30 maio, 2009

Varejo demora a baixar preços, mas turismo já reflete dólar a R$ 1,97

Fonte de preocupação para exportadores, a valorização do real pode trazer alívio ao bolso do brasileiro.

No varejo e no setor de turismo, a perspectiva é que o novo patamar da moeda, se sustentado, resulte em queda de preços ao consumidor.

A Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagem) afirma que, desde fevereiro, o setor tem oferecido tarifas promocionais para tentar reaquecer o mercado --política que ganha força no novo cenário cambial. A entidade diz já sentir sinais de recuperação das vendas dos pacotes internacionais.

Já no varejo os efeitos da queda do dólar devem demorar um pouco mais para serem sentidos, segundo o economista André Braz (FGV).

Braz afirma que, normalmente, a queda do dólar afeta não apenas os preços dos importados, que ficam mais baratos, mas os de itens nacionais, que sofrem efeito da concorrência externa. Dessa vez, porém, ele vê risco de que a valorização cambial seja neutralizada pela alta dos preços das commodities.

Para ele, produtos como computadores e TVs de LCD, que têm muitos componentes importados, devem ficar mais baratos. O repasse ao consumidor, porém, não é imediato, já que muitos varejistas ainda têm estoques.

Folha Online

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Dólar fecha abaixo de R$ 2 pela primeira vez em oito meses

Moeda fechou maio com a maior queda mensal desde 2003, a R$ 1,97. Entrada de recursos externos no Brasil determina a queda da moeda

O dólar comercial fechou o último pregão de maio, nesta sexta-feira (29), com queda de 1,94%, cotado a R$ 1,97 para a venda. Esta foi a primeira vez que a moeda americana fechou abaixo do patamar de R$ 2 em oito meses.

A queda acumulada em maio foi de 9,67%, a maior mensal desde abril de 2003, quando a moeda teve desvalorização de 13%. Desde o início do ano, o dólar comercial registra baixa de 15,56%.

Entrada de recursos

De acordo com informações de mercado, a entrada de dinheiro externo na economia brasileira e também o fechamento do câmbio para contratos que são indexados pela última cotação do mês determinaram o comportamento da divisa no dia.

Nesta sexta-feira (29), foi divulgado que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumulou, entre os dias 1º e 26 de maio, um saldo de mais de R$ 5 bilhões de investimentos de não-residentes, o que elevou a aplicação externa no mercado financeiro brasileiro a R$ 10,17 bilhões neste ano.

Atuação do BC

Na tentativa de conter a "queda livre" da moeda americana, o Banco Central (BC) voltou a intervir no mercado de câmbio, como tem feito diariamente desde o dia 8 de maio. Com isso, a queda do dólar, que chegou a quase 2% no início da tarde, diminuiu um pouco.

De acordo com comunicado do Departamento de Operações de Reservas Internacionais (Depin), a operação teve início às 15h22 e terminou às 15h32. A taxa aceita ficou em R$ 1,974.


Gazeta do Povo

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27 maio, 2009

Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA


A economia americana encontra-se em recessão desde dezembro de 2007, segundo o Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês). Em mais de um ano de crise, a economia americana recebeu um pacote de US$ 700 bilhões no ano passado e a atual administração, do presidente Barack Obama, já conseguiu aprovação dos deputados em Washington para mais um, de US$ 819 bilhões. A situação em que o país se encontra, com queda do PIB (Produto Interno Bruto) e números do mercado de trabalho típicos de períodos de recessão, tem suas raízes no mercado imobiliário norte-americano.

Em março de 2001, o Nber avaliou que a economia americana havia entrado em recessão, na esteira do estouro da bolha das empresas "pontocom". O Federal Reserve (Fed, o BC americano) iniciou uma sequência de cortes de juros que levou a taxa a 1% ao ano em junho de 2003 (e na qual permaneceu até junho de 2004). Com juros baixos, a economia recebeu o impulso que precisava para sair da recessão. Um ano de juros baixos foi o suficiente para estimular o mercado imobiliário americano, além de elevar o consumo e a circulação de crédito de modo geral. Em 2005, o "boom" no mercado imobiliário já estava avançado.

Com juros baixos, as companhias hipotecárias passaram a explorar o segmento de clientes "subprime" --que contém um risco maior que o de clientes com classificação melhor de crédito, mas compensado por taxas de retorno mais altas.

Os papéis de dívidas hipotecárias atraíram gestores de fundos e bancos. Essas instituições compraram esses títulos hipotecários "subprime" e permitiram que uma nova quantia em dinheiro fosse emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Um outro gestor, interessado no alto retorno envolvido com esse tipo de papel, comprou o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerou uma cadeia de venda de títulos.

Declínio

Em 2006, o mercado imobiliário já dava sinais de saturação, com preços e estoques altos de casas, ao lado de uma taxa de juros que vinha subindo desde junho de 2004, chegando a 5,25%. Com os juros mais altos, as correções nos contratos de hipotecas dificultaram os pagamentos de prestações, e a consequência foi o aumento da inadimplência.

Como no início dos empréstimos o índice de inadimplência era baixo, os empréstimos hipotecários "subprime" pareciam um ótimo negócio, pois traziam alta rentabilidade com um risco que parecia menor do que realmente tinha.

Com isso, as instituições financeiras, que compraram os títulos hipotecários "subprime" e os revenderam sob a forma de derivativos, também começaram a ter problemas. Se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).

Derivativos são papéis que tem, seu valor derivado de outros ativos, com a finalidade de assumir, limitar ou transferir riscos. São instrumentos financeiros considerados de risco, uma vez que a avaliação de seus valores e das consequências de seu uso generalizado é muito complexa em um mercado financeiro cada vez mais globalizado.

Em 2007, o setor financeiro sofreu o primeiro golpe, quando o aumento da inadimplência nas hipotecas "subprime" aumentou o risco embutido nos derivativos lastreados nesses papéis de dívida. O banco francês BNP Paribas Investment Partners --divisão do banco francês BNP Paribas-- congelou, em agosto daquele ano, resgates em três fundos, alegando dificuldades de avaliar os valores dos investimentos ligados a essas hipotecas de risco.

Quebras e prejuízos

Com esse primeiro sinal de problemas, a reação foi a mesma de todas as crises que envolvem o mercado financeiro: pânico. Primeiro foram algumas gigantes do setor hipotecário, como a AHM (American Home Mortgage): uma das 10 maiores empresas do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, a empresa teve de pedir concordata. A Countrywide Financial, outra gigante do setor, teve de ser comprada pelo Bank of America.

