31 outubro, 2009

Halloween - Dia das Bruxas





Em comemoração ao Halloween, segue minha pequena contribuição à maior Bruxa que já passou por Brasília e ainda hoje mesmo tendo desertado e ido para Nova Iorque é muito amada por tantos brasileiros, a inesquecível ex-ministra Zélia Cardoso de Mello (prima do Fernando).

Vejam a seguir suas contribuições e tentem entender as explicações no campo econômico ...









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28 outubro, 2009

Internacional vai virar filme de ficção


O COLORADO será o primeiro filme de ficção brasileiro tendo como personagem um clube de futebol. A história, que terá exteriores em uma cidade do interior do estado e na capital Porto Alegre, contará a trajetória de um menino pobre em busca de sua redenção pelo futebol.

Espelhado na história cheia de percalços de tantos guris brasileiros, o projeto de longa-metragem, aprovado recentemente pela Agência Nacional de Cinema (ANCINE), nasceu de uma iniciativa das produtoras Panda Filmes e Tree Top. Estas firmaram termo de parceria com a direção do Sport Club Internacional de Porto Alegre, semana passada.

O filme, a ser realizado no inicio de 2010, está de olho não somente na fiel torcida colorada, mas mirando um espectro muito mais significativo do público cinéfilo que gosta de uma boa história de enfrentamento de obstáculos e superação, sem esquecer o amplo mercado de aficionados pelo futebol.

Sinopse:
Gabriel tem um sonho. Que não é só dele, mas de muitos outros meninos. Um dia seu pai lhe conta a história do “gol iluminado” de Figueroa e diz que ele pode ser jogador de futebol. E ele nunca mais esquecerá essas palavras. Gabriel terá um longo caminho pela frente. Ele vai ter que enfrentar todos os seus medos, a perda do pai e encarar os obstáculos, mesmo que sua vida mude completamente. Não importa. Gabriel tem um sonho: jogar no Sport Club Internacional.

Ficha Técnica:
Direção – Paulo Nascimento e Beto Rodrigues
Produção – Beto Rodrigues e André Sittoni
Roteiro – Leo Garcia e Zeca Brito
Idéia Original - André Sittoni
Produtoras – Panda Filmes e Tree Top.


Fonte: http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt&section=Blogs&post=241883&blog=217&coldir=1&topo=3951.dwt



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24 outubro, 2009

Esquerda é a favorita nas eleições gerais do Uruguai

MONTEVIDÉU, Uruguai — O Uruguai realiza neste domingo eleições presidenciais e para renovar o Congresso, nas quais o aspirante da coalizão governista de esquerda Frente Ampla, o ex-guerrilheiro José 'Pepe' Mujica aparece como favorito, embora pesquisas antecipem a possibilidade de um segundo turno com o ex-presidente liberal Luis Lacalle (1990-95).

Mujica esteve 14 anos preso por sua participação na guerrilha.

Para afastar desentendimentos, sobretudo no setor empresarial, escolheu como vice Anilo Astori, de perfil mais moderado.

Pesquisas divulgadas poucas horas antes do encerramento da campanha, à meia-noite de quinta-feira, anteciparam 45,5% a 46% dos votos para Mujica e entre 27% e 30% para Lacalle, aspirante do Partido Nacional (PN, centro-direita); no total, estão registrados 2.584.219 eleitores.

O candidato do Partido Colorado, Pedro Bordaberry, filho do ex-ditador Juan Bordaberry (1973-1976), receberia entre 13% e 14% dos votos, o candidato do Partido Independente Pablo Mieres entre 2% e 3%, enquanto os indecisos se situam entre 6% e 9%; os demais votos se dividem entre a Assembleia Popular (esquerda), e votos em branco e nulos.

Mujica e seu companheiro de chapa, o ex-ministro da Economia Astori, estabeleceram um pacto nacional para estimular políticas de Estado voltadas para a educação, a energia, o meio ambiente e a segurança pública.

O Partido Nacional, principal formação de oposição, se declarou disposto a um pacto nacional, mas criticou a proposta da FA a poucos dias das eleições.

O candidato a vice-presidente do PN, Jorge Larrañaga, disse que a iniciativa é "muito pouco crível, muito feita para a tribuna, muito próxima à instância eleitoral", mas destacou que o PN "está disposto a um pacto nacional".

Pedro Bordaberry, o candidato à presidência mais jovem da eleição de 25 de outubro, com 49 anos, representa uma renovação do tradicional Partido Colorado e uma mudança de geração no Uruguai, com projetos pragmáticos.

Nascido em Montevideu em 28 de abril de 1960, o advogado Bordaberry se afastou do exercício da profissão no início deste ano para se dedicar por inteiro à carreira política, que havia começado no início da década de 90.

Exerceu cargos nos ministérios da Indústria, Energia e Minérios, e de Turismo e Esporte, e ostentou a titularidade de ambas as pasta durante o governo colorado de Jorge Batlle (2000-2005).

Após a derrota nas eleições de 2004 do Partido Colorado, com 10% dos votos após ser o principal ator da política uruguaia por mais de um século, Bordaberry se apresentou como candidato à prefeitura de Montevidéu nas municipais de maio de 2005, conseguindo 27% dos votos.

Agora, busca uma boa votação nacional.

O atual e primeiro presidente de esquerda do Uruguai, Tabaré Vázquez, conta, ao final de seu mandato,, com mais de 60% de aprovação popular, com um balanço favorável nas áreas econômica, social e militar, mas com uma política externa se muito vigor e um fracasso no campo da segurança.

O cientista político Adolfo Garcé afirmou à AFP que do ponto de vista da administração da economia, o governo usufruiu da boa conjuntura econômica internacional que durou até a crise global, e o Uruguai foi um dos poucos países do mundo a não sofrer recessão.

O analista Juan Carlos Doyenart considera que o governo de Vázquez, que entregará o poder no dia 1º de março ao vencedor das eleições de 25 de outubro - que pode ser decidida em segundo turno em 29 de novembro - teve "uma administração acertada da macroeconomia, o que permitiu aproveitar a conjuntura".

Os dois destacaram as políticas sociais de combate à pobreza e redução do desemprego.

O índice de pobreza caiu de 26% em 2007 a 20,5% em 2008, enquanto a indigência passou de 2% a 1,5%, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

AFP

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Relembre os personagens da Crise de 1929

Personagens da Crise de 29 - Hoover
Herbert Hoover (presidente entre 1929 e 1933)

Herbert Clark Hoover nasceu em 1874, em um vilarejo do Estado de Iowa, mas cresceu no Oregon (costa oeste). Entrou para a Universidade Stanford quando esta foi aberta, em 1891, e se graduou como engenheiro de minas.

Em 1900 Hoover estava na China, a trabalho, quando estourou a Guerra dos Boxers no país (movimento popular em que ocorreram ataques contra missionários e diplomatas estrangeiros). Sua mulher, Lou Henry, trabalhou então em hospitais, ajudando vítimas, e Hoover comandava a construção de barricadas. Também ajudou o Consulado Geral dos EUA em Londres a retirar 120 mil americanos da Europa quando estourou a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Ele ainda ajudou em outros comitês de auxílio para alimentar vítimas da guerra na Europa central e mesmo na recém formada União Soviética em 1921 --questionado sobre se isso não seria apoiar os bolcheviques, ele respondeu que "20 milhões de pessoas estão passando fome. Seja qual for a política delas, elas precisam ser alimentadas".

