parece pouco problemático. Mas a teoria das crises de Marx permitiu leituras diversas e conflitantes até entre seus seguidores. Houve quem as atribuísse a meros desequilíbrios entre os setores da economia, ou a uma incapacidade crônica da produção criar mercados, devido às condições antagônicas da distribuição dos produtos no capitalismo; houve ainda os que as circunscreviam ao âmbito financeiro, como se o da produção já não fosse contraditório.

A controvérsia surgiu da forma complexa de apresentação das categorias na teoria de Marx. Há passagens que justificam uma ou outra das interpretações, e na seqüência a desacreditam. O problema pode ser equacionado, no entanto, levando-se em conta o todo da obra e, principalmente, o projeto de Marx desdobrar cada forma do sistema como resultado da negatividade das formas anteriores, indo do mais geral ao mais específico e intrincado.

Em primeiro lugar, então, é preciso retomar o aspecto geral. No final do capítulo 3 foi citado um texto que pode servir muito bem nesse sentido: "O capital é trabalho morto, que apenas se reanima, à maneira dos vampiros, sugando trabalho vivo e que vive tanto mais quanto mais trabalho vivo suga". Vimos como essa passagem sintetiza bem a contradição constitutiva do capital em sua relação com a força de trabalho. Mas um aspecto central deve agora ser acrescentado. É que, ao comprar e incorporar a força de trabalho, o capital está também se apropriando da capacidade de medir o valor, que o trabalho abstrato possui numa sociedade de troca de mercadorias. O capital adquire com isso não só a propriedade de se valorizar como a de medir essa valorização; ele se valoriza e se mede.

Mas a sua relação com a mensuração é contraditória, como também sua relação com a valorização, porque ambas derivam da oposição entre capital e trabalho. Ao mesmo tempo que integra a força de trabalho, o capital também precisa negá-la, substituindo-a por máquinas; ou seja, ao mesmo tempo que adquire a capacidade de se medir, o capital reitera que essa capacidade pertence a um agente que ele mesmo põe como seu oposto. Perde então as suas medidas.

Em todos os níveis da apresentação das categorias de O Capital, aparece essa determinação contraditória da medida e da desmedida. É por ela que vão se definindo em cada nível os distintos conceitos de crise. Se algum deles for isolado dos demais, pode parecer que oferece a única definição possível, invalidando as outras - caminho seguido por grande parte das intérpretes de Marx. Mas, de fato, também o conceito de crise obedece à forma da apresentação que vai do mais geral ao mais complexo, também ele vai enriquecendo seu conteúdo junto com o conceito de capital.

Marx faz questão de indicar a possibilidade de crise já no nível da produção e circulação de mercadorias, refutando qualquer pretensão de que o mercado pudesse ser sempre harmônico. Aqui, a medida aparece na passagem fluida entre compras e vendas, quando há correspondência entre as quantidades do que se produz e do que se demanda; a desmedida, ao contrário, é quando não ocorre tal correspondência, interrompendo o movimento.

A forma desse movimento é descrita por Marx em termos que valem também para as fases seguintes da apresentação: "[] o percurso de um processo através de duas fases opostas, sendo essencialmente, portanto, a unidade das duas fases, é igualmente a separação das mesmas e sua autonomização uma em face da outra. Como elas então pertencem uma à outra, a autonomização [] só pode aparecer violentamente, como processo destrutivo. É a crise, precisamente, na qual a unidade se efetua, a unidade dos diferentes".

A compra e a venda de mercadorias, em primeiro lugar, são as "fases opostas" do processo em que se vende para comprar. Como se realizam pela mediação do dinheiro, elas assim se "separam e autonomizam uma em face da outra", podendo não coincidir. Mas a crise não assinala simplesmente o momento negativo, da não coincidência, e sim a impossibilidade de que essa situação permaneça por muito tempo.

Como as fases de compra e venda se diferenciaram por força de um processo único, que dialeticamente tem de se realizar mediante sua diferenciação em duas fases, chega um momento em que essa autonomia não pode prosseguir. A unidade do processo se afirma, mas como reação violenta à autonomização das fases. No mercado como um todo, a discrepância possível entre compras e vendas precisa ser corrigida e, quando isso acontece, verifica-se a incompatibilidade entre os valores daquilo que se comprou e agora tem de pagar com o dinheiro de uma venda que pode não ocorrer. Segue-se um ajuste violento de contas, e valores simplesmente desaparecem.