Das empresas hipotecárias, a crise passou para os bancos. O marco inicial da onda de pânico que conduziu a esses resultados foi a quebra do Lehman Brothers, em setembro do ano passado.

Pode-se dizer que a quebra do Lehman é o marco para o agravamento da crise, pois desde então alguns dos principais grupos financeiros --não só dos EUA, mas do mundo todo-- que já vinham sentindo os abalos da crise entraram em um ritmo acelerado de perdas. Vários bancos, entre eles os gigantes Citigroup, Bank of America, Wells Fargo e AIG, tiveram que receber recursos do governo americano, enquanto outros, como o Wachovia e o Bear Stearns, foram comprados antes que quebrassem.

Consequências

A crise provocada pelo problema que começou no mercado imobiliário e que se infiltrou no sistema financeiro acabou por se espalhar para todos os setores da economia, como reconheceu a chefe do Conselho de Consultores Econômicos da Casa Branca, Christina Romer, no mesmo dia que o Departamento do Comércio informou que o PIB americano caiu 3,8% no quarto trimestre. Foi o pior desempenho trimestral desde o período de janeiro a março de 1982, quando a economia caiu mais de 6% --à época, como agora, o país estava em uma recessão.

A crise, e o risco para o sistema bancário que ela representava, levou o governo americano a propor um pacote de US$ 700 bilhões --aprovado em outubro do ano passado. O pacote iria ajudar os bancos com balanços comprometidos pelo peso dos derivativos lastreados nas hipotecas "subprime", mas acabou tendo seu alcance ampliado para ajudar bancos mais saudáveis, empresas mais ligadas ao crédito ao consumidor e até as montadoras do país.

O setor automobilístico vive uma situação problemática que tem na crise de crédito resultante dos problemas com hipotecas "subprime" como uma das consequências. A General Motors e a Chrysler, com quedas nas vendas devido às dificuldades dos compradores em obter financiamento, precisaram de ajuda do governo para fechar suas contas. Mas, mesmo assim, a Chrysler pedir proteção da Justiça dentro do "Capítulo 11" da Lei de Falências americana --o equivalente à concordata (ou recuperação judicial, no Brasil). O mesmo deve ocorrer com a GM.

O mercado de trabalho também sofre uma contração, nos EUA e além, causada pela crise de crédito originada nos problemas do mercado imobiliário. A taxa de desemprego nos EUA fechou 2008 em 7,2%. Em abril, esse índice já subiu para 8,9%.

Folha

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24 maio, 2009

As Receitas do Clubes Brasileiros em 2008

O mercado brasileiro de futebol gerou receitas da ordem de R$ 1,7 bilhão no exercício de 2008. Os 21 principais clubes do País foram responsável por R$ 1,4 bilhão desse montante, o que representou um crescimento de 6,1% em relação ao estudo de 2007 e uma evolução 69% de cinco anos para cá, quando a Casual Auditores Independentes começou a publica a Lista Casual Auditores de Clubes, baseada nas informações financeiras extraídas das demonstrações contáveis dos clubes com maiores receitas.

A receita média dos times presentes na amostra atingiu a casa de R$ 67,5 milhões, enquanto que em 2004 esse valor foi de R$ 39,9 milhões. Os maiores responsáveis, em termos absolutos, pelos novos recursos gerados foram Palmeiras, Portuguesa, Flamengo, Fluminense, Coritiba e Cruzeiro.

No entanto, São Paulo e Internacional, com receitas de R$ 160,6 milhões, e R$ 142,2 milhões, respectivamente, são os campeões de arrecadação.

Em 2008, os recursos oriundos da venda de atletas sofreram retração - em virtude da crise mundial desacelerou os investimentos dos clubes do exterior -, mas esse fator foi atenuado pela evolução de dois dígitos de fontes como bilheteria, clube social e esporte amador, patrocínio e publicidade, e cotas de TV. O estudo final será divulgado nos próximos meses.

Segundo projeção da Casual, o mercado brasileiro de clubes de futebol pode encerrar o ano de 2014, depois da Copa do Mundo do Brasil, com receitas de R$ 2,8 bilhões. Esse resultado poderia ser atingido com a geração de novos recursos como a exploração da marca dos clubes, maximização dos recursos com estádios e novos conteúdos de mídia, ações com o torcedor e novos patrocinadores.

Veja a lista com os clubes com as 10 maiores receitas em 2008:

Clube

Receita (em R$ milhões)

São Paulo

160

Internacional

142

Palmeiras

138

Flamengo

117

Corinthians

117

Grêmio

99

Cruzeiro

94

Fluminense

66

Santos

65

Atlético Mineiro

57

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23 maio, 2009

A volta do dólar mais fraco. Quem ganha com o dólar perto de R$ 2 ?





Estrangeiros aplicam bilhões no mercado brasileiro, movimento que preocupa Meirelles

A enxurrada de dólares vindos do Exterior nas últimas semanas, em especial no mês de maio, trouxe de volta a expectativa de um cenário visto no início do ano passado: um real forte e uma moeda norte-americana enfraquecida, para o bem e para o mal.

Na primeira quinzena deste mês entraram US$ 2,059 bilhões a mais do que saíram do país. Com isso, o fluxo cambial ficou positivo no ano – US$ 516 milhões. Essa tendência levou o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, a comentar ontem que está “preocupado com excessos de euforia” do mercado financeiro com o Brasil.

– Temos alertado há bastante tempo contra excessos de euforia, contra excessos de movimentos de precificação de ativos e de riscos – afirmou.

Não por acaso, o BC tem ingressado no mercado de câmbio quase todos os dias. Na quarta-feira, chegou a comprar US$ 1,185 bilhão para impedir o recuo da cotação abaixo da marca psicológica de R$ 2. Ontem, a cotação fechou a R$ 2,037. Mas os efeitos da oscilação cambial vão além do mercado financeiro. Os exportadores alertam para a perda de competitividade dos produtos brasileiros. Do outro lado, há os que sonham em viajar para o Exterior.


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21 maio, 2009

Dólar vem caindo diariamente no Brasil; entenda

Em agosto, o dólar era negociado a R$ 1,55. Com o agravamento da crise mundial, subiu até bater em R$ 2,50 em dezembro. Oscilou um pouco e despencou até chegar a quase R$ 2. Economistas explicam.

