31 janeiro, 2009

Seca provoca emergência na Argentina



A agropecuária, responsável por 58% das exportações do país, está sendo seriamente atingida.

Marcadores: , , ,

30 janeiro, 2009

O fracasso do liberalismo financeiro




Há muitas maneiras de fracassar. Depois do fracasso do socialismo real, veio o fracasso do liberalismo financeiro.

De um lado, bilionários na Suíça, tomando champagne escondidos… Do outro, barbudos raivosos comendo no McDonalds e berrando: “Viram? Bem que nós dizíamos…”.

A crise fortalece o esquematismo, a radicalização fácil: viva Bolívar, viva Stalin….
Os três patetas Evo, Rafael e Huguinho vão a Belém faturar votos para seus planos de ditadura… E Lula vai ser criticado pelo que tem de melhor: o sensato jogo de cintura…

Mas a boa noticia é que ficou claro que o capital tem de ser regulado por um estado sensato, como teorizou o grande economista Keynes.

Mas poder político em geral emana do poder econômico. Como os rapazes de Wall Street limitariam seus próprios lucros?
Keynes trouxe a incerteza para a economia. Mas como regular a incerteza? Como organizar uma complexidade, justo entre a fome e a vontade de comer?

Hoje, há questões onde ninguém tem razão. A razão fica oculta no miolo, entre causas humanas e desumanas, incontroláveis.

Mas todo mundo quer certezas… Assim, de um lado temos a hipocrisia de Davos, do outro o radicalismo tosco em Belém.

Por isso, como explicar a frase profunda da keynesiana Joan Robinson: “Pior que viver num país explorado pelo capitalismo é viver num país não explorado pelo capitalismo”.


Arnaldo Jabor
, 29 de janeiro de 2009.

Marcadores: , , , , , , , ,

29 janeiro, 2009

Happy.Birthday. umple.años. Feliz aniversario. Herzlichen Glückwunsch zum Geburtstag. عيد ميلاد سعيد. честит рожден ден .feliç aniversari. 生日快乐

28 janeiro, 2009

Reflexo da Crise

26 janeiro, 2009

Veja as demissões anunciadas nesta segunda-feira em todo o mundo

Diante da crise econômica global e na tentativa de reduzir os custos, empresas nos EUA, Europa e Japão anunciaram nesta segunda-feira (26) dezenas de milhares de demissões. Somente as demissões divulgadas hoje somam mais de 70 mil empregos.

Além disso, a agência de notícias japonesa Jiji Press informou pela manhã que as 12 maiores montadoras do Japão esperam cortar um total de 25 mil empregos no atual ano fiscal, que termina em 31 de março, para compensar a crise.

No Brasil, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) anunciou nesta segunda-feira que, no estado, cerca de 130 mil postos de trabalho foram fechados no setor industrial no mês de dezembro. Todos os segmentos demitiram.

Veja abaixo as empresas que anunciaram demissões nesta segunda-feira:

Caterpillar
O maior corte foi anunciado pela fabricante de maquinários agrícolas e de construção Caterpillar. Diante de lucros menores, a empresa prevê um corte de 20 mil empregos em todo o mundo - procurada pelo G1, a companhia não informou se essa redução afetará o mercado brasileiro.
A Caterpillar encerrou o quarto trimestre de 2008 com lucro líquido de US$ 661 milhões (US$ 1,08 por ação), o que representa uma queda de 32,2% em relação ao mesmo período de 2007, quando o ganho líquido somou US$ 975 milhões (US$ 1,50 por ação).

No Brasil, a Caterpillar já fez uma redução de 380 funcionários na sua fábrica brasileira - as demissões atingiram as áreas operacional e administrativa -, mas não descarta "ajustes adicionais" na mão-de-obra do país. A empresa também concedeu férias coletivas aos funcionários, em uma escala que vai até março.