Essa forma geral da crise se reapresenta quando a finalidade é definida pelo capital como a de "comprar para vender". A discrepância ocorre no mercado de trabalho, ou nas compras e vendas recíprocas dos vários setores em que se divide a produção entre os capitalistas, ainda mais considerando que tudo isso se realiza pela concorrência. A discrepância de valores significa então que alguns terão prejuízo, talvez grande, vindo a falir. Parte do capital existente se desvaloriza, negando o próprio conceito de valor que se valoriza.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u454646.shtml

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16 outubro, 2008

Sinais de recessão global derrubam Bolsas na Europa e na Ásia; Tóquio cai 11%


As Bolsas européias registram quedas nesta quinta-feira, um dia depois de o índice Dow Jones, em Nova York, ter registrado queda de 7,87%, a maior em termos percentuais em 21 anos, segundo a consultoria Economática. Na Ásia, a Bolsa de Tóquio caiu 11,4%, fechando com 8.458,45 pontos, a maior perda em um único dia desde 1987. As iniciativas de governos de diversos países para tentar conter a crise foram vistas como insuficientes pelos investidores, e os sinais de que uma recessão global seja iminente ocuparam o centro das atenções dos mercados.
Às 8h (em Brasília), a Bolsa de Londres estava em baixa de 2,06% no índice FTSE 100, indo para 3.995,65 pontos; a Bolsa de Paris caía 2,56% no índice CAC 40, indo para 3.294,49 pontos; a Bolsa de Frankfurt tinha baixa de 1,36% no índice DAX, operando com 4.795,48 pontos; a Bolsa de Amsterdã tinha queda de 3,89% no índice AEX General, que estava com 252,76 pontos; a Bolsa de Milão tinha baixa de 2,38% no índice MIBTel, que ia para 16.439 pontos; e a Bolsa de Zurique estava em baixa de 1,20%, com 5.840,17 pontos no índice Swiss Market.
As quedas na Bolsa de Tóquio nos últimos dias, por sua vez, praticamente zeraram o ganho de quase 14%, registrado na terça-feira (14). A Bolsa de Seul (Coréia do Sul) caiu 9,44%; em Hong Kong, as perdas eram de 8,49% perto do fim do pregão; na Austrália, a perda foi de 6,66%; na Bolsa de Xangai (China) os negócios caíram 4,25%. No geral, as quedas variaram de 4% a 11%.

Na Europa, os governos da Alemanha, França, Espanha, de Portugal, do Reino Unido e outros países já anunciaram ajudas para evitar um colapso do setor financeiro; o governo americano, por sua vez, anunciou nesta semana o uso de US$ 250 bilhões dos US$ 700 bilhões aprovados pelo Congresso no início deste mês, com o mesmo fim. Juntas, as medidas de todos os governos que já se mobilizaram superam os US$ 2 trilhões. Mesmo assim, a impressão de que a economia mundial caminha para uma recessão ganhou força entre os investidores e o pessimismo se tornou a força dominante.
"Há um certo grau de pânico sobre as vendas em Tóquio, mas o sentimento é diferente do da semana passada", afirmou Takashi Ushio, da Marusan Securities. "Na última semana o medo era sobre o sistema financeiro, pois ninguém sabia o que poderia acontecer. Agora é a economia real."
Nos EUA, uma série de declarações e indicadores negativos afetaram a confiança nos mercados. O Departamento do Comércio informou ontem que as vendas no varejo nos EUA em setembro caíram 1,2%, maior perda desde 2005. O dado foi visto como sinal de que, além dos problemas no setor financeiro, há os da economia real. O consumo responde por cerca de 70% de toda a atividade econômica dos EUA.


O Federal Reserve (Fed, o BC americano) divulgou ontem o "Livro Bege" (documento com dados econômicos coletados nas 12 divisões regionais do Fed) no qual informou que a atividade econômica nos Estados Unidos "se debilitou em setembro" na maioria dos distritos. "A atividade fabril se tornou mais lenta na maioria dos distritos; os mercados de bens imobiliários residenciais seguiram fracos e a atividade imobiliária comercial diminuiu em muitos distritos", diz o texto.