Ele afirmou, quando recebeu, em 1928, a indicação para disputar a Presidência dos EUA pelo Partido Republicano: "Nós, nos Estados Unidos hoje, estamos mais perto do triunfo final sobre a pobreza do que em qualquer momento na história de qualquer país".

Já como presidente, em 4 de março de 1929 ele disse em seu discurso inaugural: "O propósito maior do nosso pensamento econômico deve ser estabelecer de modo mais firme a estabilidade e a segurança das empresas e do emprego e, com isso, mover a pobreza para ainda mais longe de nossas fronteiras. Nosso povo desenvolveu nos últimos anos uma capacidade renovada de cooperação para atingir os maiores propósitos do bem estar público."

No mesmo ano, em 3 de dezembro --menos de dois meses, portanto, depois de o país ter sido atingido pela quebra da Bolsa de Nova York: "O país se beneficiou de um amplo grau de prosperidade e de sólido progresso no último ano com uma forte melhoria nos métodos de produção e distribuição e os consequentes avanços nos padrões de vida (...) A longa tendência de progresso dos fundamentos, no entanto, deu margem ao otimismo excessivo quanto aos lucros, o que se traduziu em uma onda de especulação sem controle com títulos, resultando no desvio de capital das empresas para o mercado de ações e na inevitável quebra."

Ele ainda aponta a queda no consumo de bens supérfluos e o aumento do número de pessoas temporariamente desempregadas.
Apesar do histórico adequado a um homem com preocupações humanitárias, Hoover defendia que, embora as pessoas afetadas pela crise não devessem passar fome o frio, a ajuda a elas devia ser de responsabilidade local e voluntária. Foi a deixa para que seus opositores o rotulassem de insensível e cruel.

Ele acabou por se tornar o símbolo da Grande Depressão e foi derrotado por larga margem em 1932. Ao longo da década de 30 ele foi um forte crítico das medidas do governo de seu sucessor, Franklin Delano Roosevelt (1933-1945), o "New Deal", para tirar o país da Grande Depressão.
Em 1931, ele encaminhou ao Congresso uma proposta para a criação de um órgão para ajudar empresas, fazendeiros com problemas para pagar suas hipotecas, promover uma reforma no setor bancário, prover recursos para alimentação dos mais pobres, expansão das obras públicas e uma forte retenção de gastos.

Ele morreu na cidade de Nova York, em 1964, aos 90 anos.

Personagens da Crise de 29 - Mellon
Andrew William Mellon, secretário do Tesouro (1855-1937)

Andrew Mellon foi nomeado para o Departamento do Tesouro dos EUA em 1921, pelo então presidente Warren Harding e foi mantido no cargo pelos sucessores Calvin Coolidge e Herbert Hoover.

Sua família chegou aos Estados Unidos em 1818, vinda do norte da Irlanda, e se estabeleceu no oeste do Estado da Pensilvânia (costa leste). Trabalhou com o pai, Thomas, e o irmão, Richard, no banco da família, o T. Mellon and Sons --instituição que se destacou no financiamento do setor industrial do Estado. Ajudou a fundar e financiar empresas como Alcoa e Gulf Oil; embora não se envolvesse com a gestão das empresas, as participações que possuía acabaram por torná-lo um dos homens mais ricos do país em 1914.

Mellon, que era republicano, defendia redução do endividamento, cortes de impostos e equilíbrio orçamentário, segundo sua biografia, escrita pelo professor do Instituto de Pesquisa Histórica da Universidade de Londres David Cannadine.

No longo período em que ficou no cargo a economia americana, em particular o setor financeiro, registrou momentos de grande prosperidade, que o tornaram --até antes da quebra da Bolsa de Nova York-- conhecido como o maior secretário do Tesouro desde Alexander Hamilton (o primeiro do país).

A Grande Depressão, no entanto, afetou a imagem do secretário, que passou a ser alvo de críticas --inclusive por seus laços com o setor empresarial. Ele, no entanto, manteve a política de equilibrar o Orçamento através de aumentos de impostos e de cortes nos gastos públicos. As medidas tornaram a Depressão, que já era difícil para o cidadão comum suportar, ainda mais dura. O governo de Hoover sentiu o impacto das medidas, e o presidente passou a ser visto como um homem insensível ao sofrimento do país.

Mellon começou a passar boa parte do tempo fora do país, renegociando dívidas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e com isso Hoover passou a depender cada vez mais do subsecretário, Ogden Mills. Mellon deixou o cargo em 1932, para servir como embaixador dos EUA no Reino Unido --cargo em que ficou por um ano.

Se destacou ainda não só na política e nos negócios, mas também como colecionador de arte e filantropo, contribuindo com quase US$ 10 milhões para instituições de ensino e caridade durante sua vida. Sua filha, Ailsa Mellon Bruce, criou a Avalon Foundation em 1940 e seu filho, Paul Mellon, criou a Old Dominion Foundation, em 1941. Ambas se uniram em 1969 e a nova instituição recebeu o nome de Andrew W. Mellon Foundation --até o fim de 2007, a fundação possuía ativos avaliados em US$ 6,5 bilhões.

Ele morreu em 27 de agosto de 1937, em Southampton, Long Island, no Estado de Nova York, e foi enterrado no Estado da Virgínia.


Personagens da Crise de 29 - Strong
Benjamin Strong (1872-1928)

Benjamin Strong Jr. nasceu em Fishkill-on-Hudson, no Estado de Nova York. Foi presidente do Federal Reserve de Nova York (uma das 12 divisões regionais do Fed, o BC americano) entre 1914 e 1928.

Ele foi escolhido na primeira reunião do conselho do Fed, em 5 de outubro de 1914 --a criação da instituição foi oficializada em 23 de dezembro de 1913. Antes, ele presidiu o Bankers Trust, de Nova York.

Strong presidiu o Fed de Nova York --a divisão do Fed (BC americano) que realiza as operações do banco central no mercado-- antes da crise de 1929, mas o presidente Herbert Hoover (que ocupou a Casa Branca durante a primeira fase da Grande Depressão) diz, em suas memórias, que ele foi o responsável por baixar as taxas de juros. Juros baixos estão entre os fatores que influenciaram a disparada do mercado financeiro que culminou com a quebra da Bolsa.
Sua carreira no mundo das finanças começou em 1891 na empresa de investimentos e gestão financeira Cuyler, Morgan and Co.

Ele morreu ainda à frente do Fed.



Personagens da Crise de 29 - Harrison
George L. Harrison (1887 - 1958)

George L. Harrison nasceu em 26 de janeiro em San Francisco. Ele se tornou presidente do Federal Reserve de Nova York (uma das 12 divisões regionais do Fed, o BC americano) em 1928, assumindo o cargo de Benjamin Strong (primeiro dirigente do Fed), morto no mesmo ano.
Harrison ficou no cargo até 1940, quando deixou o Fed e se tornou presidente da New York Life Insurance Company. Ele conduziu a instituição não só durante o "crash" da Bolsa em 1929 mas também após a aprovação da Lei de Ajuda de Emergência aos Bancos, pela qual bancos insolventes seriam fechados, e, se a situação de suas finanças permitissem, reorganizados e então reabertos.

