28 fevereiro, 2010

Há 20 anos, o Brasil experimentava a maior inflação mensal da sua história

Em 1987, quando se casou com Glênio Janjar, a professora Edilene teve de encomendar em Porto Alegre parte dos mantimentos para a festa, em Tuparendi. Com o congelamento de preços do Plano Cruzado, no comércio local faltavam enlatados, farinha e açúcar em quantidade suficiente. A conta do casamento foi paga em cruzados, moeda lançada um ano antes para substituir o antigo cruzeiro. Quando deu à luz a filha Cláudia, dois anos depois, as primeiras fraldas foram compradas com cruzados novos, e em grande quantidade: o dinheiro vivo evaporava, obrigando a família, como o resto dos brasileiros, a fazer ranchos e estocar produtos. A inflação chegara ao pico inédito de 82,39% em março de 1990. Com o nascimento da filha, o casal mudou-se para Porto Alegre. Na Capital, Edilene e Glênio começaram a poupar – já em cruzeiros, moeda ressuscitada pelo Plano Collor, em março de 1990 – para comprar o primeiro carro. Levaram dois anos para adquirir uma caminhonete Marajó. Nesse meio tempo, a inflação corroía os ganhos da família a uma taxa de 1.119% ao ano. Cláudia sabe disso tudo de ouvir falar e estudar no colégio. Diferentemente de seus pais, ela não precisa correr para encher o tanque do carro assim que o dinheiro do estágio pinga em sua conta. Nem poupar anos para comprar um bem pelo simples fato de ser inviável comprar a crédito. Muito menos fugir, no supermercado, dos funcionários que remarcam preços, como Edilene cansou de fazer. – Quando víamos um funcionário com a máquina de remarcar na mão na ponta do corredor, corríamos na frente dele para pegar o produto antes que aumentasse – lembra a professora. Durante o verão de 1990, o Brasil teve a maior inflação mensal da sua história – economistas preferem chamar o período de hiperinflação restrita, já que a moeda não foi abandonada, como ocorreu com o austral argentino. Ironicamente, um dos fatores que fez os preços explodirem foi o medo das medidas que o presidente eleito, Fernando Collor, tomaria para derrotar a inflação. Foi como se o doente piorasse de medo do remédio. – Todos esperavam um congelamento de preços e temiam um choque grande. E com razão: além do congelamento, veio o confisco da poupança – diz Robson Gonçalves, professor de economia da Fundação Getulio Vargas. Collor não colaborou para reduzir a confusão que imperava no início de 1990. Declarou que tinha só um tiro para derrubar “o tigre da inflação”. Que a derrotaria com “um golpe de caratê”. O tiro, ou golpe, de Collor jogou o Brasil numa recessão, e a volta do crescimento da economia trouxe de novo o aumento de preços, derrotado de vez apenas em 1994, com o Plano Real. Para Edilene, a hiperinflação mudou o jeito de encarar o dinheiro para sua geração. Enquanto a filha de 20 anos “tem mais facilidade para gastar”, a professora acostumou-se a ser segura com as finanças. Poupar muito, arriscar pouco, comprar já pensando se vai conseguir pagar. Lição que Cláudia, pouco afeita ao crediário, parece ter trazido de casa.

O QUE MUDOU EM 20 ANOS

A estabilidade trazida com o fim da inflação e a desregulamentação da economia alterou radicalmente os hábitos de consumo do brasileiro

Há 20 anos, a hiperinflação tornava um desafio mesmo o mais simples planejamento financeiro de uma família. Por exemplo, o leite com o qual a professora Edilene Janjar complementava a alimentação da filha Cláudia subiu, entre janeiro e março, incríveis 245%. Então com 23 anos, Edilene vivia de uma forma muito diferente de como Cláudia vive hoje. – Não havia no supermercado várias opções para cada produto nem esse monte de supérfluos que tu pões no carrinho por impulso. Mesmo que tivesse, não se fazia isso jamais – diz Edilene. Pequena demais para lembrar dessa época, Cláudia só consegue imaginar o desespero de ter o salário corroído dia após dia. Cresceu vendo os preços dos produtos que planejava adquirir manterem-se estáveis – assim, pôde juntar durante cinco meses os R$ 1,8 mil necessários para comprar um computador sem abrir mão de outros gastos. – É fácil me programar, porque sei o que quero e quanto vai custar daqui a alguns meses – diz ela.