Segundo nota divulgada pela companhia, a empresa já iniciou negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba (interior de São Paulo, sede da Caterpillar no país) para redução de jornada e também pretende fazer um programas de qualificação para trabalhadores que venham a ser desligados.

Pfizer
Ao anunciar a compra da rival Wyeth por US$ 68 bilhões, a empresa farmacêutica Pfizer divulgou que deve fazer um corte de 10% em seu quadro de funcionários, o que pode representar cerca de 8 mil demissões na companhia.

Considerados também os possíveis cortes na Wyeth, as demissões nas duas empresas podem chegar a 19 mil, segundo notícias divulgadas hoje.

A Pfizer, com sede em Nova York, também anunciou seus resultados correspondentes ao ano passado, no qual obteve lucro de US$ 8,104 bilhões - número parecido com o de 2007. No quarto trimestre de 2008, entretanto, a lucratividade despencou 90%, segundo a companhia.

Phillips
A gigante holandesa da eletrônica Philips anunciou que demitirá 6 mil pessoas em todo o mundo em 2009 em consequência da crise econômica mundial que afeta os resultados da empresa.

Esta reestruturação deve permitir ao grupo economizar 400 milhões de euros ao ano a partir do segundo semestre de 2009. A Philips registrou prejuízo líquido de 186 milhões de euros (242 milhões de dólares) em 2008, depois de perdas de 1,47 bilhão de euros no quarto trimestre.

ING
O grupo holandês de banco e seguros ING anunciou que demitirá 7 mil funcionários em todo o mundo em 2009, como parte de um plano de corte de gastos de um bilhão de euros.

O grupo financeiro, que teve prejuízo de 1 bilhão de euros (US$ 1,3 bilhões) em 2008, informou também que recorrerá a garantias de empréstimos de 22 bilhões de euros concedidas pelo governo da Holanda para seu portfólio de empréstimos com problemas.

Corus
A indiana Corus, segunda maior empresa siderúrgica na Europa, anunciou um plano para cortar 3.500 empregados no mundo, dos quais 2.500 na Grã-Bretanha.

A siderúrgica, propriedade da indiana Tata Steel, indicou que o corte é resultado da crise na indústria do aço.

Outras empresas
A operadora de telefonia americana Sprint Nextel anunciou nesta medidas de economias no primeiro trimestre, que incluem a demissão de 8 mil empregados, ou seja, quase 14% de seu quadro de funcionários no mundo.

A empresa especializada em materiais e produtos de construção Home Depot anunciou o corte de 7 mil empregos, quase 2% de seus efetivos no mundo, depois de fechar suas lojas de móveis de luxo, as Expo, e de reestruturar sua logística.

A General Motors (GM) anunciou a demissão de mais duas mil pessoas no segundo trimestre e o fechamento por uma semana, ou mais, de 14 das 24 unidades de montagem na América do Norte, durante o segundo e o terceiro trimestres.

(Com informações da Agência Estado, Valor OnLine, EFE e France Presse)


G1

Marcadores: , , , , , , , , ,

24 janeiro, 2009

PODCAST - Falta de chuva ameaça crescimento da economia na Argentina

A pior seca das últimas décadas é o tema da vez na Argentina. A falta de chuvas ameaça, em 2009, o crescimento da economia vizinha, que já enfrenta retração pós-crise mundial.

Em algumas Províncias como Santa Fé e Entre Rios a seca é a mais intensa dos últimos 70 anos.


Ouça Aqui a Notícia Completa sobre a Seca na Argentina

Marcadores: , , , , , , ,

Harley-Davidson corta 11% da força de trabalho

A Harley-Davidson, a conhecida fábrica americana de motocicletas, anunciou ontem que pretende demitir 1.100 funcionários (cerca de 11% da sua força do trabalho), devido ao recuo na demanda."Nós obviamente precisamos fazer ajustes para atender a queda no volume atual [de produção]", disse Jim Ziemer, presidente-executivo da empresa, que teve queda de 58,2% no lucro no quarto trimestre de 2008 ante igual período de 2007.

