17 setembro, 2009

Crise mundial faz um ano e dá trégua



Nos Estados Unidos, esta semana vai marcar o primeiro aniversário da gota d’água que desencadeou a maior crise financeira mundial em quase 80 anos. O correspondente Rodrigo Bocardi relembra os fatos que sacudiram a economia de todo o planeta.

Parecia que o mundo ia bem. Os preços dos imóveis subiam, os empréstimos estavam fáceis na praça, mesmo para quem não tinha condições de pagar. Esse risco foi menosprezado e a conta acabou chegando.

Até que no dia 15 de setembro de 2008, um dos maiores bancos de investimento dos Estados Unidos pediu concordata. Não conseguiu para pagar uma dívida de mais de US$ 600 bilhões, o equivalente a mais de R$ 1 trilhão.

Os funcionários tiveram que limpar as gavetas e pegar o rumo de casa. O crédito desapareceu. Veio o desemprego. E sem trabalho, ninguém compra, ninguém vende.

As montadoras viraram um retrato da crise. A General Motors pediu socorro. A Chrysler também. Fecharam fábricas. E demitiram metalúrgicos. E foram muitos.

O mundo entrou em recessão. Pelo menos 30 países viram a economia se retrair. Nas Américas, na Europa, na Ásia. Foi difícil escapar.

Os líderes mundiais abriram o cofre do dinheiro público. Só nos Estados Unidos foram bilhões de dólares, trilhões de reais para bancos, montadoras e para quem mais precisasse. E além de muito dinheiro, também teve muito discurso para tentar conter a crise.

Um anos depois, vários países conseguiram sair da recessão. Entre eles Japão, Alemanha, França, Brasil. Mas o maior de todos só agora começa a se recuperar.
O índice de desemprego nos Estados Unidos está perto de dois digítos. A renda média dos americanos está em queda. Por enquanto, o que se vê por aqui é um país tentando voltar a andar, mas agora por um caminho sem ostentação, com, por exemplo, carros menores, mais econômicos.

Quem entende do assunto, o professor de história da economia de uma das principais universidades daqui, diz que o pior da crise já passou.

"Mas ainda estamos vendo muitos bancos com problemas", diz Richard Sylla, professor da NYU. "O consolo é que muita gente em outras partes do mundo conseguiu voltar a gastar, de novo".

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12 setembro, 2009

'Herança' da crise será sentida até 2010


Um ano depois, recuperação em setores como a indústria ainda é lenta. No entanto, perspectivas para salários e inflação em 2010 são positivas.

O Brasil saiu da recessão ao crescer 1,9% no 2º trimestre, após dois trimestres de retração da economia. A divulgação do resultado que mostra alívio para a economia brasileira quase coincidiu com o aniversário de primeiro ano do agravamento da crise, marcada pela quebra do banco americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008.

Com a notícia da retomada do crescimento, o governo federal já prevê crescimento de 1% para este ano e avanço de cerca de 4,5% para 2010.

O economista João Manuel Cardoso de Mello, diretor da Facamp (Faculdades de Campinas), prevê que, diferentemente do que tem estimado o governo, o Brasil deve fechar o ano com variação negativa do PIB, entre -0,5% e -1%. Para 2010, ele acredita que haja expansão, mas não no mesmo ritmo observado nos últimos anos.


“Eu acho que o país vai crescer, mas não 4% como vínhamos fazendo ultimamente. Vamos devagarzinho, porque esse panorama mundial não é muito favorável”, diz ele.

Indústria: marcha lenta

Luiza Rodrigues, economista do banco Santander, acredita que “a indústria terá uma melhora bem lenta, coerente com a recuperação dos Estados Unidos e da Argentina”. Ela lembra que esses países são importantes parceiros comerciais do Brasil e foi justamente a queda das exportações que mais impactou a indústria brasileira.


“Só no meio de 2010 é que a indústria deve recuperar o uso da capacidade instalada que tinha em 2010”, diz a economista. O uso da capacidade instalada é uma medida de ociosidade da indústria. Se as empresas ainda podem aumentar sua produção sem comprar máquinas e aumentar instalações, têm menos motivos para fazer investimentos e contratações, o que impulsionaria ainda mais a economia.


De acordo com Evaldo Alves, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a demanda por bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos e carros, foi mantida no mercado interno por conta dos estímulos dados pelo governo, como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). “Mas isso não compensou a queda das exportações”, diz ele.


Por conta disso, o investimento teve no primeiro trimestre a maior queda desde 1996, início da série histórica. “O investimento nem começou a se recuperar”, diz Luiza Rodrigues. “No segundo trimestre o empresário ainda estava desconfiado se a situação ia mesmo melhorar”, diz a economista do Santander, que acredita em melhora só a partir do terceiro trimestre de 2010.