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Entrada de dólares é a maior desde a crise

Pela 1ª vez no ano, fluxo cambial acumulado fica positivo, com saldo de US$ 516 mi até 15 de maio; só neste mês, saldo é de US$ 2 bi

Juro alto que atrai investidor externo e aumento do saldo comercial explicam a mudança no fluxo; até abril, saldo era US$ 1,5 bi negativo

Mesmo considerando apenas os primeiros dez dias úteis do mês, maio já tem o maior saldo de entrada de dólares no Brasil desde setembro de 2008, quando o agravamento da crise financeira provocou uma fuga de investidores da maioria dos países emergentes.
Segundo balanço fechado pelo Banco Central na sexta-feira passada, o fluxo líquido de capital externo (diferença entre as entradas e saídas de dólares) observado neste mês está em US$ 2,059 bilhões.
O resultado foi suficiente para reverter o saldo negativo de US$ 1,544 bilhão que estava acumulado no ano até abril e contribui para a valorização do real. O saldo até o dia 15 de maio é de US$ 516 milhões.
Caso os números continuem positivos até o final de maio, este mês será o segundo seguido de fluxo positivo de dólares para o Brasil, o que não acontece desde o período entre agosto e setembro de 2008. Só no último trimestre do ano passado, ocorreu uma saída líquida de US$ 16,550 bilhões do país.
Neste mês, o saldo positivo foi puxado pelas chamadas operações financeiras, que incluem investimentos estrangeiros, inclusive em Bolsa, empréstimos externos, remessas de lucros para fora do país e pagamento de juros, entre outros.
Considerando todas as entradas e saídas, o saldo apurado por essas transações foi positivo em US$ 1,401 bilhão entre os dias 1º e 15. Desde março do ano passado esse segmento não encerra um mês no azul.
O aumento na entrada de dólares no país ajuda a explicar a valorização do real ocorrida nos últimos dias, com a cotação da moeda dos EUA se aproximando dos R$ 2. Para Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg Associados, o movimento do mercado de câmbio reflete o maior otimismo que se observa no mercado internacional. "O que houve nas últimas semanas foi um aumento no apetite por risco. O mercado está com uma leitura de que o pior da crise já passou", afirma.
Justamente por estar tão atrelado ao humor dos investidores estrangeiros, diz Zara, a trajetória do dólar pode se reverter rapidamente caso ocorra uma mudança brusca no cenário externo. "A crise ainda não se resolveu totalmente, embora os mercados estejam, por enquanto, mais otimistas."
Para Mário Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora, a crise também ajuda a explicar a recente valorização do real. "O Brasil ainda tem juros reais [descontada a inflação] positivos, o que não existe em nenhum país desenvolvido e é cada vez mais raro entre os emergentes", afirma, relacionando a alta taxa praticada no país com o aumento no fluxo de investimentos estrangeiros.
Além disso, Battistel também aponta os saldos ainda positivos na balança comercial como outro fator que ajuda a sustentar, pelo menos por enquanto, a queda do dólar. Neste ano, segundo o balanço fechado pelo BC na sexta-feira passada, as operações de comércio exterior foram responsáveis pelo ingresso de US$ 12,083 bilhões no Brasil. O valor corresponde à diferença entre o dinheiro trazido ao país por exportadores e as remessas ao exterior feitas por importadores.

Folha de S. Paulo, 21/05/2009.

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Gol da vitória !

20 maio, 2009

Pior já passou, mas só no Brasil

Em debate promovido pela Gazeta do Povo, os economistas José Guilherme Vieira e Marcelo Salomon disseram que o “fundo do poço” foi atingido, mas também alertaram que isso não significa que a economia ficará livre de turbulências durante os próximos meses

O Brasil já passou pelo “pior da crise”, mas isso não significa que o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer em 2009. Embora a economia brasileira tenha deixado o fundo do poço, atingido entre o fim de 2008 e o início deste ano, os próximos meses ainda sofrerão forte influência da crise econômica – até porque a economia global provavelmente vive, neste momento, sua fase mais crítica. Essas são algumas das constatações dos economistas José Guilherme Vieira, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Marcelo Salomon, do Itaú Unibanco. Eles participaram ontem, em Curitiba, do debate “Perspectiva econômica: o Brasil em direção à retomada” – primeira edição do ciclo Papo de Mercado 2009, promovido pelo caderno de Economia da Gazeta do Povo, com patrocínio da Amil Paraná e da MGM Operadora Turística.

“Estou otimista para 2010, mas preocupado com 2009”, resumiu Salomon, para quem a economia brasileira vai recuar 1,6% neste ano e crescer 3,4% em 2010. “A massa salarial real ainda está crescendo, o juro pode ser cortado ainda mais. Mas nem por isso o PIB será positivo em 2009.” Para o economista, a inadimplência das pessoas físicas – que fechou março em 8,31% – tende a acompanhar o aumento do desemprego e continuar subindo até o terceiro trimestre, provavelmente superando o recorde de maio de 2002 (8,44%). “A partir do quarto trimestre, as coisas se estabilizam, e esses níveis começam a cair.”

Vieira ponderou que, apesar das conhecidas consequências da crise, o trabalho formal não demonstra problemas tão sérios – já apresenta crescimento no acumulado do ano – e, embora o nível de desemprego tenha aumentado, não chegou a níveis alarmantes. Por isso, a demanda não parou. O professor da UFPR, que dedicou parte de sua apresentação às oportunidades que estão se abrindo para o Brasil, lembrou que o país já viveu crises piores. Exemplo disso é a retração de 4,35% do PIB registrada em 1990, primeiro ano do governo Collor – depois dela, a economia demorou três anos para retornar aos níveis de 1989. “O cidadão brasileiro já passou por tantas crises que a reversão das expectativas provocadas pela crise atual não foi tão forte quanto em países desenvolvidos, menos acostumados a isso. E isso é ótimo para nossa economia. Porque o pânico acabaria causando estragos bem maiores que o próprio fato.”

“O ‘instinto animal’ é indispensável”

Se há algo que pode ser feito para permitir a retomada do investimento – e o crescimento sustentado da economia – é atiçar o “instinto animal” dos empresários. “O investimento, variável mais importante do PIB, está caindo pelo encarecimento do crédito e, principalmente, pela queda da confiança, do instinto animal, do empresário”, assinalou José Guilherme Vieira, professor de Economia da UFPR. Ele lembrou que o nível de confiança medido pela Confederação Nacional da Indústria, que esteve elevado na primeira metade de 2008, caiu nos últimos quatro trimestres.