Marcadores: , , , , , ,

23 janeiro, 2009

John Deere demite 502 funcionários no Rio Grande do Sul

A John Deere confirmou a demissão de 502 funcionários de sua fábrica de colheitadeiras e plantadeiras em Horizontina, no noroeste do Rio Grande do Sul. Os trabalhadores dispensados foram informados ontem das rescisões e hoje já não compareceram à unidade.

Em nota divulgada para a imprensa, a John Deere atribuiu a medida à crise financeira e a estiagem na Argentina e no Paraguai, o que provocou a desistência de encomendas de máquinas agrícolas. A empresa já havia dispensado 240 trabalhadores em outubro passado, após o cancelamento da venda de 300 colheitadeiras para a Argentina. Com isso, a unidade, que tinha quase 2,7 mil funcionários passa a ter pouco mais de 1,9 mil empregados.

O prefeito de Horizontina informa que aproximadamente metade dos demitidos são moradores do município. Irineu Collato, que assumiu a prefeitura neste ano, afirma que o objetivo agora é tentar recolocar os trabalhadores no mercado.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Horizontina diz ter sido pego de surpresa com a notícia. Alcindo Kempfer conta que já haviam boatos de demissões e a entidade tentava uma reunião com a direção da empresa desde o início de janeiro, mas não foi recebida.

Marcadores: , , , , , ,

22 janeiro, 2009

Juros tem o maior corte em cinco anos




Diante da forte desaleração da economia brasileira, o Comitê de Política Monetária reduziu a taxa Selic em um ponto percentual. Carlos Alberto Sardenberg comenta.

Marcadores: , , , , , , ,

21 janeiro, 2009

Combatendo a depressão

"Se não agirmos com rapidez e ousadia", disse o presidente eleito, Barack Obama, no início do mês, "poderemos assistir a uma queda econômica mais profunda".


Minha opinião é que ele estava amenizando os fatos. Os dados econômicos recentes em todo o mundo são apavorantes. A atividade manufatureira diminui em toda parte. Os bancos não concedem crédito; empresas e consumidores não gastam. Falemos sem meias palavras: parece o início de uma segunda Grande Depressão.
Será que agiremos com "rapidez e ousadia" suficientes para impedir isso? .


Por anos, a maioria dos economistas acreditou que prevenir outra recessão seria fácil. Em 2003, Robert Lucas, da Universidade de Chicago, disse que "o problema da prevenção de depressões (...) está solucionado há décadas".


Milton Friedman, em especial, persuadiu muitos economistas que o Fed (Banco Central dos EUA) poderia ter evitado a depressão simplesmente provendo os bancos de mais liquidez, impedindo a queda acentuada na disponibilidade de moeda.


Mas a verdade é que prevenir depressões não é tão simples. Sob a direção de Ben Bernanke, o Fed vem fornecendo liquidez a todo vapor, e a disponibilidade de moeda sobe rapidamente. Apesar disso, o crédito continua escasso, e a economia ainda está em queda livre.


A afirmação de Friedman sobre a política monetária foi uma tentativa de refutar a análise de John Maynard Keynes, que argumentou que a política monetária é ineficaz numa depressão e que é necessária política fiscal -gastos deficitários governamentais em grande escala- para combater o desemprego em massa. O fracasso da política monetária na crise atual mostra que Keynes estava certo. E o pensamento keynesiano está por trás do programa de Obama para a economia.


Mas pode ser difícil convencer os políticos do acerto desses planos. Líderes republicanos criam empecilhos à legislação de estímulo à economia, ao mesmo tempo posando de defensores da deliberação cuidadosa pelo Congresso -bastante risível, quando se considera o comportamento de seu partido nos últimos oito anos.
Mais amplamente, após décadas declarando que o governo é o problema, não a solução, a maioria dos republicanos não aceitará uma solução que envolva grandes gastos governamentais.


