22 abril, 2011

Inflação eleva "maquiagem" de produtos

Com alta de alimentos, empresas reduzem quantidade sem baixar preço; para especialistas, prática pode ser abusiva

Mudança tem de ser informada de forma "ostensiva'; letras miúdas estão entre as reclamações 


A alta da inflação intensificou a prática de empresas de reduzir o peso ou o volume dos produtos sem a diminuição proporcional do preço, muitas vezes sem informar o consumidor de forma clara (a chamada "maquiagem"), segundo representantes do varejo ouvidos pela Folha.
Com o aumento de custos, em vez de elevar o valor do produto, o fabricante corta a quantidade vendida.
Levantamento feito pela Folha em supermercados na semana passada encontrou uma dúzia de produtos com redução no volume.
A lista inclui iogurtes, farinha, suco, gelatina, atum, aveia, água mineral e até filtro de papel para café.
Em todos os produtos, havia informação na embalagem sobre a redução, como manda a lei, mas na maioria dos casos o anúncio ocorre em letras miúdas. Com destaque, só 3 dos 12 produtos.
O DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor), do Ministério da Justiça, diz que as reduções de volume sem barateamento proporcional podem significar prática abusiva.
Segundo o órgão, o abuso pode ser enquadrado em artigos do Código de Defesa do Consumidor que vedam exigir do cliente vantagens excessivas e elevar preço de produtos sem justificativa.
O departamento afirma, no entanto, que não há na legislação texto que cite explicitamente que a redução de peso tem de ser acompanhada por queda de preço.
Tanto o DPDC como o Procon afirmam, no entanto, que não há ilegalidade na redução quando ela é justificada e informada de forma "ostensiva" ao consumidor.
Na lista obtida pela Folha, o caso de maior redução percentual de produto é o da gelatina Sol, cujo volume caiu 59% -de 85 g para 35 g.
O fabricante J.Macêdo diz que houve mudança na fórmula, sem prejuízo ao rendimento final.

TRANSPARÊNCIA
De acordo com o assistente de direção da Fundação Procon-SP, Carlos Alberto Nahas, todas as informações de mudança devem aparecer de forma ostensiva e transparente na embalagem. "Letra miúda não é informação."
Portaria do Ministério da Justiça, de 2002, criou regras para a redução de quantidade. A embalagem deve informar, em tamanho e cor adequados, o volume anterior e o atual e a redução em valores absolutos e percentuais.
As letras miúdas das embalagens estão entre as reclamações. "No meu caso, quando ocorre essa redução, acaba passando despercebido", disse a educadora social Márcia Regina Soares, 41.
"O problema é que normalmente essa mudança nunca é proporcional. Às vezes o preço até aumenta", afirmou a arquiteta Carla Sette, 42. "É um descaso, a gente se sente ofendido."
Folha de S.Paulo

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18 abril, 2011

Dilma diz que preço de eletrônicos pode cair com entrada de empresas chinesas

Presidente disse que é necessário investir na capacitação de trabalhadores

A presidente Dilma Rousseff disse hoje que a entrada de empresas chinesas no Brasil deverá baratear produtos como celulares, televisores e tablets.

— São investimentos que, além de trazer dinheiro e novas tecnologias, também vão gerar emprego para milhares de trabalhadores — explicou, durante o programa semanal de rádio "Café com a Presidenta".

Segundo ela, será necessário investir na capacitação de trabalhadores para que o país possa atender às demandas das empresas, sobretudo no setor de tecnologia da informação. Dilma também afirmou que o Brasil atingiu os principais objetivos na visita à China, na semana passada. De acordo com a presidente, o país asiático abriu as portas para a entrada de mais produtos brasileiros.

— Estou muito satisfeita. Acho que foi um salto de qualidade em nossas relações, mas queremos mais. Hoje, vendemos muita matéria-prima para a China. Queremos vender a matéria-prima, mas também queremos vender produtos mais elaborados — destacou.

Sobre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e àfrica do Sul), a presidente disse que a reunião realizada na China foi importante e que assuntos como o crescimento dos países, o combate à pobreza, o comércio mundial mais equilibrado e o controle da especulação financeira foram discutidos. 

