26 novembro, 2009

China também anuncia corte de emissões de gases

23 novembro, 2009

Uma hora volta pra você. WWF

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21 novembro, 2009

Venda avulsa de jornalões brasileiros cai a índices surpreendentes

Fala-se muito na crise das publicações impressas, como jornais e revistas, mas quando se analisa os dados reais percebe-se que a situação é muito mais grave do que imaginamos e que a busca por novos modelos de negócios é ainda mais urgente do que se previa.

Quando você descobre que a Folha de S.Paulo, considerada um dos três mais influentes jornais do país, vendeu em média 21.849 exemplares diários em bancas em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009, é possível constatar a abissal queda de circulação na chamada grande imprensa brasileira. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares.

Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC) a Folha é o vigésimo quarto jornal em venda avulsa na lista dos 97 jornais auditados pelo instituto, atrás do Estado de S.Paulo, em 19o lugar e O Globo, em 15o lugar. Somados os três mais influentes jornais brasileiros têm uma venda avulsa de quase 96 mil exemplares diários, o que corresponde a magros 4,45% dos 2.153.891 jornais vendidos diariamente em banca nos primeiros nove meses de 2009.

São números muito pequenos comparados ao prestígio dos três jornalões, responsáveis por boa parte da agenda pública nacional. Globo, Folha e Estado compensam sua baixa venda avulsa com um considerável número de assinantes, o que configura a seguinte situação: os três jornais dependem mais do que nunca das classes A e B, que são maioria absoluta entre os assinantes, já que a população de menor renda é a principal cliente nas compras avulsas em bancas.

Esta constatação não é nova, mas ela aponta um dilema crucial: as classes A e B são aquelas onde a penetração informativa da internet é mais intensa. Nesta conjuntura, o futuro de O Globo, Estado e Folha depende umbilicalmente das classes média e alta, o que levou a uma disputa acirrada para saber qual deles interpreta melhor a ideologia destes segmentos sociais.

O atual perfil da imprensa brasileira mostra que os três grandes jornais nacionais agarram-se à classe média para manter assinantes e influenciar na agenda política do país, mesmo com tiragens reduzidíssimas, correspondentes a menos de 5% da média da venda avulsa nacional.

Nos últimos nove meses houve uma pequena recuperação nos índices de venda avulsa do Globo, Estado e Folha em 2009. O IVC registrou um crescimento de 5,5 % em relação aos quatro últimos meses do ano passado. É um aumento bem acima da média dos 97 jornais auditados pelo IVC, cuja venda avulsa diária total subiu insignificantes 0,27% no mesmo período. Mas a recuperação tem que ser vista num contexto de patamares muito baixos e que não garantem a rentabilidade futura dos jornais.

Em compensação os jornais locais e populares ocupam um espaço cada vez maior na mídia nacional. Dos dez jornais com maior venda avulsa, segundo dados do IVC, nove são claramente populares, voltados para as classes C e D. Destes, dois são de Minas Gerais, um do Rio Grande do Sul, cinco do Rio e dois de São Paulo. Somados eles chegam a uma venda avulsa diária média de 1.401.054 exemplares, ou seja 64,5% de todos os jornais auditados entre janeiro e setembro do ano passado.

O jornal Super Notícia, de Belo Horizonte, vende em bancas, em média, 290.047 exemplares (13,47% de todos os jornais auditados pelo IVC) - o que corresponde a cerca de 13,2 vezes a circulação avulsa da Folha de S.Paulo, em todo o país. Números que indicam uma clara tendência do mercado da venda avulsa de jornais no sentido das publicações populares, regionais, com apelo sensacionalista.

Isto também significa que os grandes jornais, tradicionais vitrines da agenda nacional, dependem, hoje, mais do prestígio herdado do passado do que do fluxo de caixa. A sua principal matéria prima, a notícia, perdeu valor de mercado em favor da opinião. Um prestígio que ainda alimenta uma receita publicitária compensadora, principalmente no setor imobiliário, de supermercados e revendas de automóveis, mas cujos dias também estão contados porque a migração destes segmentos para a internet é cada vez maior.