A "Folha da Manhã", na cobertura do desenrolar da crise nos Estados Unidos, descreveu como "ditatoriais" os poderes que o Executivo americano recebia sobre os bancos com a nova lei.
O texto dizia que o presidente recebia autoridade para declarar emergência nacional e controle absoluto sobre as finanças e o comércio do país no caso de uma tal emergência. O presidente ainda recebia o poder de requisitar todo o ouro em posse de indivíduos ou organizações, em troca de um pagamento. Outro poder entregue ao Executivo era o de tornar ilegal toda e qualquer operação de negócios durante um estado de emergência sem a aprovação do presidente.
A lei foi aprovada pelo Congresso em 9 de março de 1933, quatro dias depois de Franklin Roosevelt ter decretado o fechamento dos bancos do país para conter a corrida dos correntistas para sacar seu dinheiro. Os bancos só reabriram em 13 de março, e então, segundo o historiador William Silber, as pessoas faziam fila novamente, mas dessa vez para redepositar seu dinheiro. "Em duas semanas, os americanos já havia redepositado mas da metade do dinheiro sacado antes da suspensão do funcionamento dos bancos", diz o historiador.

O mercado de ações, também fechado dentro da suspensão do funcionamento dos bancos; no dia 15 de março de 1933 a Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês) voltou a operar. A suspensão temporária do funcionamento e a lei emergencial para o setor bancário são vistos, diz Silber, como o que pôs fim à corrida para saques que marcou a Grande Depressão.


Personagens da Crise de 29 - Coolidge
Calvin Coolidge (presidente entre 1923 e 1929)

Calvin Coolidge nasceu em Plymouth, no Estado de Vermont (costa leste dos EUA), em 4 de julho de 1872.


Na forma como retratou o país em seu discurso sobre o Estado da União ao Congresso em 4 de dezembro de 1928 (menos de um ano antes da quebra da Bolsa), ninguém imaginaria um futuro menos que brilhante para os EUA:


"Nenhum Congresso dos Estados Unidos já reunido para avaliar o Estado da União se deparou com uma perspectiva mais agradável que a que se apresenta no tempo atual. No campo doméstico há tranquilidade e contentamento, relações harmoniosas entre os administradores e os assalariados, liberdade em relação aos conflitos na indústria e o maior registro de anos de prosperidade (...) O país pode considerar o presente com satisfação e antecipar o futuro com otimismo".

O Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês), o instituto de pesquisa nos EUA que avalia quando começam e acabam as recessões, mostra que, nos 72 meses que durou a administração Coolidge, houve 27 de recessão -entre maio de 1923 e junho de 1924, e entre outubro de 1926 e novembro de 1927. A economia em seu governo cresceu, no total, por 45 meses, sendo que, quando deixou a Casa Branca, no início de 1929, entregou o país a seu sucessor, Herbert Hoover, em um ciclo de expansão que já durava mais de um ano.
Na opinião do democrata Alfred E. Smith, contemporâneo de Coolidge, a grande tarefa do presidente era "restaurar a dignidade e o prestígio da Presidência quando esta atingiu o ponto mais baixo (...) em uma época de extravagância e desperdício". Ele referia-se à administração do presidente anterior, Warren Harding (1921-1923), que foi marcado por acusações de corrupção e de uso da máquina pública por parte de amigos, por ele colocados em cargos oficiais, para enriquecimento próprio.

Em sua primeira mensagem ao Congresso, Coolidge defendeu cortes de impostos e contenção de gastos:
"Por sete anos as pessoas suportaram com coragem o tremendo fardo dos impostos nacionais e locais. Ambos têm de ser reduzidos. Os impostos do país têm de ser reduzidos agora tanto quanto a prudência o permita, e os gastos têm de ser reduzidos de acordo. Impostos altos alcançam todos os lugares e sobrecarregam a todos. Eles pesam mais sobre os pobres. Comprimem a indústria e o comércio. Tornam a agricultura não lucrativa. Elevam as tarifas de transporte. São um encargo sobre todas as necessidades da vida. De todos os serviços que o Congresso pode prestar ao país, não tenho dúvidas em dizer que negligenciar este, ou adiá-lo, ou dificultá-lo com propostas frágeis, é o mesmo que se tornar indigno da confiança pública."
Segundo a biografia de Coolidge na página da Casa Branca na internet, ele se tornou popular --o período de sua administração ficou conhecido como a "Prosperidade de Coolidge" e, em 1924, ele tinha 54% de apoio popular.

Críticos como o jornalista Walter Lippmann, no entanto, diziam que Coolidge tinha um "talento para não fazer nada, na verdade". "Sua 'ativa inatividade' se encaixa com o espírito e certas necessidades do país de forma admirável. Se adapta às necessidades das empresas, que querem ser deixadas em paz (...) e todos aqueles que acham que o governo se tornou perigosamente complicado."

Ele morreu em janeiro de 1933.


Personagens da Crise de 29 - Roosevelt
Franklin Roosevelt (presidente entre 1933 e 1945)

Franklin Delano Roosevelt --ou FDR, como ficou conhecido-- nasceu em Hyde Park, Nova York, em 1882. Foi estudante na Universidade Harvard e da Faculdade de Direito da Universidade Columbia.

Foi eleito para o Senado em 1910 e em 1928 foi eleito governador do Estado de Nova York. Em 1932 foi eleito presidente, no primeiro de quatro mandatos para os quais seria eleito. Segundo dados de sua biografia no site da Casa Branca, em março daquele ano, quando assumiu o governo do país, havia mais de 13 milhões de desempregados --praticamente um em cada quatro membros da força de trabalho americana; em 1938 ainda havia um desempregado em cada cinco desses membros-- e quase todos os bancos haviam fechado.

John Kenneth Galbraith, um dos principais economistas do século 20 e que acompanhou em primeira mão os efeitos da Grande Depressão, também cita dados da época: em 1933, o PIB americano era um terço do que havia sido em 1929; em 1937 houve ligeira recuperação da produção, mas durou pouco e voltou a cair --esse foi também o único ano, dentro do período da Depressão, em que o número de desempregados caiu abaixo dos oito milhões de pessoas.
Em seu primeiro discurso inaugural, então, Roosevelt faria uma declaração das mais famosas já feitas por um presidente americano, e mesmo por qualquer liderança política: "Antes de mais nada, deixem-me afirmar minha firme crença de que a única coisa que devemos temer é o próprio medo --um terror sem nome, irracional, injustificado, que paralisa os esforços necessários para converter recuo em avanço".

Em outros trechos desse primeiro discurso Roosevelt diz:
"Os valores encolheram a níveis fantásticos; os impostos subiram; nossa capacidade de pagar caiu; governos encaram um sério encolhimento de receita; os meios de troca estão congelados nas correntes do comércio; as folhas mortas da atividade industrial estão espalhadas por toda parte; agricultores não encontram mercado para sua produção; as economias de muitos anos, de milhares de famílias, se foram."

"Isso ocorre principalmente porque os controladores da troca dos bens da humanidade falharam devido a sua própria teimosia e incompetência (...) Práticas de manipuladores de dinheiro inescrupulosos são indiciadas nos tribunais da opinião pública, rejeitadas nos corações e mentes dos homens (...) Não espanta que a confiança sofra, pois ela floresce apenas na honestidade, na honra, no caráter sagrado das obrigações, na proteção fiel, na conduta abnegada; sem isso, ela não vive."

