28 junho, 2010

Derramamento de Oleo: Um desastre esquecido na Nigéria



A explosão de uma plataforma de petróleo nos Estados Unidos deixou muitos habitantes do Delta do Níger, na Nigéria, espantados.
A surpresa, porém, não foi causada pelo acidente em si, mas por sua repercussão no mundo. Há cinco décadas, a regiãodo Rio Níger foi continuamente atingida por milhares de vazamentos, que já despejaram em suas águas quase 550 milhões de galões de petróleo. A cada ano, o equivalente a todo o óleo derramado pelo acidente com o Exxon Valdez, até o mês passado o maior desastre ambiental dos EUA, vazam no Delta. E ninguém faz nada.
 
_ Se o acidente do Golfo ocorresse na Nigéria, nem o governo, nem as empresas dariam muita atenção. Isto acontece o tempo inteiro aqui. Quando vejo os esforços que estão sendo feitos nos EUA, sinto uma grande tristeza por existirem dois pesos e duas medidas. O que é feito nos EUA e na Europa é muito diferente _ lamenta o líder comunitário Williams Mkpa, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

Talvez nenhum outro lugar no planeta tenha sido tão devastado pelo petróleo quanto o Delta do Níger, dizem especialistas. Por isso, os moradores estão incrédulos com a atenção dada a um vazamento a meio mundo de distância, no Golfo do México. Segundo acadêmicos nigerianos, escritores e grupos ambientalistas, as companhias petrolíferas atuam com tanta impunidade e negligência na Nigéria que grande parte da região do Delta _ onde havia peixes, florestas e plantações _ está inutilizada.

A Nigéria produziu mais de 2 milhões de barris de petróleo por dia no ano passado e responde por 10% do produto importado pelos EUA. Há apenas poucas semanas, contaram moradores ao jornal americano The New York Times, um duto estourado pertencente à Shell, em um manguezal, foi finalmente fechado após vazar por dois meses. Agora não existe mais vida em um local de cores preta e marrom, antes repleto de camarões e caranguejos. Não longe dali, ainda há óleo cru de um vazamento de abril no riacho Gio, e, em Akwa Ibom, os pescadores exibem suas redes sujas de petróleo, duplamente inúteis em um mar morto pelo vazamento de um oleoduto da Exxon Mobil em alto-mar, em maio, que durou semanas.

As estimativas existentes são de organizações independentes. É impossível saber quanto petróleo vaza todos os anos no Delta, porque as empresas e o governo nigeriano mantêm os números em segredo. As poucas estatísticas oficiais dão conta de que mais de 7 mil vazamentos foram registrados entre 1970 e 2000. Além disso, há cerca de 2 mil locais atingidos por vazamentos, muitos de décadas atrás, ainda esperando limpeza. Somente a Shell _ a maior petrolífera no Delta _ tem registrados mil casos de vazamentos.

O petróleo vaza de dutos velhos e enferrujados, não fiscalizados pelo que os analistas dizem ser uma regulamentação ineficiente ou conivente, auxiliada por manutenção deficiente e sabotagem. Ao Times, uma porta-voz da Shell alegou que a “grande maioria” dos vazamentos é causada por sabotagem ou roubo, com apenas 2% devido a falha de equipamento ou erro humano. Muitos especialistas e autoridades locais, contudo, ressaltam que as empresas culpam excessivamente a sabotagem para reduzir sua responsabilidade.
 

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13 junho, 2010

Com consumo em alta, faltam latas de cerveja e pneus

Indústrias não conseguem cumprir os prazos de entrega ao varejo por falta de componentes importados

O superaquecimento do consumo, sinalizado pelo crescimento recorde do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, já provoca escassez de produtos. Fabricantes de reboques e semirreboques para transporte rodoviário de carga estão com os pátios cheios de carretas prontas que não podem ser entregues por falta de pneus.

Na Zona Franca de Manaus, as indústrias de televisores e de celulares não conseguem cumprir os prazos de entrega ao varejo por falta de componentes importados. As mercadorias ficam paradas por cerca de nove dias à espera de liberação nos terminais de cargas do aeroporto da cidade, cuja infraestrutura é insuficiente para administrar o aumento no fluxo de cargas, que triplicou nos últimos meses.

Além da quantidade limitada de modelos de TVs, o brasileiro ainda correu risco de ver o copo vazio durante a Copa do Mundo. O forte aumento do consumo de cervejas e refrigerantes este ano, muito acima do esperado, provocou falta de latas de alumínio e rótulos de cerveja no país, obrigando os fabricantes a importar os insumos para atender à demanda doméstica.

Um típico exemplo desse descompasso ocorreu no segmento de pneus de carga (para caminhões e ônibus). Depois de terem desativado parte das linhas de produção desse tipo de pneu no período mais crítico da crise financeira mundial, agora os fabricantes instalados no país não conseguem acompanhar o ritmo acelerado da demanda, que cresceu com o aquecimento da economia brasileira.