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21 fevereiro, 2010

Paul Krugman: Europa não estava pronta para o Euro

O noticiário do mercado financeiro tem sido dominado atualmente por informações da Grécia e de outros países da periferia europeia. E com razão. Mas tenho me incomodado com notícias que focam quase exclusivamente na dívida e nos déficits europeus, levando à impressão de que tudo se trata de falta de controle dos governos alimentando os argumentos dos falcões do déficit americano, que querem cortar gastos mesmo frente ao desemprego em massa, usando a Grécia como lição prática do que acontecerá se não fizermos os cortes.

A verdade é que a falta de disciplina fiscal não é toda, ou mesmo a principal, fonte dos problemas europeus – nem na Grécia, cujo governo foi realmente irresponsável (e ocultou essa irresponsabilidade com contabilidade criativa). Não, a verdadeira história por trás da bagunça europeia não está na irresponsabilidade política, mas na arrogância das elites – especificamente das elites políticas, que levaram a Europa a adotar uma moeda única muito antes de o continente estar pronto para isso.

Vejamos o caso da Espanha, que às vésperas da crise aparentava ser um modelo fiscal. Sua dívida era baixa – 43% do PIB em 2007, comparada a 66% na Alemanha. Administrava superávit do orçamento. E tinha regulamentação bancária exemplar. Mas com seu clima quente e suas praias, a Espanha era também a Flórida da Europa – e, assim como a Flórida, experimentou um imenso boom imobiliário. O financiamento para esse boom veio em grande parte de fora do país: houve entradas gigantescas de capital do resto da Europa, Alemanha em particular.

O resultado foi crescimento rápido combinado com inflação expressiva: entre 2000 e 2008, os preços dos bens e serviços produzidos na Espanha subiram por volta de 35%, contra apenas 10% na Alemanha. Com custos crescentes, as exportações espanholas ficaram cada vez menos competitivas, mas a oferta de emprego seguiu forte, graças ao boom imobiliário.

E então, a bolha estourou. O desemprego decolou e o orçamento entrou em déficit profundo. Mas o déficit – causado em parte pela forma como a crise diminuiu a renda e em parte pelos gastos de emergência para limitar o dano humano causado por ela – foi um resultado, não a causa, dos problemas espanhóis. E não há muito mais que o governo da Espanha possa fazer para tornar as coisas melhores.

O âmago do problema econômico do país é que os custos e os preços estiveram desalinhados com os do resto da Europa. Se a Espanha ainda tivesse sua antiga moeda, a peseta, poderia remediar esse problema rapidamente com a desvalorização – reduzindo, digamos, o valor da peseta em 20% em relação a outras moedas europeias. Mas a Espanha já não tem seu próprio dinheiro, o que significa que só poderá recuperar a competitividade por meio de um lento processo de deflação.

Agora, se a Espanha fosse um Estado americano, as coisas poderiam não ser tão ruins. Por um lado, custos e preços não teriam saído tanto do controle: a Flórida, entre outras coisas, pôde atrair livremente trabalhadores de outros Estados e manter o custo da mão de obra baixo, e nunca experimentou nada como a inflação relativa espanhola. Por outro lado, a Espanha poderia receber muito apoio direto na crise: o boom imobiliário da Flórida acabou, mas Washington continua enviando os cheques do seguro social e do auxílio saúde.

Mas a Espanha não é um Estado americano, e está em uma grande enrascada. A Grécia tem um problema ainda maior, pois os gregos, ao contrário dos espanhóis, foram realmente irresponsáveis do ponto de vista fiscal. A Grécia, entretanto, é uma pequena economia, cujos problemas importam principalmente porque respingam em economias maiores, como a espanhola. Portanto, é a falta de flexibilidade do euro, não o gasto com o déficit, que está no coração da crise.