Vieira também insistiu na oportunidade aberta, na China, pela “sonolência” dos países desenvolvidos. “Devemos aproveitar o sono dos nossos concorrentes, que agora estão mais preocupados com os próprios problemas.” Segundo Vieira, é inútil tentar competir com os industrializados chineses; é preciso atender às necessidades do país asiático. “Podemos exportar alimentos, principalmente, e commodities.” No caso das exportações, um alerta: se os preços internacionais não se recuperarem, uma baixa do dólar tende a prejudicar ainda mais o Paraná, cujas vendas ao exterior caíram 23% de janeiro a abril. (FJ)

“País começa a ficar normal”

Até setembro, havia quem acreditasse que países emergentes, como o Brasil, se “descolariam” do resto do mundo. O agravamento da crise desmoralizou essa teoria, mas, na avaliação do economista Marcelo Salomon, do Itaú Unibanco, o Brasil ainda apresenta uma certa resistência à turbulência por ter consolidado a responsabilidade fiscal e conquistado uma balança de pagamentos bem mais favorável do que no passado. “O Brasil está começando a se tornar um país normal. O que destoava aqui era o juro alto, que agora tem condições de cair”, disse Salomon.

Para ele, o Banco Central tende a cortar o juro básico (Selic) em um 1 porcentual em junho, e em mais 0,5 ponto em julho, para 8,75% ao ano. “O mercado acha que o BC terá de elevar o juro em 2010, mas acho que isso está errado. Não há problema de inflação neste ano, e a retomada de 2010 será sem inflação”, afirmou. Salomon avalia que a queda dos juros será um forte incentivo à economia e vai dispensar a necessidade de estímulos fiscais (redução de impostos) tão fortes. O dólar, segundo ele, chegará a dezembro próximo de R$ 2,10 – pode cair a R$ 1,90 no decorrer do ano, mas não vai “nem derreter, nem estourar”. (FJ)

Confira análises de temas debatidos durante o Papo de Mercado de 2009:

Mão-de-obra

O próximo limitador do crescimento brasileiro poderá ser a falta de qualificação profissional, problema que, segundo os economistas José Guilherme Vieira e Marcelo Salomon, poderá gerar um “apagão de mão-de-obra”. Segundo Vieira, uma amostra deste problema pôde ser sentida enquanto a economia crescia de forma acelerada até setembro de 2008. “Quando o Brasil voltar a crescer poderá ficar para trás. [O país] tem que formar novos talentos, não só em pesquisa e tecnologia, áreas em que o Brasil está muito atrasado. Eu diria que o problema é muito mais grave: não existem técnicos para trabalhar no chão de fábrica”, afirmou o professor. Salomon lembrou que o problema é percebido pelo Itaú Unibanco, quando existe a necessidade de novas contratações, mas a qualificação das pessoas é insuficiente. “O salário no nível de pessoas qualificadas subiu muito mais rapidamente do que o de pessoas não qualificadas por uma questão de demanda”, disse. O economista acredita que a economia brasileira não conseguirá crescer de forma sustentada acima dos 5% do PIB apenas com a elevação de gastos na formação bruta de capital fixo. “A falta de qualificação pode gerar uma inflação de salários”, avaliou.

Educação

Para Salomon, investimentos em educação são tão importantes quanto aqueles feitos para resolver os gargalos da economia. “Investimento em infraestrutura não é só em máquina, é em educação também”, ressaltou. O professor da UFPR apontou para necessidade de políticas de estímulo a educação profissional junto com uma maior integração entre as instituições de ensino e as empresas. “O que se vê nos Estados Unidos é um grande número de incubadoras de empresas, que nascem dentro das universidades. A taxa de mortalidade dos projetos deve ser altíssima, mas, se de cada cem duas vingam e viram ‘Microsofts’, isso já é o suficiente. Na realidade o investimento em educação é uma espécie de aposta, mas é uma aposta ganhadora no longo prazo.”

Infraestrutura

Os economistas citaram a existência de problemas estruturais em portos, estradas e aeroportos e assinalaram a necessidade de investimentos públicos remover os “gargalos” com os recursos provenientes da redução do superávit primário, economia feita para o pagamento dos juros. “O problema é que, no Brasil, a maioria dos gastos do governo são permanentes, no custeio da máquina pública”, disse Salomon. “Se o governo precisa fazer política fiscal ativa, por que não fazer com áreas que ajudem a reduzir o custo da logística empresarial?”, questionou Vieira. “Isso vai aumentar o custeio, mas é bem menos do que inchar a máquina com a contratação de empregados”, argumentou.

Setor imobiliário

Salomon descartou a possibilidade de que o programa habitacional do governo federal possa criar uma bolha imobiliária. “O Brasil tem cerca de 2% do PIB em crédito hipotecário, já os EUA têm 100% do PIB. Ou seja, haja ‘Minha Casa, Minha Vida’ para a gente chegar lá”, disse. “Piadas à parte, o Brasil não vai gerar um subprime com este novo programa. O Brasil pode até dobrar o número de hipotecas, de 2% para 4% do PIB – mas não vamos ver ele chegar a 30% ou 40% do PIB nos próximos 5 ou 6 anos”, completou. Para o economista, um cenário de juros mais baixos tende a aumentar a demanda por ativos de maior valor, impulsionando o mercado imobiliário.

Fusões e Aquisições

O mercado deve aguardar uma nova onda de fusões e aquisições em um ritmo acelerado. Segundo Vieira, essas operações devem ser tanto de empresas brasileiras quanto de investimentos estrangeiros diretos. “Não estou bem certo se essa é a melhor forma de o Brasil sair da crise, mas estou certo de que vão acontecer várias fusões e aquisições em vários setores, principalmente em empresas que estão mais fracas.” Para Salomon, as fusões e aquisições observadas ao longo dos próximos meses serão de dois tipos: operações financiadas pelo BNDES e outras que devem ocorrer via troca de ações, uma vez que, ao contrário dos últimos anos, não há crédito disponível no mercado para financiar fusões de grande porte.

Gazeta do Povo, 20/05/2009.

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19 maio, 2009

Fusão da Perdigão e Sadia cria "grande multinacional brasileira"


A fusão entre Sadia e Perdigão, que resultou na criação da Brasil Foods (BRF), dá origem a uma "grande multinacional brasileira", anunciaram nesta terça-feira o presidente da Perdigão, Nildemar Secches, e o presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan. O acordo foi assinado ontem à noite e anunciado nesta manhã ao mercado.

Pelo acordado, 68% do capital da nova empresa ficará com acionistas da Perdigão e 32% com acionistas da Sadia, mas essa relação será modificada com a compra, por parte das famílias Furlan e Fontoura, da parte financeira da Sadia --o banco e corretora Condórdia.

"É uma grande multinacional brasileira de alimentos processados", definiu Secches em entrevista coletiva, em São Paulo, concedida para explicar os detalhes do negócio. "Estamos criando um campeão, que provavelmente se tornará o maior processador de carne do mundo", afirmou Furlan.