O conglomerado Globo aposta cada vez mais nos jornais populares regionais e segmentados - como o Extra, no Rio. Talvez busque inspiração no caso do Lance!, um jornal esportivo que vende, na média diária, 124 mil exemplares em bancas e jornaleiros. No sul, o grupo RBS aposta no Diário Gaúcho, o terceiro em vendas avulsas no ranking nacional do IVC e 8,4 vezes maior do que a do carro chefe do conglomerado, o jornal Zero Hora.


Observatório da Imprensa

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18 novembro, 2009

A era do ecologicamente correto

Aos poucos, ser sustentável está deixando de ser coisa de outro mundo. Quase ninguém admite que se jogue lixo nas ruas, que se use roupas de pele de animal ou que se varra a calçada com a mangueira, como se fazia antigamente. Reciclagem, consumo consciente e transporte alternativo fazem parte do nosso vocabulário e, embora as mudanças sejam lentas, há hoje a consciência de que já se foi o tempo em que cuidar do meio ambiente era obrigação do governo ou dos ambientalistas.

Salvar o planeta talvez seja pedir demais, mas é possível, por meio de pequenos passos, evitar o desperdício, diminuir a poluição, o desmatamento, desacelerar o aquecimento global e tornar o mundo um lugar mais limpo, mais justo e mais verde. Segundo especialistas, essas ações podem ser realizadas por todos nós e não exigem grandes sacrifícios. Pelo contrário, muitas medidas refletem diretamente na saúde, no bolso, nas relações familiares e, principalmente, na consciência.

* * * * *

Água e energia

Instale um filtro de água em sua casa em vez de comprar água engarrafada.

- Cerca de 1,5 milhão de toneladas de plástico é usado no engarrafamento de 89 bilhões de litros de água a cada ano.

- Tente apertar a descarga uma vez a menos por dia e você economizará cerca de 12 litros de água.

- Faça uma vistoria e identifique todos os gastos desnecessários de energia elétrica e de água em casa ou na empresa. Efetue um planejamento participativo para eliminar ou reduzir estes gastos.

- Reutilize a água da máquina de lavar. A água, embora seja um recurso renovável, deve ser usada com parcimônia para proteger as reservas potáveis para as gerações futuras.

- Feche a torneira enquanto se ensaboa durante o banho, enquanto escova os dentes ou quando lava louças.

- Aproveite a iluminação natural da sua casa, abrindo cortinas e janelas. Locais que não estão sendo usados dispensam lâmpadas acesas.

- Lembre-se de que pinturas escuras dentro de casa exigem mais iluminação, gerando maior consumo de energia. Em locais de grande circulação (cozinha, área de serviço, banheiro) procure utilizar lâmpadas fluorescentes, que consomem cerca de três vezes menos energia e duram mais.

- Desligue a tevê quando ninguém estiver assistindo e não durma com o aparelho ligado. Caso o aparelho disponha de timer, programe-o adequadamente. Tire-o da tomada quando não estiver sendo usado.

- Nem pense em usar mangueiras para lavar calçadas, quintais e carros. Lance mão dos baldes e evite que seu dinheiro também vá por água abaixo.

Alimentação

- Quando preparar o prato durante uma refeição, preste atenção à quantidade colocada no prato, a fim de reduzir o desperdício de alimentos.

- Opte por alimentos mais saudáveis e caseiros, evitando o excesso de embalagens desnecessárias e nem sempre recicláveis.

- Coma menos carne. A criação intensiva de gado implica em desmatamento e a pesca intensiva ameaça o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

- Prefira o micro-ondas ao forno elétrico para aquecer os alimentos. Eles são até 4,8% mais eficientes no uso de energia.