Nada disso deveria ser uma surpresa. Muito antes de o euro existir, economistas alertaram que a Europa não estava preparada para uma moeda única. Mas os avisos foram ignorados, e veio a crise.

E agora? Uma ruptura com o euro é quase impensável, por uma questão de praticidade. Como disse Barry Eichengreen, de Berkeley, a tentativa de reintroduzir uma moeda nacional poderia ser o estopim para “a mãe de todas as crises financeiras”. A única saída é seguir em frente: para fazer o euro funcionar, a Europa precisa caminhar muito mais em direção à união política, para que os países europeus comecem a agir mais como os Estados americanos.

Mas isso não vai ocorrer tão cedo. O que provavelmente veremos nos próximos anos será um doloroso processo de avanço a partir dos erros: operações de salvamento acompanhadas de demandas por austeridade feroz, tudo contra um cenário de desemprego muito alto, mantido pela lenta deflação que já mencionei.

É uma perspectiva assustadora. Mas é importante entender a natureza do erro fatal da Europa. Sim, alguns governos foram irresponsáveis. Mas o problema fundamental foi o excesso de confiança, a crença arrogante de que o continente poderia fazer uma moeda única dar certo, apesar das fortes razões para acreditar que não estava pronto.

Tradução: Pedro Moreira

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17 fevereiro, 2010

Campanha da Fraternidade critica o capitalismo

A Campanha da Fraternidade 2010, lançada hoje por um conjunto de igrejas cristãs brasileiras, colocou na mira a economia e o capitalismo. Apesar de afirmarem que não estão propondo um novo modelo econômico, representantes das igrejas criticaram a acumulação de capital e os grandes negócios.


Com o tema "Economia e Vida: Vocês Não Podem Servir a Deus e ao Dinheiro", a campanha deste ano será patrocinada não apenas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tradicional criadora, mas pelas igrejas Episcopal Anglicana do Brasil, Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, Sirian Ortodoxa de Antioquia e Presbiteriana Unida.


"A campanha pretende nos ajudar a reconhecer nossa omissão em relação à injustiça social que causa exclusão e miséria", disse o reverendo Luiz Alberto Barbosa, secretário-geral do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil.


Questionados sobre qual seria esse modelo de economia mais solidário, já que a própria Igreja Católica hoje é proprietária de bancos, empresas e outros negócios, o representante da CNBB, dom José Alberto Moura, presidente da comissão de ecumenismo, afirmou que "a economia não é algo do diabo". "É o modo de usá-la que está em questão. Não criticamos uma ou outra pessoa, mas uma mentalidade de concentração de renda", disse.


O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, destacou que a campanha deve ser, antes de tudo, um apelo à solidariedade dos cristãos para com as pessoas mais pobres. Ele criticou a Teologia da Prosperidade, defendida por grupos evangélicos que dão ênfase ao dinheiro, ensinando que os fiéis devem desfrutar boa situação financeira. "A Teologia da Prosperidade é o oposto do que propõe a Campanha da Fraternidade."


Segundo o cardeal, "a idolatria do dinheiro sacrifica valores éticos, como a partilha dos bens, que devem servir tanto às pessoas como aos países, em defesa da vida na Terra".


Hoje, na Igreja da Sé, ele apelou à generosidade dos católicos ao pedir que contribuam na coleta de ofertas destinadas às vítimas do terremoto do Haiti. O dinheiro arrecadado nas missas de hoje e dos próximos dias será enviado a Porto Príncipe. 
 
Estadão

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15 fevereiro, 2010

Endividamento dos brasileiros bate recorde e chega a R$ 555 bilhões

Dívida média com cartões, cheque especial e empréstimos bancários já equivale a cinco meses de rendimentos

Nunca o brasileiro deveu tanto. Entre cartões de crédito, cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, empréstimos para compra de veículos, imóveis - incluindo os recursos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) -, a dívida das famílias atingiu no fim do ano passado R$ 555 bilhões. O valor é quase 40% da renda anual da população, que engloba a massa nacional de rendimentos do trabalho e os benefícios pagos pela Previdência Social.