"Não tem nenhum banqueiro nem jornalista que nos visitou nos últimos anos que não nos perguntasse sobre isso [fusão], era uma solução óbvia", disse Secches.

Independente da posição do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão de defesa da concorrência, as empresas já informaram que vão manter as duas marcas.

A primeira ação conjunta da Brasil Foods será uma oferta pública de ações no valor estimado de R$ 4 bilhões para captar recursos. A previsão é realizar a operação já no final de julho. Os recursos serão utilizados integralmente para abater dívidas da nova empresa, que já nasce com endividamento de R$ 10 bilhões.

Segundo Furlan, a dívida que permanecerá com a empresa após a captação, no montante de R$ 6 bilhões, "é confortável" ante o faturamento conjunto, que ficará --nas contas da empresa-- na casa de R$ 30 bilhões por ano.

Sobre o risco de não ser alcançada a captação de R$ 4 bilhões, Secches disse que ele não existe. "Quase metade da operação já está colocada. O BNDES já mostrou interesse", disse ele. "Poderia ser até mais [de R$ 4 bi], mas o recurso já é suficiente."


No Rio, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, confirmou hoje que tem interesse em participar da nova empresa e vai esperar o lançamento de ações. A participação ocorreria com o BNDESPar, subsidiária de investimentos do banco.

Ainda sobre a emissão, Furlan acrescentou que, devido à decisão de fazer a captação, serão reavaliadas as decisões da Sadia de se desfazer de alguns de seus ativos para poder cobrir as dívidas contraídas com as operações de derivativos.

Conforme as empresas, as ações da Brasil Foods continuarão a ser negociadas no Novo Mercado, ambiente da Bovespa que exige maior grau de governança corporativa e em que hoje está listada a Perdigão.

Sinergias, preços e concorrência

Em relação às sinergias de Sadia e Perdigão, o que costuma resultar em demissão, Secches disse que não há consenso, mas resultaria em uma economia que varia entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões.

Furlan, por sua vez, garantiu que não haverá demissões no chão de fábrica, uma vez que o objetivo da fusão é ganhar mercado e, por consequência, produzir mais, gerando mais empregos.

Sobre a possibilidade de a fusão trazer aumento de preços, uma vez que cairia a concorrência, Secches disse que espera exatamente o contrário. "O objetivo da fusão é melhorar a competitividade e, automaticamente, ter preços melhores." Além disso, acrescentou Furlan, a empresa pretende repassar ao menos parte das sinergias para o bolso do consumidor.

Os dois executivos ainda lembraram que, apesar de deterem fatia grande dos mercados de carnes processadas e massas congeladas, isso não significa que não possuem concorrente. "Do jeito que vocês falam, parece que não temos concorrentes. No Brasil, existem vários deles, sem contar com os estrangeiros, como Cargill, Tyson e Bunge", disse Furlan. "Falam muito do mercado de pizzas, mas temos a concorrência de um monte de padarias e pizzarias por aí", brincou Secches.

Brasil Foods

A nova empresa nasce com os apostos de décima maior empresa de alimentos das Américas, segunda maior indústria alimentícia do Brasil (atrás apenas do frigorífico JBS Friboi), maior produtora e exportadora mundial de carnes processadas e terceira maior exportadora brasileira (atrás de Petrobras e da mineradora Vale).

Com cerca de 116 mil funcionários, 42 fábricas e mais de R$ 10 bilhões em exportações por ano (cerca de 42% da produção), a gigante surge com um faturamento anual líquido de R$ 22 bilhões. Será, com esses números, uma das três maiores empresas empregadoras e exportadoras do país.

A fusão foi concretizada depois de meses de negociações. A elaboração final do contrato, informa a reportagem, foi marcada por muitas idas e vindas entre advogados e executivos de bancos de investimentos envolvidos no acordo.

As discordâncias eram com relação ao valor patrimonial do banco Concórdia, que pertence à Sadia. Desde o início, estava decidido que a área financeira do grupo ficaria fora da BRF. A avaliação de seu valor para baixo, no entanto, significou milhões de reais a menos em ações, para os acionistas da Sadia.

No processo de fusão previsto, a Perdigão muda de nome para BRF e a Sadia para HFF, e em seguida ocorre a incorporação das ações da HFF pela BRF. Os Conselhos de Administração das duas empresas serão formadas pelas mesmas pessoas, e o presidente de uma será co-presidente da outra --ou seja, o controle será dividido entre Secches e Furlan.

Segundo o comunicado, o acordo foi aprovado pelos Conselhos de Administração das duas empresas e ainda precisa passar por adesão dos acionistas de ambas. "A concretização da associação também depende da apresentação da operação aos órgãos antitruste de outras jurisdições nas quais essa exigência legal seja necessária, em virtude de a Perdigão e a Sadia possuírem operações."

Entre esses órgãos estão, por exemplo, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a SDE (Secretaria de Direito Econômico).


Folha


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15 maio, 2009

Um milhão de usuários já trocaram de operadora sem mudar o número do telefone

A troca de operadora com manutenção do número do telefone, a chamada portabilidade numérica, atingiu um milhão de pedidos nesta sexta-feira, segundo balanço divulgado pela ABR Telecom (Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações), entidade administradora da portabilidade no Brasil.

Desde que o serviço começou a existir no país, em 1º de setembro de 2008, sendo implantado gradualmente, 1.393.458 pedidos foram registrados. Desses, 1.001.820 estão com o processo concluído. Entre os pedidos efetivados, 673.639 (67%) foram solicitações de usuários de telefones móveis e 328.181 (33%) de fixos.

A implantação da portabilidade numérica foi disponibilizada gradativamente para os 67 DDDs existentes no Brasil, sendo concluída em 2 de março de 2009.

O processo da portabilidade inicia quando o usuário procura a operadora para a qual ele quer migrar e faz a solicitação. Conforme o regulamento da portabilidade numérica.

As regras determinam que só podem ser solicitadas migrações dentro do mesmo serviço --móvel para móvel ou fixo para fixo-- e na área de abrangência do mesmo DDD.

Folha Online

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13 maio, 2009

Itália endurece medidas contra imigração ilegal

O governo italiano quer marginalizar os imigrantes ilegais e anunciará duras medidas contra estrangeiros que não estiverem em situação regular na Itália. Segundo um projeto de lei que deve ser votado na próxima semana, os ilegais não poderão registrar filhos, casar-se e ainda podem ser denunciados à polícia por médicos, enfermeiros, professores ou qualquer funcionário público. A um mês das eleições para o Parlamento Europeu, o governo do premiê Silvio Berlusconi quer dar um sinal à população de que está lidando com o problema da imigração. Roma decidiu devolver para a Líbia qualquer barco de imigrantes africanos encontrado em sua costa.

