27 março, 2011

Universidade privada perde alunos

Depois de anos de crescimento contínuo, instituições amargaram queda de 11% no número de ingressos em 2009. Públicas experimentam período de expansão 

Pela primeira vez desde o início dos anos 2000, o número de novos alunos em cursos presenciais nas instituições privadas de ensino superior do Brasil caiu. Passou de 1.521.191, em 2008, para 1.353.479, em 2009 – uma redução de 11%. Já os ingressos nas faculdades e universidades públicas do país apresentaram crescimento de 7,5%: eram 352.615 e passaram para 379.134 – como reflexo da política de expansão da rede federal. Os números fazem parte do censo do ensino superior de 2009, divulgado em janeiro passado.

Dois fatores principais determinaram a queda no total de calouros das instituições privadas, segundo o analista Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp (sindicato que representa a rede particular de São Paulo). “A saturação da área vem sendo observada desde 2002, quando desacelerou o ritmo de crescimento das matrículas na rede privada. E a crise econômica de 2008 fez com que muita gente adiasse os planos de entrar numa universidade paga.”



A essas duas causas o professor Paulo Speller, conselheiro do Conselho Nacional de Educação, acrescenta a baixa qualidade de parte das faculdades privadas e o aumento de vagas na rede pública federal de universidades. “Quem tem oportunidade opta pela instituição pública.”

A redução de calouros ficou concentrada nas instituições comunitárias, confessionais e filantrópicas, ou seja, as universidades. Isso ocorreu, conforme Capelato, porque essas entidades têm uma oferta maior de cursos, alguns com alto custo, porque necessitam de laboratórios e de uma estrutura mais cara. Já as instituições classificadas como particulares, que na maioria são faculdades, oferecem muitas graduações de baixo custo, como Pedagogia e Administração, e, por isso, sentiram menos os efeitos da crise.

Exclusão
Em 2009, nem metade das vagas ofertadas pelas instituições particulares de ensino superior foi preenchida (foram abertas quase 2,8 milhões de vagas e só 1,2 milhão foram ocupadas). “Não há como negar que nos últimos anos a oferta tem sido maior que a procura, mas não por falta de gente em condições de entrar no ensino superior”, ressalta Capelato. O Brasil é um dos países que mais exclui o jovem da faculdade. Só 12% dos jovens na faixa dos 18 a 24 anos estão no ensino superior. “Essa taxa é bem superior até em países como Argentina e Chile, em que chega a 40%. A grande dificuldade aqui é a falta de dinheiro e o ProUni [programa que oferta bolsas parciais e integrais em escolas particulares] não atende todo mundo.”

Segundo o especialista, porém, em 2010 o total de ingressos nas faculdades e universidades privadas já teve uma recuperação – as instituições projetam um crescimento de quase 5% no número de matrículas. Esse avanço deve aparecer no próximo censo, previsto para ser divulgado entre o fim deste ano e o início de 2012.

Públicas
O crescimento médio de ingressos no ensino superior brasileiro foi de 44% no período de 2001 a 2009, conforme mostram os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela coleta e processamento dos dados dos censos educacionais. No geral, as instituições públicas (que incluem entidades federais e estaduais) tiveram um crescimento abaixo desta média (38%), mas as universidades federais isoladamente tiveram um desempenho superior no período: o número de calouros cresceu 61%.

O crescimento foi contínuo e lento, com alguns picos. Ao todo, foram criadas 104.318 novas vagas no país. Quase metade delas (45.538) foi aberta em 2002, último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso. Depois disso, os anos em que mais foram abertas vagas foram 2004 e 2009.

Para Speller, esse crescimento foi importante, mas não suficiente. “O quadro ainda está muito aquém da necessidade do país. Mas a expansão também não pode ser tão grande e rápida quanto se espera porque o modelo da rede federal é mais complexo, já que as instituições são mais bem estruturadas e exige-se um investimento maior para manter o aluno.” Ele defende que o país está no caminho certo e que precisa avançar na educação universitária, mas também melhorar seu ensino básico. “Hoje o próprio processo econômico exige a formação de profissionais com qualidade e em número suficiente para sustentar o crescimento do país.”

Tão importante quanto a expansão de vagas na rede pública, segundo o especialista, é a mudança de perfil que essas instituições têm experimentado nos últimos anos. Ele lembra que, historicamente, as universidades federais existiam para atender às elites, formando os líderes que a sociedade precisava. Nos últimos anos, no entanto, essa vocação começou a ser mudada com a adoção de novas políticas, como a criação de número maior de turmas noturnas, o ingresso pelo sistema de cotas e com a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).


Estaduais vivem década de estagnação no PR
De 2008 para 2009, o número de calouros nos cursos presenciais das instituições estaduais e municipais de ensino superior caiu. Nas estaduais o número passou de 126.820 para 120.351 e nas municipais, de 39.752 para 35.159. Segundo o Ministério da Educação, a queda ocorreu porque 32 instituições, que até 2008 eram classificadas como estaduais, foram enquadradas no Censo 2009 como privadas, pois cobravam matrículas. Entretanto, se for considerado o quadro desde 2001, houve aumento de quase 14 mil ingressos nas estaduais e 5,8 mil nas municipais.

No Paraná, embora o número de calouros nas universidades estaduais tenha sido maior em 2009 (19.496) em comparação com o ano anterior (17.937), o estado apenas recuperou um patamar antigo. Desde 2002, o número está estagnado na casa dos 19 mil ingressos. E, ao menos ao médio prazo, esse quadro não deve sofrer alteração.

Segundo o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), professor Alípio Leal, o estado não tem planos para ampliar o número de cursos e vagas. “Em tese, as universidades têm autonomia para fazer isso, mas a questão está vinculada à existência de recursos financeiros e humanos e não temos orçamento disponível. O governo anterior cortou recursos das universidades e agora a nossa prioridade é recompor o orçamento e repor o quadro de professores e funcionários que ficou defasado ao longo dos anos.” Alípio diz que qualquer ampliação no ensino superior depende de uma decisão conjunta de governo, já que isso implicaria em contratações e o estado já está no limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. “Além do mais, é bom que se diga que ensino superior é atribuição da União.”