"O endividamento do consumidor é recorde", afirma o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. Ele fez um estudo, a pedido do Estado, para medir o grau de endividamento das famílias. Constatou que, se os bancos resolvessem cobrar toda a dívida, levando em conta o empréstimo principal e os juros, de uma só vez, cada brasileiro teria de entregar quase cinco meses de rendimentos.

Em 2008, eram necessários 4,3 meses de rendimentos (salários, aposentadorias e pensões) para quitar os empréstimos. Em dezembro do ano passado o índice subiu para 4,8 meses, a maior relação entre dívida e rendimentos da série histórica iniciada em 2001, quando eram precisos dois meses de rendimentos para pagar os empréstimos. Borges explica que o estudo levou em conta a estimativa da massa de rendimentos nacional, não apenas nas seis regiões metropolitanas, e os benefícios pagos pela Previdência Social.

"Os benefícios pagos pela Previdência respondem por um quarto do total da massa de rendimentos de R$ 1,4 trilhão em 2009", observa o economista, ressaltando a importância da inclusão das pensões e aposentadorias.

RECORDE

Outro estudo, feito pelo consultor Humberto Veiga, da Universidade de Brasília, confirma que o endividamento do brasileiro é recorde, mas com números diferentes. Ele considerou apenas o saldo de empréstimos com recursos livres, isto é, excluiu os empréstimos do SFH e levou em consideração somente a massa de salários das seis regiões metropolitanas do País, deixando de fora os benefícios da Previdência.

Como a base de rendimentos considerada no estudo de Veiga é menor, ou seja, é a massa de salários nas seis regiões metropolitanas, o economista concluiu que o brasileiro encerrou 2009 devendo o equivalente a 10 meses e 20 dias de salário, a maior marca da série iniciada em 2004. Em 2008, a dívida, nessa fórmula de cálculo, era menor: correspondia a 10 meses e 2 dias de salário.

O aumento do endividamento das famílias é apontado também por outro tipo de pesquisa. De acordo com a diretora da Kantar Worldpanel (ex-Latin Panel), Christine Pereira, 65% dos dois mil lares visitados na Grande São Paulo e na Grande Rio pela consultoria tinham algum tipo de financiamento em 2009. No ano anterior, esse índice estava em 60%. Ela observa que, no ano passado, o porcentual de famílias com financiamento era superior a 50% em todos os estratos de renda.

RISCOS

Apesar do endividamento recorde do consumidor, o estudo da LCA mostra que o comprometimento da renda mensal com financiamentos diminuiu nos últimos 12 meses. Em 2008, o gasto com prestações consumia 5,9% da renda mensal e, no fim do ano passado, 15%. O pico do comprometimento da renda com empréstimos foi atingido em 2006, quando as prestações respondiam por 18,2% do orçamento. "De lá para cá houve um alívio", observa Borges.

O economista diz que a chave dessa aparente contradição entre endividamento recorde e menor comprometimento da renda mensal do consumidor é o alongamento dos prazos de pagamento dos financiamentos. De 2006 a 2009, os prazos médios quase que dobraram, passando de 17,3 meses para 31,1 meses. Dois anos e meio é maior prazo médio da série histórica do crédito.

Com mais prazo, ressalta Borges, o consumidor gasta mais com encargos financeiros. "O montante que as famílias estão pagando hoje aos bancos é maior, mesmo com a queda nas taxas de juros ao consumidor nos últimos meses." Um dado que ratifica esse raciocínio é o lucro robusto dos bancos auferido em 2009.

EMPREGO

Para Borges, enquanto o brasileiro continuar empregado - o que, na opinião dele, é o cenário mais provável -, o aumento do grau de endividamento das famílias não necessariamente vai representar elevação da taxa de inadimplência.

Segundo o economista, o risco de alta da inadimplência fica adiado para 2011, quando o emprego e o ritmo de atividade devem crescer mais lentamente.