Contudo, o maior problema que o plano de Obama deve enfrentar será a exigência de muitos políticos de provas de que os benefícios dos gastos públicos propostos justificam seus custos -um ônus da prova nunca imposto às propostas de reduções nos impostos.


Esse é um problema que Keynes conhecia bem: dar dinheiro de graça, ele observou, tende a topar com menos objeções que os planos de investimento público, "que, pelo fato de não serem inteiramente perdulários, tendem a ser avaliados segundo princípios estritamente 'comerciais'".


O que se perde em discussões como essa é o argumento-chave em favor do estímulo econômico: que, sob as condições atuais, um aumento grande nos gastos públicos gerará empregos para americanos que, de outro modo, estariam desempregados e empregará dinheiro que, de outro modo, estaria ocioso.


Meu cenário de pesadelo é o seguinte: o Congresso leva meses para aprovar o plano de estímulo, e a legislação que sai disso é demasiado cautelosa. Com isso, a economia continua a cair durante a maior parte de 2009, e, quando o plano finalmente é colocado em ação, o máximo que consegue é desacelerar a queda.
Logo, este é o momento da verdade. Será que conseguiremos evitar a Grande Depressão 2?

PAUL KRUGMAN, segunda-feira, 19 de janeiro de 2009.

Marcadores: , , , , ,

20 janeiro, 2009

Indústria puxa recorde de demissões no país

Mercado de trabalho fecha o dobro de vagas em dezembro e tem o pior resultado em dez anos; cortes afetam todos os setores

Na construção civil, saldo negativo mais que triplicou; maior empregador do país, Estado de SP cortou 44% das vagas com carteira assinada


Tragado por uma onda de demissões inédita na indústria brasileira, o mercado de trabalho formal encolheu em dezembro e registrou seu pior desempenho nos últimos dez anos. No mês passado, foram fechadas em todo o país 654.946 vagas com carteira assinada. Apesar de a redução ter afetado todos os setores, o maior estrago ocorreu na indústria de transformação, que perdeu 273.240 vagas.
O fechamento de empregos no setor foi quase o dobro do mesmo mês de 2007 e acendeu a luz vermelha no governo, que considera a indústria o "principal foco" dos abalos provocados pela crise mundial. O subsetor de produção de alimentos e bebidas foi o mais atingido pelas demissões e eliminou em apenas um mês 109.696 vagas.
Na avaliação do Ministério do Trabalho, os segmentos de suco de laranja e sucroalcooleiro aparecem entre os maiores perdedores. Por serem exportadores, foram fortemente sacudidos pela queda na demanda mundial por produtos. O mesmo ocorreu com os segmentos de calçados, borracha e couro e moveleiro, que fecharam o ano de 2008 com saldo negativo de empregos.
"Os estoques da indústria estavam muito elevados, e o número de empregos gerados nos últimos meses, muito alto. Por isso, houve uma queda maior do que em todos os outros setores", afirmou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, acrescentando que dezembro foi o pior mês da história para o emprego na indústria.
Os reflexos disso atingiram diretamente o maior Estado empregador do país. São Paulo perdeu em dezembro 285.532 postos de trabalho, o que representa 44% do total de vagas fechadas no mês. A redução no nível de emprego se deu principalmente no interior do Estado. Todas as regiões do país tiveram saldo negativo no mês.
Os resultados do Caged (Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados) divulgados ontem por Lupi sepultaram os planos do ministro de anunciar para 2008 o melhor resultado da história do emprego formal.
Ao longo do ano passado, ele chegou a projetar a geração de 2 milhões de postos em 2008. O saldo do ano, com o tombo em dezembro, ficou em 1,452 milhão. "O número de dezembro não surpreendeu, mas desagradou. Ninguém gosta de aumento do número de demissões."
Em dezembro de 2007, foram fechadas 319.424 vagas. Considerando a série histórica do Caged, o pior desempenho anterior ao de 2008 foi o de dezembro de 2004, com o fechamento de 352.093 mil vagas.
Considerando apenas os 23 dias úteis de dezembro, os 654 mil postos fechados significam que 28,5 mil vagas foram fechadas a cada 24 horas.