Tendência
Já entre as federais, o Paraná acompanhou a tendência nacional: desde 2001 o número de ingressos vem subindo de forma lenta – o número era de 7.401, em 2001, e passou para 11.925, em 2009. O maior salto ocorreu justamente em 2009 (2.195 novos alunos). Somente na Universidade Federal do Paraná, foram criadas 1,1 mil vagas neste ano, por meio da abertura de novas turmas e cursos.

Um dos cursos criados foi Tecnologia em Produção Cênica, que forma a sua primeira turma em dezembro. O objetivo da graduação, segundo o coordenador Allan Valenza Silveira, é formar produtores culturais. “Havia uma lacuna nessa área. O nosso é um dos primeiros cursos da área no Brasil. Esperamos que ele leve a uma maior profissionalização da atividade”, comentou. Atualmente, o curso tem 100 alunos. O perfil dos estudantes é variado: uma parte recém saiu do ensino médio, outros procuram o curso como segunda graduação para que possam atuar na área e há aqueles que já trabalham com produção, mas não tinham formação superior.

Com relação ao mercado de trabalho que esses profissionais devem encontrar, o professor é reticente. “Não temos profissionais formados na área. Nossos alunos serão os desbravadores. Mas as chances deles são boas, já que o curso oferece uma boa formação, enfocando tanto a parte artística como a do negócio da produção teatral.” (AM)

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15 março, 2011

EFEITO JAPÃO SE ESPALHA NA ECONOMIA

MERCADO FAZ CONTA COM A TRAGÉDIA NO JAPÃO



A paralisação de boa parte da máquina produtiva do Japão, a terceira economia mundial, espalha dificuldades para toda a rede integrada de fabricação regional asiática, em uma cadeia de consequências que atinge o Brasil. Com a destruição assustadora do nordeste do país, o perigo de mais vazamentos radioativos na usina nuclear atingida pelo terremoto e sem perspectiva de regularização do fornecimento de energia por várias semanas, a Sony, maior exportadora japonesa de eletrônicos de consumo, suspendeu a operação de dez fábricas. A Toyota, maior montadora do mundo, fez o mesmo com suas 12 unidades. Automóveis, autopeças e material eletroeletrônico predominam na pauta de vendas do Japão para o Brasil. O país é o maior exportador de autopeças para o Brasil - US$ 1,84 bilhão, ou 14% de todas as importações de componentes automotivos. As subsidiárias de suas montadoras - Honda, Mitsubishi, Toyota e Nissan - são as mais dependentes de peças e podem sofrer interrupção em suas linhas de montagem. O efeito sobre a produção brasileira de eletroeletrônicos não deve ser grande, pois ela pode ser abastecida com insumos fabricados em outros locais da Ásia. Por outro lado, os japoneses são um dos principais compradores do minério de ferro do Brasil - em 2010, consumiram US$ 3,27 bilhões.
Todo o comércio será afetado de imediato, pois a infraestrutura japonesa sofreu abalos consideráveis e os portos do nordeste foram destruídos. E com fábricas paralisadas, o desembarque de encomendas tende a ser um problema a mais para as empresas japonesas. "Num primeiro momento deve acontecer a suspensão de contratos, depois o cancelamento de alguns", prevê José Augusto de Castro, vice-presidente da Asso- ciação de Comércio Exterior do Brasil.

Não existem dúvidas de que o terremoto e o tsunami no Japão são tragédias gigantescas para a população japonesa e para o mundo. No entanto, o mercado vive de oportunidades e o que se vê é que essa catástrofe pode abrir algumas boas alternativas, pelo menos na Bovespa.

Os analistas acreditam que as principais beneficiadas devem ser as empresas que, de alguma forma, podem contribuir para a reconstrução do país. Nessa linha de raciocínio, as siderúrgicas devem ser as maiores ganhadoras. Isso explica, inclusive, a valorização desses papéis na sexta-feira e ontem.

As notícias dão conta de que as cinco principais siderúrgicas japonesas (Muroran e Kimitsu, da Nippon Steel; Chiba e Keihin, da JFE Holding; e Kashima, da Sumitomo Metal Industries) paralisaram ou reduziram significativamente a produção.

O chefe de análise da corretora SLW, Pedro Galdi, lembra que, além de ter que importar aço de outros países, o Japão provavelmente deixará de exportar, o que deve causar um equilíbrio entre oferta e demanda e contribuir para um aumento nos preços da commodity no mercado internacional.

"As siderúrgicas brasileiras devem ganhar mais com a melhora do cenário para o aço do que propriamente com a exportação para o Japão, já que, por uma questão de logística, o país deve importar muito mais de outras siderúrgicas asiáticas", explica.
Produtoras de commodities serão as mais beneficiadas
Já sobre a Vale, existe uma discussão de como ela deve ficar com a tragédia. Galdi lembra que, num primeiro momento, a mineradora perderia, já que 11% do seu faturamento vem das exportações para as siderúrgicas japonesas, sendo que algumas estão parando suas operações. Ele acredita, no entanto, que a Vale deve ganhar vendendo minério de ferro para as outras siderúrgicas que precisarão produzir mais do que nunca para bancar a reconstrução do país.

Na visão economista-chefe da Way Investimentos, professor de finanças da ESPM-RJ e do Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo, esse possível crescimento nas vendas pode deixar em segundo plano problemas que pairam hoje sobre as ações da Vale. "Existe uma nuvem negra em cima da companhia, por causa das questões dos royalties e pelas incertezas sobre a possível saída de Roger Agnelli", lembra o professor.

A outra gigante do mercado brasileiro, a Petrobras, também pode ganhar com a tragédia japonesa, acredita Espírito Santo. Os problemas nas usinas nucleares, com a possibilidade de vazamentos, deve provocar falta de energia, se refletindo sobre o preço do petróleo. Junte-se a isso os conflitos no Oriente Médio e no norte da África, que já estão pressionando o preço da commodity.

Galdi, da SLW, também acredita que empresas de alimentos, como Brasil Foods, Marfrig e JBS, também devem ganhar com a exportação para o Japão". O país precisará de tudo um pouco para se reerguer, de comida à matéria-prima para construir casas, ruas, estradas etc." Ele cita as produtoras de madeira, como a Duratex.

