27 março, 2010

ENTREVISTA DE CELSO FURTADO - TV CULTURA 1997

Entrevista de Celso Furtado para o apresentador Roberto D'Avila do Programa Conexão, da TV Cultura, realizada em Paris no ano de 1997.   




 

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22 março, 2010

Faixa de renda C e D forma nova classe dominante

Em cinco anos, a Grande São Paulo ganhou 1,8 milhão de novos consumidores. Eles hoje integram um grupo que reúne 14,7 milhões de pessoas com renda mensal entre R$ 804 e R$ 4.807: a classe CD a nova classe dominante. Grande responsável por minimizar os efeitos da crise na economia, esse público agora se apresenta como principal aposta para o crescimento das empresas, em especial das micro e pequenas.

De acordo com estudo do Centro de Políticas Sociais da FGV, o desenvolvimento da economia brasileira, a criação de empregos formais e a transferência de renda (impulsionada principalmente por programas como Bolsa-Família) permitiram que uma boa parcela da população ascendesse na escala social e, finalmente, ganhasse o título de consumidor.

São pessoas que possuem poucos bens, algum dinheiro extra e muita vontade de consumir - afinal, elas acabaram de estrear no mundo das compras. Conforme consultores, a classe CD preza bom atendimento, prazos longos para pagamento e informações claras sobre as condições da compra. Segundo a Associação Brasileira das Relações Empresa-Cliente (Abrarec), encabeçam a lista de desejos da nova classe média casa própria, carro, eletrodomésticos e eletrônicos, em especial os celulares.

Gazeta do Povo

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14 março, 2010

Poupança confiscada: desastre bem arquitetado que completa 20 anos



Vinte anos depois, confisco da poupança parece obra de lunáticos. Mas, para alguns economistas, ideia central do Plano Collor fazia sentido

Economistas podem até se referir a ela usando termos como “empréstimo compulsório”, “enxugamento monetário” e “bloqueio de liquidez”. Mas, para a maioria dos brasileiros, a medida anunciada em 16 de março de 1990, um dia após a posse do presidente Fernando Collor, será sempre lembrada como “o confisco da poupança”. O bloqueio temporário das aplicações financeiras – que atingiu também contas correntes, investimentos em renda fixa e outros – completa 20 anos depois de amanhã, e provavelmente continuará sendo, por muitas décadas, a mais desastrada tentativa brasileira de derrotar a inflação. “Depois do Plano Collor, as pessoas passaram a ter mais medo dos pacotes anti-inflacionários do que da própria inflação”, resume o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco.

A estratégia concebida pela equipe da ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, minou a credibilidade das aplicações financeiras. A breve recessão esperada pelo governo transformou-se numa queda de 4,35% do Produto Interno Bruto (PIB), a mais violenta do país no século 20. E nem assim os preços se estabilizaram. A inflação, que naquele março atingiu o recorde histórico de 82,4%, recuou para 7,5% em maio, mas logo depois voltou aos dois dígitos.

“Meu pai tinha recém-comprado um apartamento na planta. O dinheiro para pagar boa parte das prestações estava na poupança, e ficou bloqueado. Hoje ele não quer nem ouvir falar no assunto”, conta o consultor financeiro Raphael Cordeiro. Para o advogado e bancário aposentado Wilson Mugnaini, o trauma foi outro. “A poupança era quase sagrada. Por isso, naquela época confusa, antes da posse do Collor, resolvi abrir cadernetas para mim e para meus três filhos. E, na condição de gerente do Banestado, orientei muitos clientes a fazerem o mesmo. Imagine como me senti quando elas foram bloqueadas.”


O objetivo central do plano era, assumidamente, travar a atividade econômica, ao menos por um tempo. Com o povo sem dinheiro para gastar, os preços parariam de subir e, em seguida, a economia se estabilizaria. “Na essência, um absurdo jurídico e econômico”, diz Gustavo Franco, um dos formuladores do Real – plano que, em 1994, derrotaria a inflação.

Muitos economistas, no entanto, avaliam que o bloqueio fazia sentido naquela época. “A inflação se autoalimentava, porque praticamente tudo era indexado, tinha correção monetária. Isso vinha de muitos anos, e todos os pacotes tinham falhado. Hoje, a ideia do bloqueio parece exótica, mas, para vencer aquela inércia inflacionária, era preciso uma pancada muito forte”, avalia Luiz Afonso Cerqueira, do conselho consultivo do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-PR).

O caos econômico não se resumia à hiperinflação. O país estava em moratória, sem acesso a crédito externo, e suas reservas cambiais eram de quase zero. “Algo muito drástico tinha que ser feito”, defende Eustáquio Reis, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “E o plano foi muito bem arquitetado em sua tentativa de barrar a liquidez do sistema econômico, então absolutamente descontrolada.”
Se o plano era tão bom, o que falhou? A execução, respondem os economistas. “Os bancos ficaram absolutamente travados, e o Banco Central teve de socorrê-los, liberando crédito. E os bancos passaram a refinanciar clientes que tiveram dinheiro bloqueado, de certa forma liberando recursos que deveriam estar esterilizados”, diz Cerqueira.