Pouco antes, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse que a economia norte-americana vai se recuperar, porém lentamente. "Os problemas na economia e nos mercados são grandes e complexos (...) Mas a meu ver, nosso governo conta agora com as ferramentas necessárias para enfrentá-los e resolvê-los", afirmou. O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, em um programa de TV, disse que a compra de ações de instituições bancárias por parte do governo estabilizará o sistema financeiro, mas advertiu que continuarão as dificuldades econômicas.

Pesquisas
Duas pesquisas divulgadas ontem mostram a situação de preocupação nos EUA quanto aos riscos à economia. Uma, do banco Merrill Lynch, mostrou que a expectativa de que a economia global já esteja mergulhada em uma recessão teve um crescimento expressivo neste mês. A outra, do instituto Reuters/Zogby, mostrou que a crise financeira fez a confiança dos americanos nas instituições do país cair a um dos níveis mais baixos.
A pesquisa do Merrill Lynch, realizada entre os dias 3 e 9 deste mês mostrou que 70% dos entrevistados considera que a economia global já está em recessão, um aumento expressivo em relação ao dado visto na pesquisa feita em setembro, 44%. A pesquisa ouviu 172 gerentes financeiros no mundo todo, responsáveis pela administração de um total US$ 531 bilhões em fundos.

A pesquisa Reuters/Zogby por sua vez, caiu para 89,7 pontos, contra 96,3 em setembro, em uma escala de 100 pontos criada em julho de 2007. Acima desse patamar, o indicador representa aumento de confiança no país; abaixo dele, a confiança está em queda. O recorde de baixa na escala foi atingido em março deste ano, quando chegou a 87,7 pontos. O levantamento da Zogby foi realizado entre os dias 9 e 12 e ouviu 1.207 pessoas em entrevistas por telefone.

No Reino Unido, a taxa de desemprego cresceu em 0,5 ponto percentual e alcançou 5,7% no trimestre até agosto deste ano; o número de desempregados no país aumentou em 164 mil pessoas no período e atingiu a marca de 1,79 milhão de pessoas. Foram os piores números do mercado britânico de trabalho desde 1991, segundo o ONS (Escritório Nacional de Estatísticas).
O membro do Banco da Inglaterra David Blanchflower, disse ao diário britânico "Guardian" que o número de desempregados no país pode chegar a dois milhões de pessoas até o fim deste ano. Além disso, o mercado de trabalho perdeu 122 mil vagas entre junho e agosto, maior recuo trimestral desde o trimestre até fevereiro de 1993. No início deste mês, a BCC (Câmara Britânica do Comércio, em inglês) informou que Reino Unido já está em uma recessão, que se agrava e pode elevar o número de desempregados em 350 mil até o ano que vem.

Brasil
No Brasil, o cenário não foi muito diferente nesta quarta-feira. Um mês após a quebra do banco Lehman Brothers, evento que precipitou a piora da crise financeira, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) estendeu seu pregão por meia hora e amargou perdas de 11,39%, a maior queda desde 10 de setembro de 1998. O câmbio disparou, e após uma pesada ação do Banco Central, fechou a R$ 2,16.

Em reportagem de hoje, a Folha informou que, com a desaceleração na economia brasileira devido à crise no mercado financeiro nos EUA, o governo brasileiro prevê que o país deve crescer entre 3,8% a 4% em 2009, contra uma estimativa inicial de 4,5%.
Hoje também, o jornal francês "Le Monde" informa em uma reportagem que apesar do otimismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil não ficará imune à crise. Segundo o texto, apesar do "otimismo de fachada de Lula", o país não escapará ileso da tormenta financeira.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que a crise econômica não irá desgastar a imagem do presidente Lula. "Se tem gente dizendo tomara que crise continue para ver se cai um pouco a popularidade do presidente Lula, está enganado, porque o presidente pode se consagrar como uma pessoa talhada para enfrentar turbulências", disse o ministro.

FOLHA

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13 outubro, 2008

Paul Krugman ganha Nobel de Economia


Economista americano formulou teoria que integra comércio e geografia econômica

O economista norte-americano Paul Krugman venceu o Prêmio Nobel de Economia, edição 2008, por sua capacidade de "analisar os padrões do comércio e localizar a atividade econômica". Segundo a Academia Real de Ciências da Suécia, Krugman, de 55 anos, formulou uma nova teoria que determina os efeitos do livre mercado e da globalização, assim como as forças dominantes por trás da urbanização mundial. "Por meio desta teoria, ele integrou os campos de pesquisa em comércio internacional com geografia econômica", disse o comunicado da Academia.