Fonte: Valor Econômico - 15/03/2011

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13 março, 2011

O Brasil investe mais


As empresas brasileiras vão desembolsar R$ 3,3 trilhões em projetos produtivos até 2014. Essa montanha de dinheiro será aplicada em novas fábricas, obras de infraestrutura, transporte e usinas energéticas, entre outros. saiba o que vem por aí.

O ano de 2010 deu às empresas brasileiras o gostinho do que pode ser um ciclo vigoroso e continuado de expansão da economia pelos próximos anos. O crescimento de 7,5% do PIB registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi suficiente para que as companhias ganhassem confiança na capacidade do País de superar crises e programassem investimentos ambiciosos. 
A despeito de uma redução do ritmo de crescimento neste ano, nunca se investiu tanto no setor produtivo no Brasil como agora, ao menos em termos absolutos. Recursos anuais da ordem de R$ 825 bilhões vão movimentar a economia até 2014, como mostra uma projeção divulgada no final de fevereiro pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Um levantamento da agência de risco Austin Ratings mostra que o Brasil superou o investimento de meio trilhão de reais ao ano, a valores presentes, apenas quatro vezes na sua história: em 1989, 2006, 2007 e 2008 – três anos atrás o País investiu o equivalente a R$ 587 bilhões, o máximo registrado até hoje. 

Consolidados, os investimentos previstos pelo banco de fomento nos próximos quatro anos resultam numa dinheirama de R$ 3,3 trilhões, que  será empregada na  ampliação de fábricas, expansão de unidades de negócios,  extensão de rodovias, construção de infraestrutura logística e de transportes, portos, estádios e usinas hidrelétricas e eólicas,  entre outros. 

Essa montanha de dinheiro representa mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2009, e um pouco menos do que o PIB de 2010, que fechou em R$ 3,67 trilhões. É como se tudo o que o País produziu de riquezas num único ano fosse transformado em investimento produtivo. 

Os exemplos práticos mostram que não se trata de otimismo “oficial” de um banco público, nem tampouco mera manutenção de operações existentes. É mais dinheiro novo para projetos de expansão  (leia destaques). Senão vejamos. 

A estatal Petrobras, maior empresa brasileira,  e a Vale, a número 1 do setor privado, vão investir, respectivamente, R$ 93 bilhões e US$ 24 bilhões neste ano. A Braskem, o braço petroquímico do grupo baiano Odebrecht, colocará R$ 1,6 bilhão na cadeia petroquímica até dezembro – especialmente para a produção de plásticos verdes, derivados da cana-de-açúcar. 





A Duratex, que concentra os negócios industriais do grupo Itaú,  investirá cerca de R$ 1,2 bilhão até o ano que vem. Outras empresas já traçam planos para um cenário um pouco mais longo. A gaúcha Gerdau, por exemplo,  anunciou que investirá R$ 10,8 bilhões até 2015, dos quais 75% destinados a suas operações no Brasil. 

A Galvão Energia gastará  em torno de R$ 2 bilhões em seu projeto de implantação de usinas de energia eólica num prazo de cinco a sete anos. Ao mesmo tempo, a indústria de cimento começa a erguer novas plantas para alcançar a produção de 107 milhões de toneladas em 2015, 70% a mais do que a capacidade atual. Para se ter uma ideia, uma unidade fabril para produzir um milhão de toneladas de cimento pode consumir até US$ 250 milhões. 

A avaliação de especialistas é que tudo só tende a ficar melhor. “A tendência daqui em diante é de que o volume de investimentos se acentue”, diz o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. 

O segmento de máquinas e equipamentos, por exemplo, aproveita o bom momento e a taxa de câmbio favorável (em torno de R$ 1,65) para se modernizar e atender ao setor produtivo. Serão R$ 4,8 bilhões desembolsados em 2011, quase 20% a mais do que no ano passado. 

Esses números vistosos representam uma pá de cal sobre uma certa visão catastrófica, que vem grassando em certos setores da academia e mesmo em parcelas do empresariado nos últimos anos, traduzida na tese da desindustrialização do País, em decorrência do crescimento recente mais acentuado das importações. 

Certamente não será para se instalar em Honduras ou no Paraguai que os empresários brasileiros se dispõem  a aumentar em quase 60% o volume de investimentos previstos para o setor industrial entre 2011 e 2014, de acordo com o levantamento do BNDES. Nesse período, prevê o banco, os desembolsos na indústria brasileira devem chegar a R$ 614 bilhões, contra R$ 387 bilhões nos quatro anos anteriores. 


“Não nego que haja risco quando aumentam as importações, mas, diante desses investimentos, a desindustrialização não tem a menor possibilidade de ocorrer”, afirma o professor Fernando Sarti, do Núcleo de Economia Industrial e de Tecnologia da Universidade de Campinas (Unicamp).

Para Sarti, a retomada de investimentos depois da crise de 2009 guardou as mesmas características do período que a antecedeu. “Mais importante que a quantidade de dinheiro em jogo é o fato de a expansão da economia vir novamente sustentada em cima do investimento”, diz Sarti. 

A formação bruta de capital fixo, que é o conceito formal para a taxa de investimentos – engloba tanto projetos de expansão das empresas quanto a compra de máquinas e equipamentos –, cresceu 21,8% no ano passado, segundo o IBGE. O consumo das famílias, por outro lado, aumentou 7% sobre 2009. 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que em 2011 a formação bruta de capital crescerá outros 15%. Até mesmo as projeções mais pessimistas mostram um cenário favorável aos negócios neste ano, afirma Agostini. “Expansão de 4% do PIB ainda é muito positivo, pois crescerá em cima de uma taxa muito  robusta”, afirma. A expectativa do mercado financeiro é de uma expansão de 4,3% para o PIB este ano, mas o governo acredita em 5%. 


Positivo em termos gerais, esse cenário nada tem de idílico, porém. Há obstáculos no caminho a serem ultrapassados. Embora a economia real mostre um panorama otimista, os dados do IBGE revelam também que, em termos relativos, o Brasil ainda não conseguiu quebrar a barreira psicológica dos 20% de taxa de investimento em relação ao PIB. 