Na Itália, a população de imigrantes legais dobrou entre 2001 e 2007, atingindo 4 milhões. No início da semana, Berlusconi alertou que não aceitará uma "Itália multiétnica", o que provocou reações negativas até do Vaticano. "Não vamos abrir a porta a todos, como fez a esquerda, que tem uma ideia de uma sociedade multiétnica. Nós não. Só queremos receber quem tenha condições de obter asilo político", disse Berlusconi. O Vaticano respondeu ao comentário de Berlusconi. "A Itália já é multiétnica e o governo deveria se dar conta disso", afirmou Marianno Crociata, secretário-geral da Conferência Episcopal da Itália.

Em menos de uma semana, a Itália já devolveu para a Líbia mais de 500 pessoas. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 75% dos estrangeiros que chegam aos portos italianos pedem asilo. Mas com a nova política do governo de interceptar barcos em alto-mar, essas pessoas não teriam nem condições de fazer o pedido. No início da crise econômica, alguns dos ministros italianos chegaram a sugerir que os vistos de trabalho fossem suspensos por algum tempo, literalmente fechando as fronteiras. Para a ONU, o projeto de endurecer a política de imigração vai além das motivações eleitorais. "Estamos preocupados que a política adotada pela Itália mine o acesso de refugiados à União Europeia", afirmou Ron Redmond, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Crise muda o perfil de consumo dos brasileiros

A crise financeira mudou a forma de o brasileiro consumir alimentos, bebidas e gastar com lazer. Pela primeira vez desde 2004, o gasto com esses produtos e serviços consumidos dentro de casa cresceu mais que o dos mesmos itens fora do lar, revela pesquisa da LatinPanel. O instituto de pesquisas acompanha semanalmente o consumo de 8,2 mil domicílios em todo o País.

De acordo com a pesquisa, o consumo de alimentos, bebidas e lazer dentro do lar aumentou 7,8% em 2008, na comparação com o ano anterior, já descontada a inflação do período. Enquanto isso, a despesa com o consumo desses itens fora de casa foi apenas 3,6% maior no mesmo período. Em 2007, o gasto com esses produtos e serviços dentro do lar havia caído 5,4% ante 2006 e a despesa com alimentos, bebidas e lazer fora de casa tinha crescido 8,5%.

"Houve uma inversão. É a volta do consumo ao lar", afirma a diretora-geral da LatinPanel Brasil, Ana Claudia Fioratti. Para ilustrar essa mudança de comportamento, ela ressalta que o número de lares com pacotes de TV por assinatura, internet e banda larga cresceu 140% em 2008. Também o consumo de itens associados ao lazer doméstico, como salgadinhos e sorvetes, por exemplo, aumentou 15% e 14%, respectivamente, nos últimos 12 meses encerrados em março deste ano.

Um dado surpreendente é que o Brasil ocupa a terceira posição num ranking mundial de volumes de bens não duráveis comprados pelas famílias nos últimos 12 meses até fevereiro deste ano. Nesse período, os domicílios brasileiros consumiram um volume 2,8% maior de alimentos, bebidas, artigos de higiene e limpeza em relação ao período imediatamente anterior. O País só foi superado pela Polônia (7,5%) e China (3,3%).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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10 maio, 2009

Entenda a recente trajetória de valorização do real

O real vem apresentando uma trajetória crescente de valorização frente ao dólar. No ano passado, no auge da crise financeira mundial, o dólar chegou a ser negociado a mais de R$ 2,50. Desde o início de 2009, porém, o real já se valorizou mais de 10% em relação à moeda americana.

Em 2 de janeiro, o dólar era vendido a R$ 2,33. Nesta sexta-feira, antes do fechamento do mercado, o dólar já havia rompido a barreira de R$ 2,10, e era cotado em R$ 2,08.

Nesta semana, o Banco Central chegou a intervir no mercado diante da valorização do real. Quando o dólar chegou perto da barreira de R$ 2,10, o BC realizou "swap" cambial reverso, operação que tem o efeito da compra de dólares, para tentar conter a queda da moeda americana.

Abaixo, a BBC Brasil responde a algumas perguntas sobre os motivos da valorização do real e seu impacto na economia brasileira.

Por que o real tem se valorizado tanto?

Segundo analistas, há mais de um motivo para o movimento de valorização do real. Uma das explicações seria um aumento nas exportações e nos preços de commodities, que provoca saldo maior na balança comercial do país.

Desde meados de março, começou a haver maior fluxo de dólares para o Brasil, como resultado do saldo positivo na balança comercial e da retomada de investimentos no mercado brasileiro, principalmente em Bolsa de Valores. Com isso, entram mais dólares no país e há uma consequente valorização da moeda nacional.

Em março e em abril, o fluxo cambial registrou saldo positivo, depois de ter sido negativo em janeiro e fevereiro. Outro motivo da valorização do real é uma diminuição da aversão ao risco, que havia se intensificado com o agravamento da crise econômica mundial, a partir de setembro de 2008.

Naquela época, investidores estrangeiros que investiam em Bolsa de Valores e títulos do governo no Brasil passaram a enviar dólares para o exterior, porque precisavam desse dinheiro lá, devido à crise financeira.

Agora, com sinais de que o pior da crise pode ter passado, os agentes financeiros estão mais dispostos a assumir riscos em mercados emergentes, como o Brasil, o que se reflete não apenas na alta do real frente ao dólar, mas também na valorização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Além disso, segundo alguns analistas, a valorização do real mostra o reposicionamento do Brasil no mercado internacional pós-crise.

"Os fluxos de moeda internacional consideram retorno e risco. Apesar de o retorno estar caindo, o risco também está em queda, por uma percepção de que o governo está fazendo a lição de casa, na busca do superávit primário, ao não tentar influenciar demais o mercado", diz o economista André Sacconato, da Tendências Consultoria.

Para o economista Alcides Leite, professor de mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios, há no mercado financeiro internacional a percepção de que é uma boa opção investir no Brasil. "Há uma perspectiva de desempenho da economia melhor do que em outros países emergentes", diz Leite.

Os recentes cortes na taxa básica de juros (Selic), que poderiam provocar a desvalorização do real, acabam tendo efeito contrário, já que também aumentam o nível de confiança na economia nacional, dizem analistas.

