31 janeiro, 2011

O teste da cozinha, por Paul Krugman

Tyler Cowen afirma que a mudança tecnológica desde o início da década de 60 não foi algo que transformou tanto a vida das pessoas comuns como as mudanças que ocorreram anteriormente.
Concordo. Há bastante tempo escrevi a respeito usando o exemplo das cozinhas:
Melhor ainda, vamos pensar como uma típica família da classe média vive hoje em comparação com 40 anos atrás – e comparar essas mudanças com os progressos registrados nos 40 anos anteriores.
Ocorre que me tornei um especialista em algumas dessas mudanças, porque vivi numa casa com uma cozinha dos anos 50, que nunca foi modernizada. O refrigerador que não descongela sozinho e o fogão a gás com acendedor manual são bastante deprimentes (alguém conhece um bom técnico?). Mas, apesar de tudo isso, ainda é uma cozinha bem funcional. As famílias não tinham um micro-ondas, passamos dos programas em preto e branco de Sid Caesar para o humor obsceno do The Comedy Channel, mas basicamente elas viviam da mesma maneira como vivemos hoje.
Agora, volte o relógio para mais 38 anos antes, para 1918 – e você vai se encontrar num mundo em que os carros movidos a cavalos é que traziam gelo para a sua geladeira, um mundo não apenas sem TV, mas sem a mídia de massa de qualquer tipo (o rádio começou apenas em 1920). E, naturalmente, em 1918, quase a metade dos americanos ainda vivia em fazendas, muitos sem eletricidade ou água corrente.
Usando qualquer critério razoável, vemos que a mudança em como os Estados Unidos viviam entre 1918 e 1957 foi imensamente maior do que as mudanças entre 1957 e os dias atuais.
Agora, você pode extrapolar: as inovações médicas, em particular, fizeram uma enorme diferença para as vidas de algumas pessoas, a minha inclusive (tenho um tipo de artrite que nos anos 50 teria me paralisado, o que ocorreu de fato durante 20 anos até que fui adequadamente diagnosticado, mas pouco afeta minha vida hoje, graças aos modernos anti-inflamatórios). Mas a ideia geral de que o futuro não é o que se costumava imaginar parece correta.

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/paul-krugman/2011/01/31/o-teste-da-cozinha/

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20 janeiro, 2011

Conquistas das categorias de base da dupla GRENAL. Liderança Colorada

Acompanhei na terça dia 18 uma tuitada do Zé Alberto Andrade sobre as categorias de base da dupla.
Na ocasião o Internacional estava classificado para as quartas da Taça São Paulo e na busca do quinto caneco. Lá o renomado reporter postou "que em outras competições de base como Brasileiro sub-20 ou Taça BH o Grêmio equilibra, ou até supera o Inter, mas na Copinha não".

Nesse clima de Efipan, Copa Santiago, Copa São Paulo, Pré-olímpico, confesso que fiquei com a pulga atrás da orelha e fui pesquisar as conquistas da dupla nas categorias de base, pois sempre tive em mente que os times de pratas da casa do Beira-Rio haviam erguido mais taças.

Após feito o levantamento, seguem os dados.

PS: Torneios internacionais não foram computados.
PS2: Competições nacionais na qual a dupla é convidada esporadicamente ou de pequena relevância não fazem parte dessa contagem.
PS3: Os dados da pesquisa não contemplam o ano de 2011 ( pois muitas competições estão sendo disputadas agora em Janeiro).
PS4: Segundo o site Olheiros.Net em 2010 o Internacional ampliou a liderança no Ranking de Categorias de base ( http://www.olheiros.net/app/webroot/datafiles/editor/images/Ranking-Olheiros-2010-dez-1+(1).jpg)

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19 janeiro, 2011

Merkel defende maior coordenação econômica na Europa

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou em entrevista à revista Stern que os governos da União Europeia deveriam trabalhar de forma mais próxima em assuntos como impostos, mercado de trabalho e outras políticas econômicas. A cooperação, no entanto, não deveria ser limitada à zona do euro - que reúne atualmente os 17 países que utilizam o euro como moeda. 

"O que nós estamos negociando deveria ser aberto a todos os países que querem participar", disse a chanceler. Disparidades nas políticas fiscal e econômica de países europeus são uma importante causa da crise de dívida da zona do euro, segundo economistas. 

Na entrevista, Merkel combateu especulações de que o crescimento da Europa poderá seguir em dois caminhos, com países fiscalmente saudáveis como a Alemanha prosperando enquanto economias mais problemáticas como Grécia e Portugal enfrentam dificuldades para encontrar estratégias de crescimento bem sucedidas. 

Questionada se esse é o caminho que a Europa está seguindo, Merkel afirmou que "para a Alemanha, muito claramente, não". "Além disso, as relações na Europa não são assim tão 'preto e branco'", acrescentou.