Em 2010, a proporção ficou em 18,4%. O último ano em que o País superou a marca de 20% foi em 1994. Antes disso, somente entre 1986 e 1990, nos anos de ouro do milagre econômico (1971 a 1982), durante o período da ditadura militar, e em 1913. China e Índia, por exemplo, investem cerca de 40% do PIB, e a Coreia do Sul, 30%. 

O que favorece o cenário nacional neste momento, avaliam os especialistas, é que as oportunidades superam os riscos. “Do ponto de vista das oportunidades não há por que esse ciclo de investimentos recuar”, diz o professor Sarti, da Unicamp. 

Ele cita, como exemplos a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, além, claro, dos investimentos na exploração do pré-sal. Na opinião de Sarti, as notícias são boas, mesmo com todos os riscos associados. “Por mais que aeroportos e estádios estejam atrasados, algumas decisões estão sendo tomadas”, afirma. “Pode não ser com a qualidade que sonhamos, mas certamente a programação dos eventos é um elemento que contribui para os investimentos.”

O desafio do atual governo, contudo, é  manter as condições macroeconômicas para que o País não desafine e  perca o ritmo dos negócios. “Olhamos para o futuro com cautela”, diz José Otávio Carvalho, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), mesmo com a expectativa de crescimento de 70% da produção nos próximos quatro anos. 


O chefe de pesquisa do BNDES, Fernando Puga, alerta que é preciso trabalhar pela estabilidade dos indicadores atuais para manter o otimismo dos empresários. Mas argumenta que há anos o Brasil não entrava com projetos de investimentos encorpados  como agora. 

“Há questões que preocupam, como o cenário externo para as empresas voltadas ao comércio exterior, mas o importante é que estamos na direção correta”, diz Puga, lembrando que as enormes carências em infraestrutura no Brasil começaram a ser atendidas. Sarti, da Unicamp, lembra que  marolas fazem parte da história brasileira e que o País já mudou de status. “As dores de crescimento são melhores que a tranquilidade da recessão”, afirma ele. 


A aposta da Duratex 

Aproveitando o baixo endividamento e a oferta de crédito abundante, especialmente do BNDES, a Duratex, controlada pela Itaúsa, a holding que também é dona do Itaú Unibanco, vai investir R$ 1,2 bilhão nos próximos dois anos. Serão R$ 600 milhões por ano na ampliação e na modernização das unidades produtivas. 


O principal investimento de 2010 foi a aquisição da empresa paraibana Elizabeth Louças Sanitárias, de João Pessoa, por R$ 80 milhões. Para 2011, a empresa vai concluir a transformação de uma fábrica de louças adquirida da Ideal Standard e deverá anunciar, em maio, a duplicação de sua capacidade instalada para produzir pisos laminados de madeira, hoje de 5 milhões de m² por ano para 10 milhões de m². 

A justificativa para o investimento bilionário está na ponta da língua de Henri Penchas, presidente executivo da Duratex (à esq. na foto). Como pano de fundo aparecem as perspectivas de crescimento da economia brasileira para os próximos anos, puxadas pelos investimentos no setor de construção civil. 

Já naturalmente aquecidos, os mercados em que a Duratex atua – chapas de madeira e louças e metais sanitários, produzidos com a marca Deca, deverão ser turbinados pelos preparativos para a Copa do Mundo, em 2014, e para os Jogos Olímpicos, de 2016. “A expectativa são de 20 mil quartos de hotel construídos ou renovados, e cada um deles vai precisar de torneiras e louças sanitárias novas”, diz Penchas.

Além dos investimentos programados para até 2012, a Duratex participa do jogo com a musculatura reforçada pela incorporação, em 2008, da concorrente Satipel. “Foi um casamento perfeito em termos de linha de produtos”, diz Penchas. 

A maior parte da produção da Duratex eram placas de medium density fiberboard (MDF), ao passo que a Satipel concentrava-se no medium density particleboard (MDP). Ou seja, a Duratex produzia matérias-primas mais sofisticadas e a Satipel era forte nos itens mais baratos. “O MDF e o MDP são usados na construção e na indústria de móveis, e o fato de nos concentrarmos apenas em um deles nos fazia perder negócios”, afirma Penchas.

O novo ciclo de investimentos encontra a Duratex num momento especial de sua história em termos de rentabilidade. Em 2010, a companhia lucrou R$ 470,8 milhões, mais de quatro vezes o resultado do ano anterior. 

Não por acaso, o valor de mercado da Duratex explodiu em apenas dois anos: subiu de R$ 455 milhões, no final de 2008, para R$ 8,2 bilhões em dezembro de 2010. “O mercado reconheceu nossos avanços em eficiência e governança corporativa”, diz Flávio Donatelli, vice-presidente financeiro (à dir.).



O Brasil no mapa da GE

Uma das maiores companhias do planeta, a General Eletric colocou o Brasil no topo da lista de seus planos globais de investimentos. A gigante americana anunciou este mês investimentos de US$ 550 milhões (quase R$ 1 bilhão) no País, para a construção de um centro de pesquisas dedicado a petróleo e gás na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, que entrará em operação dentro de dois anos. 


A notícia foi dada pessoalmente à presidente Dilma Rousseff pelo presidente mundial da GE, Jeffrey Immelt, no Palácio do Planalto. Foi o primeiro encontro oficial de Dilma como chefe de Estado com um representante do setor empresarial. A meta é transformar o empreendimento na quinta maior plataforma de inovação em petróleo do mundo. 

Todos os novos produtos desenvolvidos pela companhia receberão patentes registradas aqui. A ambição por conhecimento de ponta da GE se explica. Há seis meses, a multinacional investiu US$ 7 bilhões na aquisição de três empresas que operam no País nos setores de petróleo, gás e energia. 

“Poucos mercados no mundo nos deixam tão otimistas quanto o Brasil”, disse Immelt. Embora esteja presente no País desde 1919, este é o primeiro grande ciclo  de investimentos da GE. Segundo Immelt, fã de carteirinha do Brasil, a companhia terá nos próximos anos foco especial nos setores energético e de saúde e tecnologia da informação. “O País se tornou essencial para a GE”, afirmou o executivo.