"Nossa primeira tarefa é colocar as pessoas para trabalhar. Esse não é um problema insolúvel se encarado de forma sábia e corajosa. Pode ser resolvido em parte pelo governo recrutando diretamente, tratando a tarefa com a urgência que trataríamos a emergência de uma guerra (...)"
Esse mandato ficou marcado pelo "New Deal", um conjunto de programas do governo para reativar a economia do país. Dentro do conjunto se destacou o TVA (Tennessee Valley Authority), plano de desenvolvimento regional que beneficiou alguns dos Estados mais pobres e duramente atingidos pela crise --Virgínia, Carolina do Norte, Kentucky, Tennessee, Georgia, Alabama e Mississippi.

Em 1935 Roosevelt cria um novo programa de reformas, com a Seguridade Social, aumentos de impostos para os ricos, controle sobre bancos e serviços públicos e um programa de criação de empregos. As medidas provocaram fortes resistências entre os empresários do país e mesmo na Suprema Corte, que invalidou diversas medidas do "New Deal".

Ele morreu em 12 de abril de 1945, em Warm Springs, no Estado da Georgia (sul).

Folha

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Veja imagens da Crise de 1929





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Crise de 29 completa 80 anos e influencia economia e política

John Kenneth Galbraith, um dos principais economistas do século 20, escreveu que o dia 24 de outubro de 1929 foi o primeiro dos que ficaram associados ao que veio se tornar conhecido como a Grande Depressão: nesse dia, a Bolsa de Valores de Nova York sofreu uma forte queda durante o pregão (que chegou a quase 11%), com o movimento de pouco menos de 13 milhões de ações, indicando o pânico dos investidores --um dia antes o movimento havia sido de pouco mais de seis milhões.

No fim do dia, no entanto, houve uma recuperação, fechando com queda de apenas 2%; o pior ainda estava por vir. O dia 29, uma terça-feira, foi, segundo Galbraith, "o dia mais devastador da história do mercado de ações de Nova York, e possivelmente o dia mais devastador da história de todos os mercados". No fim daquele dia a Bolsa de Valores de Nova York teve perda de 11,7% --depois de cair cerca de 16% durante o dia, entre a abertura dos negócios e o pior momento.

Quando atingiu o ponto mais baixo, em 1932, a Bolsa estava 89% abaixo do momento de pico, em setembro de 1929.
A Grande Depressão que se seguiu foi um período de forte retração na economia que prosseguiu ao menos até 1939. O "New York Times" descreveu da seguinte forma o que aconteceu na Bolsa há 80 anos:

"Os preços das ações virtualmente desabaram, jogados para baixo com perdas gigantescas no dia de negócios mais desastroso na história dos mercados (...) As operações na Bolsa totalizaram 16,410 milhões de ações (...) o total excede de longe o de qualquer dia anterior [em março de 1928 o volume era de 3,8 milhões, um recorde até então]. De todos os pontos de vista, na extensão das perdas, na movimentação total, no número de especuladores tirados de cena, o dia foi o mais desastroso na história de Wall Street. A histeria varreu o país."

Mesmo o abalo que o mundo sofreu desde 2008 com a crise financeira e econômica atual --e os milhões de desempregados que deixou no mundo todo atestam a força desse abalo--, 1929 e a Grande Depressão que se seguiu ainda permanecem como a referência do tipo de catástrofe que a especulação financeira pode causar.

As imagens deixadas pela Grande Depressão não são bonitas. Filas de muitas centenas de pessoas esperando para se servir de um pedaço de pão e um prato de sopa, vestidas em trapos. Famílias vagando pelas ruas de grandes cidades, principalmente Nova York, com pais que não tinham ocupação e filhos que não tinham comida. Pessoas que não tinham nada.

Milhares de pequenos agricultores venderam o que puderam, por qualquer preço, juntando suas últimas posses e partindo para o que pensavam ser a única esperança, a Califórnia --o que, no fim, se provou apenas uma miragem. Essa parte da história pode ser encontrada em livros didáticos e em trabalhos de cunho mais analítico e científico, mas o drama dessas pessoas é melhor percebido no romance de John Steinbeck, "As Vinhas da Ira".

Ainda segundo Galbraith, no entanto, ninguém foi responsável pela quebra da Bolsa e ninguém criou o sistema de especulação que inflou o mercado e levou ao "crash". "As duas coisas resultaram da livre escolha e decisão de centenas de milhares de indivíduos. Estes não foram levados para o matadouro. Foram impelidos a ele pela loucura contagiosa que sempre atacou as pessoas que já estão atacadas pela ideia de que podem tornar-se muito ricas."

A quebra da Bolsa, no entanto, apenas marcou definitivamente na história um período que, no entanto, já era de fraqueza nos EUA. O Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês), que avalia quando recessões começam e acabam nos EUA, aponta que na década de 20 do século passado a economia americana passou por quatro recessões (o instituto registra a duração das recessões em meses, e não em trimestres, como é mais comum).

A que começou pouco antes do "crash" da Bolsa foi a maior do século passado, com 43 meses --entre agosto de 1929 e março de 1933. E em maio de 1937 teve início outra, que duraria 13 meses.

Só se encontra uma recessão de duração maior nos registros do Nber na ocorrida entre outubro de 1873 a março de 1879 --65 meses de duração.

Confira a variação anual do índice Dow Jones
Ano Pontuação Variação
1920 71,95
1921 81,1 12,72%
1922 98,73 21,74%
1923 95,52 3,25%
1924 120,51 26,16%
1925 156,66 30%
1926 157,2 0,34%
1927 202,4 28,75%
1928 300 48,22%
1929 248,48 -17,17%
1930 164,58 -33,76%
1931 77,9 -52,67%
1932 59,93 -23,07%
1933 99,9 66,69%
1934 104,04 4,41%
1935 144,13 38,53%
1936 179,9 24,82%
1937 120,85 -32,82%
1938 154,76 28,06%
1939 150,24 -2,92%
1940 131,13 -12,82%
1941 110,96 -15,38%
1942 119,4 7,61%
1943 135,89 13,81%
1944 152,32 12,09%
1945 192,91 26,65%
Fonte: Ipea



Sinais

O que houve naquele dia de outubro foi que os americanos foram trazidos à realidade por um choque, com a quebra da Bolsa, mas já havia avisos e alertas. Em novembro de 1925, pouco menos de quatro anos antes da crise, o "New York Times" já apontava semelhanças entre a agitação no mercado financeiro em 1929 e outras manias, e afirmava a necessidade de se manter um olhar cético sobre o ritmo de alta do mercado.

O país já tinha visto uma bolha em passado recente, no setor imobiliário da Flórida. A expectativa de que o Estado se tornasse já naquela época um recanto de férias e lazer levou especuladores a explorarem o mercado --embora muitos dos lotes ficassem a quilômetros das praias e não houvesse infraestrutura urbana quase nenhuma. Em 1926 a demanda começou a diminuir e a euforia passou. Embora não causasse perdas catastróficas, o "boom" seguiu uma espécie de "roteiro das bolhas": euforia inicial, saturação e em seguida queda de demanda e preços.