"O capital tem entrado pensando mais na estabilidade e nas perspectivas de crescimento da economia brasileira do que em rendimento imediato", diz Leite.

Segundo Sacconato, há ainda o fato de que, por mais que a taxa básica de juros esteja em queda, ainda é muito alta. Depois do último corte, de 1 ponto percentual, a Selic está em 10,25% ao ano, seu nível mais baixo desde que foi criada, em 1999, mas ainda assim mais alto do que na maioria dos países.

Por fim, economistas afirmam que, com o forte impacto da crise nos Estados Unidos, o dólar está se desvalorizando em relação a diversas moedas, não apenas ao real.

A valorização do real é sustentável?

Analistas afirmam que a valorização está sujeita a volatilidade, mas é sustentável e deverá se manter até o fim do ano.

A previsão é de que entre mais capital no mercado brasileiro, com reforço da balança comercial, e o real se valorize mais ainda.

A expectativa dos economistas consultados pela BBC Brasil é de que o dólar chegue ao fim de 2009 com cotação em torno de R$ 2,00.

Qual o efeito das ações do governo na valorização do real?

Nesta semana, no momento em que o dólar chegou a R$ 2,10, o Banco Central resolveu intervir com a realização de um leilão no qual vendeu cerca de US$ 3,4 bilhões em títulos, no chamado swap cambial reverso, que tem o efeito de compra de dólares.

No Brasil, o câmbio é livre, mas sujeito a intervenções em casos extremos. Segundo analistas, a ação do BC sinaliza uma volta à política pré-crise e a determinação de tentar conter a volatilidade do câmbio.

A volatilidade muito grande acaba prejudicando a atividade econômica do país, porque dificulta a formação de preços e atrapalha a previsibilidade das operações comerciais e financeiras.

Qual o impacto para as empresas e os consumidores no Brasil?

A oscilação do câmbio afeta diretamente as empresas que atuam no mercado internacional. Como têm receita em moeda estrangeira, as empresas exportadoras são prejudicadas pela valorização do real frente ao dólar.

No entanto, a cotação atual do dólar ainda é maior do que no início de agosto de 2008, quando a moeda americana estava cotada abaixo de R$ 1,60. Mesmo naquela época, diz André Sacconato, não houve déficit nas exportações.

Para as importadoras, a valorização do real é positiva, já que essas empresas têm seus custos calculados em dólar. Além disso, a alta do real também reduz as dívidas das empresas, que são calculadas em dólar.

No caso dos consumidores, a valorização do real é positiva porque provoca um alívio na inflação e, consequentemente, redução nos preços.

Muitos produtos, como alimentos ou eletroeletrônicos, têm preços ditados pelo mercado internacional. Com o real mais forte, a tendência é de que esses preços fiquem mais baixos.

Quais as consequências para a economia brasileira de maneira geral?

Analistas afirmam que a valorização do real frente ao dólar é o resultado de um processo positivo para a economia brasileira, sinal de que está no rumo correto.

Além disso, a queda do dólar pode ter impactos positivos sobre a inflação. Como muitos dos produtos consumidos no Brasil têm seu preço influenciado pela moeda americana, eles ficam mais baratos com a valorização do real frente ao dólar, o que reduz a pressão inflacionária.

Para o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, o alívio da inflação provocado pela valorização do real frente ao dólar deixa ainda espaço para que o BC continue sua trajetória de cortes na taxa Selic.

"Também estimula a atividade econômica. Com os preços de produtos importados mais baixos, os empresários podem investir mais pagando menos", diz Borges.

Outro setor beneficiado, por exemplo, é o de turismo, que registra aumento das viagens ao exterior com o real mais valorizado.

Segundo o economista Alcides Leite, o dólar em um patamar entre R$ 2,00 e R$ 2,20 é positivo porque é alto o suficiente para tornar os produtos brasileiros competitivos no exterior mas, ao mesmo tempo, não é tão alto a ponto de pressionar a inflação.

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Brasil tem margem para encarar crise, diz Nobel de Economia

O prêmio Nobel da Economia Joseph Stiglitz afirmou nesta sexta-feira, em Estoril, na região de Lisboa, que o Brasil tem margem para enfrentar a crise mundial.

Para ele, "a recuperação econômica do Brasil vai depender em alguma medida da recuperação das exportações, mas é uma economia muito grande, que tem outras bases para crescimento econômico".

"A outra vantagem que tem o Brasil, curiosamente, é que o banco central [brasileiro] foi sempre, pensava eu, demasiado restritivo na política monetária. Esta é uma das vantagens de ter taxas de juro altas, é que agora podem baixá-las", explicou o professor norte-americano.

Stiglitz frisou que "o Brasil tem agora espaço de manobra para a sua política monetária", algo que os Estados Unidos e a Europa já não dispõem.

"O Brasil teve melhores reguladores, isso é verdade. Armínio Fraga [ex-presidente do Banco Central do Brasil] foi meu aluno e muitas vezes eu disse quem nos dera ter [nos Estados Unidos] um presidente de banco central tão bom como o Armínio Fraga", disse Stiglitz.

O economista Arminio Fraga Neto, a quem Stiglitz se referiu, assumiu no mês passado a o Conselho de Administração da BM&FBovespa, em substituição a Gilberto Mifano, que encerra seu mandato iniciado em maio de 2008.

O prêmio Nobel da Economia, que falava à margem das Conferências do Estoril, afirmou que Fraga "compreende de economia, política monetária, macroeconomia".

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09 maio, 2009

A síndrome do salário em queda

Os salários estão caindo em todos os Estados Unidos.

Os cortes de salário, como a perda de bônus dos trabalhadores da Chrysler, são o preço de se receber a ajuda do governo. Outros, como o acordo para reduzir o salário aqui no The Times, são resultado de discussões entre empregadores e seus funcionários sindicalizados. Ainda assim, outros refletem um fato brutal resultante de um mercado de trabalho enfraquecido: Os trabalhadores não ousam protestar quando seus salários são cortados, porque eles acham que não conseguiriam encontrar outro emprego.

No final das contas, os salários em queda são um sintoma de uma economia debilitada. E eles são um sintoma que pode deixar a economia ainda mais doente.

Mas vamos por partes: os boatos sobre os salários em queda estão se espalhando, mas até onde este fenômeno atinge? A resposta é: longe.

É verdade que muitos trabalhadores ainda estão recebendo aumentos. Mas já foram feitos cortes suficientes para, de acordo com o Bureau of Labor Statistics (o instituto de estatísticas do mercado de trabalho americano), elevar o custo de empregar funcionários no setor privado a apenas dois décimos percentuais no primeiro trimestre - o menor aumento de que se tem notícia. Já que o mercado de trabalho ainda está piorando, não seria de espantar que a média geral dos salários baixasse ainda este ano.