O maior investimento do mundo

O caixa de R$ 93,7 bilhões para investir em 2011 já faz da Petrobras uma empresa de proporções superlativas. Trata-se de um valor equivalente a nove vezes o lucro do Bradesco, o maior banco privado nacional, em 2010 ou ainda 2,7 vezes o lucro da própria petroleira. 


“É o maior investimento anual previsto por uma companhia no mundo”, diz Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobras. Praticamente metade desse total, ou 46%, será investida na produção e exploração de petróleo e gás. 

A empresa intensificará a perfuração de poços tanto para extrair a matéria-prima como para a prospecção. Serão 20 em 2011, cinco vezes mais que a média anual dos últimos quatro anos. 

“Temos hoje 16 bilhões de barris de petróleo de reserva aprovada, com um potencial de crescimento para 30 bilhões, e ainda muitas reservas já descobertas, que vão sendo confirmadas, em fase de incorporação”, diz Barbassa. 

Outra atividade que será privilegiada este ano é a área de abastecimento e refino, incluindo as obras para a conclusão da refinaria de Abreu Lima, em Pernambuco, que deve entrar em operação em 2012. 

E, ainda, os investimentos  no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que começa a operar em 2013. “Hoje produzimos mais petróleo do que podemos refinar e, então, precisamos de serviços no Exterior”, afirma o diretor financeiro. A ideia é ganhar valor agregado em solo brasileiro ao beneficiar o petróleo em refinarias locais.

Diante de projetos ambiciosos, a estatal puxa também investimentos em toda a cadeia de petróleo. Um estaleiro consome investimentos de R$ 1 bilhão a R$ 3 bilhões, dependendo do porte. 

Num encontro recente com empresários, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, chegou a incentivar a entrada de novos investidores na área. “Tenho três sugestões de investimentos no Brasil: façam estaleiros, façam estaleiros e façam estaleiros. Vamos precisar de muitos”, disse ele. Hoje a Petrobras tem contrato com 37 estaleiros e há outros 13 em construção.



Os coreanos querem mais

Os coreanos da Hyundai, o maior conglomerado industrial da Coreia do Sul, finalmente decidiram mostrar a que vieram. No mercado automobilístico, a presença no País ganhou novo impulso com um recente anúncio de construção de uma fábrica de R$ 1 bilhão em Piracicaba, interior de São Paulo. 


Essa será a primeira planta própria da montadora coreana na América do Sul. Já existe em operação em Anápolis (GO), desde 2007, uma fábrica de veículos da marca, mas a unidade pertence ao grupo Caoa, controlado pelo empresário Carlos Alberto Oliveira Andrade, que distribui seus carros no País. 

Apesar da indiscutível força no segmento das quatro rodas, a companhia quer muito mais do que montar automóveis e utilitários no Brasil. A Hyundai Heavy Industries vai construir uma fábrica de retroescavadeiras e grandes equipamentos para a indústria da construção ainda este ano. 

O mercado estima que o investimento inicial irá superar os US$ 300 milhões. A unidade será implantada no Rio de Janeiro, em local ainda não definido. “Onde houver oportunidades, estaremos observando de perto”, diz Gi Seob Kim, o discreto presidente da Hyundai do Brasil, sem detalhar os investimentos. 

Uma das áreas prioritárias seria agronegócio brasileiro. A empresa guarda a sete chaves suas estratégias para invadir o campo, mas não nega que é um setor muito sedutor. 

Está negociando com os governos do Piauí, Maranhão, Tocantins e Bahia a compra de dez mil hectares para plantar soja. O objetivo: exportar para a Coreia. A diversificação de negócios da Hyundai não é novidade para o grupo no mundo. Fora do Brasil, a empresa fabrica desde automóveis até elevadores e navios.



Na trilha da infraestrutura

Quando a primeira etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi lançada, há cinco anos, ficou claro que o então governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha a intenção de transformar o País num canteiro de obras. 


O plano era induzir o investimento privado tanto para áreas elementares, como a de saneamento básico, quanto para searas que ganharam importância na era da sustentabilidade, como a de energia renovável. Foi nesse contexto que o grupo Galvão decidiu se posicionar abrindo uma frente de negócios para aproveitar as oportunidades que começavam a aparecer. 

A companhia tem entre seus sócios quatro herdeiros do conglomerado pernambucano Queiroz Galvão, que também atua em infraestrutura, em áreas como energia hidráulica e construção civil. Mas o foco da nova empresa era mesmo fincar sua bandeira em setores inexplorados. 

Assim nasceram as companhias Cab Ambiental, de saneamento, e a Galvão Energia, de energia renovável. A Cab, que programa um investimento de R$ 1,5 bilhão até 2015, foi criada em meados de 2006, praticamente junto com o novo marco regulatório do saneamento básico, editado no início de 2007. 

“O marco conseguiu estabelecer uma relação sã entre o setor público e as empresas privadas”, diz Yves Besse, presidente da Cab, que emprega 600 funcionários e faturou R$ 100 milhões em 2010. Hoje a empresa conta com 13 contratos fechados com governos estaduais e municipais para tratamento de água e esgoto. 

Já a Galvão Energia marca território num segmento que deve ganhar cada vez mais incentivos. A meta do governo brasileiro é reduzir, a partir de 2014, a produção de combustíveis fósseis para fortalecer a geração de energia renovável. 

A Galvão acaba de finalizar a prospecção técnica da usina de energia eólica que será erguida na cidade de São Bento do Norte, no Rio Grande do Norte, e começará a contratar 500 pessoas para a construção de subestações de energia e as linhas regionais, que serão conectadas à rede nacional. 

Serão 94 megawatts gerados, capazes de garantir energia para uma população de 250 mil habitantes, 70 vezes maior que o total de moradores de São Bento. O projeto vai consumir R$ 400 milhões. 

“Mas temos em caixa outros R$ 2 bilhões para investir em novos projetos de energia eólica até 2017”, diz Otávio Silveira, presidente da Galvão Energia. Segundo ele, a empresa tem capacidade para bancar a construção de novas usinas com capacidade total de geração de mais 600 megawatts, na região Nordeste.