Época

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18 janeiro, 2011

Roosevelt lidera lista britânica de melhores presidentes dos EUA

Franklin Delano Roosevelt está no topo da primeira pesquisa feita com acadêmicos britânicos sobre o desempenho de 40 presidentes americanos desde George Washington. 

Reprodução
Roosevelt governou os EUA por 12 anos e comandou o país durante a Segunda Guerra Mundial
 
Barack Obama não foi incluído na pesquisa, mas um levantamento interino indica que ele figuraria entre as dez primeiras posições. George W. Bush está entre os dez piores colocados, no 31° lugar. 

A pesquisa, conduzida pelo Instituto para Estudo das Américas da University of London, é a primeira do gênero feita fora dos EUA. Participaram 47 acadêmicos especializados em História e políticas dos EUA no levantamento. 

Eles avaliaram o desempenho de cada presidente entre 1789 e 2009 (exceto Henry Harrison e James Garfield, que morreram pouco depois de assumir o cargo) em cinco categorias - visão/implementação de uma agenda política; liderança doméstica; liderança nas relações exteriores; autoridade moral; e significância histórica positiva de seu legado. 

Os participantes deram notas de 1 (ineficiente) a 10 (muito eficiente) para cada um dos líderes americanos.

Desempenhos
Franklin D. Roosevelt (1933 a 1945) ficou em primeiro em três categorias: visão/implementação de uma agenda política, liderança doméstica e liderança nas relações exteriores. George Washington (1789-1797) foi o que mais pontuou em autoridade moral e Abraham Lincoln (1861-1865) foi o líder na categoria significância histórica positiva de seu legado. 

Apenas um presidente que ocupou o cargo após 1960, Ronald Reagan (1981-1989), figurou entre as dez primeiras posições. 

Levantamentos americanos geralmente colocam Lincoln no topo por seu desempenho como líder durante a Guerra Civil e abolindo a escravidão. Washington frequentemente fica em segundo lugar por ter estabelecido a autoridade do presidente. 

Mas acadêmicos britânicos valorizaram os desafios enfrentados por Franklin D. Roosevelt durante a Grande Depressão da década de 1930 e a Segunda Guerra Mundial, incluindo a importância do New Deal - série de programas econômicos implementados no país durante os anos 30. 

É possível que o desempenho de Roosevelt tenha sido mais valorizado pelo fato de a pesquisa ter sido conduzida em 2010, em meio a mais grave crise econômica desde os anos 1930. 

John F. Kennedy (1961-1963), classificado em sexto em alguns levantamentos americanos recentes, ficou na 15ª posição na pesquisa atual. Acadêmicos britânicos parecem ter responsabilizado Kennedy pela diferença entre sua retórica e as conquistas durante seu mandato. 

Bill Clinton (1993-2001), ficou em 19° lugar, possivelmente por ter pontuado pouco no quesito autoridade moral. Seu legado econômico parece menos robusto, dez anos após deixar o cargo. 

Expectativas
Tanto acadêmicos americanos como britânicos são influenciados pelos tempos atuais. As paixões do presente podem ter determinado a baixa colocação de George W. Bush, por causa de seu envolvimento no Iraque, mas ficar entre os dez piores subestima a força de visão/implementação de uma agenda política. 

Da mesma forma, a 8ª posição (interina) de Obama reflete suas conquistas legislativas e a importância simbólica de ser o primeiro presidente negro, embora é bom notar que nenhum presidente entre os dez primeiros da pesquisa britânica tenha deixado de ser reeleito para um segundo mandato. 

Uma similaridade nas pesquisas americanas e esta britânica está no mal posicionamento dos presidentes mais contemporâneos e o bom desempenho dos mandatários mais antigos. 

Dos cinco presidentes que comandaram o país entre 1977 e 2009, nenhum, exceto Reagan, está entre os 15 primeiros da lista. Em contrapartida, todos os cinco primeiros presidentes estão entre os 15 melhores colocados.

06 janeiro, 2011

Africa's impressive growth

Africa is now one of the world’s fastest-growing regions

MUCH has been written about the rise of the BRICs and Asia’s impressive economic performance. But an analysis by The Economist finds that over the ten years to 2010, six of the world’s ten fastest-growing economies were in sub-Saharan Africa. On IMF forecasts Africa will grab seven of the top ten places over the next five years (our ranking excludes countries with a population of less than 10m as well as Iraq and Afghanistan, which could both rebound strongly in the years ahead). Over the past decade the simple unweighted average of countries’ growth rates was virtually identical in Africa and Asia. Over the next five years Africa is likely to take the lead. In other words, the average African economy will outpace its Asian counterpart.