Reciclagem

- Assine e recicle o seu jornal. Assinantes economizam até 30% em relação ao preço da capa do jornal, além de poupar a ida ao jornaleiro. A cada ano, 10 milhões de toneladas de jornais são jogados nos lixões sem serem reciclados.

- Doe revistas e livros usados. Enquanto o preço do quilograma de papel misto para reciclagem é de R$ 0,04, o valor da informação para pessoas que normalmente não têm acesso a ela não se paga com dinheiro nenhum.

- Mobilize as pessoas de sua casa, condomínio, empresa ou escola para participar de ações de coleta seletiva de lixo. Separe papéis, vidros, metais, plásticos e doe para os catadores de lixo ou entregue para o programa de coleta seletiva da cidade. Pilhas, lâmpadas fluorescentes e baterias de celulares contêm produtos químicos tóxicos, por isso separe e embale esse material antes de entregá-lo.

- Prefira reutilizar do que descartar: opte, sempre que possível, por garrafas retornáveis e talheres de metal, entre outros, reduzindo a produção de lixo e a quantidade de plástico descartada.

Transporte

- Sempre que possível, prefira o transporte público ou as bicicletas para deslocamento. Em sua empresa, promova listas de pessoas com residência próxima à sua e combine sistema de rodízio de caronas.

- Na hora de viajar de avião faça malas leves. Cada 4 quilos adicionais de bagagem por passageiro provocam o consumo de 1,3 bilhão de litros de combustível a mais por ano.

- Mantenha os pneus de seu carro calibrados. Quem dirige em média 20 mil km/ano poderá poupar cerca de 60 litros de gasolina apenas mantendo a pressão adequada dos pneus.

- Fique de olho na manutenção do seu veículo. Um motor mal cuidado pode consumir 50% a mais de combustível e produzir 50% mais CO2.

- Prefira veículos movidos a álcool ou biocombustíveis. O álcool, ao contrário da gasolina, do diesel ou do gás, é uma fonte de energia renovável. A quantidade de CO2 emitida pela queima do álcool nos motores é a mesma fixada nas plantações de cana de açúcar. Mesmo assim o processo não é totalmente limpo, uma vez que há emissões na produção do álcool, além dos danos ambientais no campo, devido à cultura da cana.

Tecnologias

- Minimize o uso de mídias removíveis (disquetes, CDs, DVDs) para transferência de arquivos. Elas contam com muitos componentes químicos, além do plástico, e não existem políticas em relação à destinação desse tipo de material.

- Prefira a doação ao descarte imediato de eletroeletrônicos. Há muitas entidades espalhadas pelo país que fazem o reuso dessas peças. Aumentar a vida útil de um equipamento é uma atitude ambientalmente correta.

- Use a frente e o verso do papel na hora de escrever, imprimir ou copiar. Se apenas 1 em cada 4 pessoas adotasse essa prática, a economia anual seria de 130 bilhões de folhas de papel.

- Prefira notebooks a desktops. A produção deles requer menos matéria-prima e energia, e seu consumo anual é 220kWh menor.

Consumo

- Use uma caneca de cerâmica para tomar café ao invés de usar copos de plástico, papel ou de isopor. Os americanos usam mais de 14 bilhões de copos de papel por ano.

- Compre apenas os remédios indicados por seu médico e que você tenha certeza de que vai usar. Nunca jogue no vaso ou no ralo remédios não usados ou fora do prazo de validade, pois eles podem prejudicar plantas e peixes.

- Faça sabão ecológico em casa em vez de descartar o óleo de cozinha. O custo ambiental da poluição causada por um litro de óleo de cozinha é imenso. Para conseguir a receita, acesse o blog www.verbeat.org/blogs/facaasuaparte.