Falando durante uma teleconferência com jornalistas, Krugman disse que foi pego de surpresa pela notícia. "Eu corri para tomar um banho para que eu pudesse participar da conferência. Eu liguei para a minha esposa e para meus pais. Ainda nem consegui tomar uma xícara de café", disse o economista.

Krugman é professor de Economia e Relações Internacionais na Universidade Princetown, nos Estados Unidos, e mantém uma coluna no jornal norte-americano 'The New York Times'. É conhecido pelas críticas a política em geral, e em particular, econômica, ao presidente George W. Bush. Krugman é crítico da administração Bush por conta de políticas que ele afirma terem gerado a atual crise financeira.

O prêmio de Economia foi estabelecido nos anos 1960 e não fazia parte dos prêmios originais, criados no testamento de Alfred Nobel, em 1895.

Krugman escreveu mais de 200 artigos e cerca de vinte livros. Seu livro International Economics: Theory and Policy é usado no estudo da economia internacional.

O anúncio do Nobel de Economia fecha o ciclo do Nobel neste ano, que foi iniciado na segunda-feira passada com o prêmio de Medicina, compartilhado entre o cientista alemão Harald zur Hausen - por ter identificado o vírus do papiloma humano - e os franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier - pelo da Aids.

Após o de Medicina, veio o de Física, para os japoneses Toshihide Maskawa e Makoto Kobayashi e o japonês naturalizado americano Yoichiro Nambu.

Em seguida, foi anunciado o Nobel de Química, dado aos americanos Martin Chalfie e Roger Y. Tsien, além do japonês Osamu Shimomura, descobridores da proteína verde fluorescente (GFP).

O de Literatura, na quinta-feira, foi para o escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, e o da Paz, na sexta-feira, para o ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari, por seu trabalho na mediação de conflitos internacionais em todo o mundo.

Os vencedores receberão 10 milhões de coroas suecas (1 milhão de euros) no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de seu fundador, Alfred Nobel, em cerimônias paralelas que realizadas em Estocolmo e Oslo.

O Nobel de Economia é entregue desde 1968 e foi adotado pelo Banco Nacional da Suécia.

(Com BBC Brasil, Reuters e Efe)

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11 outubro, 2008

Governos vão ter que pensar um novo modelo econômico; ouça professor


Adalto Corrêa, professor de economia e diretor de pós-graduação e pesquisa da Unimonte (Centro Universitário Monte Serrat), diz que a queda na Bolsa brasileira é motivada "simplesmente por puro desespero".




Clique aqui e escute o professor Adalto Corrêa

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10 outubro, 2008

Índice Dow Jones em 1929


O gráfico acima foi publicado no Wall Street Journal de 1º de janeiro de 1930 e ilustra o comportamento do índice Dow Jones durante o ano de 1929, nos primeiros sustos que abalaram e abalam o Capitalismo.

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09 outubro, 2008

O Capitalismo e as vacas ....




Esta fábula econômica que circula na internet é velha, mas sempre vale um replay.


CAPITALISMO IDEAL
Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro. O rebanho se multiplica e a economia cresce. Você vende o rebanho e aposenta-se... rico!

CAPITALISMO AMERICANO Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO FRANCÊS Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer três.

CAPITALISMO CANADENSE Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.

CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas, né? Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

CAPITALISMO ITALIANO
você tem duas vacas. Uma delas é sua mãe, a outra é sua sogra, maledetto!!!

CAPITALISMO BRITÂNICO
Você tem duas vacas. As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS
Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO
Você tem duas vacas. Elas produzem leite pontual e regularmente, segundo padrões de quantidade, horário estudado, elaborado e previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO
Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12 vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

CAPITALISMO SUÍÇO
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar a vaca dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS
Você tem duas vacas... E reclama porque seu rebanho não cresce...

CAPITALISMO CHINÊS
Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba muito de ter pleno emprego e uma alta produtividade. E prende o ativista que divulgou os números.

CAPITALISMO HINDU
Você tem duas vacas. Ai, de quem tocar nelas.

CAPITALISMO ARGENTINO Você tem duas vacas. Você se esforça para ensinar as vacas a mugirem em inglês... As vacas morrem. Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano ao FMI.

CAPITALISMO BRASILEIRO Você tem duas vacas. Uma delas é roubada.. O governo cria a CCPV - Contribuição Compulsória pela posse de Vaca. Um fiscal vem e lhe autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas e, para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo...