Mais energia no horizonte

A empresa CPFL Energia tem investido sistematicamente na expansão da sua rede de geração e distribuição. Só no ano passado, foi R$ 1,85 bilhão, do qual R$ 800 milhões na usina hidrelétrica Foz de Chapecó, em Santa Catarina, onde a CPFL é sócia da geradora Furnas e da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica – CEEE. Este ano, a previsão inicial é de um investimento de R$ 1,6 bilhão. 


“É uma prévia, com boas chances de que seja mais do que isso”, diz Gustavo Estrella, diretor de relações com investidores da companhia. A meta é dar prioridade à ampliação da rede de distribuição para atender à demanda crescente por energia, tanto industrial como residencial. 

O aumento da renda dos brasileiros e a maior oferta de crédito no mercado ampliaram a venda de eletrodomésticos e, por consequência, o consumo energético. Só na região em que a CPFL atua como distribuidora, no interior de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e no Estado do Rio Grande do Sul, o consumo residencial por habitante cresceu de 563 kilowatts-hora (kwh) em 2004 para 709 kwh em 2010. 

É um bom resultado, mas Estrella acredita que pode ser ainda melhor. “Se compararmos nosso consumo per capita com o de outros países, veremos que o Brasil tem muito a crescer”, afirma. No Uruguai, por exemplo, o consumo per capita é de 888 kwh. Na Argentina, 709 kwh.  

Em outra frente, a empresa planeja novos investimentos em fontes de geração de energia renovável, como as usinas eólicas. O plano é investir R$ 900 milhões até 2012 em 12 usinas do gênero no Rio Grande do Norte.  A lista inclui, também,  quatro usinas de energia de biomassa, que devem consumir R$ 600 milhões até 2012. 



BNDES, O superbanco público

Cada vez mais turbinado para atender à necessidade de financiamento de longo prazo para a infraestrutura, o BNDES já concede 3,3 vezes mais crédito que o Banco Mundial (Bird). 

Em 2010 foram US$ 96,32 bilhões em desembolsos do banco público brasileiro contra US$ 28,85 bilhões do Bird.  Hoje o banco tem uma participação de quase 20% sobre o total de investimentos no País, principalmente para o setor industrial – o BNDES não financia a construção civil.  

O caixa disponível para 2011 é de R$ 145 bilhões, um pouco menos do que no ano passado (R$ 168,4 bilhões), numa tentativa de reduzir a dependência do setor privado para o dinheiro barato com juros subsidiados do banco. 

Um dos programas que serão atingidos é o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), voltado ao financiamento de máquinas e equipamentos. Para atingir a meta de desembolsos, o BNDES recebeu um novo aporte do Tesouro este mês, de R$ 55 bilhões. A medida foi duramente criticada por economistas que veem nesse movimento uma contradição do governo diante do compromisso de refrear a inflação. 

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06 março, 2011

Expansão esbarra na falta de mão de obra

Embora a Lei 15.634 ajude os municípios de Foz do Iguaçu, Dois Vizinhos, Francisco Beltrão e Pato Branco a atrair empresas de eletroeletrônicos, a instalação de muitas delas ainda esbarra na falta de profissionais qualificados.

Para minimizar o problema, a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos do estado está elaborando um projeto para criar um ambiente propício ao desenvolvimento de negócios do setor. De acordo com o secretário Edson Casagrande, o programa de treinamento será feito em parceria com os municípios envolvidos, o Sebrae e a UTFPR.

A previsão é de que até o início de abril as primeiras turmas comecem as aulas de qualificação profissional. Cada município vai definir o curso baseado na produção local. “A ideia é criar um ambiente que se fortaleça com a qualificação de mão de obra especializada, e posteriormente as próprias empresas passariam a fazer essa qualificação”, diz Casagrande.
Dos quatro municípios beneficiados pela carga tributária, Pato Branco é o que está mais adiantado. Além de ter mais de 70 empresas instaladas em seu polo tecnológico, já conta com laboratórios para treinamento de mão de obra. De acordo com Casagrande, o projeto prevê que cada município tenha seu programa de treinamento com aulas teóricas. As aulas práticas serão realizadas em Pato Branco, onde a estrutura é mais avançada.

Descompasso
A prefeitura de Pato Branco diz que não há um apagão profissional. Mas o fato é que, enquanto muitas empresas têm necessidade de mão de obra imediata, a formação de profissionais pode durar de dois anos e meio (nível técnico) até quatro anos (superior). Com isso, as companhias com demanda mais urgente têm buscado profissionais na concorrência.
Em Pato Branco, 11 instituições de ensino superior – presenciais e a distância – oferecem 74 cursos de graduação, 49 de especialização, 16 de nível técnico profissionalizante e 3 de mestrado. Juntas, as instituições abrigam 7.535 alunos.

O problema é que os cursos mais procurados não são ligados à área tecnológica. No último vestibular da UTFPR, onde estudam 2.679 alunos, o curso mais procurado foi o de Admi­­nistração, com 1.269 inscritos, seguido por Ciências Contábeis (1.075) e Engenharia Civil (963).

Uma pesquisa recente aponta que, dos 6 mil funcionários que trabalham no parque tecnológico, apenas 12,8% já têm nível superior, e outros 18,9% estão matriculados em algum curso de graduação. A maioria, 61%, concluiu apenas o ensino médio.

Fonte:  Gazeta do Povo

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Lugar de tecnologia é em Pato Branco

Município do Sudoeste já abriga mais de 70 empresas em seu polo tecnológico, e segue atraindo investimentos. Mas ainda tem obstáculos a contornar, como a qualificação de trabalhadores


Com 72 mil habitantes, o município de Pato Branco (Sudoeste do Paraná) pretende se tornar um centro de referência na produção de software e eletroeletrônicos. O caminho para isso está sendo pavimentado: mais de 70 empresas desse segmento, de portes variados, estão instaladas na cidade, empregando, juntas, 6 mil pessoas. Atraindo investimentos por meio de benefícios fiscais e doação de terrenos, Pato Branco luta agora para aumentar a oferta de mão de obra qualificada, uma exigência das companhias interessadas em se instalar no município.