- Use sacolas retornáveis em vez de sacolas plásticas para fazer compras. As sacolinhas poluem e causam a morte de diversos animais – principalmente aquáticos, que as confundem com comida –, além de só aumentar a quantidade de lixo que vai para os aterros.

- Substitua o ar condicionado pelo ventilador.

- Se tiver mais de uma geladeira ou freezer ligados, desligue aquele que não estiver sendo usado, principalmente se for de um modelo antigo e menos eficiente energeticamente.

- Utilize o mínimo necessário de papel. Quando for se comunicar com as pessoas, dê preferência ao e-mail. Use papel reciclado ou Carbon Free, que possui as emissões de gases de efeito estufa de sua fabricação compensadas por meio de restauro florestal.

- Ao comprar seus lápis, verifique se a madeira é proveniente do manejo sustentável. Para isso, preste atenção se o fabricante possui o selo FSC.

Consciência

- Participe de associações comunitárias voltadas ao meio ambiente. O Centro de Ação Voluntária de Curitiba (CAV) coloca você em contato com as instituições que necessitam de seu apoio. Ligue para (41) 3322-8076.

- Converse com a diretoria e professores da escola de seu filho para inserir atividades socioambientais comunitárias na agenda escolar.

- Incentive sua empresa a investir nas análises de riscos de acidentes ambientais e na promoção de treinamentos e capacitação para evitá-los ou se preparar para enfrentar emergências.

- Efetue um planejamento anual de suas metas ambientais pessoais e os resultados alcançados. Isso ajuda não só que você se mantenha estimulado, como permite avaliar as vantagens das medidas ambientais adotadas.

Outras medidas

- Evite o piso de concreto, pois ele impede a infiltração das águas das chuvas e contribui para as inundações urbanas. Prefira gramados e/ou jardins de terra. Nos jardins, evite plantas exóticas e utilize mudas de arbustos e árvores nativas frutíferas para atrair os pássaros.

- Adote práticas de limpeza ecológica para evitar a poluição das águas com produtos químicos nocivos. Vinagre e bicarbonato de sódio limpam e desinfetam tão bem quanto os produtos de limpeza convencionais.

- Reaproveite embalagens de presentes ganhos pela família quando for presentear alguém, evitando o desperdício de uma nova embalagem que provavelmente irá para o lixo segundos após ser aberta.

- Plante árvores: além de ajudar a absorver o CO2 da atmosfera, elas proporcionam sombra e amenizam a temperatura dentro das residências, o que reduz o uso de condicionadores de ar ou ventiladores.

- Seja consciente ao cogitar a compra de animais domésticos, pois a escolha errada faz com que muitos deles sejam abandonados nas ruas. Não compre animais silvestres, mesmo legalizados, pois eles têm hábitos e doenças que podem ser prejudiciais ao convívio humano. Também não compre objetos e bijuterias elaborados com partes de animais como penas, couro, ossos e peles.

Gazeta do Povo

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06 novembro, 2009

Os 20 anos da queda do muro de Berlim - Parte I

Primeira reportagem da série !

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01 novembro, 2009

Em "O Globo", oposição a Lula não fala português


por Luiz Carlos Azenha

Poucas vezes vi uma ilustração tão própria como a que o jornal O Globo escolheu para acompanhar a carta-testamento de Fernando Henrique Cardoso.

O ilustrador Cláudio Duarte está de parabéns.

Primeiro, pela originalidade. A não ser por duas ou três ocasiões, nunca tinha visto esse uso de um defeito físico alheio para mandar uma mensagem política. Uma dessas ocasiões foi em Roraima, quando apoiadores do prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero, usavam os quatro dedos de Lula para denunciar o que diziam ser interferência federal. Foi quando o governo mandou a PF evitar violência entre as partes envolvidas na disputa pelas terras da reserva Raposa Serra do Sol. Violência que, na verdade, partiu de Quartiero e outros grileiros e não foi episódica. Vinha sendo praticada há alguns anos sob as barbas das autoridades brasileiras.