Mas o indicador antecedente do calote, o Indicador Serasa Experian de Perspectiva de Inadimplência do Consumidor, que aponta a tendência para os próximos seis meses, mostra outra realidade. Pelo quarto mês consecutivo, o indicador subiu em dezembro.

"A inadimplência hoje está em queda, mas vai parar de cair em seis meses", afirma o gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi, com base nos resultados do indicador que leva em conta cerca de uma centena de variáveis.

Ele aponta três razões que sustentam essa previsão de reversão de tendência da inadimplência. A primeira delas é o crescimento acelerado da tomada de crédito por parte das famílias num ritmo superior ao aumento da renda. Outra razão é a corrosão do poder de compra da renda do consumidor, com repique inflacionário neste início de ano.

Por último, Rabi ressalta a elevação do custo dos financiamentos em várias modalidades de crédito. Esse movimento já é nítido em vários estudos que pesquisam as taxas de juros ao consumidor. "O cenário para o segundo semestre deste ano é muito diferente do quadro do segundo semestre de 2009", alerta o economista.

Estado de Sao Paulo

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E quando o cartão não passa? Consumidor não é obrigado a pagar de outra forma se o ’dinheiro eletrônico’ falhar

Estabelecimentos comerciais não podem exigir outra forma de pagamento dos clientes caso o sistema de cartão de débito e crédito esteja indisponível. Esse é o entendimento de especialistas e órgãos de defesa do consumidor.

A preocupação com o funcionamento e manutenção da máquina deve ser exclusiva do estabelecimento e que o consumidor tem direitos que devem ser respeitados.

A radialista Danielle Júlio, de 22 anos, já passou por esse tipo de situação duas vezes e nem sempre soube argumentar em seu favor. “Na hora de sair da balada, fui pagar a conta com o cartão e a máquina apresentou problemas, sendo que eu tinha saldo no banco. Como não tinha dinheiro em mãos, peguei emprestado com minhas amigas, mas morri de vergonha do pessoal da fila.”

A sorte da radialista foi que as amigas estavam presentes e pagaram a comanda dela. Mas como se comportar se o sistema de cartão eletrônico não funciona?

Segundo José Rios, advogado especialista em defesa do consumidor e colunista do JT, o consumidor não é obrigado a pagar com dinheiro, caso não disponha ou mesmo se ele não quiser. Afinal, se a loja ofereceu o serviço de dinheiro eletrônico, a obrigação de encontrar uma solução para o problema é deles e não do cliente.

De acordo com a Redecard, administradora de cartões de débito e crédito, são inúmeros os motivos que podem atrapalhar o funcionamento do sistema, como por exemplo, a infraestrutura do estabelecimento e até o próprio cartão do cliente. A administradora recomenda que, no caso de uma falha, o ideal é que o caixa do local e o gerente chequem as conexões, reiniciem a máquina ou podem até entrar em contato com a credenciadora.

E foi isso que a radialista Danielle fez na segunda vez em que passou por uma situação dessa em restaurante, em São Bernardo do Campo. “Eu sentei e fiz um funcionário testar a máquina diversas vezes. Depois de 30 minutos, o sistema voltou e eu consegui pagar com o cartão.”

Se o estabelecimento pressionar para obter o pagamento, o Procon-SP sugere aos consumidores que nunca deixem documentos ou bens como garantia de que você vai voltar para quitar a conta. Também não devem assinar qualquer tipo de promissória. Do mesmo modo em que você confiou no estabelecimento quando viu a placa ou o adesivo de que aceitava o seu cartão, o restaurante ou loja também tem obrigação de confiar que você vai voltar para quitar a dívida.

“O lojista só fica livre de qualquer prejuízo caso ele avise o cliente previamente de que o sistema está inoperante. Caso contrário, o cliente não é obrigado a pagar o produto ou serviço que adquiriu”, afirma Kássia Correa, advogada da Associação Nacional do Usuários de Cartões de Crédito (Anucc).

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