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12 abril, 2011

Whatever - OASIS



I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want
I'm free to say whatever I
Whatever I like
If it's wrong or right it's alright
Always seems to me
You only see what people want you to see
How long's it gonna be
Before we get on the bus
And cause no fuss
Get a grip on yourself
It don't cost much
Free to be whatever you
Whatever you say
If it comes my way it's alright
You're free to be wherever you
Wherever you please
You can shoot the breeze if you want
It always seems to me
You only see what people want you to see
How long's it gonna be
Before we get on the bus
And cause no fuss
Get a grip on yourself
It don't cost much
I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want
Here in my mind
You know you might find
Something that you
You thought you once knew
But now it´s all gone
And you know it's no fun
Yeah I know it's no fun
Oh I know it's no fun
I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want
I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want
Whatever you do
Whatever you say
Yeah I know it's alright
Whatever you do
Whatever you say
Yeah I know it's alright.

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10 abril, 2011

O país do passado

O país do passado


O Brasil começa a se libertar da herança escravagista que vigorou até o final do século 19


SEGUNDO a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), entre 2001 e 2009 a renda per capita média brasileira subiu 23,7% em termos reais. Isto é, descontando a inflação e o crescimento populacional, o desempenho médio tupiniquim esteve longe de ser um espetáculo de crescimento.
O cálculo da renda média assume pesos maiores para as rendas maiores. Cada um vale o que ganha. Se apontarmos o binóculo para a plateia, quem se sentou na primeira fila, e quem perdeu o show do crescimento?
A renda dos 10% mais pobres no Brasil subiu 69,1% no período. Esse ganho vai caindo paulatinamente à medida que nos aproximamos do topo da distribuição, atingindo 12,8% entre os 10% mais ricos, taxa de crescimento mais próxima da média do que a dos mais pobres.
Existe outra hipótese forte subjacente ao cálculo da renda per capita que referencia a maior parte das pesquisas acerca do binômio pobreza e desigualdade.
Tudo se passa como se, numa espécie de socialismo doméstico, cada membro do domicílio deixasse seu respectivo quinhão de renda num pote e de onde cada familiar depois retira uma parcela igual da renda.
Tendemos a zerar a desigualdade que não enxergamos.
O conceito de renda domiciliar per capita elimina -por construção- toda desigualdade existente entre os diferentes membros de uma mesma família. Por exemplo, se a mulher recebe menos que o marido no âmbito domiciliar, a perda delas é compensada pelo ganho deles.
Nesse sentido, a desigualdade entre brasileiros e brasileiras está subestimada na renda per capita. Agora, como se comportou no período 2001 a 2009 a desigualdade de renda média entre indivíduos que compõem diferentes segmentos da sociedade? Gênero: a renda delas sobe 37,7%; a deles, 16,6%. Reportamos também a razão de rendas colocando a dos mais pobres no numerador.
Nesse caso, a razão de rendas por sexo -mulheres por cima- sobe de 0,49 para 0,58 entre 2001 e 2009.
Raça: a renda de pessoas que se identificam como pretos e pardos sobe 43,1% e 48,5%, respectivamente, ante 20,1% dos brancos. A razão de renda entre pretos e brancos sobe de 0,53 para 0,62.
Escolaridade: a renda de pessoas sem nenhuma escolaridade sobe 53,5%, ante queda de 9% daquelas com pelo menos o nível superior incompleto. Essa conjunção de movimentos faz com que a razão de rendas dos menos em relação aos mais educados suba de 0,09 para 0,17.
Espacial: a renda da região mais pobre, o Nordeste, sobe 41,8%, ante 15,8% do Sudeste maravilha. A razão de rendas sobe de 0,43 para 0,53. Detalhando o perfil espacial, a renda sobe 46,8% no Maranhão, inicialmente o Estado mais pobre, ante 7,2% de São Paulo, o mais rico.
Em Sergipe, a renda sobe 58%. Fazendo um zoom nos municípios das capitais, a maior taxa de crescimento foi a de Teresina, com 56,2%. O destaque das periferias das metrópoles brasileiras foi Fortaleza, com 52,3%. Já a capital e a periferia da Grande São Paulo subiram 2,3% e 13,1%, respectivamente.
Esse padrão, em que a periferia cresceu mais do que a capital, foi observado em sete das nove grandes metrópoles brasileiras.
Similarmente, a renda cresceu mais nas áreas pobres rurais, com 49,1%, ante 16% das metrópoles e 26,8% das demais cidades. Os setores de atividade com desempenho acima da média incluem aqueles que abrigam a parcela mais pobre do país, como o de serviços domésticos, agricultura e construção (vide www.fgv.br/cps/construcao).
De maneira geral, a renda de grupos tradicionalmente excluídos, como negros, analfabetos, mulheres, nordestinos, moradores das periferias, campos e construções, cresceu mais no século 21. Tendência contrastante com a de países desenvolvidos e a de emergentes, como os demais Bric, onde a desigualdade cresce a olhos vistos.
Mais do que o país do futuro entrando no novo milênio, o Brasil começa a se libertar da herança escravagista aqui vigente até o final do século 19.