Ela lembra que o impacto da crise na indústria fez com que o emprego no setor caísse por nove meses seguidos. “Só em julho passou a haver uma tímida recuperação."

Mundo

Para Evaldo Alves, os países emergentes estão saindo mais rapidamente da crise. Segundo o economista da FGV, “o Brasil não é o mais rápido nem o mais ágil [entre eles, mas] está começando a sair da crise".

Mello vê uma retomada do crescimento econômico mundial ainda distante. Na avaliação dele, os principais desafios para que a economia global volte aos tempos de expansão são a regulação do sistema financeiro e definir como será o novo modelo econômico mundial.


“É preciso definir qual o padrão de crescimento que é possível. É impossível repetir o que se fez no passado, [como o] modelo de basear o crescimento no consumo dos EUA. Depois da crise, isso já não funciona”, afirmou.


Na opinião de Mello, a crise mudou definitivamente o papel de cada país no cenário econômico mundial: principalmente dos EUA, que perderam a hegemonia observada nos últimos anos, e a China, que se destaca como motor da economia global.


“[Essa mudança] será definitiva. Nenhum país terá a hegemonia que os EUA tiveram nos últimos anos. Apesar disso, ele continuará um país importante devido ao tamanho de sua economia, que representa 25% da demanda mundial”, diz o economista da Facamp.

Salários e preços

Para Luiza, do Santander, o impacto da crise não foi pior no Brasil principalmente por causa do aumento do salário mínimo. “Isso trouxe um impulso para a massa salarial. A demanda interna está alta. E ano que vem o reajuste deve ser ainda maior”, diz ela.

Nos últimos anos, em acordo com sindicalistas, o governo se comprometeu a adicionar à variação da inflação o crescimento do PIB de dois anos antes. Portanto, em 2010, o aumento refletirá a expansão em 2008, que ficou acima de 5% no país.


O economista da FGV diz acreditar que a economia brasileira está mudando. “A economia está se voltando mais ao mercado interno para tentar sair da crise. “Mas é um processo lento, são dois ou três anos de recuperação.”


Para a inflação, as perspectivas também são boas em 2010. “Caiu muito a demanda, não há quase pressão inflacionária”, diz Alves. Segundo Luiza, a inflação no Brasil é composta por 70% de preços livres e 30% de preços administrados, como conta de luz, água e telefone. “Como a inflação pelo IGP-M [taxa usada para reajustar as tarifas] será baixa, isso vai compensar outros preços que vão subir”, explica.

Para o emprego, porém, Alves prevê que só daqui a dois a três anos o país volte a ter o nível de ocupação que tinha antes do início da crise.


G1

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10 setembro, 2009

"Spread" no Brasil só perde para Zimbábue, diz estudo

O "spread" (a diferença entre o que as instituições pagam para captar recursos e o que cobram dos clientes) aplicado pelos bancos no Brasil é o segundo maior do mundo, ficando apenas atrás do Zimbábue, apesar de a taxa de inadimplência no país não estar nem entre as dez maiores do planeta.

Segundo levantamento do Fórum Econômico Mundial com base em dados do ano passado, o "spread" dos bancos brasileiros ficou em 35,6 pontos percentuais, maior do que a média das instituições financeiras de 127 países.

Somente o Zimbábue, cuja economia vive situação caótica e onde a inflação chegou na casa dos 231 milhões por cento em julho do ano passado, a diferença entre os juros captados e os cobrados foi maior: 457,5 pontos percentuais.

O cenário do estudo atual é similar ao do levantamento anterior --que analisava a situação em 2007--, mas, na ocasião, o "spread" brasileiro era um pouco menor: 33,1 pontos percentuais. "Spreads" altos significam custos maiores para empresas e consumidores pegarem empréstimos.

Inadimplência

Ao mesmo tempo, a inadimplência no Brasil, que é uma das explicações usadas pelos bancos para justificar os juros altos, era a 16ª mais alta do mundo (em uma lista menos abrangente, com 34 países), de acordo com dados do FMI referentes ao quarto trimestre de 2008 -quando a crise global estava em um dos seus momentos mais agudos. Os números do Fundo mostram ainda que a taxa de inadimplência no país vem caindo nos últimos anos.

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, afirmou, por exemplo, no fim de julho, que o principal fator para o "spread" bancário é exatamente o nível de inadimplência, que atingiu seu recorde histórico.

Para Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating, é principalmente por meio dos juros altos (que se traduzem no segundo maior "spread" do planeta) que os bancos brasileiros estão entre os mais rentáveis do mundo, apesar de a relação entre crédito e PIB estar abaixo da média global.

Sobre o calote, ele disse que os bancos colocam nos empréstimos uma "estimativa que não se concretiza na vida real".