Mas por que isto é uma coisa ruim? Afinal de contas, muitos trabalhadores estão aceitando cortes de salário para salvar seus empregos. O que tem de errado nisso?

A resposta está em um daqueles paradoxos que assolam nossa economia neste momento. Estamos sofrendo do paradoxo da poupança: Poupar é uma virtude, mas quando todos tentam poupar mais ao mesmo tempo, o resultado é uma economia deprimida. Estamos sofrendo do paradoxo da desaceleração econômica: reduzir o débito e colocar em dia os saldos é bom, mas quando todos tentam vender seus bens e pegar suas dívidas ao mesmo tempo, o resultado é uma crise financeira.

Logo poderemos ter de encarar o paradoxo dos salários: os trabalhadores de uma determinada empresa podem salvar seus empregos aceitando salários menores, mas quando todos os empregadores cortam salários ao mesmo tempo, o resultado é um desemprego maior.

O paradoxo funciona da seguinte forma: suponhamos que os trabalhadores da empresa XYZ aceitem um corte de salário. Isto permite que a gerência da XYZ corte os preços, tornando seus produtos mais competitivos. Os salários aumentam e mais trabalhadores podem manter seus empregos. Então você acaba pensando que os cortes de salário aumentam os empregos - o que não deixa de ser verdade se pensarmos no empregador individual.

Mas se todos aceitarem este corte de salário, ninguém fica com vantagem competitiva. Então os salários mais baixos não trazem benefícios para a economia. Enquanto isso, a queda nos salários pode piorar os problemas da economia em outros aspectos.

Em especial, as quedas de salário e, por consequência, as rendas mais baixas, pioram o problema do excesso de dívidas. O pagamento mensal da hipoteca não estará de acordo com o salário. Os Estados Unidos chegaram a esta crise com uma dívida familiar ocupando uma porcentagem da renda tão alta quanto não se via desde a década de 1930. As famílias estão tentando diminuir esta dívida economizando como há dez anos não faziam - mas quando os salários caem, é como se eles tentassem acertar um alvo em movimento. E o aumento das dívidas achatará o consumo e manterá a economia deprimida.

As coisas pioram ainda mais se as empresas e consumidores esperarem que os salários caiam ainda mais no futuro. John Maynard Keynes falou claramente, há mais de 70 anos: "O efeito de uma expectativa de queda de salário a 2 por cento, por exemplo, no ano seguinte será mais ou menos o equivalente ao efeito de um aumento de 2 por cento no valor dos juros naquele período." E um aumento nas taxas de juros é a última coisa que uma economia precisa.

A preocupação com os salários em queda não é apenas teoria. O Japão - onde os salários do setor privado caíram em média um por cento ao ano de 1997 a 2003 - serve de lição sobre o efeito da deflação de salário na estagnação da economia.

Então o que podemos concluir das provas crescentes da queda dos salários nos Estados Unidos? Principalmente que estabilizar a economia não é suficiente: precisamos de uma recuperação de verdade.

Tem se falado muito sobre as novas esperanças, e realmente há indicações de que a queda da economia que iniciou no ano passado tenda a diminuir. O Bureau Nacional de Pesquisas Econômicas pode até declarar a recessão como terminada ainda este ano.

Mas o índice de desemprego certamente continuará aumentando. E todos os sinais apontam para um mercado de trabalho inóspito para os próximos meses, ou mesmo anos, o que é uma receita inevitável para os cortes de salário, que acabarão mantendo a economia fraca.

Para quebrar este círculo vicioso, precisamos basicamente de mais: mais estímulos, mais ações decisivas por parte dos bancos e a criação de mais empregos.

Mas devemos dar o crédito a quem merece: O presidente Barack Obama e seus conselheiros econômicos conseguiram desviar a economia do abismo. Só que o risco de que os Estados Unidos virem um Japão - encarando anos de deflação e estagnação - parece estar aumentando.

Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.

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Consumo de cerveja no país resiste à turbulência econômica



A crise econômica não afetou o consumo de cerveja entre os brasileiros. A constatação é do diretor geral da AmBev, João Castro Neves, ao dizer que a companhia não está verificando queda no consumo de cervejas no Brasil, apesar da turbulência financeira mundial. Em outros mercados nos quais a companhia atua, como Canadá e Argentina, a cervejaria já vem verificando retração nas vendas. Segundo Neves, a economia brasileira não foi tão afetada pela crise de crédito como em outros países, mas ressaltou que alguns efeitos da recessão global, como o aumento do desemprego no país, podem afetar a demanda por seus produtos.

No primeiro trimestre de 2009, as vendas de cerveja da AmBev, que responde por aproximadamente 67% do mercado brasileiro, avançaram 7,6%. Neves admitiu, no entanto, que condições climáticas favoráveis e a ocorrência do Carnaval mais tarde este ano contribuíram para esse comportamento, além do crescimento da renda. Mesmo assim, demonstrou otimismo em relação às operações no país.

O executivo lembrou que as condições de mercado permitiram que a companhia promovesse reajustes de preço no início do verão, para compensar os efeitos do aumento na tributação no setor. Segundo ele, alguns concorrentes seguiram o aumento de preço integralmente, o que possibilitou a recuperação da participação de mercado da líder.

Tributos

Neves demonstrou preocupação quanto à possibilidade de um novo aumento de tributação para o setor de bebidas. Ele disse que a direção da companhia vem mantendo conversas com membros do governo federal. “Explicamos que um aumento de impostos adicional reduziria os volumes da indústria, o que impactaria negativamente a arrecadação e seria ruim para todos”, disse. Para o executivo, o governo pode aumentar a arrecadação ao combater a sonegação no setor, e não por meio de aumento da carga tributária.

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07 maio, 2009

Carro mais barato do mundo já tem 203 mil pedidos



Tem surpreendido o número de encomendas do Nano, o carro mais barato do mundo, recentemente lançado pela gigante indiana Tata.

A montadora recebeu até agora 203 mil reservas para o veículo, o dobro da produção inicialmente planejada.

No total, as encomendas valem US$ 510 milhões de euros e representam 17% dos 1,22 milhões de carros vendidos na Índia.

As unidades começam a ser entregues a partir de julho. A Tata vai sortear os 100 mil primeiros clientes a receber seu Nano.

Lançado em março na Índia com estardalhaço que repicou em todo mundo, o Nano vai custar US$ 2,5 mil.

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