Retração
No setor de serviços, a retração no mercado em dezembro provocou a perda de 117.128 empregos. Na construção civil, foram 82.432 -mais que o triplo do saldo negativo de dezembro de 2007.
O número de demissões na agricultura também foi alto, mas o ministério explica que o mercado de trabalho no campo tradicionalmente encolhe em dezembro. Em 2007, ficou negativo em 121 mil vagas, enquanto em 2008 o corte chegou a 134.487 postos.
Já no comércio, embora a perda de postos tenha ficado próxima de 15 mil, o número costuma ser positivo por conta das festas de fim de ano.
Para Lupi, os setores que mais preocupam e vão exigir medidas por parte do governo são a indústria e a construção civil. Em reunião com o presidente Lula, o ministro sugeriu iniciativas, mas não quis antecipar o teor de suas propostas.

Folha de São Paulo, 20/01/2009.

Marcadores: , , , , ,

18 janeiro, 2009

Prova dos nove – Barack Obama

Terá a equipe de Obama a capacidade para restabelecer o equilíbrio social e sobre tal base reedificar a economia?

O REAL desafio de Barack Obama não é apenas ressuscitar a economia. É reverter o processo de concentração e de desigualdade que está na raiz dos desequilíbrios econômico-sociais dos Estados Unidos.Não foi a vitória sobre a Depressão, relativa e discutível durante seus primeiros dois mandatos, que deu glória a Franklin Roosevelt. Seu mérito residiu em haver instituído, em favor dos mais vulneráveis, um novo pacto social, o "New Deal", cujo nome imortalizou seu governo. Mais do que um programa econômico, tratou-se de uma reinvenção da sociedade americana.
A leitura superficial da crise econômica identifica como causas alguns excessos como a bolha das hipotecas de alto risco ou os erros de falta de regulação em matéria de derivativos ou securitização. Essas podem ter sido as causas imediatas, mas não passam dos vaga-lumes de Braudel, isto é, não iluminam o caminho do entendimento das razões profundas.
O que se tem de indagar é: por que se permitiu o desenvolvimento das bolhas, qual foi o contexto de poder, a ideologia, que tornou possível evitar a regulação dos derivativos? A resposta é óbvia: a espúria "revolução conservadora", a chegada ao poder de Reagan e Thatcher, imprimiu à economia uma direção cujas distorções preparariam a atual crise.A primeira delas é o processo de crescente desigualdade social, de achatamento das classes médias, estagnação de salários durante décadas, com a contrapartida do obsceno enriquecimento dos magnatas das finanças. Um alto executivo de empresa, que nos anos de 1970 ganhava o equivalente a 40 salários do trabalhador médio, passou a receber 367 vezes mais!
A estagnação dos rendimentos comprimiu a demanda da população, que só conseguiu continuar a consumir graças ao endividamento ilimitado e infinito. A poupança desabou, os déficits se tornaram estruturais e o país virou dependente do ópio financeiro fornecido pelos chineses.
A outra distorção consistiu em converter o setor financeiro de meio para financiar a economia real num fim em si próprio para benefício de uns poucos. A parcela dos lucros controlados pelas finanças passou de 10% para 40%, talvez mais da metade, se incluídos os bônus distribuídos aos corretores.
Sempre que se tentou regular o setor, a resistência tomava a forma do mesmo argumento: isso vai limitar o crescimento do mercado financeiro. As bolhas -imobiliária, em ações de tecnologia, commodities, petróleo- deixaram de ser um acidente a evitar. Tornaram-se a condição mesma da expansão contínua do setor.É por isso que a solução não pode se limitar a aperfeiçoamentos de regulação ou de supervisão. Na melhor das hipóteses, eles resolverão alguns problemas disfuncionais, mas não tocam na essência do sistema, que continuará a inventar novos meios de produzir bolhas. Como ocorreu após a bolha das telecomunicações de 2000 e dos escândalos da Enron em 2002.
Em 1933, Roosevelt reuniu os cérebros mais inovadores para repensar a economia e a sociedade, datando da época o uso corrente da expressão "think tank".Com o fim da era Bush, cai o pano final sobre o sistema político-ideológico ultraconservador. Mas isso não basta. Terá a equipe de Obama, gente requentada após se ter queimado na crise, a mesma capacidade de ousadia e inovação para restabelecer o equilíbrio social e sobre tal base reedificar a economia?