O sonho de investir em tecnologia teve início há mais de 20 anos, com a implantação do antigo Cefet, atual Univer­­sidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), e ganhou força com a criação, em 1997, do Parque Tecnológico de Pato Branco (PTBC), que já abriga 75 empresas, das quais 65 atuam na produção de softwares e 10 na de eletroeletrônicos. O parque não compreende apenas um espaço físico com várias empresas. Toda a área do município é considerada ambiente tecnológico, e as empresas do segmento estão espalhadas em vários pontos da cidade.

Um dos atrativos está na tributação diferenciada desse segmento, estabelecida pela Lei Estadual 15.634, de 2007, que prevê redução de até 80% no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para empresas do ramo eletrônico que se instalam nos municípios de Pato Branco, Dois Vizinhos e Francisco Beltrão, no Sudoeste do estado, e Foz do Iguaçu, no Oeste. Além disso, o município também concede benefícios como doação de áereas para a construção de barracões e, em alguns casos, paga o aluguel dos estabelecimentos até que a empresa construa sua sede.

Novos investimentos

O polo tem atraído empresas de capital estrangeiro. A chinesa Guangzhou Guangxing Electronic Corporation, a GX-Áudio, deve iniciar suas atividades no mês que vem. Com investimentos de R$ 10 milhões, a multinacional vai fabricar bobinas e cones usados na montagem de alto-falantes. Numa segunda etapa, pretende fabricar equipamentos para home theaters. Também em maio, deve se integrar ao parque a Movix, líder brasileira na produção de aparelhos de GPS. Segundo a prefeitura, a empresa vai transferir sua sede de São Paulo para o Paraná.

A produção tecnológica de Pato Branco é destinada, em sua maior parte, para o mercado interno, mas algumas companhias apostam na exportação dos produtos. É o caso da Soft Sistemas Eletrônicos, que iniciou suas atividades há um ano e faz negócios com Argentina, Paraguai e Chile. A empresa, que também tem uma unidade em Curitiba, atua principalmente na montagem de travas elétricas para automóveis. Cinquenta pessoas trabalham na montagem dos kits eletrônicos e outras dez serão contratadas até junho.

Sandro Batistella Ricci, dono da Soft, diz que uma série de fatores contribuiu para a escolha de Pato Branco na hora de expandir os negócios. “Fizemos uma análise da qualidade da mão de obra e da própria estrutura que a cidade oferece”, diz. Os incentivos fiscais também pesaram na decisão, segundo ele.

Uma das empresas mais antigas do polo é a Viasoft, que iniciou suas atividades em 1990 e hoje emprega 100 pessoas. Fabricante de softwares empresariais, a Viasoft atua com franquias e mantém negócios em 16 estados. “Tudo o que demanda desenvolvimento é centralizado aqui em Pato Branco”, diz o empresário Itamir Viola. Dono da Viasoft, ele também preside a Tecnópole Pato Branco, Oscip (Organi­­zação da Sociedade Civil de Interesse Público) responsável pela gestão do polo tecno­­­­­ló­­gico.

Turismo tecnológico

Toda a estrutura do parque tecnológico é apresentada em detalhes aos visitantes que pretendem conhecer o ambiente de negócios da cidade. Um roteiro de turismo tecnológico foi criado há um ano e meio pela Tecnópole Pato Branco. O projeto é desenvolvido em parceria com o Sindicato dos Hotéis, Bares e Res­­tau­­rantes, e as visitas são acompanhadas por um guia que re­­­passa todas as informações ao visitante. Fazem parte do roteiro informações sobre pesquisas científicas, visitas a instituições de ensino, incubadoras tecnológicas e empresas. “Um empresário não vem nos visitar à toa. Então, antes de falar em negócio, a gente o coloca no roteiro”, diz Viola.