O Fed (Federal Reserve, o BC americano) chegou a advertir em fevereiro de 1929, em duas ocasiões, que não permitiria que fossem tomados recursos do banco para alimentar o financiamento de compras especulativas de ações --naquele mês informou que restringiria o uso do dinheiro do banco para esse fim, deixando poucos recursos para o comércio e outros setores da economia. Fevereiro foi um mês fraco, mas o mercado se recuperou.

Mas os avisos não chegaram aos ouvidos que mais deviam ter escutado os alertas. Em fins de março, Charles Mitchell --um dos diretores do Fed e presidente do National City Bank, instituição que viria a se tornar o Citibank, já então um dos maiores bancos americanos--, disse que a instituição que comandava liberaria os recursos de que o mercado necessitasse para que o mercado se mantivesse em alta, o que minou a autoridade do Fed.

Otimismo

O otimismo, assim, invadiu a percepção de todos, inclusive de especialistas. A Sociedade de Economia da Universidade Harvard chegou a prever que, no verão (inverno no hemisfério Norte) de 1929, o mercado sofreria um declínio; como o declínio não veio, manteve a opinião positiva para os negócios. Em novembro, já após o "crash", a sociedade descartou o risco de uma depressão grave.

Herbert Hoover disse em 1928, quando foi nomeado para disputar a Casa Branca pelo Partido Republicano (e que assumiu a presidência em março de 1929): "Nós, nos Estados Unidos, estamos hoje mais perto do triunfo final sobre a pobreza do que nunca antes na história, em qualquer lugar".

Outro que acabou desacreditado por suas declarações dias antes da quebra foi o economista Irving Fisher, que disse que "os preços das ações atingiram o que parece um patamar permanentemente alto". Fisher se destacou por suas contribuições intelectuais, como sua teoria do juro e do capital, mas essa declaração --e outras, como: "Espero ver o mercado de valores bem mais alto do que está hoje, dentro de poucos meses"-- tirou um pouco de seu brilho.

Desemprego

Com a quebra da Bolsa, o número de falências pessoais (nos EUA é possível uma pessoa se declarar falida) passou a crescer. Desse modo, o consumo registrou um declínio acentuado e que só se aprofundou ao longo dos anos seguintes. Com o consumo em baixa, empresas começaram a quebrar, demitindo funcionários.
A perda de empregos em grande número, por sua vez, reduziu mais ainda o consumo, que levou mais empresas à falência e mais demissões, gerando uma espiral que, à época, parecia que não teria fim.

A situação do desemprego foi crítica para que os efeitos da quebra da Bolsa se tornassem cada vez mais graves. Em abril de 1929, 1,6 milhão de pessoas estavam sem emprego -o que representava 3,2% da força de trabalho. Em abril de 1932, perto de 13 milhões de pessoas estava sem trabalho -ou quase 25% da força de trabalho do país. Em algumas cidades do país, o número de desempregados chegava a 50% da força de trabalho local, e em outras essa proporção era muito maior.


A situação em que o país caiu também se alimentou de outros detalhes, que já vinham despontando mesmo antes da quebra da Bolsa --a agricultura, por exemplo, se encontrava em situação crítica: a produção dos fazendeiros americanos ficou sem mercado. Estimulada em anos anteriores para abastecer o mercado europeu, ainda se recuperando da guerra, a produção excedente se tornou um problema, por não ter para onde escoar depois que a Europa conseguiu se reerguer. Os preços desabaram.

Depressão

A ligação entre a quebra da Bolsa e a Grande Depressão ainda é objeto de controvérsia na história econômica. Como se viu acima, os EUA já estavam no início de uma recessão --que poderia talvez não ter sido tão longa--; o "crash" da Bolsa, portanto, não poderia tê-la causado.

Uma resposta possível é a sugerida pelo historiador Edward Chancellor, em seu livro "Salve-se Quem Puder - Uma História da Especulação Financeira": as expectativas dos americanos quanto ao futuro, depois da prosperidade vista nos anos antes, sofreram um choque. "Quando os valores dos ativos declinaram, devastando o sistema bancário, uma psicologia do medo substituiu o otimismo da década anterior", disse.

Os anos 20 do século passado, escreve Chancellor, "foram um período em que as pessoas mostraram capacidade para sonhar, fé no futuro, um apetite empreendedor pelo risco e a crença na liberdade individual". Esse espírito --ou pelo menos no grau de intensidade em que era percebido-- se desfez após o "crash".

A crise financeira e econômica pela qual o mundo passa hoje --e que, segundo as avaliações de especialistas e de órgãos como o FMI (Fundo Monetário Internacional), já está perto do fim-- mostra que esse mesmo espírito, embora tenha se desfeito, não desapareceu, e já há quem procure prever quando surgirá de novo --e se trará uma nova crise.




Crise de 1929 atingiu economia e mudou a ordem política no Brasil

A Crise de 1929 atingiu em cheio a economia do Brasil, muito dependente das exportações de um único produto, o café. Mas, mais do que gerar dificuldades econômicas, o crash que completa 80 anos em 2009 provocou uma mudança no foco de poder no país, acabando com um pacto político interno que já durava mais de trinta anos.

Entre os anos de 1894 e 1930, o presidente da República foi eleito pelos paulistas barões do café num mandato, e no outro pelos pecuaristas mineiros. Era a chamada política do café com leite, viabilizada pela hegemonia da oligarquia cafeeira paulista na época e que garantiu a formação de uma economia agrícola praticamente monoexportadora no país.

Em 1929, a quebra nos mercados acionários do mundo provocou uma forte queda nos preços internacionais das commodities. "O Brasil era fortemente dependente das exportações de café, e tinha uma enorme dívida externa, que precisava ser financiada com essas vendas", afirma o professor de História Econômica da FEA-USP, Renato Colistete.

Além da queda nos preços, a crise provocou uma diminuição na renda e no consumo no mundo todo, prejudicando ainda mais as vendas de café. As exportações do produto, que chegaram a US$ 445 milhões em 1929, caíram para US$ 180 milhões em 1930. A cotação da saca no mercado internacional, caiu quase 90% em um ano.

Fogueira

Na tentativa de conter a queda, o governo federal comprou grande parte dos estoques dos produtores, e queimou 80 milhões de sacas do produto. "A ideia era queimar para diminuir a oferta e aumentar o preço internacional, porque o Brasil era o maior país exportador", segundo Marcos Fernandes, coordenador do Centro de Estudos dos Processos de Decisão da FGV-SP.
"A crise arruinou a oligarquia cafeeira, que já sofria pressões e contestações dos diferentes grupos urbanos e das oligarquias dissidentes de outros Estados, que almejavam o controle político do Brasil", explica Wagner Pinheiro Pereira, doutor em História pela USP e autor do livro "24 de Outubro de 1929: A Quebra da Bolsa de Nova York e a Grande Depressão".

Poder

O que aconteceu, então, foi que o foco do poder no país foi deslocado para o gaúcho Getúlio Vargas, que se tornou presidente da República após a Revolução de 1930. "Do ponto de vista político, a crise foi importante porque desviou o foco do poder para Getúlio Vargas e para um projeto de industrialização", diz Fernandes.

O novo presidente, porém, sabia que, mesmo com o fim da oligarquia paulista, o café não podia ser deixado de lado. Assumiu, então, uma nova política de defesa da cafeicultura, na tentativa de equilibrar os preços e evitar a superprodução.