Reis acrescenta as chamadas “torneirinhas”, canais por onde o dinheiro represado vazou. “Aposentados, pessoas com problemas de saúde e outras conseguiram o direito a sacar o dinheiro bloqueado. Estados e municípios foram autorizados a receber impostos por meio de transferências desse dinheiro. Sem contar a indústria de pequenas fraudes, em que pessoas e empresas repassavam direitos de saque umas às outras. Na prática o bloqueio acabou sendo muito menor que o planejado, limitando o cerco à inflação.”


 Gazeta do Povo, 15 de março de 2010.

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07 março, 2010

A Riqueza das Nações de Adam Smith

A Riqueza das Nações vol.1- Adam Smith                                                                                                                                   


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A Riqueza das Nações vol.2- AdamSmith                                                                                                                                   

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MANUAL DE ECONOMIA: PROFESSORES DA USP

Manual de Economia - Professores Da USP                                                                                                                                   

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seguradoras criam produtos específicos para a classe C

A classe C, a chamada nova classe média, está chamando a atenção de mais um setor pelo qual era antes praticamente ignorada: o de seguros. Empresas correm para lançar novos produtos ou adaptar seguros já existentes a essa camada social. As duas prioridades desse público são os seguros de vida e os de proteção à renda.


“A maior preocupação da classe C é não dar um passo para trás. São pessoas que acabaram de mudar de classe social e não querem perder o que ganharam”, diz Luciano Benício, superintendente de produtos de seguros do Santander.

Assim, os principais seguros voltados à nova classe média buscam proteger a renda do indivíduo ou garantir o conforto da família no caso de algum imprevisto, como a morte do provedor. Para Benício, o primeiro tipo de seguros que esse grupo procura é o de vida. “É um cliente que está começando a dar conforto e segurança para sua família e não quer colocar isso em risco”, diz o executivo.

O HSBC aposta em um tipo de seguro chamado de “amparo familiar” para conquistar a classe C. “São seguros que cobrem morte acidental, invalidez acidental, que oferecem auxílio-funeral para a família. O capital segurado [valor que o seguro paga ao beneficiário em caso de morte ou acidente] não é alto, mas os seguros têm vários serviços”, diz Edson Lara, diretor de produtos do HSBC Seguros.

Espaços alternativos 
De acordo com Gustavo Cunha Mello, sócio da Correcta Seguros, é preciso oferecer os seguros destinados à classe C de forma alternativa, como por agentes treinados por seguradoras que vendem as apólices de porta em porta, em comunidades como a Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.

O Bradesco já oferece um seguro por R$ 3,50 que protege o cidadão contra acidentes pessoais, incluindo balas perdidas. Chamado de Primeira Proteção, o seguro paga aos beneficiários R$ 20 mil em caso de morte acidental do segurado.

Outra forma de oferecer seguros à nova classe média, que nem sempre tem conta em banco, é por meio dos serviços especiais – segundo Mello, é comum que as provedoras de serviço de energia elétrica ofereçam apólices de baixo valor junto com a conta de luz.

O HSBC, por exemplo, distribui os seguros principalmente por meio da Losango, empresa de crédito pessoal do grupo, que tem quiosques espalhados em redes de varejo.

Renda
Segundo Edson Lara, a classe C busca mais aqueles seguros para eventos específicos, principalmente aqueles que protegem a capacidade do segurado de gerar renda para a sua família. Benício, do Santander, concorda: “São pessoas que não têm poupança, gastam tudo o que ganham. Elas querem cobertura imediata da sua renda."

As seguradoras já têm bastante experiência com o chamado seguro prestamista, aquele que é vendido quando a pessoa toma um empréstimo ou outro tipo de crédito e quita a dívida da pessoa em caso de morte, acidente ou desemprego, entre outros eventos, dependendo do seguro.

Mas as empresas vêm inovando nas coberturas. O Santander, por exemplo, tem um seguro que paga um valor diário ao segurado no caso de ele ser internado. O produto é voltado a pessoas sem plano de saúde e a autônomos, que não ganham nos dias em que ficam sem trabalhar.

Já o HSBC tem um seguro contra pane seca e acidentes de carro, voltado a quem não tem um seguro completo do automóvel. No caso de o carro pifar, o segurado é “resgatado” e o carro, guinchado para uma oficina, mas o consertoo fica por conta do dono. Produto semelhante, no Banco do Brasil, é apelidado de "BB Proteção Motorista" (e não ao automóvel) e oferece o mesmo serviço, além de envio de chaveiro e troca de pneus, por R$ 4,99 por mês.
 
Garantia estendida
A aposta do Itaú Seguros é a chamada garantia estendida: ao comprar um eletrodoméstico, o segurado tem, depois do término da garantia do fabricante, mais um ou dois anos de proteção para o caso de o produto quebrar.

O serviço que garante eletrodomésticos também é oferecido pela maioria das redes de varejo, de acordo com o sócio da Correta Seguros, em parceria com diversas seguradoras. Ele classifica o segmento de "microsseguro", e diz que ele pode ser uma "porta de entrada" para apólices mais elaboradas.

Esse tipo de seguro é vendido principalmente através de parcerias do Itaú com varejistas. “A classe C daqui a pouco vai começar a demandar seguros para seus bens. "Esse grupo está começando a comprar bens como casa e carro”, diz Luiz Fernando Butori, diretor de operações de pessoa física do Itaú Seguros.

O executivo diz que o Itaú está preparando um pacote de seguros voltados para a classe C. “Essa é uma oportunidade de focar em inovação. Vamos precisar ser criativos para ‘empacotar’ os seguros de uma forma mais popular”, diz Butori.

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