Mas, voltando ao Duarte, além de "original" o trabalho dele exibe nuances que capturam toda a complexidade da cena política brasileira. É uma ilustração de fineza e sutileza ímpares. Teria sido sofisticação intelectual do Duarte escolher o "Stop", em inglês, para sugerir a matriz do pensamento fernandista? Ou o ilustrador se deixou trair pelo próprio macaquismo intelectual? Só perguntando a ele.

De qualquer forma, acho que a ilustração resume a qualidade intelectual e moral do projeto político capitaneado pelo governador paulista José Serra. Deveria fazer parte da campanha dos tucanos em 2010.

Fonte: http://www.viomundo.com.br/opiniao/em-o-globo-oposicao-a-lula-nao-fala-portugues/

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Sustentabilidade cresce nas empresas e atrai profissionais

O número de companhias com áreas de sustentabilidade está em expansão, o que aumenta o número de vagas, dizem especialistas.

Para Isak Kruglianskas, coordenador do Programa Estratégico de Gestão Socioambiental da FIA (Fundação Instituto de Administração), os profissionais devem pensar na sustentabilidade como "o grande motor da inovação que será a saída para o desemprego".

A senadora Marina Silva (PV-AC) afirma que considera as áreas "uma oportunidade", mas que cada um "deve seguir sua ética profissional para não fazer maquiagem" ambiental.

Entre as empresas que atualmente expandem a área está o Grupo Maggi (agroindústria), que vai criar uma diretoria de responsabilidade e sustentabilidade. Segundo Nereu Bavaresco, diretor de recursos humanos, a questão da sustentabilidade começa no recrutamento. "Buscamos pessoas que compartilhem nossos valores."

Cargos

A área ambiental está dividida entre os cargos técnicos, em que a graduação deve ser em geografia ou gestão ambiental, por exemplo, e os executivos, em que também são aceitos profissionais de outras áreas, como jornalistas, psicólogos, engenheiros e economistas.

Independentemente da formação, o consenso é que o profissional que quer fazer carreira como diretor de uma área de sustentabilidade precisa ter especialização e conhecimento do negócio.

Paulo Sérgio Muçouçah, da OIT, ressalta que não é a formação que define um emprego verde, e sim a atividade.
"Um biólogo pode pesquisar organismos geneticamente modificados [e não ser verde] ou trabalhar com a conservação da biodiversidade [e ser]".

A bióloga Fernanda Ormonde, 27, coordenadora de eventos responsáveis da Reclicagem, considera seu emprego verde. "Fazemos a gestão ambiental de feiras, incluindo cuidar dos resíduos", afirma ela, que tem pós-graduação em gestão ambiental.

Especialização

André Carvalho, professor de pós-graduação do GVCes (Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas), diz que a especialização na área é buscada por profissionais de vários setores.

"Antes, só se podia ser sustentável na Amazônia. Agora, é possível trabalhar na área na avenida Paulista ou na [avenida Engenheiro Luiz Carlos] Berrini", diz, referindo-se a dois centros de negócios de São Paulo.

Embora o curso seja um caminho para atuar na área, em alguns setores, ele não é valorizado, segundo Gustavo Parise, gerente-executivo da Michael Page. Pare ele, a especialização em ambiente não é prioritária para quem atua em marketing e vendas, por exemplo. Nesses casos, opina, "é muito mais "perfumaria", infelizmente".

Folha

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7 Anos e um Destino: O Crescimento Econômico

Pré-sal, Copa e Olimpíada devem gerar investimentos de R$ 37 bilhões por ano, em média, até 2016

O Brasil foi confirmado como sede da Copa de 2014 em 30 de outubro de 2007. Nove dias depois, a Petrobras anunciou a maior descoberta da indústria petrolífera mundial em três décadas. Em meados de 2008, o país recebeu as duas primeiras notas de “grau de investimento”, e sua resistência à crise serviu de pretexto para a terceira delas, conferida em setembro passado. Para completar, há um mês o Rio de Janeiro “conquistou” a Olimpíada de 2016.

