31 agosto, 2011

Economia do mundo gira abaixo da linha do Equador, diz Pimentel

Brasil tem melhores condições do que outros países para sair da crise, diz.
Para ministro, porém, é preciso trazer indústria brasileira para o século XXI.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, avaliou nesta terça-feira (30), durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que a nova fase da crise financeira internacional representa a transformação do cenário econômico de todo mundo, com o deslocamento do eixo econômico para o hemisfério Sul.

"A economia do mundo gira abaixo da linha do Equador, com destaque para o Brasil, para a África do Sul, China, Índia, Japão e outros países asiáticos. Em pouco tempo, tudo indica que esse deslocamento vai ficar visível na política", declarou Pimentel.

De acordo com o ministro, o dólar deixará de ser o padrão mundial para o comércio. "Estamos vivendo os últimos anos do dólar como padrão mundial. Começa-se a discutir com seriedade a substituição do dólar como padrão monetário. Na Unasul, discutiram e aprovaram a criação de um grupo de trabalho, com prazo de 60 dias, para apresentar uma proposta de um mecanismo de trocas lastreado por moedas locais. É o início de um processo de transformação que vai acontecer em outros países. Está no estágio inicial, mas é irreversível", dissel.

Segundo ele, também está havendo uma mudança do paradigma industrial. "Pela primeira vez na história econômica dos povos, temos um único país, que é a China, que neste momento é capaz de produzir qualquer mercadoria manufaturada a custos inferiores à média mundial. Isso nunca aconteceu antes. Os países asiáticos, liderados pela China, dominam toda a pauta de manufaturados. Os países industrializados ainda não sabem como enfrentar essa realidade histórica (...) Não temos ainda uma fórmula para enfrentar essa profunda mudança no paradigma industrial", disse o ministro.

Apesar da piora do cenário internacional e do acirramento da competição externa, a avaliação do ministro é de que o Brasil é o país melhor preparado para superar a crise financeira internacional.

"Não é ufanismo simplório. É uma análise baseda na afirmação serena dos dados. Temos reservas abundantes de US$ 350 bilhões, temos firmeza do nosso sistema financeiro, e a nossa responsabilidade fiscal expressa nos números. Somos um dos poucos países do G-20 com déficit nominal [após a contabilização dos juros da dívida pública] abaixo de 2% [do PIB]. Tem cinco ou seis países do mundo que tem esse emblema para mostrar", afirmou.

Para o ministro do Desenvolvimento, é preciso, entretanto, vencer desafios de curto prazo, como a recuperação da competitividade da indústria nacional - combalida pela baixa cotação do dólar (que torna as exportações mais caras e as compras do exterior mais baratas). "Tem que ter indústria desenvolvida e forte. É sólida [a indústria brasileira], mas do paradigma do século XX. Temos de trazê-la para um paradigma do século XXI em meio à uma crise internacional", declarou.

Para fazer essa "passagem" da indústria para o século XXI, disse Fernando Pimentel, é preciso investir em inovação para não só "sobreviver", mas também competir nos mercados interno e externo. "Temos de praticar uma boa política de compras do governo [privilegiando a produção local] e praticar uma politica de defesa comercial ativa, e não reativa. Para reduzir espaço da competição desleal e predatória", afirmou, lembrando que essas são as diretrizes do Plano Brasil Maior, lançado recentemente pelo governo federal.

Fonte: G1

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17 agosto, 2011

Rock de Galpão - Guri

03 agosto, 2011

Desafio do Brasil é administrar o sucesso, diz 'FT'


O Brasil se encontra nos últimos meses na "invejável posição de observador das loucuras do mundo desenvolvido", mas ainda enfrenta o desafio de "como administrar seu próprio sucesso", segundo afirma artigo publicado nesta quarta-feira pelo jornal econômico britânico "Financial Times".
"Um esforçado mercado emergente há uma década, o Brasil é hoje uma imagem de estabilidade macroeconômica e política comparada com seu antes subjugador parceiro do Norte e as antigas potências coloniais da Europa", observa o jornal.
O texto observa que o pais é hoje credor dos Estados Unidos, tem mais de US$ 327 bilhões em reservas em moedas estrangeiras, uma economia em crescimento e o desemprego em seu nível mais baixo.
"Ainda assim, com o mundo desenvolvido mostrando tendências antes associadas com os mercados emergentes, o desafio para o Brasil é como administrar seu sucesso", diz o artigo, assinado pelo correspondente do jornal em São Paulo.

Medidas

O texto comenta que o governo brasileiro já tomou várias medidas para tentar conter o fluxo excessivo de divisas, que fortalece o real e reduz a competitividade da indústria brasileira, reduziu o Orçamento para conter o excesso de gastos públicos e também elevou por cinco vezes neste ano as taxas básicas de juros para evitar a inflação fora de controle.
Além disso, o governo também adotou medidas para conter o crédito e o crescente endividamento da classe média. O jornal observa ainda que a presidente Dilma Rousseff vem promovendo demissões no Ministério dos Transportes em resposta a denúncias de corrupção.
Apesar de isso tudo, o artigo afirma que ainda restam muitos desafios ao Brasil - "um mercado de trabalho reduzido, um sistema de educação fraco e a falta de trabalhadores capacitados estão elevando os salários enquanto a infraestrutura precária eleva os custos", relata o jornal.
"(O Brasil) precisará manter a vigilância para garantir que não semeie as sementes da próxima crise durante o presente período de prosperidade"
O artigo diz ainda que os níveis de endividamento das famílias parecem insustentáveis e que o Brasil precisa "tomar cuidado para não enterrar sua nova classe média sob tanta dívida que quando o próximo período de retração chegar, ela volte à pobreza".
O jornal complementa a lista de problemas ao afirmar que "o custo dos negócios é proibitivo, em parte por causa dos altos impostos e custos trabalhistas" e observa que "embora os preços das commodities tenham aumentado, os volumes de exportação não aumentaram" e que o Brasil vem usando principalmente essa fonte de recursos do boom das commodities para aumentar a quantidade de importações.
"O Brasil pode se sentir orgulhoso de si mesmo com justiça. Mas precisará manter a vigilância para garantir que não semeie as sementes da próxima crise durante o presente período de prosperidade", conclui o artigo.

Fonte: http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2011/08/03/desafio-do-brasil-e-administrar-o-sucesso-diz-ft.jhtm

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