"Não podemos esquecer que Getúlio era o pai dos pobres e a mãe dos ricos", diz Fernandes. "Ele tratou de não romper tão radicalmente com a oligarquia agrícola, e o café continuou sendo importante no Brasil. Isso começa a mudar mesmo a partir de Juscelino Kubitschek e, principalmente, a partir do Golpe de 1964."

A Grande Depressão, porém, dificultou os esforços do governo para ajudar o café e "somente no final da década de 1930 o café começou a recuperar os bons preços nos mercados internacionais", segundo Pereira.


Fonte: Folha

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Brasil vira referência em universidades dos EUA

Um dos mais importantes centros de estudos em tecnologia do mundo, o MIT, nos Estados Unidos, deu início aos planos para inaugurar seu primeiro centro de estudos voltado para o Brasil, parte da iniciativa internacional MISTI. O objetivo do projeto é criar grupos de solução de problemas específicos em tecnologia e ciência, e evidencia uma tendência nova para as análises do Brasil nas maiores universidades dos EUA. Em vez de formar os tradicionais brasilianistas, que se debruçavam sobre a realidade histórica, social e cultural do país como um lugar exótico e distante, a academia norte-americana passou a encarar o Brasil como um importante ator global, referência em diferentes assuntos científicos e passando por quase todas as áreas de conhecimento.

Esta nova forma de encarar o Brasil está se disseminando pelos Estados Unidos. A reportagem do G1 entrevistou diretores de centros de estudos sobre o país e a América Latina em Harvard, Stanford, Universidade da Califórnia em Berkeley e MIT (Massachusetts Institute of Technology), universidades que aparecem no topo dos principais rankings de melhores instituições de ensino superior do mundo. Segundo eles, não há dados que comprovem um grande aumento no interesse acadêmico pelo Brasil, mas há uma mudança na abordagem, uma inclusão do país em áreas que antes ignoravam o que acontecia por aqui.

“De fato, houve uma mudança”, explicou Harley Shaiken, diretor do Center for Latin American Studies em Berkeley, por telefone. “Essa é a mais importante nova tendência em estudos brasileiros. Nós incentivamos essa forma de incluir o Brasil em outros estudos mais gerais. Se há uma pessoa trabalhando com energias renováveis, por exemplo, ela pode não ser especialista em Brasil, mas deve haver grupo de pessoas de estudos do Brasil que podem entrar em contato com este pesquisador. E nós tentamos incentivar estes contatos”, disse.

Segundo as universidades ouvidas, esta nova realidade envolve especialmente assuntos relacionados a energia renovável, ambiente, desenvolvimento, sustentabilidade, negócios, e há um grande grupo de pesquisadores que está se especializando em temas que precisam olhar para o Brasil.

Para o paulista Marcio Siwi, que vive nos EUA há dez anos e há dois atua no programa de estudos brasileiros do Centro David Rockefeller de Estudos Latino-Americanos em Harvard, “há temas em que o Brasil virou referência e que atraem muito o interesse de alunos e professores. Pode-se falar em aquecimento global, desenvolvimento sustentável, Amazônia, todos esses assuntos que são importantes para os Estados Unidos elevam a enfocar no Brasil como uma referência. O mesmo acontece nos estudos sobre desigualdade.”

‘Boom’ Brasil

Segundo o diretor do Programa Brasil do MIT, Ben Ross Schneider, mesmo com o surgimento deste e de outros novos centros de estudos sobre o país nos EUA,não há indícios para afirmar que o Brasil vive um momento de maior popularidade na academia norte-americana. Os estudos do Brasil, explicou, são descentralizados, e há programas neste sentido em muitas universidades.

“Eu acabo de mudar da universidade Northwestern, em Chicago, onde há um programa de estudos, que continua existindo. Talvez haja um crescimento, mas é impossível dizer que há uma onda de popularização dos estudos do Brasil. Sempre há centros importantes desses estudos, que mudam de local de tempos em tempos”, disse, em entrevista concedida pelo telefone. Segundo ele, entretanto, pelo menos uma centena de alunos do MIT já demonstraram interesse em participar do grupo que está sendo criado por ele.

Siwi, por outro lado, diz que percebe um certo aumento no interesse dos estudantes de Harvard pelo Brasil. “A quantidade de alunos que demonstram interesse no estudo do idioma português, por exemplo, cresceu muito nos últimos anos, o que gera uma diferença enorme no entendimento de o que é o Brasil e quais as diferenças do país em relação ao resto da América Latina.” Segundo ele, isso é algo que existe em todas as partes dos Estados Unidos.

O mesmo acontece na Califórnia, segundo Shaiken. Em Berkeley, diz, há claramente um aumento no interesse e no número de pesquisas envolvendo o Brasil, mas muito deste crescimento vem das pessoas que não são brasilianistas, mas trabalham assuntos em que o Brasil é um protagonista. “Neste nível há muito mais interesse de que havia no passado. Não é apenas um crescimento contínuo, mas um momento de empolgação com uma gama de ideias e possibilidades que envolvem o Brasil. Isso não significa que o país seja estudado tanto quanto mereça. Acho que trata-se de um país extraordinário em um momento único e é preciso mais estudo e mais atenção. Há muitos assuntos que aproximam pesquisas em diferentes áreas do Brasil, mas não se pode dizer que o número de alunos da universidade que estudam o Brasil triplicou, pois não há dados sobre isso. O crescimento, entretanto, é real.”

Shaiken, de Berkeley, credita a mudança que se percebe a uma maior familiaridade dos norte-americanos com temas relacionados ao Brasil, que vem se tornando menos exótico. “O Brasil está se tornando mais familiar, e há ao mesmo tempo muita admiração por coisas que estão acontecendo no país e críticos. Há uma mistura, mas o Brasil realmente é uma força global e muitos sentidos, e essa emergência faz com que o país seja visto com muito interesse, mas de fato sem parecer exótico.”

Gerações brasilianistas

Para Hebert S. Klein, que dirige o Centro de Estudos Latino-Americanos de Stanford, o que para algumas pessoas aparenta ser um crescimento no interesse é, na verdade, uma demonstração da mudança do perfil dos pesquisadores, e de uma mudança de geração, passando dos brasilianistas que iniciaram trabalho nos anos 1960 para novos acadêmicos que ainda se debruçam sobre a realidade do país.

“Na prática, nós temos uma mudança geracional, mas não há uma mudança relevante no volume de pesquisas sobre o Brasil. Trata-se de um tema sólido na academia norte-americana, bem estabelecido, mas que não tem um crescimento acentuado. Não há um boom, mas uma produção sólida e a geração mais velha vem sendo substituída, mantendo uma regularidade nas publicações sobre o Brasil.”

Segundo ele, no lugar do que querem chamar de “boom”, há um “não-declínio” do tema na academia, apesar da mudança de gerações. “Nessas novas gerações, há pessoas realizando pesquisas interessantes na universidade de Rice, na de Arizona, aqui em Stanford, em Rutgers, na UCLA, são todos pesquisadores em torno dos 40 anos, espalhados pelo país.”