RUBENS RICUPERO , 71, diretor da Faculdade de Economia da Faap e do Instituto Fernand Braudel de São Paulo, foi secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ministro da Fazenda (governo Itamar Franco).

Marcadores: , , , , ,

17 janeiro, 2009

Aduana de Dionísio Cerqueira teve o maior movimento da história em 2008

Somando o valor das mercadorias que entraram e saíram da aduana de Dionísio Cerqueira, o valor do movimento cresceu 26.55% em relação ao movimento do ano de 2007. Esse registro foi recorde na história da Aduana para movimento anual. Entretanto, enquanto o número de exportações somado ao número de importações bate recorde, o movimento de caminhões na aduana diminuiu bastante no último trimestre do ano passado. No entanto, desde julho deste ano, a aduana apresentou queda na corrente financeira (importações mais exportações) de mês para mês. Em julho passado o movimento foi de US$ 41.567.368,00 (cerca de R$ 90 milhões), e dezembro passado fechou com US$ 29.284.798,00 (cerca de R$ 64 milhões), uma queda de 29,55% de julho para dezembro deste ano.Em 2008, a corrente financeira somou US$ 382.971.236,00 (cerca de R$ 835 milhões), superando em 26,55% o total de 2007, que foi de US$ 302.607.904 (cerca de R$ 660 milhões), e era, até então, o maior movimento anual da aduana.No ano passado, US$ 287.677236,00 (cerca do R$ 585 milhões) do total do movimento corresponderam a produtos importados pelo Brasil. Este total corresponde a 75,12% do total do movimento. As exportações brasi¬leiras pela aduna, no ano passado, somaram US$ 95.294.000,00 (cer¬ca de R$ 207 milhões), o que corresponde a 24,88% do movimento.

Apesar de ter registrado o maior aumento da história, o número de caminhões que passaram pela aduana foi inferior ao ano de 2007. Em 2008, passaram pela aduana 18.419 veículos de carga. Já em 2007, 19.578 caminhões passaram pelo porto seco cerqueirense. O inspetor chefe do escritório da Receita Federal nas cidades gêmeas, Arnaldo Borteze explica que esta redução provavelmente é um reflexo da crise econômica mundial. Esta redução no número de caminhões passando pela aduana gera até um impacto econômico frustrante na região. “Nós tivemos um recorde em termos de valor de mercadoria. Mas não é isso que garante o emprego do pessoal aqui na fronteira. Se você trouxer um caminhão com uma carga de US$ 500 mil, é um despacho que o despachante estará fazendo, é um caminhão transportando. Agora, você pode ter um despacho de banana de US$ 4.000. Aí você teria cem despachos de bananas. Isso daria US$ 400 mil. Nesta situação, você teria cem despachos que o despachante vai receber, são cem caminhões, são cem motoristas transportando. Então, é dinheiro circulando”, discorre Arnaldo. E completa. “Não há uma grande indústria aqui na região. Há muita gente trabalhando direta ou indiretamente com a aduana, seja despachante, motorista, comerciante, mecânicos. E, neste último trimestre, realmente a economia da região foi afetada em função disso: menos caminhões, menos despachos”, explica o inspetor.