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CRISE NAS BOLSAS - Algumas imagens ....



Nem tudo é pânico ...

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08 outubro, 2008

Enquanto isso nos Estados Unidos ...

DEU A LOUCA NO DÓLAR

Deu a louca no dólar verde-amarelo de susto. Também ele, mercado flutuante tipo bolsa com direito a bolha - bolha especulativa, descolada do mercado físico ou dos estados de saúde da economia real.

Ao fechar em R$ 2,31 nesta terça-feira, alta de 5,05%, o dólar já acumula valorização de rombudos 48% desde o piso de R$ 1,56 no começo de agosto. São traços de um verdadeiro choque cambial, vulgo overshoating. E toda vez que o câmbio sai do prumo e do rumo nas trocas de marcha do mercado, a economia real leva trancos e barrancos, tamancos e solavancos.

Seja o dólar no brejo, seja o dólar nas nuvens.

Câmbio fora de lugar, pra baixo ou pra cima, desorganiza o cálculo econômico dos governos, das empresas e das famílias, fazendo do planejamento orçamentário um exercício de astrologia, feito mais de torcida que de análise. Este choque cambial, de padrão bolha, não se sustenta na alta, como não se sustentou na baixa.

Ocorre que ninguém mais se atreve, na chutometria, a recalcular a chamada taxa cambial de equilíbrio em regime de flutuação em bolsa. Até porque não dá pra vislumbrar o que se passa com a especulação no mercado futuro do câmbio, entre vendidos e compradores de grande porte - assim como não dá porá avaliar o grau de intervenção do BC no mercado cambial agora sobressaltado.

O que se sabe é que o alarme laranja acaba de ser ligado no Ministério da Fazenda: choque cambial nessa magnitude de quase 50% em 90 dias produz estilhaços inflacionários no mercado interno.

O efeito câmbio pra cima inflaciona os produtos de importação e também as mercadorias de exportação. Se não existe isonomia cambial pra baixo, sempre existiu isonomia cambial pra cima - é da velha esperteza de comércio exterior nas duas mãos.

Ou, se preferem: quando o dólar cai 10%, o repasse baixista para os preços internos é de 3%. E demora. Quando o dólar sobe 10%, o repasse altista para os preços internos é de 10%. No dia seguinte, uai!

Joelmir Beting

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06 outubro, 2008

Entenda alguns pontos da Crise

01 outubro, 2008

EUA tenta evitar um desastre igual ao de 1929



A maior crise econômica da história foi a quebra da Bolsa de Nova York em 1929, que mergulhou os Estados Unidos no que ficou conhecido como "A Grande Depressão".

Essa ajuda aos bancos é a tentativa do governo americano de evitar que a crise repita as conseqüências desastrosas de 80 anos atrás, o período conhecido como a "depressão dos anos 30”. A crise engole um banco a cada 16 dias nos Estados Unidos.

Este ano, 17 quebraram. Wall Street, onde fica a Bolsa de Valores de Nova York, é a capital financeira dos Estados Unidos e também do mundo. Na era da comunicação digital, essa tsunami econômica nascida no coração do capitalismo leva segundos para espalhar estragos na China, na Europa e no Brasil. O mundo já viveu situações semelhantes. Sofreu, mas sobreviveu. Em 2000, foi a crise das empresas de internet. As ações despencaram e o prejuízo para os investidores chegou a quase US$ 2 trilhões.

A maior crise da história foi a quebra da Bolsa de Nova York em 1929, que mergulhou os Estados Unidos no que ficou conhecido como "A Grande Depressão". Desempregados, 20% da população, e famintos vagavam pelas ruas americanas. Essa crise é apontada como um das causas da Segunda Guerra Mundial. “A crise de 29 ensinou o que não se deve fazer, quando se tem uma crise financeira. Naquela ocasião, o governo americano e o Federal Reserv, que é o BC americano, simplesmente sentaram e deixaram as coisas acontecerem. Mais de mil bancos quebraram sem nenhum tipo de assistência, contenção.

O público perdeu totalmente a confiança no sistema bancário”, lembra o ecnomista e filósofo Eduardo Giannetti da Fonseca. Quem também pensa assim é o presidente do Banco Central americano, Ben Bernanke, um especialista na crise de 29. Ele quer evitar o mesmo erro. Com o pacote de ajuda, Bernanke e o secretário do Tesouro, Henry Paulson, querem que os bancos voltem a dar crédito às empresas e ao consumidor.