Pesquisador de Harvard, Siwi concorda com esta visão e define o momento alegando que estamos numa época em que se repensa o que é um brasilianista. “Eles existem, vão continuar existindo e são importantes nessas áreas de humanidades. O que vemos agora, entretanto, são cientistas, que seu tema é ciência e que incluem o Brasil em seus trabalhos. Há um professor, por exemplo, que analisa os desafios globais relacionados com a água, e que inclui o Brasil em sua pesquisa, por ser um país muito importante na área. O Brasil está ganhando espaço em áreas que antes não davam atenção ao país.”

Segundo ele, o outro perfil do brasilianista não vai desaparecer, não perde espaço. Mas criou-se espaços novos que antes não existiam.

“Não há um impacto menor em humanidades. Continuamos tendo muitos pesquisadores da área de humanas que mantêm seus trabalhos voltados ao Brasil. Mas há expansão, sim, é muito maior na área de ciências. Não se trata de uma troca, mas do crescimento de áreas que antes eram mais tímidas”, disse Shaiken.

G1

20 outubro, 2009

Brasil será 'a grande história' de 2010, diz 'Financial Times'

Um artigo publicado na edição desta terça-feira do jornal "Financial Times" afirma que "o Brasil é a potência do século 21 a se observar".

Assinado pelo comentarista Michael Skapinker, o artigo compara duas visões antagônicas do país - uma negativa, na qual se sobressaem problemas de violência e desigualdade social, e uma positiva, que ressalta uma economia pujante e plena de recursos naturais. Sem tomar partido por uma das visões, o comentarista diz que o país será "a grande história do próximo ano".

Os fundamentos de sua avaliação foram apresentados por ele em um recente encontro que reuniu jornalistas de diferentes publicações internacionais.

"O Brasil acabava de passar por uma crise financeira em boa forma. O país estava sentado em uma vasta descoberta de petróleo em alto mar. Havia testemunhado a maior abertura de capital do mercado neste ano - os US$ 8 bilhões colocados em bolsa pelo braço brasileiro do Santander. Seria também a sede de dois dos maiores eventos esportivos do mundo: a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016."

Para Skapinker, o outro lado da moeda seria a violência. "Não pude esconder certa palpitação em relação às desvantagens conhecidas do Brasil", diz ele, citando relatos e notícias de furtos, assaltos à mão armada a sequestros.

"Não vi nada disso", diz o comentarista, que recentemente fez sua primeira visita ao Brasil. "Mas dois dias após minha saída do país, enfrentamentos armados entre gangues rivais no Rio custaram pelo menos 14 vidas, incluindo as de três policiais mortos quando o helicóptero em que estavam foi abatido."

Para o comentarista, "é grande crédito do Brasil que, durante vários dias de encontros e entrevistas no Rio e em São Paulo, ninguém negou que o crime violento é uma realidade no país, e pode ter um sério impacto no seu desenvolvimento".

Já pelo lado positivo, diz Skapinker, "o Brasil é um país com imenso potencial, um povo acolhedor e diverso, excelente comida e diversas empresas de porte mundial".

"Diferentemente da China, o Brasil não tem conflitos étnicos agudos e é uma democracia partidária. Os brasileiros reclamam da corrupção de seus políticos, mas apontam que, ao contrário dos Estados Unidos, os resultados das eleições presidenciais - a próxima é em outubro de 2010 - são anunciados rapidamente."

O comentarista acrescenta que a riqueza petroleira, em um país que produz a maior parte de sua energia de hidrelétricas e etanol, representa um "prospecto intrigante". "Os brasileiros sabem que o petróleo pode ser uma maldição ou uma bênção. A maneira como empregarem sua nova riqueza determinará se o país se tornará uma força no século 21."

O comentarista encerra o artigo retomando sua idéia inicial. "O Brasil será uma grande história - não apenas no próximo ano mas por muitos anos."

G1

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18 outubro, 2009

Consumo volta a decolar em 2010

O brasileiro terá mais dinheiro para gastar em 2010. Serão R$ 72,7 bilhões de renda disponível a mais do que neste ano, valor que será completado pelo crédito. No total, o consumo deve ter um aumento de R$ 90,3 bilhões no ano que vem.

A projeção foi feita pela MB Associados e tem como pano de fundo a retomada do emprego, com aumento real dos salários, a melhora no cenário para os empréstimos bancários, o reajuste de aposentados e pensionistas e a elevação dos gastos do governo. Se confirmada, a expansão superará o ritmo de antes da crise.

O valor de R$ 90,3 bilhões é quase o dobro do crescimento no consumo que deve ser registrado em 2009, de R$ 52,6 bilhões, e supera os R$ 85,2 bilhões de 2008. Em uma conta simples, considerando-se a participação do Paraná na economia nacional, o consumo no estado poderá crescer R$ 4,5 bilhões em 2010, 70% mais do que os R$ 2,63 bilhões de 2009.

Além da retomada do crédito por parte dos bancos, a MB leva em consideração a manutenção dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, a aprovação do reajuste real de 5,7% do salário mínimo e a continuação do crescimento dos gastos do governo. “Será um empuxo de renda, em valores, ainda mais forte do que o observado em 2008”, diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB.

Pela primeira vez, aposentados e pensionistas que ganham acima de um salário mínimo terão reajuste real, de 3%. Até então, a correção era feita com base na inflação. Pelas projeções da MB, a classe média, composta por quem ganha de três a cinco salários mínimos, é a que mais vai ter crescimento de renda, com um acréscimo de R$ 17,1 bilhões.

“O consumo, mais uma vez, terá papel importante no crescimento da economia”, diz Thais Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg Consultores Asso­ciados. De acordo com ela, o crédito para pessoa física voltou ao normal desde maio e o de pessoa jurídica só não decolou porque a demanda das empresas diminuiu por causa da crise.

“Na verdade o consumo não parou de crescer. Agora, no entanto, vamos retomar o ritmo de aumento que víamos antes da crise. Vamos ver um choque de confiança, baseado na redução das incertezas, na melhora da atividade econômica e no aumento da renda”, diz Marcelo Neri, pesquisador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo ele, o avanço da renda terá efeito em todas as classes sociais. O Bolsa Família favorece a classe E. A classe D será beneficiada pelo salário mínimo, e o reajuste para os aposentados que ganham mais de um salário terá impacto nas classes A, B e C. De acordo com Neri, o processo de ascensão social dos últimos cinco anos voltará a se acelerar.

Nesse período, 32 milhões de pessoas migraram para as classes A, B e C. “Com a crise, houve uma queda na participação da alta renda, mas o processo de recuperação já começou”, afirma. Neri prevê também uma maior desconcentração da renda, com forte crescimento fora dos grandes centros. “Teremos um cenário muito mais favorável, com inflação sob controle, taxas de juros menores e desigualdade em queda.”

Além da renda, um outro motor do consumo deve ser a expansão do mercado de trabalho. Pouco antes da crise, o emprego com carteira assinada crescia a taxas anuais de 7%. “Acredito que voltaremos a esse nível no próximo ano”, prevê Neri.

Contas públicas

Segundo Márcio Cruz, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), os gastos do governo para inflar a renda em 2010 ainda guardam relação com as medidas anticíclicas adotadas para conter os efeitos da crise econômica. “Nos próximos anos, mantido o crescimento anual na casa dos 5%, deve ser retomado o debate em torno da redução dos gastos por parte do governo”, afirma. O professor observa que o setor de infraestrutura e a indústria de transformação, que neste ano levaram um tombo, devem puxar o movimento de recuperação.