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05 janeiro, 2011

Apesar de otimista, Conceição alerta para perigo de desindustrialização



A economista mais conhecida do Brasil, a portuguesa Maria da Conceição Tavares, espera uma administração Dilma Rousseff bem diferente da de Lula. "Dilma não se parece com o Lula. Ela tem perfil de gerente, enquanto Lula usa a habilidade política para fazer ziguezagues. Ela deve ter uma linha mais reta de tocar o governo". Na visão de Conceição, o caráter gerencial da presidente da República não é uma qualidade negativa, pelo contrário. "Ela não brinca em serviço e não vai deixar ninguém pisar em ramo verde", diz, usando uma expressão bem lusitana.

A reportagem é de Vera Saavedra Durão e publicada pelo jornal Valor, 05-01-2011.

Conceição, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acha difícil prever como Dilma se comportará politicamente, mas crê que a presidente não terá dificuldades em lidar com o ministério e nem mesmo com o Congresso, onde a oposição perdeu terreno. "Ela vai saber 'apertar os cravos' [dos ministros e dos políticos] devagarinho e na hora certa."

Ela não está pessimista em relação ao novo governo, mas ressalta duas preocupações que constituem desafios no curto e longo prazos, na sua opinião.
No curto prazo, ela chama a atenção para a concorrência internacional desvairada no pós-crise, com forte impacto sobre a balança comercial do país. "A questão envolve a necessidade da adoção de uma nova política de substituição de importação para frear a desindustrialização de setores da economia nacional", recomenda. A nova política passaria a exigir das multinacionais maiores índices de nacionalização na indústria de partes, peças e componentes, principalmente dos setores automotivo e eletroeletrônico.

No plano social, de mais longo prazo, Conceição torce para a presidente criar um fundo com recursos do pré-sal para federalizar as políticas públicas universais mais importantes de educação e saúde. "Não basta procurar erradicar a miséria. Sem avanço na educação e na saúde continuaremos subdesenvolvidos", adverte.
A economista acredita que 2011 será um ano difícil, dada a situação europeia, que representa um terço do comércio exterior brasileiro. "Não temos só o dólar desvalorizando. Há várias moedas com tendência a desvalorização, do euro ao yuan, o que aumenta brutalmente a concorrência externa , principalmente quanto temos o real sobrevalorizado."

Nesse contexto, a estagnação da economia americana não deve afetar tanto o Brasil, mas prejudica o país, porque pode levá-lo a ficar muito dependente da Ásia. "Se continuarmos dependentes da Ásia [com destaque para a China], vamos continuar com a balança comercial ligada ao primário exportador. Não é legal ficar dependente de um único continente, sobretudo um país global como o nosso", avalia Conceição.

"O novo governo tem que preparar a indústria para enfrentar os dumpings que protegem as indústrias dos países desenvolvidos, além da formação de uma cadeia asiática de integração das indústrias da China, Japão, Índia e Coreia do Sul, todas dominando alta tecnologia e dispostas a invadir o planeta com seus produtos. A América Latina não dispõe de tecnologia para enfrentar os asiáticos. É preciso avançar também na inovação."

A chegada de multinacionais de todas as origens e procedências no Brasil, inclusive chinesas, tem disseminado a instalação no país de verdadeiras linhas de montagem dependentes de importação de peças, partes e componentes, denuncia Conceição. O Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria (Mdic), pasta para a qual foi nomeado Fernando Pimentel ["um economista muito capaz"], deve agir para conter esse processo agravado com o câmbio atual. "Não basta os juros caírem para reduzir a entrada de dólares especulativos. A coisa é mais complexa."

Ela vê necessidade de o governo regular alguns procedimentos das multinacionais no balanço de pagamentos, onde o elo mais fraco é a balança comercial. "A remessa exagerada de lucros e dividendos [que cresce brutalmente] fragiliza muito o balanço de pagamentos. O governo deveria elevar a tributação do Imposto de Renda sobre essas operações para coibir abusos das empresas estrangeiras", sugere.

O controle de capitais é um instrumento que deve continuar a ser usado para pôr fim à entrada desenfreada do dinheiro especulativo, afirma a economista. "Temos dólar sobrando e as reservas têm custo. O próprio FMI reconhece hoje as benesses dessas medidas de controle, seja taxando o dinheiro na entrada ou adotando a quarentena." Ela prega ação conjunta da Fazenda e do Mdic para colocar as contas externas no rumo do equilíbrio e restaurar a competitividade dos produtos nacionais.

Ela não espera que Dilma promova um arrocho fiscal. Também não vê a política monetária afrouxando do dia para a noite. "É possível que o juro básico não baixe muito este ano, por causa da pressão inflacionária. Não vejo, porém, a inflação disparando, pois há deflação na maioria dos países . O choque de preços de alimentos é sazonal. E é de custo. O Brasil não tem inflação de demanda." No médio prazo, ela aposta que a Selic vai recuperar a trajetória de queda, como é a vontade da presidente.

Conceição faz coro à maioria dos economistas, que espera um Brasil crescendo menos em 2011. "Se a Dilma conseguir manter a economia crescendo 5% ao ano, está muito bom", diz ela.

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