“O crédito e a engrenagem é o que faz o sistema econômico se movimentar. É quase como sangue circulando pelo corpo. Se essa circulação entope e o crédito não flui, acabam as exportações acaba o capital de giro, não tem crediário para o consumidor, o sistema econômico todo fica enfartado, ele perde a condição manter a circulação de mercadorias”, explica Eduardo Giannetti da Fonseca.

JN

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Nada será como antes depois de mais um "setembro negro"


Setembro de 2008, mês que termina nesta terça-feira, é também de catástrofe para o mercado financeiro mundial, como outro setembro, o de 2001. Felizmente, sem mortes como aquele, marcado pelo desastre de dois aviões arremessados no dia 11 contra as torres gêmeas do World Trade Center, bem próximas de Wall Street. A comparação foi inevitável em dezenas de análises feitas ao longo do mês, mas, agora, os termos são superlativos, como "a maior crise financeira desde a Grande Depressão", a "maior falência bancária da história dos EUA", e o "maior acordo de resgate de todos os tempos" - que, não aprovado ontem pela Câmara norte-americana, jogou os mercados no mais completo caos.
Desta vez, se não houve destruição de prédios nem mortos, Wall Street foi atingida direto no seu coração e nos seus valores e necessariamente será outra depois desta crise.
Foram-se bancos centenários, foram-se bancos de investimentos - os dois últimos grandes já deram o primeiro passo para se transformarem em comerciais -, foi-se a máxima capitalista do Estado não intervencionista. O mundo assistiu ao Tesouro dos EUA precisando entrar firme em cena para tentar estancar a sangria de uma crise sistêmica, com um plano de US$ 700 bilhões - que não convenceu número suficiente de parlamentares republicanos e democratas para aprová-lo. Antes, muitos outros bilhões tinham ido para o ralo em prejuízos diversos oriundos do mercado imobiliário norte-americano do subprime, que varreu o globo como uma onda de tsunami.
O mercado financeiro brasileiro não foi uma exceção neste "setembro negro", mas o mês teve um gostinho particularmente amargo para uma economia cuja imagem de "blindada", ou quase isso, foi vendida aos quatro ventos. Os "furos" na blindagem, aqui e ali, começaram a aparecer de forma mais nítida e também o Banco Central, como já haviam feito outros BCs pelo mundo, foi obrigado a intervir para garantir liquidez, no mercado de câmbio e no mercado à vista de reais.
O dólar, que se comportou bem até o começo de agosto, quando começaram a desaparecer as linhas de pré-pagamento para financiamento aos exportadores, acentuou a disparada em setembro, com a fuga dos investidores estrangeiros da Bolsa e da renda fixa, com o desaparecimento do dinheiro para ACC, ACE e também das linhas interbancárias. O BC interveio, anunciando os leilões de venda de dólar, conjugados com compra futura, uma espécie de empréstimo, com data para devolução, apenas para melhorar a oferta de moeda. Mas a liquidez continuou escassa. A segunda-feira da rejeição do acordo em Washington terminou com o dólar subindo 6,15% ante o real, no balcão, a R$ 1,9670 - o maior valor desde 5 de setembro de 2007 (R$ 1,9690). Agora, o governo estuda medidas para fornecer mais linhas de crédito aos exportadores.
A liquidez também acabou "secando" em setembro no mercado de reais, com o clima de desconfiança levando bancos a evitar o fornecimento de crédito a outras instituições, o chamado "empoçamento", e o BC viu-se obrigado a promover ajustes nos depósitos compulsórios. Os juros acompanharam, com medo, a alta do dólar, de olho na inflação, porém agora o temor é quanto aos efeitos da crise na atividade econômica, com o mercado trabalhando com impactos mais fortes do que os cogitados pelo BC em seu relatório de inflação. A possibilidade de mudança na política monetária já está em debate nas mesas de operação e escritórios de consultorias.
No entanto, uma das maiores surpresas para o mercado doméstico foi o solavanco adicional sofrido pela Bolsa, quando se percebeu que executivos brasileiros embarcaram num jogo ousado de alavancagem em moldes semelhantes aos dos seus pares em Wall Street, olhando para a oportunidade de ganhos elevados, mas subestimando os riscos. O anúncio de perdas cambiais de grandes empresas, como Sadia e Aracruz, por conta de operações no mercado de derivativos pareceu descortinar a visão de uma "bolha" nacional, até então pouco visível.
Se as perdas decorrentes de riscos assumidos no mercado de derivativos vão se circunscrever a algumas empresas que ousaram demais ou se vão abranger um número considerável, ninguém sabe.
A Bovespa caminha para terminar setembro com perda na faixa dos 13%, bem maior que em agosto, o propalado "mês do desgosto" para as bolsas, quando fechou com desvalorização de 6,43%. A alta do dólar à vista no mercado de balcão, no mês, terá chegado perto de 17% (em agosto, o dólar tinha subido 4,55%). Já o juro do contrato de DI futuro com vencimento em janeiro de 2010 - o mais negociado no mercado - encerra setembro na faixa de 14,47%, abaixo dos 14,64% do último dia do mês de agosto, o que indica que os investidores não estão acreditando na possibilidade de alta de juro por muito mais tempo. O último dia do mês, depois do pesadelo de ontem, está se caracterizando por uma trégua e por uma renovada esperança de que o governo dos EUA faça alguma coisa, qualquer coisa, para estancar a crise. Mas este "setembro negro" não deixará saudades e retém a desconfortável impressão de que não terá terminado.