No embalo das eleições, o governo vai financiar quase metade do aumento da renda em 2010, o que vai criar uma pressão ainda maior sobre as contas públicas. De acordo com a MB, essa fatia deve ficar em 49,4%, respondendo por R$ 35,9 bilhões. Em 2008, a proporção foi bem menor, de 27%.

“O governo está aumentando seus gastos permanentes em um momento em que a economia já está em recuperação. Uma iniciativa desse porte se justifica neste ano, mas não no próximo, quando teremos um crescimento de 5%”, analisa Vale.

Endividamento

Pelo estudo da MB Associados, também haverá crescimento do endividamento em 2010. A renda crescerá menos do que o consumo, o que significa que parte das compras das famílias será financiada por meio do crédito. O aumento das dívidas, no entanto, não preocupa. Para o especialista em finanças pessoais Raphael Cordeiro, o endividamento não é problema em tempos de crescimento de atividade econômica e retomada do emprego.

Esses fatores inibem a inadimplência, melhorando também as condições oferecidas pelas instituições financeiras na hora de conceder crédito. Ele diz esperar também que a concorrência entre os bancos melhore as condições de acesso ao crédito no próximo ano. Para ele, mesmo com o provável aumento da taxa de juros, o consumo deve se manter aquecido. “Na verdade, esse aquecimento já começou, com a previsão de recuperação da economia já em 2009. O Brasil deve crescer 1% neste ano”, projeta.

Gazeta do Povo


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12 outubro, 2009

Pesquisa sobre economia 'fora dos mercados' dá Nobel a norte-americanos

Em um ano em que as deficiências do mercado financeiro ficaram evidentes, após os estragos provocados pela crise financeira internacional, pesquisas que tratam da gestão da economia fora desse ambiente deram o Prêmio Nobel a dois economistas norte-americanos.

Arranjos 'alternativos'

Esses arranjos externos ao mercado foram usados pela Real Academia de Ciências da Suécia para justificar a escolha: “As transações econômicas têm lugar não apenas nos mercados, mas também dentro das empresas, associações, casas e agências. A teoria econômica já iluminou abrangentemente as virtudes e limitações dos mercados, mas tradicionalmente prestou menos atenção a outros arranjos institucionais”, apontou a instituição.

Em sua pesquisa, Elinor Ostrom – a primeira mulher a receber um Nobel de economia – aponta evidências das regras e mecanismos que governam a exploração de recursos comuns por associações de usuários. Elinor mostra que essas propriedades são surpreendentemente bem geridas, indo contra o argumento comum de que cada usuário tende a buscar apenas benefícios próprios.

“Elinor Ostrom desafiou a convenção de que propriedades comuns são mal gerenciadas e que devem ser reguladas por autoridades centrais ou privatizadas”, diz a Academia Sueca em nota.


Os laureados deste ano com o prêmio Nobel de economia – cujo nome oficial é Prêmio Sveriges Riksbank (o banco central da Suécia) de Ciências Econômicas em Memória a Alfred Nobel – foram anunciados na manhã desta segunda-feira (12). O prêmio será dividido por Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana, e Oliver E. Williamson, da Universidade da Califórnia, ambos por suas pesquisas em governança econômica.

Para o economista Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor, a escolha dos laureados é significativa do momento de mudança: “A evolução da economia trouxe mudanças expressivas em certos postulados econômicos. O que no passado era verdade, hoje já não é bem assim. Então, com essa crise também houve mudança estrutural, mostrando que certos conceitos, certas teses desenvolvidas no passado acabam se modificando ao longo do tempo”, avalia.

Empresas

Focada nas empresas, a pesquisa de Williamson também extrapola os mercados financeiros. O professor da Universidade da Califórnia foi agraciado por suas análises da governança econômica, especialmente os limites das empresas, explicando por que determinadas decisões econômicas são tomadas dentro das corporações.

“Oliver Williamson argumentou que mercados e organizações hierárquicas, como empresas, representam estruturas alternativas de governança, que diferem em sua abordagem para resolver conflitos de interesse”, justificou a Academia.


G1

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11 outubro, 2009

Banqueiros miram investimentos bilionários no Brasil

O País deve receber fortes investimentos em praticamente todas as áreas em que bancos de investimento brasileiros atuam: fusões e aquisições, mercado acionário, renda fixa e private equity (fundos que compram partes de empresas). De acordo com relatos colhidos pelo Estado, há até quem diga que não vai demorar muito para que o Brasil volte a emitir papéis de dívida em reais, tipo de operação que a crise global secou. Se a percepção de que o país vai receber uma enxurrada de capitais se confirmar, a dor de cabeça do governo com a valorização do real vai se tornar uma enxaqueca permanente.

Nesta semana, várias autoridades, como o ministro Guido Mantega, manifestaram preocupação com a alta da moeda brasileira. O real já ganhou 34% ante o dólar em 2009.

Na sexta-feira, a moeda norte-americana fechou a R$ 1,737, menor valor do ano. No sentido contrário, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) acumula valorização de 70,6% no ano. Segundo os banqueiros, os setores da economia preferidos dos estrangeiros são os voltados ao mercado interno, como varejo e bancos, o de infraestrutura e o de energia (petróleo e gás).

— Estou há 14 anos no mercado e nunca vi nada parecido — diz a copresidente do banco de investimentos do JP Morgan no Brasil, Patrícia Moraes.

Uma das principais diferenças que ela vê hoje em relação ao passado é o fato de os ativos brasileiros estarem sendo disputados por fundos globais de investimentos, não apenas pelos fundos destinados exclusivamente a mercados emergentes.

— Isso é positivo para o País porque esses investidores são bem menos preocupados com o curto prazo.

O vice-presidente executivo do Itaú BBA, Jean-Marc Etlin, atribui o otimismo com o Brasil a três fatores. O primeiro é a força do mercado interno, que deixa o País menos suscetível ao vaivém da ainda combalida economia global. O segundo é o fato de o Brasil ser "uma fábrica de recursos naturais".

— À medida que os países desenvolvidos saírem da recessão, vão demandar mais desses produtos, o que fará os preços subirem — afirmou. Por fim, Etlin acrescentou os investimentos esperados com Jogos Olímpicos, Copa do Mundo e exploração do pré-sal (apesar, ressalta, das incógnitas que cercam o negócio).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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06 outubro, 2009

Indústria cresce em 7 das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE em agosto

A produção industrial brasileira cresceu em 7 das 14 regiões pesquisadas no mês de agosto, frente ao mês de julho, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (6) pelo Instiuto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado médio do país foi de alta de 1,2%, com destaque para fortes altas da Região Nordeste. Pernambuco teve alta de 7,4% em agosto, enquanto a Bahia teve expansão de 5,7%. A Região Nordeste cresceu 3,9%, segundo o IBGE.

Entre as regiões que tiveram desempenho acima da média brasileira também figuraram Espírito Santo (alta de 6%), São Paulo (2,5%) e Rio Grande do Sul (1,9%). No Amazonas, o crescimento foi de 1,2%, conforme a média brasileira.

Duas regiões tiveram crescimento nulo (Paraná e Minas e Gerais), enquanto cinco tiveram queda de um mês para o outro (Goiás, Pará, Santa Catarina, Ceará e Rio de Janeiro).

G1


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