Fonte: Gazeta do Povo

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04 março, 2011

The 2011 oil shock

More of a threat to the world economy than investors seem to think

THE price of oil has had an unnerving ability to blow up the world economy, and the Middle East has often provided the spark. The Arab oil embargo of 1973, the Iranian revolution in 1978-79 and Saddam Hussein’s invasion of Kuwait in 1990 are all painful reminders of how the region’s combustible mix of geopolitics and geology can wreak havoc. With protests cascading across Arabia, is the world in for another oil shock?
There are good reasons to worry. The Middle East and north Africa produce more than one-third of the world’s oil. Libya’s turmoil shows that a revolution can quickly disrupt oil supply. Even while Muammar Qaddafi hangs on with delusional determination and Western countries debate whether to enforce a no-fly zone (see article), Libya’s oil output has halved, as foreign workers flee and the country fragments. The spread of unrest across the region threatens wider disruption.
The markets’ reaction has been surprisingly modest. The price of Brent crude jumped 15% as Libya’s violence flared up, reaching $120 a barrel on February 24th. But the promise of more production from Saudi Arabia pushed the price down again. It was $116 on March 2nd—20% higher than the beginning of the year, but well below the peaks of 2008. Most economists are sanguine: global growth might slow by a few tenths of a percentage point, they reckon, but not enough to jeopardise the rich world’s recovery. 
That glosses over two big risks. First, a serious supply disruption, or even the fear of it, could send the oil price soaring (see article). Second, dearer oil could fuel inflation—and that might prompt a monetary clampdown that throttles the recovery. A lot will depend on the skill of central bankers.
Of stocks, Saudis and stability
So far, the shocks to supply have been tiny. Libya’s turmoil has reduced global oil output by a mere 1%. In 1973 the figure was around 7.5%. Today’s oil market also has plenty of buffers. Governments have stockpiles, which they didn’t in 1973. Commercial oil stocks are more ample than they were when prices peaked in 2008. Saudi Arabia, the central bank of the oil market, technically has enough spare capacity to replace Libya, Algeria and a clutch of other small producers. And the Saudis have made clear that they are willing to pump.
Yet more disruption cannot be ruled out. The oil industry is extremely complex: getting the right sort of oil to the right place at the right time is crucial. And then there is Saudi Arabia itself (see article). The kingdom has many of the characteristics that have fuelled unrest elsewhere, including an army of disillusioned youths. Despite spending $36 billion so far buying off dissent, a repressive regime faces demands for reform. A whiff of instability would spread panic in the oil market.
Even without a disruption to supply, prices are under pressure from a second source: the gradual dwindling of spare capacity. With the world economy growing strongly, oil demand is far outpacing increases in readily available supply. So any jitters from the Middle East will accelerate and exaggerate a price rise that was already on the way.
What effect would that have? It is some comfort that the world economy is less vulnerable to damage from higher oil prices than it was in the 1970s. Global output is less oil-intensive. Inflation is lower and wages are much less likely to follow energy-induced price rises, so central banks need not respond as forcefully. But less vulnerable does not mean immune.
Dearer oil still implies a transfer from oil consumers to oil producers, and since the latter tend to save more it spells a drop in global demand. A rule of thumb is that a 10% increase in the price of oil will cut a quarter of a percentage point off global growth. With the world economy currently growing at 4.5%, that suggests the oil price would need to leap, probably above its 2008 peak of almost $150 a barrel, to fell the recovery. But even a smaller increase would sap growth and raise inflation.
Shocked into action
In the United States the Federal Reserve will face a relatively easy choice. America’s economy is needlessly vulnerable, thanks to its addiction to oil (and light taxation of it). Yet inflation is extremely low and the economy has plenty of slack. This gives its central bank the latitude to ignore a sudden jump in the oil price. In Europe, where fuel is taxed more heavily, the immediate effect of dearer oil is smaller. But Europe’s central bankers are already more worried about rising prices: hence the fear that they could take pre-emptive action too far, and push Europe’s still-fragile economies back into recession.
By contrast, the biggest risk in the emerging world is inaction. Dearer oil will stoke inflation, especially through higher food prices—and food still accounts for a large part of people’s spending in countries like China, Brazil and India. True, central banks have been raising interest rates, but they have tended to be tardy. Monetary conditions are still too loose, and inflation expectations have risen.
Unfortunately, too many governments in emerging markets have tried to quell inflation and reduce popular anger by subsidising the prices of both food and fuel. Not only does this dull consumers’ sensitivity to rising prices, it could be expensive for the governments concerned. It will stretch India’s optimistic new budget (see article). But the biggest danger lies in the Middle East itself, where subsidies of food and fuel are omnipresent and where politicians are increasing them to quell unrest. Fuel importers, such as Egypt, face a vicious, bankrupting, spiral of higher oil prices and ever bigger subsidies. The answer is to ditch such subsidies and aim help at the poorest, but no Arab ruler is likely to propose such reforms right now.
At its worst, the danger is circular, with dearer oil and political uncertainty feeding each other. Even if that is avoided, the short-term prospects for the world economy are shakier than many realise. But there could be a silver lining: the rest of the world could at long last deal with its vulnerability to oil and the Middle East. The to-do list is well-known, from investing in the infrastructure for electric vehicles to pricing carbon. The 1970s oil shocks transformed the world economy. Perhaps a 2011 oil shock will do the same—at less cost.

Fonte: The Economist

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PIB tem crescimento expressivo em 2010: 7,5%

A presidente Dilma Rousseff comemorou e destacou que, quando se investe, é possível fazer com que o país aumente o seu dinamismo.



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03 março, 2011

Entenda o que é PIB e como é feito seu cálculo

O PIB (Produto Interno Bruto) é um dos principais indicadores de uma economia. Ele revela o valor de todos os bens e serviços produzidos no país em um certo período. 

O cálculo do PIB, no entanto, não é tão simples. Imagine que o IBGE queira calcular a riqueza gerada por um artesão. Ele cobra, por uma escultura, de madeira, R$ 30. No entanto, não é esta a contribuição dele para o PIB. 

Para fazer a escultura, ele usou madeira e tinta. Não é o artesão, no entanto, que produz esses produtos --ele teve que adquiri-los da indústria. O preço de R$ 30 traz embutido os custos para adquirir as matérias-primas para seu trabalho. 

Assim, se a madeira e a tinta custaram R$ 20, a contribuição do artesão para o PIB foi de R$ 10, não de R$ 30. Os R$ 10 foram a riqueza gerada por ele ao transformar um pedaço de madeira e um pouco de tinta em uma escultura. 

O IBGE precisa fazer esses cálculos para toda a cadeia produtiva brasileira. Ou seja, ele precisa excluir da produção total de cada setor as matérias-primas que ele adquiriu de outros setores. 

Depois de fazer esses cálculos, o instituto soma a riqueza gerada por cada setor, chegando à contribuição de cada um para a geração de riqueza e, portanto, para o crescimento econômico. 

Se por acaso a riqueza gerada é menor que a registrada anteriormente, fala-se em contração da economia. Dois trimestres seguidos de retração indicam a chamada recessão técnica.

Fonte: Folha

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PIB do Brasil cresce 7,5% em 2010 e atinge o melhor nível desde 1986



O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 7,5% em 2010. O índice foi divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE. No último trimestre do ano, o crescimento foi de 0,7%, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. Os serviços registraram aumento (1,0%), enquanto indústria (-0,3%) e agropecuária (-0,8%) caíram. Em 2009, o PIB brasileiro teve recuo de 0,2%.

No total, o PIB em 2010 alcançou R$ 3,675 trilhões. O PIB per capita ficou em R$ 19.016, apresentando uma alta de 6,5%, em volume, em relação a 2009 (R$ 16.634).

Beneficiado pela baixa base de comparação do ano anterior, o crescimento acumulado do PIB em 2010 é o mais elevado desde 1986 (também de 7,5%). Entre 2001 e 2010, o crescimento anual médio foi de 3,6%, acima do registrado na década anterior (1991-2000), quando o PIB a preços de mercado cresceu, em média, 2,6%.

Na comparação com o quarto trimestre de 2009, o PIB cresceu 5,0%, sendo que o valor adicionado a preços básicos aumentou 4,2%, e os impostos sobre produtos, 10,1%. Dentre as atividades econômicas, destacaram-se os serviços (4,6%) e a indústria (4,3%). A agropecuária (1,1%) também registraram crescimento.

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