Nos primeiros quatro meses de 2010, foram vendidas 16,4 mil carretas, o que representou crescimento de quase 40% em relação a igual período do ano passado, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir). Desde janeiro, o preço do pneu subiu em média 16%.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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10 junho, 2010

Taxa básica de juros tem alta de 0,75%

08 junho, 2010

PIB do 1 º tri cresce 9% na comparação anual, a maior alta em 15 anos

O Produto Interno Bruto (PIB) registrou crescimento de 9% no primeiro trimestre de 2010 ante o mesmo período do ano anterior, segundo divulgou nesta terça-feira, 8, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior alta da série histórica, iniciada em 1995, na comparação com igual trimestre de ano anterior - levando-se em conta todos os trimestres da série. O resultado nesta comparação veio dentro das estimativas do AE Projeções, que variavam de 7,74% a 9,20%, com mediana de 8,55%. Em 12 meses, o PIB acumula alta de 2,4%. 

Na comparação com quarto trimestre de 2009, o PIB apresentou alta de 2,7%, a maior ante trimestre imediatamente anterior desde o primeiro trimestre de 2004 - levando-se em conta todos os trimestres. O resultado também veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (2,20% a 3,10%) e acima da mediana projetada de 2,50%. Ainda segundo o IBGE, o PIB do primeiro trimestre somou R$ 826,4 bilhões. 

A forte expansão no período equivale a um crescimento anualizado de 11,2%, mesmo resultado registrado pela China no trimestre, segundo a BBC. O cálculo é uma projeção de qual seria a expansão do PIB caso o ritmo de crescimento do primeiro trimestre se mantivesse ao longo de um ano. Os economistas lembram, no entanto, que "é improvável" pensar que o PIB continuará crescendo a essa velocidade nos próximos trimestres, já que alguns indicadores, como o da produção industrial, já desaceleraram nos últimos meses.  

A expectativa do mercado, segundo a pesquisa Focus realizada pelo Banco Central junto a instituições financeiras, é de que o PIB deste ano cresça 6,6%, mas algumas instituições já falam em um crescimento de 7,5% em 2010.

Indústria é destaque entre os setores produtivos
O PIB da indústria registrou forte expansão nas duas bases de comparação e ajudou a impulsionar as contas nacionais. O setor cresceu 4,2% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2009, o PIB do setor subiu 14,6%.

O PIB da agropecuária, por sua vez, subiu 2,7% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o quarto trimestre do ano passado. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, a expansão foi de 5,1%.
O PIB de serviços, por fim, registrou expansão de 1,9% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2009, e de 5,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. 

Investimentos têm maior alta desde 1995
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), constituída principalmente por máquinas e equipamentos e pela construção civil, cresceu 7,4% no primeiro trimestre deste ano ante o quarto trimestre do ano passado. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2009, a FBCF subiu 26,0% no primeiro trimestre deste ano, a maior alta da série do IBGE, iniciada em 1995.

Ainda segundo o IBGE, a taxa de investimento (FBCF/PIB) ficou em 18,0% no primeiro trimestre deste ano. No primeiro trimestre do ano passado, a taxa de investimento foi de 16,3%.

Setor externo volta a contribuir negativamente
O forte crescimento das importações fez com que o setor externo, que tinha contribuído positivamente para o resultado do PIB em 2009, tenha voltado a dar uma contribuição negativa no cálculo do Produto, segundo destacou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. As importações entram com sinal negativo nas contas do PIB e cresceram bem acima das exportações no início deste ano.

Segundo o IBGE, as importações de bens e serviços aumentaram 13,1% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009, enquanto as exportações subiram 1,7% no período. Rebeca explica que essa forte expansão das importações reflete o câmbio, o aumento da demanda doméstica e a elevação dos investimentos, que leva à importação de máquinas e equipamentos.

Na comparação com igual trimestre do ano passado, as importações de bens e serviços aumentaram 39,5% no primeiro trimestre de 2010, enquanto as exportações registraram alta de 14,5% no período. 

Consumos das famílias e do governo crescem
O consumo das famílias, principal componente das contas brasileiras pelo lado da demanda, aumentou 1,5% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, houve aumento de 9,3% no consumo das famílias. Em 12 meses até março deste ano, o consumo das famílias acumula alta de 6,0%.

Já o consumo do governo teve alta de 0,9% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009 e subiu 2,0% ante igual trimestre do ano passado. Em 12 meses até março, o consumo do governo acumula alta de 3,1%.

Entenda o que é o PIB
O Produto Interno Bruto representa o total de riquezas produzido num determinado período num país. É o indicador mais usado para medir o tamanho da economia doméstica. No Brasil, o cálculo é realizado pelo IBGE, órgão responsável pelas estatísticas oficiais, vinculado ao Ministério do Planejamento.

O cálculo do PIB leva em conta o acompanhamento de pesquisas setoriais que o próprio IBGE realiza ao longo do ano, em áreas como agricultura, indústrias, construção civil e transporte. O indicador inclui tanto os gastos do governo quanto os das empresas e famílias. Mede também a riqueza produzida pelas exportações e as importações. O IBGE usa ainda dados de fontes complementares, como o Banco Central, Ministério da Fazenda, Agência Nacional de Telecomunicações e Eletrobrás, entre outras.

O PIB pode ser medido de duas formas, para um mesmo resultado. Quando o PIB é analisado pela ótica de quem produz essas riquezas, entram no cálculo os resultados da indústria (que respondem por 30% do total), serviços (65%) e agropecuária (5%). 

Outra maneira de medir o PIB é pela ótica da demanda, ou seja, de quem compra essas riquezas. Nesse caso, são considerados o consumo das famílias (60%), o consumo do governo (20%), os investimentos do governo e de empresas privadas (18%) e a soma das exportações e das importações (2%).

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