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Entenda o sobe-desce do mercado financeiro





Nas últimas duas semanas, o vai-e-vem parece ser a única certeza no mercado finaceiro. Na segunda, a queda do índice Bovespa foi de quase 10%. Nesta terça, nova inversão e alta de 7,63%.

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Bolsa é o pior investimento pelo quarto mês; dólar e ouro lideram ganhos



Aplicações vinculadas ao câmbio e o ouro estiveram entre as mais rentáveis deste mês de setembro. Ambos os ativos são vistos como "refúgios" num momento de turbulência do mercado financeiro, justamente o que caracterizou o mês de setembro. A Bolsa de Valores brasileira foi a pior aplicação do mês.
A variação do dólar comercial foi de 16,45% no mês de setembro. No caso do ouro, aplicação bem mais restrita, a valorização foi de 22,5%, tendo como referência a cotação da commodity negociada na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros).

Os fundos de investimento do tipo DI e Renda Fixa tiveram rentabilidade média de 0,92% e 0,77%, respectivamente, no mês de setembro, segundo a Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento). O cálculo da associação leva em conta dados atualizados até o dia 25.
A caderneta de poupança, aplicação mais popular do país, apresenta rendimento de 0,69%, ainda acima da inflação do período. Pelo IGP-M, os preços subiram 0,11%, enquanto que pelo IPCA-15, a inflação foi de 0,26%.
O primeiro índice embute preços do varejo, do atacado e da construção civil, enquanto o segundo índice reflete o custo de vida para famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos.
E pelo quarto mês, aplicações referenciadas na Bolsa de Valores ficaram entre as piores do período. O índice Ibovespa, referência para a maioria dos fundos de renda variável, desvalorizou 11,02%. Trata-se do quarto mês em que a Bolsa brasileira acumula perdas: em junho, o declínio foi de 10,44%; em julho, de 8,48%, e em agosto, de 10,44%.
Rentabilidade anual
No acumulado deste ano, o dólar e o ouro também ocupam o topo em um ranking dos investimentos mais rentáveis. Em nove meses, a taxa de câmbio tem valorização de 7,15%, enquanto a cotação da commodity metálica variou 11,36% (pela referência dos preços na BM&F).
Os fundo DI e Renda Fixa proporcionaram rendimento de 8,52% e 9%, em médio, segundo o cálculo da Anbid. A poupança, por sua vez, apresenta rendimento de 5,63% em nove meses. Com exceção da poupança (que é isenta), os rendimentos acima são brutos e não consideram a incidência do imposto de renda sobre as aplicações.
De janeiro a setembro, a inflação medida foi de 4,96%, pelo IPCA-15, e de 8,47%, de acordo com o IGP-M.
Refletindo um ano bastante problemático para os mercados financeiros, a Bolsa de Valores apresenta rentabilidade negativa no acumulado de nove meses. Trata-se de um declínio de 22,45%. Sem uma forte reversão até dezembro, o ano de 2008 pode entrar para os registros como o primeiro período anual de perdas da Bolsa após um qüinqüênio de valorização.

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