O presidente da Ascoagrin (Associação Comercial e Empresarial de Barracão e Dionísio Cerqueira), Dionísio Cogo, concorda com o inspetor da receita federal e afirma que o comércio nas cidades gêmeas, principalmente no último trimestre de 2008, sentiu os efeitos do baixo movimento de caminhões na aduana. “Acontece que o pessoal, aqui, estava acostumado a vender horrores. Agora, com a alta do dólar, e com essa estiagem que a região está passando, é natural que haja uma retração nas vendas. Mas, não é nada alarmante”, informou o presidente.

De acordo com o inspetor da receita, o baixo movimento nas aduanas já tem causado algumas demissões no setor de prestação de serviços. Segundo ele, alguns escritórios de despachantes estão dispensando funcionários, alguns motoristas também estão perdendo emprego. E também houve negociação de salário para manter o emprego.
Apesar disso, Arnaldo tem esperança que o cenário possa mudar em breve. “A torcida geral é que, a partir dos próximos dias, que ve¬nha uma reação que permita a esse pessoal voltar a trabalhar e a economia daqui ter um crescimento”, complementou o inspetor.

Marcadores: , , , , , , , ,

16 janeiro, 2009

Tragédia na estrada deixa o Brasil-Pe de luto

14 janeiro, 2009

Revista Época escolhe distintivo do Inter como o mais bonito da Série A


A equipe de arte da Revista Época escolheu o distintivo do Internacional como o mais bonito da Série A do Brasileirão. A eleição, que apontou os 10 escudos mais bonitos, levou em conta o valor estético da logomarca.





http://colunas.epoca.globo.com/fazcaber/2009/01/05/os-dez-escudos-mais-bonitos-do-brasileirao-2009/

Marcadores: , , , , , , , ,

08 janeiro, 2009

Jornalista inglês denuncia mentiras de Israel




Em artigo publicado no jornal
The Independent, o jornalista inglês radicado no Líbano, Robert Fisk, denuncia as mentiras contadas pelo governo de Israel para tentar justificar as atrocidades cometidas em Gaza (e atrocidades anteriores também). A Organização das Nações Unidas também rebateu a versão israelense, segundo a qual as escolas bombardeadas estariam abrigando militantes do Hamas. Sobre esse tema, Fisk, que é considerado um dos maiores especialistas hoje em Oriente Médio, escreve:

“O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham se preocupado em poupar civis. Todos os presidentes e primeiros-ministros que repetiram a mesma mentira, como pretexto para não impor o cessar-fogo, têm as mãos sujas do sangue da carnificina de ontem. O que aconteceu não foi apenas vergonhoso. O que aconteceu foi uma desgraça. ‘Atrocidade’ é pouco para descrever o que aconteceu. Falaríamos de ‘atrocidade” se o que Israel fez aos palestinos tivesse sido feito pelo Hamas. Israel fez muito pior. Temos de falar de ‘crime de guerra’, de matança, de assassinato em massa”.

A lógica de justificativas de Israel não é nova, acrescenta o jornalista:
“Reportei as desculpas que o exército de Israel tem oferecido ao mundo, já várias vezes, depois de cada chacina. Dado que provavelmente serão requentadas nas próximas horas, adianto algumas delas: que os palestinos mataram refugiados palestinos; que os palestinos desenterram cadáveres para pô-los nas ruínas e serem fotografados; que a culpa é dos palestinos, por terem apoiado um grupo terrorista; ou porque os palestinos usam refugiados inocentes como escudos humanos.

O massacre de Sabra e Chatila foi cometido pela Falange Libanesa aliada à direita israelense; os soldados israelenses assistiram a tudo por 48 horas, sem nada fazer para deter o morticínio; são conclusões de uma comissão de inquérito de Israel. Quando o exército de Israel foi responsabilizado, o governo de Menchaem Begin acusou o mundo de preconceito contra Israel. Depois que o exército de Israel atacou com mísseis a base da ONU em Qana, em 1996, os israelenses disseram que a base servia de esconderijo para o Hezbollah. Mentira.