Dois anos atrás, cartomante nenhuma prenunciaria destino tão generoso. Compreende-se por que a mídia estrangeira, talvez cansada da China, esteja tratando o Brasil por “bola da vez”, “país do momento” e “potência do século 21 a se observar” – mais ou menos como fez o escritor austríaco Stefan Zweig há quase 70 anos, ao classificá-lo de “país do futuro”. Profecias e exageros de lado, desta vez há vários indícios, ao menos no campo econômico, de que os próximos anos são mesmo promissores.

Aparentemente, dinheiro haverá. Algo entre R$ 190 bilhões e R$ 260 bilhões em investimentos, de 2010 a 2016. Isso numa estimativa conservadora, que leva em conta somente o orçamento da Petrobras para os blocos já licitados do pré-sal (que respondem por 28% da área total) e o desembolso previsto em instalações esportivas e infraestrutura de mobilidade para a Copa e os Jogos Olímpicos.

Em outros termos, mesmo desconsiderando o efeito multiplicador desses investimentos, o país poderá contar com um “extra” anual de até R$ 37 bilhões, em média, pelos próximos sete anos. Esse valor equivale a quase tudo o que foi aplicado no chamado eixo logístico do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – de acordo com o governo federal, desde 2007 foram R$ 37,5 bilhões em obras como a recuperação de 4,5 mil quilômetros de rodovias. Com essa verba, também seria possível construir umas 130 “Linhas Verdes” como a de Curitiba.

Fatia considerável do “orçamento petroesportivo” brasileiro irá para a construção civil, um dos setores que mais “distribui” benefícios por diferentes cadeias produtivas e que é grande gerador de empregos. Daí que as perspectivas para o mercado de trabalho também animam. Os preparativos para Copa e Olimpíada devem gerar 4,3 milhões de empregos até 2016, o que dá mais de 600 mil vagas por ano – quase metade dos postos formais gerados no país em 2008.

O universo das projeções é exuberante, mas aproveitar a esperada fartura dos próximos sete anos dependerá muito da eficiência do setor público, responsável por grande parte das obras planejadas. Motivo para pé atrás. “Pré-sal, Copa e Olimpíada são possibilidades. Que podemos ou não aproveitar”, pondera o economista Luciano Nakabashi, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Os dois eventos esportivos, por exemplo, representam uma boa ocasião para o país melhorar sua infraestrutura de transportes. Agora, se esse tipo de investimento não sair, o efeito dos eventos sobre a economia será muito limitado.”

O professor Jedson de Oliveira, da Estação Business School, faz eco. “Após quase 40 anos de deslizes, o Brasil tem a grande oportunidade de deslanchar e se tornar um importante ator no cenário mundial. Mas tudo remete à necessidade de expandir o nível de investimentos”, diz o economista, referindo-se à chamada “formação bruta de capital fixo” (FBCF), mais conhecida como taxa de investimento ou taxa de poupança. Trata-se do dinheiro que, em vez de ser usado para consumo, é “poupado” na forma de infraestrutura, máquinas, equipamentos e outros ativos que permitem à economia crescer mais no futuro.

Em 2008, empresas e governo investiram R$ 549 bilhões, 19% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa taxa, a maior da década, ainda ficou longe do ideal – para que a economia cresça mais de 5% ao ano de forma sustentável, sem pressionar a inflação, exige-se algo próximo de 25% do PIB. A crise piorou o quadro, ao reduzir a taxa de poupança para apenas 16% entre janeiro e junho de 2009. Mas, se apenas o “orçamento petroesportivo” for cumprido à risca, pode-se esperar um incremento anual da ordem de 1,3% do PIB no nível de investimento.

Fonte: Gazeta do Povo

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