O analista afirmou que a tendência no curto prazo é que, com a estabilização da economia brasileira, os bancos "devolvam uma parte da gordura" obtida com o aumento dos juros durante a crise, mas que o "spread" deve permanecer entre os mais altos do mundo.

Para que essa queda continue a ocorrer no médio prazo, Santacreu afirma que são necessárias mudanças como aumento da competição entre as instituições.

"Nós não vimos uma corrida forte dos bancos para brigar pelos clientes." Ele diz ainda que é preciso tempo para avaliar se é ""perene" o movimento de queda dos "spreads" pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, incentivado pelo governo Lula.

Ele cita ainda, entre outras medidas, a necessidade da reforma tributária e da maior formalização das empresas.

Menores "spreads"

No topo do tabela, entre os dez com menor "spread", aparecem países desenvolvidos (como Alemanha e Japão) mas também economias emergentes: os dois primeiros são Hungria e Lituânia.

Em 2007, porém, havia um predomínio maior das nações ricas, o que mostra também o efeito da crise nas instituições financeiras desses países, que ficaram menos dispostas ao risco. A Suíça, que tinha o menor "spread" em 2007, aparecia na 27ª colocação no estudo sobre os juros no ano passado.

Outro lado

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirma que não é possível comparar dados provenientes de diferentes países, pois eles usam metodologias diversas para chegar a estimativas próprias de "spreads", a diferença entre as taxas de juros para captar recursos e as repassadas aos clientes.

No caso do México, a taxa utilizada como referência para captação é a cobrada pelos bancos nos empréstimos a empresas de primeira linha, que representam o menor risco do setor privado. Já a Austrália considera os juros médios dos empréstimos imobiliários de melhor avaliação e a Índia, a taxa que os bancos conseguem emprestar do Banco Central. No Brasil, a referência é a taxa de rolagem da dívida pública.

"São coisas incomparáveis. Essa pesquisa é completamente "misleading" [enganadora]", disse Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban. A federação pretende preparar um estudo comparando taxas e "spreads" de diferentes países, mas para produtos semelhantes -financiamento de veículos, crédito pessoal, cartão de crédito etc.

A federação lembra que o FMI, responsável pela compilação das informações, faz um alerta sobre essa dificuldade de comparação. "Devido a diferenças nas contas nacionais, impostos e regimes regulatórios, os dados não são exatamente comparáveis entre países", diz.

Em relação à inadimplência, o economista da Febraban disse que os dados brasileiros incluem também o crédito direcionado (imobiliário, rural) e com recursos do BNDES, que têm inadimplência menor. "Sem eles, as taxas sobem bastante", disse.

Folha Online

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'Inflação oficial' tem retração e fecha agosto a 0,15%, aponta IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (10) que o Índice Geral de Preços ao Consumidor (IPCA) ficou em 0,15% em julho, com retração de 0,09 pontos percentuais em relação a julho, quando o indicador marcou 0,24%. O resultado do IPCA de agosto foi o mais baixo em três anos.

A inflação mostrou queda também em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o IPCA foi de 0,28%. No acumulado de 2009, o índice marca 2,97%. Em 12 meses, o percentual é de 4,36%.

O IPCA é considerada a "inflação oficial" do país, uma vez que é a utilizada para o cálculo da meta de inflação do governo federal, que é de 4,5% ao ano. O índice é calculado pelo IBGE desde 1980 e se refere às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos.

Segmentos

O preço dos alimentos ficou praticamente estável no mês passado (-0,01%). Contribuindo para o resultado do segmento, o leite pasteurizado, que vinha apresentando fortes altas desde abril, teve queda de 6,61% em agosto. Apesar da baixa no mês passado, o produto ainda acumula alta superior a 25% no ano.


Entre os setores pesquisados, educação registrou a maior alta (0,83%) no mês passado. O segmento de cursos "diversos", como informática e idiomas, puxou as altas, com variação positiva de 1,95%. Já o ensino formal teve alta de 0,74%.

Capitais

Entre as capitais pesquisadas, três tiveram deflação no período (Recife, Rio de Janeiro e Salvador), enquanto São Paulo registrou a maior variação de preços (0,57%), com Curitiba e Fortaleza empatadas em segundo lugar (ambas com 0,35% de alta no mês de agosto).


G1

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05 setembro, 2009

Expectativas para a economia mundial em 2010

O economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, Rene Garcia, tira as dúvidas sobre as prespectivas para o cenário da economia mundial em 2010.

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Economista fala sobre dívida pública

O professor de economia da Unversidade Federal do Rio de Janeiro não considera que a dívida pública seja um problema grave. Antônio também comentou a recuperação da produção industrial.

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