Israel insinuou que os corpos das crianças assassinadas num segundo massacre em Qana teriam sido desenterrados e expostos para fotografias. Mentira. Sobre o massacre de Marwahin, nenhuma explicação. As pessoas receberam ordens, de um grupo de soldados israelenses, para evacuar as casas. Obedeceram. Em seguida, foram assassinadas por matadores israelenses. Os refugiados reuniram os filhos e puseram-se à volta dos caminhões nos quais viajavam, para que os pilotos dos helicópteros vissem quem eram, que estavam desarmados. O helicóptero varreu-os a tiros, de curta distância. Houve dois sobreviventes, que se salvaram porque fingiram estar mortos. Israel não tentou nenhuma explicação.

12 anos depois, outro helicóptero israelense atacou uma ambulância que conduzia civis de uma vila próxima – outra vez, soldados israelenses ordenaram que saíssem da ambulância – e assassinaram três crianças e duas mulheres, Israel alegou que a ambulância conduzia um ferido do Hezbollah. Mentira.

Fisk relata ainda que cobriu, como jornalista, todas essas atrocidades e investigou-as uma a uma, entrevistando sobreviventes:

"Muitos jornalistas sabem o que eu sei. Nosso destino foi, é claro, o mais grave dos estigmas: fomos acusados de anti-semitismo. Por tudo isso, escrevo aqui, sem medo de errar: agora recomeçarão as mais escandalosas mentiras.”


Uma outra mentira denunciada por Fisk é a de que o cessar-fogo em Gaza teria sido rompido pelo Hamas: "O cessar-fogo foi rompido por Israel, primeiro dia 4/11; quando bombardeou e matou seis palestinenses em Gaza e, depois, outra vez, dia 17/11, quando outra vez bombardeou e matou mais quatro palestinos", escreve.
(Trechos do artigo traduzidos por Caia Fitipaldi)

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15468

Marcadores: , , , , ,

01 janeiro, 2009

As surpresas econômicas de 2009




Poucas vezes foi tão difícil – e temerário – fazer previsões econômicas para o novo ano que se avizinha. Tanto que há quem esteja preferindo trocar as habituais projeções por outras modalidades de apostas.
Como o banco suíço UBS, que arriscou divulgar suas expectativas do que serão “as surpresas de 2009”:
Aí vão:
- Petróleo pode afundar até US$ 20 (cá entre nós, nada tão inesperado assim, considerando que a cotação do barril já escorregou de US$ 147 para abaixo de US$ 40, em apenas cinco meses. E seguia em queda livre, até os conflitos na Faixa de Gaza.)
- Federal Reserve (banco central dos EUA) poderá comprar dívidas de empresas americanas (por enquanto, a instituição nega que o fará, mas as pressões podem fazê-la mudar de idéia.)
- Onça de ouro cai para US$ 300 (depois de chegar a US$ 1 mil lustrado pela crise, o metal já tem perdido brilho nas últimas semanas.)
- Ações de emergente avaliadas na paridade (atualmente, ainda são negociadas com diferença de preço.)
- Anjos caídos disparam em bolsa (com a cotação na lona por causa dos problemas financeiros de 2008, empresas punidas pela crise podem voltar a cair no gosto dos investidores com a retomada do crédito.)
- Taxa de falências vai subir menos do que o esperado (subir vai ser inevitável. Mas não sendo muito, já vai contrariar expectativas.)
- Crescimento econômico negativo (esta é a previsão mais óbvia, não exatamente uma surpresa.)
- Taxas de inflação próximas de zero (contraria as projeções correntes, que esperam deflação na maioria dos países.)
- Dólar cai para novos mínimos históricos (depois de recuperar fôlego diante das principais divisas internacionais em 2008, é mesmo bastante possível que a verdinha comece a acusar o golpe do impacto da crise sobre a economia americana.)

Marcadores: , ,