MARCELO NERI, 48, é economista-chefe do Centro de Políticas Sociais e professor da EPGE, na Fundação Getulio Vargas.

Internet: www.fgv.br/cps

mcneri@fgv.br

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06 abril, 2011

Falta de mão de obra qualificada atinge 69% das empresas, diz CNI

A Sondagem Especial - Trabalhador Qualificado, divulgada nesta quarta-feira, 6, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que 69% das 1.616 empresas consultadas enfrentam dificuldades com a falta de trabalhadores qualificados. De acordo com o estudo, a falta dessa mão de obra atinge todas as áreas e categorias profissionais das empresas, principalmente o setor de produção. "A escassez de profissionais qualificados impacta diretamente na competitividade da indústria brasileira, afetando a produtividade e a qualidade", apontou o estudo. 

A pesquisa mostra ainda que 78% dessas empresas que sofrem com o déficit adotam cursos de capacitação para suprir a demanda por profissionais. No entanto, 52% das empresas industriais indicaram que a má qualidade na educação básica é uma das principais dificuldades que enfrentam para qualificar o trabalhador. "O País precisa melhorar sua educação básica para aumentar a competitividade da indústria brasileira. A incorporação de novas tecnologias no processo produtivo, e de novos produtos, requer uma força de trabalho apta a aprender e a desenvolver novas técnicas. A educação básica é a base do processo da formação de profissionais qualificados."

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05 abril, 2011

Alta da nota do Brasil pressiona câmbio

"Mas é melhor ter esse problema do que como era no passado, quando faltavam dólares", ponderou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A moeda americana encerrou a segunda-feira cotada a R$ 1,609, queda de 0,19%. É o valor mais baixo desde 8 de agosto de 2008.

"Não houve nada de anormal hoje (ontem), mas, nos próximos dias, é provável que o Brasil atraia ainda mais recursos do exterior por causa da mudança da nota pela Fitch", observou um operador de câmbio que pediu para não ser identificado.
Outros especialistas esperam para os próximos dias mais medidas do governo para tentar segurar a alta da moeda brasileira. O Ministério da Fazenda teme que o real valorizado prejudique a indústria, na medida em que estimula as importações.

A Fitch é a primeira entre as três principais agências de classificação de crédito a elevar o chamado rating do Brasil depois que o País entrou no grupo conhecido como grau de investimento.

Duramente criticadas por seu papel durante a crise global dos últimos anos, essas agências trabalham com escalas de classificação. A partir de um determinado ponto, as empresas e os países avaliados são considerados quase livres de risco de calote. No primeiro semestre de 2008, a Fitch e a Standard & Poor"s colocaram o Brasil nesse grupo. De lá para cá, o País ainda não havia sido promovido de novo.

"Fomos encorajados (a promover o Brasil) pelo fato de que o governo de (Dilma) Rousseff tem dado sinais de contenção fiscal", afirmou à Agência Estado a diretora sênior de ratings soberanos para América Latina da Fitch, Shelly Shetty.
Outras agências, como a Standard & Poor"s, esperam mais notícias positivas na área fiscal para elevar de novo o Brasil. "Desde a promoção anterior, o Brasil evoluiu em algumas áreas, retrocedeu em outras. Na fiscal, não avançou a ponto de ter a nota melhorada novamente", disse o analista da S&P responsável pelo País, Sebástian Briozzo.

Por meio da assessoria de imprensa, a Moody"s, a outra grande do setor, informou que vai rever o rating do Brasil no segundo trimestre. Como a perspectiva para a nota do País é positiva, a revisão deve ser para melhor.

Com a mudança de ontem, o Brasil se iguala, na escala da Fitch, a nações como Rússia e Lituânia. E fica à frente de Índia, Peru e Grécia, entre outras. Em compensação, continua atrás de Irlanda e Espanha, dois dos países europeus que estão no centro de uma crise de confiança. 

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